FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PRÉMIO NOBEL DA PAZ
OBAMA AINDA NÃO MERECE!














"A guerra não será erradicada no nosso tempo de vida, disse Obama, alegando que as nações serão obrigadas a avançar para o conflito quando estiverem em causa os seus legítimos direitos. E mais do que necessária a guerra pode ser justificada, seja por razões humanitárias, seja porque o inimigo não luta com as mesmas armas: Nenhuma negociação pode convencer a Al-Qaeda a depor as armas”.
Já por diversas vezes tenho manifestado as minhas dúvidas em relação aos critérios do Comité Nobel Norueguês noutros anos, a figuras no mínimo controversas. Desta vez, ainda fiquei mais apreensivo com atribuição do Premio Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama.
Independente do factor positivo de ter ganho as eleições que disputou de forma digna contra o candidato republicano e ter nos seus discursos incutido alguma esperança que apontava para algumas mudanças sociais, a verdade é que o jovem Presidente tem vindo a por em dúvida, as suas promessas iniciais.
Desde as controversas medidas económicas que tomou para enfrentar a “crise” cujos resultados tardam em inverter a grave situação com que se defrontam milhares de trabalhadores no desemprego. Mesmo na área da saúde o seu projecto inicial tem vindo a descaracterizar-se nos seus aspectos mais positivos por cedências constantes perante os lóbis e com alguns deputados democratas que conseguem ultrapassar os republicanos em conservadorismo retrógrado.
Mas no meio de todas as medidas controversas do seu programa, sem uma política concreta e bem definida, o que mais nos espanta a todos os que de certo modo acalentaram algumas esperanças na sua política externa, Obama não tem mostrado a firmeza necessária da defesa das suas ideias que apontavam para mudanças mais positivas em prol da Paz e do concerto com todos os países, melhorando as suas relações com a Europa, abolindo segundo dizia a forma arrogante e paternalista com que os Governos Americanos têm tratado os outros povos.
O tom inicial dos seus discursos foi-se alterando significativamente, em especial no que diz respeito à resolução dos conflitos em que os US estão envolvidos, escolhendo deliberadamente a manutenção e o reforço de militares e armamento, prosseguindo a instabilidade no Iraque e a guerra no Afeganistão, usando de todos os artifícios e ameaças contra muitos outros povos. A sua autoproclamada intenção de querer em curto prazo desmantelar as bases de Guantánamo, parece cada vez mais retardada no tempo e na forma, não só em relação à extinção desta prisão (num país estrangeiro), como também continuam nebulosos os critérios e medidas que vão ser utilizadas em relação aos prisioneiros, muitos deles encarcerados há longos anos, sem uma justa avaliação das causas.
Antes de mais, devo esclarecer que sou totalmente contra os meios de terror e violência que os fundamentalistas de todos os credos se servem para impor o seu poder e as suas ideias. Condeno veementemente, todos os actos de terrorismo, sejam os praticados no 11 de Setembro nos US e no 11 de Março em Espanha, sejam todos os outros que ao abrigo de uma pretensa liberdade ou de religião são praticados em todo o mundo, utilizando diversas formas de terror e violência, provocando a morte de milhares de pessoas inocentes. Muito embora reconheça de que em alguns casos a palavra terrorismo é aplicada injustamente contra os povos que se querem efectivamente libertar contra o colonialismo e outras formas de opressão, como foi o caso dos países Africanos que só com a perda de muitas vidas conseguiram almejar a sua liberdade.
Mas o que está em causa nesta atribuição do Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos, é o facto de se estar a condecorar uma pessoa que poucos meses após a sua tomada de posse, nega em actos e palavras todos os seus discursos a favor da Paz e da concórdia entre todos os Povos, sendo o exemplo mais flagrante a recente decisão de enviar mais 30.000 Militares para o Afeganistão, para quem anunciava a vontade de resolver as contendas através de negociações e consenso estamos bem servidos.
Ao receber o Prémio de Nobel da Paz, Obama num acto de hipocrisia farisaica, enalteceu as figuras cimeiras da Paz, Luther King e Nelson Mandela, mas logo assumiu o discurso dos antigos Presidentes Americanos, defendendo a estranha teoria de guerras justas e necessárias. Até quando e como é que uma guerra de ofensiva e ataque a um país estrangeiro pode ser considerada justa? Isso o laureado não explica, assim como não pode explicar o porquê de um em cada cinco americanos acharem que o “seu” Presidente não é merecedor desta distinção.
Para mim mais do que uma enorme desilusão pelos duvidosos critérios do Comité Nobel Norueguês na atribuição de tão alto galardão que já no passado cometeram erros históricos na sua avaliação, fica o acto de aceitação por parte do Presidente Obama de um Prémio para o qual ainda em nada contribui e que tudo aponta que no futuro só teremos a lamentar ainda mais a sua politica belicista, com mais guerras, dando-nos a dolorosa sensação de que as ideias do Imperialismo e Expansionismo americano continuam a servir de guia e orientação do detentor do Prémio Nobel da Paz em 2009.
CV-Dezembro de 2009
Martins Raposo




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

 ARY DOS SANTOS

Passam 25 Anos após o falecimento de um dos maiores Poetas contemporâneos que cantou o amor e a revolta como ninguém. Polémico, arrebatado e interveniente político, sempre solidário e militante consequente.
Os seus poemas foram cantados pelos melhores intérpretes portugueses e alcançaram enorme êxito a nível nacional e internacional. Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, foram entre outros, aqueles que deram voz à sua poesia.
A sua frontalidade e o engajamento ao PCP, contribuíram por uma certa imprensa o terem votado ao desprezo e olvidarem por completo a sua Obra, considerada uma das mais importantes no género. Cabe à minha geração que viveu e tetemunhou o seu valor, tudo fazer para que se não esqueça a sua voz e denunciar a hipocrisia dos vendilhões do " templo neoliberal" que tanto mal tem causado a todos os povos do mundo.
A sua postura vertical e acutilante, criou-lhe grandes inimizades, mas foram muitos os que ultrapassando a fanática segueira partidária lhe renderam a justa homenagem e foram seus amigos até ao fim da vida, entre muitos outros salienta-se o nome da Poetisa Natália Correia que fez um espantoso prefacio n o seu livro " As Palavras Das Cantigas",
Poemas como a "Estrela da Tarde", Meu Amor, Meu Amor", "Lisboa Menina e Moça", É Tarde Meu Amor" e tantos e tantos outros Poemas feitos canções memoráveis que andaram de boca em boca, no povo que ele amava.
Falta fazer em Portugal a Homenagem que este Poeta bem merece. Não basta que só o "seu" Partido se continue teimosamente bem a honrar a sua memória o País continua em dívida para com o grande Poeta que foi José Ary dos santos.
Que Viva o Poeta!
CV -04 de Dezembro de 2009

SUÃO

O MEU LIVRO DE OUTUBRO


O livro escolhido neste mês é da autoria de Antunes da Silva, Alentejano nascido em Évora em 1921 e falecido nesta cidade em 1997. O autor iniciou a sua obra em 1946, com Gaimirra, uma colectânea de contos, que relatam as vivências dos trabalhadores alentejanos, gente do povo, pequenos seareiros, ganhões, malteses, assalariados sem mais qualificações do que a força do trabalho. Gente que sofre as inclemências do clima e das leis que favorecem os senhores da terra, lutando contra as injustiças, perdendo quase sempre contra todas as forças adversas.
A seguir a Gaimirra, seguem-se com o mesmo estilo as Coletâneas, Vila Adormecida, Aprendiz de Ladrão, O Amigo das Tempestades; os Romances O Alentejo é Sangue, Terra do Nosso Pão e a Fábrica, este último editado em 1979.
Suão, escrito em 1960, é o seu primeiro romance, onde nos descreve num estilo vigoroso, a planície Alentejana com os senhores da terra impondo as suas leis arbitrárias, mesquinhas e selvagens contra os trabalhadores, sejam os pequenos seareiros, sejam os assalariados, uns acorrentados às imposições de rendas insuportáveis, os outros condicionados aos salários de miséria.
O drama deste povo, submetido ao poder dos latifundiários, despojado de todos os direitos até nos seus amores é roubado e desumanamente desapossado. Aos ricos tudo é permitido, aos pobres tudo lhes é retirado.
O autor descreve-nos um Alentejo, no qual predomina o agrário, inculto e mesquinho, autoritário, rei sem coroa que abusa na exploração desenfreada, manda e castiga a seu belo prazer, minimiza o trabalho de quem o serve, porque o trabalho o enerva, pagando mal ao campaniço e ao artista, chorando os tostões que entregam a quem lhe põe no bolso a sua fortuna..
Ainda existem hoje tais senhores, aborígenes de uma elite devassa e são eles, alguns dos latifundiários insensíveis, péssimos condutores de homens, que medem por varas de porcos, armazéns de lã e barracões de cortiça a sorte do seu semelhante nas escola dos seus valores sociais, que não acreditam na ciência, porque a ciência os obriga a pensar, que pressionam e convencem as entidades governativas para que não sejam instaladas zonas fabris nos concelhos aonde residem, que vão à igreja na tentativa de negociar a dimensão dos seus desvarios, e que não aceitam, tão pouco, nenhumas opiniões, intolerantes e ceguetas, ridículos e lambões que deixam ao desbarato e ao abandono, superfícies enormes de terrenos sem qualquer cultivo.
Retrato exagerado, radical e injusto? Eu diria que passados que são cinquenta anos, após a edição deste livro, basta percorrer as mesmas terras que o autor conhecia muito bem e verificamos que os grandes agrários pouco ou nada evoluíram e que a grande maioria das herdades, estão hoje cercadas por arame, sem qualquer cultivo, abandonadas e nem a possível exploração pecuária é correctamente exercida, sem critérios e a distribuição equilibrada de acordo com a natureza dos terrenos.
Acusam os críticos e detractores deste estilo de escrever e de apresentar a sua obra, denegrindo o neo-realismo, escola que dizem ser sectária e socialmente estar ultrapassada. A grande maioria destes críticos, são acérrimos defensores do neoliberalismo, contrários a tudo que cheire a teorias socializantes, porque dizem ser contrárias à “sua democracia” e defendem com todo o ardor, todas as medidas que levem ao esquecimento das obras de todos os escritores que se atreveram a escrever sobre os conflitos sociais e sobre luta de classes que declaram inexistente.
Para obterem o sucesso completo das suas teorias, tudo fazem para relegar para o ostracismo e esquecimento, escritores como Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Mário Dionísio, Fernando Namora, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol, José Gomes Ferreira, Castro Soromenho, Armindo Rodrigues, João José Cochofel, Sidónio Muralha, José Cardoso Pires, Urbano Tavares Rodrigues, Alexandre Pinheiro Torres e muitos, muitos outros.
Na minha modesta forma de entender o mundo, considero que é perfeitamente natural que quem escreve, possa escolher livremente o estilo que melhor se adapte ao seu gosto, aos seus conhecimentos e à sua sensibilidade estética. Actualmente, os grandes críticos e pensadores portugueses, são quase unânimes em considerar o neo-realismo como morto e enterrado nas catacumbas dos seus crânios fecundos e donos absolutos da verdade e do conhecimento universal. Pessoalmente, como simples leitor e como alentejano, filho de camponeses, continuo a deliciar-me com o SUÃO de Antunes da Silva e a considerar a sua obra como um testemunho de imenso valor sobre uma época que não está assim tão longe e que pelos vistos, deixou sementes que germinaram e sobrevivem como pragas funestas na paisagem alentejana.

Deixo para vós meus queridos amigos este lindo Poema, "Senhor Vento" e ao mesmo tempo uma recomendação, se ainda não leram nenhum livro deste escritor, façam-no enquanto é tempo, os "bombeiros do Fahrenheit 451" andam por aí.



Senhor Vento

Senhor Vento, ó Senhor Vento,

já não me posso conter,

veio a seca, tanto sol,

que anda por aqui a fazer?

Vá-se embora Senhor Vento,

não são horas daqui estar,

não há trevo nem há água

para o gado apascentar.

Tudo seco, Senhor Vento,

ai que morte, que morrer,

não há suco nem há seiva,

cinco meses sem chover...

Se cá ficar, Senhor Vento,

não tempera, só destapa

os horizontes de nuvens,

não há chuva neste mapa.

Tape a chaga, Senhor Vento,

siga siga para o mar,

já lhe disse, vá-se embora,

não são horas daqui estar!

Dou-lhe um tiro, Senhor Vento,

se andar aqui mais um dia,

gira gira, fora fora,

mande a chuva, não se ria.

Obrigado, Senhor Vento,

Empurre a nuvens, agora,

isso mesmo, traga as águas!

De contente, a terra chora.

Antunes da Silva

CV-Novembro 2009


Martins Raposo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Apenas cinco anos…
O velho estava sentado à lareira com a filha, lastimava-se com o tempo e a ingratidão dos "ajudas", que só ficavam no campo quando andavam muito precisados, depois desapareciam sem dizer agua vai. Estávamos em Janeiro e o Inverno estava muito agreste com muita chuva e frio. Há mais de quinze dias que mal se via o sol, amanhecia a chover e por todo o dia a agua corria por todo o lado, descendo os valados e engrossando as ribeiras que extravasavam o leito inundando os campos, arrastando nas correntes os animais mais pequenos.

- Na semana passada perdi um cordeiro já grandote. Deve ter resvalado na encosta da Ribeira da Vide. Sem ajudas e com os cães fracos e inúteis não consigo guardar o rebanho como deve ser. - O borrego era dos seus?
- Não era, mas o patrão assim que soube, disse logo para repor um dos meus. Não basta a miséria do ordenado mal dar para as sopas, como ainda o mau tempo me rouba os cordeiros. Já só tenho três depois dos outros dois terem morrido, um atacado pelos lobos e agora este vai na enxurrada.
-Onde é que anda o João?
-Qual deles? O mais velho anda aos mandados na D. Francisca, o mais pequeno deve andar por aí a vadiar, mas ele é tão pequenito.
O velho coçou a cabeça rala de cabelos brancos. Pensando bem o gaiato podia vir comigo, preciso de separar o rebanho, as cabras não podem estar mais tempo com a ovelhas. Eu dava-lhe as sopas, sempre ajudava.
A filha ia argumentar, mas o velho atalhou – Oh mulher, o que é tens nessa cabeça dura. Eu só quero ajudar, há por aí muito "ganapos" à boa vida, é só eu querer e levo um ou dois. Depois mais conciliador – Oh Quitéria a vida é assim, nós somos pobres e tu já tens cinco bocas, sem contar com o teu marido que muitas vezes não consegue arranjar trabalho. Estamos em crise, a guerra deu-nos cabo da República que dizia ser a favor dos pobres. Uma gaita…
Leve lá o gaiato, a verdade é que a vida está muito difícil e já há dias em que vai faltando a comida para tanta gente e os que podem ajudar, ainda nos gozam, dizem que somos mal governados. A vida é um inferno!
E foi assim que o João, apenas com cinco anos feitos em Abril, abalou para a Atalaia como ajuda do avô Pedro, na guarda das ovelhas e das cabras que só se lembra de serem muitas e mais altas do que ele.
Naquele Inverno, a erva não crescia com o gelo e o avô zangava-se muitas vezes com João que corria para junto das ovelhas, elas o defendiam do cajado que voava direito à sua cabeça.
Foram tempos muito duros, de madrugada quando saia da choupana, tinha que ir com grande cuidado pois os campos quando não estava a chover, estavam acamados de geada que lhe feriam os pés descalços, abrindo-lhe feridas dolorosas.
Naqueles ermos da Herdade, dias e dias sem ver ninguém, o João transido de frio, pensava na Mãe e nos Irmãos e nas brincadeiras no Castelo. Das duas vezes que fugiu o avô o veio buscar depois de levar uma sova da mãe e com os puxões de orelhas que o velho o arrastava até aos campos de martírio e sofrimento. Foram dois anos terríveis que jamais poderá esquecer.
O Ti Pedro, até nem era má pessoa, mas a vida dura tinha embotado os sentimentos, sempre a trabalhar nos campos dos senhores, ganhando uns míseros patacos, só há muitos poucos anos quando as forças já fraquejavam, o patrão concordou com o seu pedido para ser o pastor da casa. Já trabalhava nesta herdade há mais de cinquenta anos e tinha passado por todos os serviços mais duros da lavoura, abrindo valas, cavando os milheirais, ceifando as searas, debulhando os cereais com o mangal, vindimando e fazendo o vinho nas tunas. Tudo isto sem férias e sem regalias sociais, quando chega-se o tempo de não poder andar atrás do gado seria despedido sem apelo nem agravo, forçado a pedir de porta em porta, como tantos outros.
Quando chegava a noite, o velho acendia a fogueira à porta da choupana, para fazer as sopas, enxugarem as roupas e ao mesmo tempo afugentarem as raposas e os lobos que vigiavam e atacavam o rebanho ao menor descuido. Depois de terem comido as couves com feijão, o avô desembrulhava o queijo seco e duro e se estava com boa disposição, repartia com o neto, uma pequena parte a que juntava um bocado de pão de centeio.0
Nessas noites se a chuva não incomodava, ficavam um pouco de mais tempo ao lume e depois da ceia o velho tirava o cantil da choça, bebia duas ou três goladas de vinho e arrotando alarvemente, olhava com simpatia o “pequenote” que era um pouco reguila mas era despachado e leve a correr atrás do gado. Passava a mão calosa sobre os cabelos crespos do rapaz e desabafava – Esta vida é mesmo madrasta para com os pobres, devias de ir para a Escola, com algumas letras talvez escapasses a esta escravatura.
O João abanava a cabeça – Avô, o que eu quero é ir trabalhar numa horta. Tinha ouvido dizer que as pessoas que trabalhavam nas hortas dormiam na Vila e comiam bem – coelhos, frangos e muita fruta e ainda recebiam dinheiro.
O velho ficava fulo – Se te queres ir embora vai. Pensas que alguém te arranja trabalho? Onde é que tens força para pegar numa enxada? Se te fores embora, tenho logo aí meia dúzia de gaiatos mais fortes e valentes e sem medo das cobras e dos lobos. Ingrato e mal agradecido é o que tu és!
Levantava-se num repelão, sacudia os safões, tirava a peliça que punha em cima da palha e deitava-se com uma velha manta a cobrir os ossos. Ainda bem que o lume estava grande e o calor entrava pela porta da choupana sempre a resmungar baixinho acabava vencido pelo sono.

O João, olhava o escuro da noite com os seus olhos muito vivos e atentos, parece que tinha ouvido o uivar de um lobo. Chamou o “farrusca”, o cão mais pequeno que o avô deixava dormir na sua enxerga aquecendo-se um ao outro. Hoje a noite estava cheia de medos, ergueu a sua pequena cabeça para o céu à procura do sete-estrelo que o avô dizia que dava sorte e suspirando pensava – que bom seria trabalhar numa horta, nem que fosse como “ajuda”.






terça-feira, 27 de outubro de 2009

HERTA MÜLLER

Prémio Nobel da Literatura em 2009





 Mais uma vez a Academia Sueca, atribuiu o Nobel da Literatura a uma escritora quase desconhecida a nível internacional e muito pouco no nosso país com apenas dois livros publicados, “A Terra das Ameixas Verdes” e “O Homem é um grande Faisão”, este último dado a conhecer pelo Ensaísta e Crítico João Barrento.
Herta Müller, nasceu a 17 de Agosto de 1953, em Nitzkydorf, na Roménia, oriunda de uma família pertencendo à minoria alemã que foi marginalizada e perseguida naquele país sob o domínio da ditadura de Nicolau Ceausescu.
A escritora estreou-se em 1982 com o seu livro “Niederungen” uma recolha de contos que foi duramente censurada pela nomenclatura romena. Herta Müller foi perseguida pelo regime até quando prestava serviço como tradutora numa empresa particular, recusando-se sempre a colaborar com polícia política.
O clima de opressão terá sido determinante para que a escritora acabasse por escolher a Alemanha para viver e continuar a trabalhar na sua obra que já era bem conhecida neste país.
O Livro “Drückender Tango” segue o mesmo estilo acutilante e crítico para com o regime de Ceausescu, denunciando a marginalização das minorias que viviam na Roménia e na URSS onde a sua Mãe chegou a viver num campo soviético de trabalhos forçados. Desde o principio que os temas dos seus livros eram considerados não só como denúncias mas também como sendo a “voz dos povos despossuídos”.

São já 22 os Livros que escreveu, entre os quais se destacam os romances “Viajar num só pé” e “Atemschaukel editado em 2008. O crítico literário, Alexandre Pastor, diz-nos que este “foi um Nobel merecidíssimo” e compara Herta Müller a Virgil Gherorghiu, o autor da 25ª. Hora. João Barrento esclarece que “a autora já recebeu os principais prémios literários alemãs e vários de âmbito internacional”.
Há quem critique a Academia Sueca pela sua tendência que apontam para o reforço do critério político, deixando mais uma vez de lado, escritores há muito consagrados e com obra de grande relevo a nível mundial, como são os casos de Philipe Roth, Vargas Llosa, Amos Oz e até de Lobo Antunes que muitos críticos literários acham ser muito mais merecedores do que aqueles que nos últimos anos a Academia tem escolhido.
Pela parte que me toca basta-me saber que a Herta Müller é uma escritora comprometida que luta tenazmente em favor das minorias desfavorecidas no plano político e social, muito embora não deixando de dar razão aos descrentes no critério por vezes duvidosos da Academia Sueca que pelo seu prestígio, deveria ser sempre exemplar nas suas escolhas.
Por último, e atendendo ao facto de Herta Müller ser uma escritora relativamente jovem fico na expectativa de a laureada com o Nobel este ano, ainda pode vir a surpreender o mundo com uma obra de valor reconhecido por todos, muito para além da frouxa justificação da Academia.
CV – Outubro 2009
Martins Raposo
Notas: Dados recolhidos no JL e na Wipikédia

terça-feira, 20 de outubro de 2009

JOGOS FLORAIS EM CASTELO DE VIDE
















Foi no passado dia 03 de Outubro que se realizaram em Castelo de Vide, os 2ºs. Jogos Florais, organizados pela Câmara Municipal, com a colaboração do Grupo de Amigos de Castelo de Vide e Coordenados pelo Major Carlos de Oliveira.
O evento designado como Festival de Proclamação e Consagração dos Premiados, teve lugar no Cine-Teatro Mouzinho da Silveira, contou com a presença de mais de duas dezenas de premiados, alguns familiares e amigos, convidados e algumas dezenas de Castelovidenses que aparentemente não mostram grande entusiasmo por este tipo de incitativas culturais. O que a confirmar-se é uma pena, porque na verdade os Jogos Florais, são como disse o Major Carlos de Oliveira, uma tradição muito antiga e popular e são realizados com muita frequência no Alentejo, e geralmente têm uma grande afluência do público.


A cerimónia propriamente dita, teve lugar no palco, com uma mesa a que presidia em Representação da Assembleia Municipal, o Dr. João António M. Calha, ladeado pelo Vice-Presidente Câmara Municipal, Sr. António Manuel Nobre Pita e o Presidente da Direcção do Grupo de Amigos, Sr. José António Martins Raposo.
Na direcção e coordenação dos trabalhos, O Sr. Major Carlos de Oliveira, assessorado pelo Sr. Augusto Manso, membro da Direcção do GACV, que desde a primeira hora se dedicou com grande entusiasmo à concretização deste projecto e o Técnico de Som da CMCV.
Neste Concurso foram apresentados 264 trabalhos às diversas modalidades a que obrigava o Regulamento apresentado pelo Coordenador e aprovado pela Organização no princípio deste ano. O Júri composto pela Dra. Ana Patrício de Sá, Dr. João Filipe Bugalho e Dra. Maria Luísa Vasconcelos que procedeu à análise e classificação dentro de cada modalidade a que só a Monografia não foi contemplada e que ficou assim distribuída:
Modalidade Biografia: 1º. Prémio – Maria J. Gaspar de Oliveira; 2º. Prémio – José Augusto Pires; 3º. Prémio – Carlos Manuel S. Oliveira.
Modalidade Conto ou Narrativa: 1º. Prémio – Amílcar Mendes Inácio; 2º. Prémio – Paulo Jorge R. Mourão; 3º. Prémio – Lurdes Breda.
Modalidade Conto Infantil: 1º. Prémio – Maria de Lurdes P. Aguiar Trilho; 2º. Prémio – Maria Rosa V. Barralé; 3º. Prémio – José Bento M. Barbosa.
Modalidade Soneto: 1º. Prémio – Joaquim da Conceição B. Rato; 2º. Prémio – Glória Marreiros; 3º. Prémio – António J. barradas Barroso.
Modalidade Poesia Tema Livre: 1º. Prémio – João Batista Coelho; 2º. Prémio – Albano Mendes de Matos; 3º. Prémio – Maria Fernanda Tavares de Sá.
Modalidade Quadra: 1º. Prémio – José Gabriel Gonçalves; 2º. Prémio – João Batista Coelho; 3º. Prémio – Maria Custódia H.
Baptista.
Quase todos trabalhos premiados em prosa e poesia eram de grande qualidade, respeitando na íntegra o regulamento, revelando os seus autores conhecimentos e sensibilidade com bastante experiência literária.
Para além destes prémios, foram entregues menções honrosas a alguns Concorrentes.
Os prémios foram entregues por pessoas convidadas pela Organização e não se notou qualquer irregularidade ou contestação, apenas no final quando o Coordenador, Sr. Major Carlos Oliveira anunciou com tristeza, o facto de não haver nenhum Castelovidense premiado e ter sido por isso mesmo decidido como incentivo, atribuir um “Diploma” de participação, se ouviu um ligeiro "sururu" na vasta sala, onde já reinava algum cansaço.
É que os cinco concorrentes a residir em Castelo de Vide, não tinham sido devidamente esclarecidos sobre este tipo de atribuição. Mas mesmo assim, sorridentes lá subiram ao palco, a Prof. Vera , o Dr. Paulo Canário, a Dra. Helena Coelho, Sr. Fernando Valhelhas e Almerindo Graça.

Antes de terminar esta primeira parte do Espectáculo, o
Coordenador convidou o popular poeta repentista, Miguel Joanes que encantou a plateia com um poema adequado ao momento.
Finalmente, os elementos da Mesa teceram algumas palavras de elogio aos Concorrentes e o Coordenador Major Carlos de Oliveira fez o discurso final, visivelmente satisfeito com o resultado final desta iniciativa que apesar de algumas dores de cabeça, acabou por ser um acontecimento de grande importância cultural para Castelo de Vide que é importante repetir. Já lá vão quase trinta anos –
disse – que sou o responsável por este tipo de iniciativas, muitos destes concorrentes já os conheço há mais de vinte anos. Já somos quase uma Família todos meus amigos e companheiros destas viagens pela cultura feitas pelo país. Apesar de sentir já o peso da idade, ainda penso continuar mais alguns anos e vir de novo a Castelo de Vide para ajudar a realizar os próximos Jogos Florais.
Terminou o seu discurso com os agradecimentos à Câmara Municipal de Castelo de Vide que desde a primeira hora se mostrou interessada em organizar e custear todas as despesas com este evento. Agradeceu aos Trabalhadores da Câmara e ao Sr. Augusto Manso que esteve sempre ao seu lado ajudando para que os trabalhos fossem concretizados com o sucesso que todos hoje podemos testemunhar.
Na segunda parte dando cumprimento ao Programa, assistimos à brilhante actuação do Orfeão de Portalegre que sob a regência do Maestro Domingos Redondo, interpretaram algumas canções de grande qualidade com vozes bem afinadas e muito bonitas.
Em abono da verdade, podemos afirmar ter assistido a um importante acontecimento cultural, que os pequenos pormenores menos conseguidos não beliscaram o sucesso de todo o Espectáculo em que sobressaíram os trabalhos e os concorrentes premiados, nos quais se notavam fortes emoções reflectidas no “brilhozinho dos olhos”.
É importante que não se perca no tempo (o 1º. Foi em 1971?), este tipo de iniciativas. Dificilmente a Câmara Municipal poderia fazer melhor com a Coordenação de uma pessoa muito experiente nesta matéria, como é o Sr. Major Carlos de Oliveira, mas continuo como sempre a defender que se devem envolver e responsabilizar as Associações do Concelho, na participação activa destes eventos.
Estão a ver este jovem atrás da máquina de filmar? É o Diogo que esteve a filmar com a máuina do Sr. Augusto Manso, todo o Espectaculo guardando assim as únicas imagens filmadas deste acontecimento

CV – Outubro de 2009
Martins Raposo

NOTAS: Dados recolhidos do “livrinho” feito pela Câmara Municipal

Como adenda complementar junto dois dos sonetos classificados.
1º. PRÉMIO
FORMOSA SOLIDÃO

Formosa solidão, parceira qu’rida
A minha confidente em cada dia,
Nela me vem beijar a fantasia,
Nela repouso e acalmo a minha vida

Formosa solidão, minha guarida,
Nas horas de abandono e de magia.
Nela acarinho a paz e a nostalgia,
Nela cruzam-se encontro e despedida.

A solidão tem modos de mulher,
Tem laivos de deleite e de prazer,
Leva-me além do sonho, além de tudo;

Confunde com os meus seus gemidos
Toca-me, na volúpia dos sentidos
A solidão tem dedos de veludo

Autor: Joaquim da Conceição Barão Rato

2º. PRÉMIO
TERRA DOCE

A Terra era doce. Plantei emoções,
Com gestos suaves, saídos do peito.
Reguei-as com beijos de orgia, no leito .
Da colcha bordada com mil ilusões.

Cresceram, rebeldes, negando lições
Que alguém lhe quis dar, com doutrina e preceito,
Mas tinham o brilho do sonho perfeito
Em cachos de luz, emitindo visões

Na serra, granitos debruçam-se e esperam
A paz das sementes que ainda imperam
No seio da terra que o dogma lhes trouxe

Plantei emoções. E colhi no Outono
o néctar de ser sem ter dono
que abraça o prazer onde a terra é mais doce

Autor: Glória Marreiros
CV- Outubro de 2009
MR












MERCEDES SOSA "LA NEGRA"











Mercedes Sosa, faleceu no dia 04 de Outubro, em Buenos Aires, vítima de uma grave infecção renal. Tinha 74 anos e continuava a trabalhar intensamente no seu novo Álbum.Toda a sua vida foi de luta constante em favor dos oprimidos e por isso mesmo sofreu perseguições políticas e foi obrigada a abandonar o seu país, mas manteve sempre a mesma postura cívica, espalhando por todo o mundo, a sua mensagem de Liberdade em defesa dos “Descamisados” e dando “A voz aos sem voz”.
A grande cantora da alma latino-americana, ficou também conhecida pela “La Negra”, pelos longos cabelos negros que denunciavam a sua ascendência ameríndia, nasceu no dia 09 de Julho, no Dia da Independência do seu país, em San Miguel de Tucumán, no noroeste da Argentina.Mercedes Sosa, pertenceu na juventude à ala esquerda do peronismo e manifestou durante toda a sua vida a sua preocupação sociopolítico que se reflectiu no seu vasto reportório, tendo por isso sido perseguida pela ditadura militar de Jorge Videla que a obrigou a exilar-se em França e em Espanha, em meados dos anos 70. Foi nessa altura que esteve em Portugal, na Festa do Avante de 1979 onde felizmente tive a oportunidade de assistir ao seu extraordinário espectáculo, realizado no Alto da Ajuda.A célebre cantora começou a ser conhecida após o lançamento do seu primeiro álbum, “La Voz de la Zafra” editado em 1959. Fez parte com os Poetas Tejada Gomez, Óscar Matur e Eduardo Aragón, da “Nueva Canción” com raízes africanas, andinas e espanholas e marcada pela ideologia do socialismo de que o seu álbum “Canciones Com Fundamiento” é bem representativo.A sua voz inconfundível, poderosa mas com um timbre mavioso, encantou todo o mundo e marcou várias gerações de intérpretes em todo o mundo, alguns dos quais partilharam o palco com “La Negra”. Foi a corajosa intérprete de Ariel Ramirez, de Feliz Luna e de muitos outros compositores e poetas do seu país e do estrangeiro.Em 1971, gravou a canção “Gracias à la Vida” como tributo à sua autora Violeta Parra que alcançou em todo o mundo enorme sucesso. León Gieco, Charly Garcia, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luciano Pavarotti, Joana Baez e Pablo Milanês, são outros dos compositores e artistas que a cantora interpretou ao longo da sua vida.Mercedes Sosa, regressou ao seu país em 1982 e a partir daí deu uma série de fabulosos espectáculos no Teatro Colón de Buenos Aires e por outros palcos da Argentina, sendo também convidada a actuar no Lincoln Center, no Carnegie Hall e no Teatro Mogador.Em 2000, Mercedes Sosa, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e o Caribe, e ganhou o Grammy Latino em 2000, 2003 e 2006, com as canções, “Misa Crioula”, “Acústico” e “Corazon Libré”. A sua interpretação de “Balderrama” do Poeta Horácio Guarany, faz parte da trilha-sonora do filme de 2008, “Che” e o seu último álbum “Cantora”, encontra-se nomeado para tês prémios Grammy.Canções como “Solo Pido a Dios”, Como La Cigarra”, Serenata para La Terra Uno”, “Canção con Todos”, “Canción De Los Simples” e muitas outras são um verdadeiro bálsamo para todos aqules que amam a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.Mercedes Sosa, apoiou em 2005, a candidatura de Cristina Fernández de Kirchener à Presidência da República. Kirchener por sua vez, declarou luto nacional durante três dias (caso muito raro no nosso país), e o seu corpo foi velado no Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires.
HASTA SIEMPRE CAMARADA MERCEDES SOSA!
CV – Outubro de 2009Martins Raposo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009



DIA MUNDIAL DA MÚSICA





Neste dia Mundial da Música, elevo a minha “batuta” à Casa da Música do Porto que foi quanto a mim a que deu ao País um exemplo de grande significado do valor que os seus responsáveis dão a este dia, apresentando várias orquestras a tocar por toda a cidade.
A Casa da Música do Porto é seguramente, uma das maiores e melhores Escolas de Aprendizagem de Música - Um Conservatório a sério, com centenas de alunos a partir dos quatro anos. O Apoio que tem dado aos Jovens Músicos a nível individual e colectivo tem recebido os melhores elogios dos responsáveis pela Cultura.
O Dia Internacional da Música foi proposto e celebrado pela primeira vez em 1975 pelo grande músico e violinista Yehudi Menuhin na altura Presidente do Conselho Internacional da Música (International Music Council)
São seus objectivos: «-a promoção da arte musical em todas as secções da sociedade
- a aplicação dos ideais da UNESCO de paz e amizade entre os povos
-a evolução das culturas, a partilha de experiências e a apreciação mútua dos diversos valores estéticos (
...) »
Este ano, o Dia Mundial da Música, ocorreu sob o signo do “Pai da Música Clássica”, Joseph Haydn, nasceu em 31 de Março de 1732, na cidade Rohram, na Áustria e faleceu em Viena no dia 31 de Março de 1809.
A Casa da Música tem estado a comemorar os duzentos anos da morte de Haydn com um vasto programa do melhor da sua obra musical e que teve o seu ponto alto no mês de Setembro, com a Orquestra Nacional do Porto sob a direcção do Maestro Cristoph Koning, a interpretar todos os Concertos. As Comemorações terminam no dia 05 de Dezembro, com a referida Orquestra a realizar um concerto que ficará memorável com a execução do célebre tríptico sinfónico, “A Manhã, O Meio Dia e a Tarde”.
Haydn também foi apelidado de “Pai da Sinfonia” porque foi neste género musical que o compositor compôs durante mais de trinta anos mais de 90 sinfonias. Embora houvesse no seu tempo mais compositores que se interessaram em compor sinfonias, o “Mestre” impôs a sua classe e a qualidade da sua música colocam-no como um dos mais influentes compositores da música erudita ocidental.
Haydn inicia a sua obra sob influências do Barroquismo e termina já nos alvores do Romantismo, fazendo parte por direito próprio, da célebre “Trindade Vienense” ao lado de Mozart e de Beethoven.
Para além das Sinfonias, escreveu também as famosas Obras Corais, Sonatas e as Oratórias, com as composições “ A Criação e As Estações do Ano” são os pontos mais altos deste período. Haydn também compôs algumas Óperas, embora não fosse esta a modalidade de eleição pessoal.
O genial Compositor teve uma juventude bastante atribulada, de origens modestas, os Pais reconhecendo a sua vocação musical, pediram ajuda de familiares para completar a sua aprendizagem, o que de facto aconteceu com alguma dificuldade.
Com apenas 27 anos, é nomeado mestre de capela do conde Karl von Morzin onde começou a escrever as suas primeiras Sinfonias. Mais tarde, sob a tutela do príncipe Paul II Ezsterday que reconheceu o seu génio, alcança a notoriedade com a divulgação do seu trabalho em todo o país, mas foi com Nikolaus I Ezsterházy, grande mecenas que era comparado a Lorenzo de Médicis, “ O Magnífico”, que ofereceu Haydn todas as condições de trabalho no qual se vai distinguir a nível internacional como um dos grandes génios da música clássica.
Como Mestre de Capela, conseguiu formar uma Orquestra com os melhores instrumentistas da época, como o célebre Luigi Tomasini. Como Compositor escreveu o seu Concerto para Violino nº.1. As suas Obras são geralmente adaptadas aos instrumentos e músicos existentes no seu tempo, como foi o caso das “Sete Últimas Palavras” originalmente concebida para orquestra mas que Haydn reformulou para um quarteto de cordas e uma cantata com cantores solistas, tendo ficado como uma das mais importantes obras de música sacra.
“O Pai da Música Clássica” teve a sorte de ver a sua Obra ser reconhecida a nível internacional e ser considerado um dos melhores compositores de sempre. Os últimos anos de vida foram passados em Viena, mantendo sempre uma enorme tranquilidade (o que não é muito comum entre os grandes génios), que o tornavam numa pessoa afável e optimista, granjeando facilmente a amizade dos seus conterrâneos e de todos os músicos que sabiam ter nele um defensor acérrimo dos seus direitos e da sua dignidade. O seu bom humor apenas foi quebrado perto do fim da sua vida, quando se sentiu incapaz de continuar a compor.
A Casa da Música que eu conheci em 2007, quando fui com os elementos da Banda União Artística visitar este importante centro de cultura, que tenho a certeza de ser o maior a nível nacional está de parabéns por ter escolhido Joseph Haydn como compositor do ano, que como disse vai terminar no dia 05 de Dezembro e que eu deixo aqui aos meus amigos o desafio para assistirem a este extraordinário final das comemorações do bicentenário da morte do Compositor.
Vamos lá?
CV – Outubro 2009
Martins Raposo
NOTAS: Dados recolhidos da Wikipédia e da História da Música Ocidental de Donald J.G. Grout e Claude V. Palisca.

sábado, 17 de outubro de 2009

ANA RITA PUBLICA O SEU PRIMEIRO LIVRO
“APENAS EU”










“APENAS EU”, é o título do primeiro Livro de Ana Rita que nos confessa no seu Prefácio que foi um sonho concretizado, uma sensação de felicidade e realização pessoal que não se descreve…
Ana Rita Miranda Moura Ramos, nasceu em Portalegre em 1979, mas viveu em Castelo de Vide até entrar na Universidade Católica Portuguesa em Viseu, onde tirou a licenciatura em Estudos Portugueses e Ingleses. Dançou ballet e participou em diversos saraus de poesia.
Tem desenvolvido a sua actividade profissional em várias escolas e sob o ponto de vista do enriquecimento curricular, pessoal e profissional, tem assistido a diferentes acções de formação e foi intérprete de inglês em Part-time.
Nos tempos livres, gosta de música, de literatura e de cinema. Gosta de praticar desporto e adora viajar.
Menina precoce e sensível para as artes, começou a escrever desde muito jovem e a “Poesia” é o seu refúgio onde se espraiam os sentimentos de uma alma desperta para os grandes voos
Neste seu primeiro Livro, “revemos” as recordações de amizade, a saudade e os momentos amorosos com sentimentos profundos, sensuais e com laivos de mística poética, onde os anjos voam, protectores e cúmplices nas suas caminhadas. A Natureza, os Rios, os Lagos e o Mar têm grande importância nos seus versos que representam uma imagem perfeita da sua ligação com a paisagem e o seu mundo muito particular.
“APENAS EU”, é isto tudo e muito mais, que não cabe numa pequena crónica inábil para descrever a avalanche de sentimentos que nos provoca o cruzamento de imagens e sentimentos poéticos que a autora descreve com uma emoção
transbordante de lirismo e ternura.
É sem dúvida um Livro para ler e reler, que aconselho a todas as pessoas que gostam de poesia.
O seu lançamento foi um verdadeiro êxito, com a sala do 1º. Andar do Centro Municipal de Cultura, literalmente cheio de amigos e familiares que ouviram com toda a atenção a Autora fazer a apresentação da sua Obra. Na mesa ladeando a poetisa, encontrava-se
o Sr. António Nobre Pita, Vice-presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, e o Sr. João Guimarães, que traçou o seu perfil, destacando o interesse pelas letras revelado desde muito
jovem pelos seus escritos.
Antes de terminar a Sessão, foram lidos dois Poemas escolhidos pela Autora. O primeiro foi lido pela Dra. Cecília de Jesus Oliveira e tem o título:




Diz-me que vais ficar…

Se a porta se fechou
sobre o teu olhar,
diz-me apenas uma coisa,
diz-me que vais ficar.
Se o tempo não parar
e tiveres que te mudar,
se a vida não sorrir,
diz-me que vais ficar.
Se tu estiveres triste
e quiseres chorar,
limpa as tuas lágrimas
e diz-me que vais ficar.
Se o teu coração adoecer
e se quiseres desistir
lembra-te que ele pode amar
e diz-me que vais ficar.
Se te fartares de mim
e não me quiseres beijar,
descansa o meu coração
e diz-me que vais ficar.
Se achares que o mundo
não faz sentido,
não pares de lutar
e diz-me que vais ficar…
…ficar sempre comigo.
= . =
O segundo foi lido por José Martins Raposo

A Chuva bate nos vidros...

A chuva bate nos vidros,
as árvores dançam com o vento
e eu, atenta, vejo tudo.
Vejo a distância,
vejo uma folha que cai,
vejo o horizonte,
vejo a saudade insuportável.
Hoje estou triste,
agora apetece-me chorar
mas tento controlar-me
e dizer: basta de sofrimento!
A Chuva bate nos vidros
e a amargura da saudade
bate no meu coração.
O tempo passa depressa,
depressa como uma ilusão,
como a vida de alguém
que morre na solidão.
A chuva bate nos vidros
e eu continuo triste,
continuo a ter saudades
de quando tudo era fácil
e não havia distância.
A chuva bate nos vidros
enquanto penso naqueles que deixo para trás
e que também sofrem com a minha ausência.
A chuva bate nos vidros
mas não leva a minha saudade…
Finalmente, a autora visivelmente feliz e emocionada, atendeu os numerosos pedidos de autógrafos do seu Livro que foi editado pela “Atelier Editorial” com os apoios da Câmara Municipal de Castelo de Vide, Caixa Geral de Depósitos – Castelo de Vide, e Departamentos Culturais da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Notas: Dados recolhidos do próprio livro e de conversas informais com a Autora.
CV – 12.10.09
Martins Raposo

domingo, 11 de outubro de 2009

A FUNDAÇÃO ESTÁ MAIS RICA!








A Fundação Nª. Sª. da Esperança, promoveu no dia 25 de Setembro de 2009, um espectáculo de grande importância cultural a que deu o nome “Viver o Património” que se realizou nos claustros do Convento e contou com a colaboração da Banda União Artística, do Grupo Cénico da “Sociedade 1º. Dezembro” (Senhores Mário Raínho, Eduardo Valhelhas e André Barrigas), Senhor João Palmeiro, Dr.ª. Helena Isabel Coelho, Joana Junqueira Lopes, José Raimundo e D. Augusta Resende.
É de louvar esta iniciativa que o Dr. João Palmeiro que na qualidade de Presidente do Conselho de Administração decidiu aceitar o apelo que lhe foi feito pelo IGESTAR com o entusiasmo e a dinâmica a que já nos habituou e à Dra. Lúcia Junqueira de Castro que com profissionalismo e dedicação exemplar compilou e coordenou este projecto.
O espectáculo, com os colaboradores acima mencionados, recriou uma visão histórica dos 146 anos do nascimento da Fundação Nossa Senhora da Esperança, cujo fundador foi o “nobilíssimo” Senhor João Diogo Juzarte de Sequeira Sameiro, que deu lugar ao Asilo dos Cegos de Castelo de Vide. Recordaram-se algumas pessoas que de uma forma ou de outra deram prestígio a uma das melhores instituições do género.
Assim se distinguiram os nomes do Reverendo Padre Severino Diniz Porto, que se dedicou de alma e coração a essa generosa missão do ensino do Braille no Asilo dos Cegos e do Senhor José Branco Rodrigues, filantropo e pedagogo, principal responsável pela criação da Associação Promotora dos Cegos em Lisboa e que muito ajudou a nossa Fundação a constituir a sua Escola de Invisuais.
Falou-se ainda do interno João António da Esperança (formidavelmente interpretado por Helena Coelho), que no ano de 1891, foi estudar para o Asilo Escola António Feliciano de Castilho, em Lisboa, habilitando-se como Professor do nosso Asilo de Cegos.
Finalmente, o destaque para o Maestro Vicente Marçal, autor da música do Hino “A Coluna de Bronze” foi o professor de música que deu grande prestígio à Banda de Música do Asilo dos Cegos e também de louvar o Senhor Manuel dos Santos Marques, aluno da Escola do Asilo autor da letra do referido Hino.
Depois de um aturado trabalho de pesquisa das Partituras, coordenado pela Dra. Lúcia Junqueira de Castro, assessorada pelo Senhor Eduardo Valhelhas e que o Maestro Celestino Raposo, deu a sua inestimável colaboração com o arranjo final do Hino “A Coluna de Bronze” que foi muito bem ensaiada pela Banda União Artística em que os seus elementos, sob a batuta do Jovem Maestro Francisco de Jesus se esforçaram no sentido de nos oferecer uma extraordinária interpretação musical. Por último, uma palavra de grande apreço pela interpretação da Letra do Hino, interpretada pelo Senhor João Manuel Raínho Palmeiro com a sua voz muito bem timbrada e plena de emoção.
O espectáculo terminou com um pequeno Concerto da BUA e com duas peças de música clássica, interpretada pela cantora lírica, D. Augusta Resende, acompanhada ao piano pelo Senhor José Raimundo que receberam os justos aplausos da assistência que enchiam por completo dos Claustros do Convento de São Francisco.
Estão de parabéns os Organizadores e todos os intervenientes neste evento, muito em especial a Fundação Nossa Senhora da Esperança que com a recuperação das Partituras do Hino e de muitas outras músicas que faziam parte do espólio da Banda do Asilo dos Cegos. Por tudo isto, é justo afirmar que esta Instituição enriqueceu ainda mais o seu vasto Património Monumental e Artístico.


HYNNO “A COLUNA DE BRONZE”

Os prantos que nós choramos
Vão orvalhar á corollas
Das Flores que vai colhendo
Ao semear das esmolas.

Por tua mão benfeitora
Temos pão, temos carinhos,
Bendito seja o teu nome
Na Boca dos pobrezinhos

Os louros que o génio enfeixa
São como luz apagada
Mas os que a esmola conquistam
São como a luz da alvorada

As esmolas são a base
Do solio da Eternidade
É d’ellas que nascem os louros
Só filhos da caridade

Nos teus braços levantaste
A nossa pesada cruz
Aos pobres d’estes agasalho
Aos ceguinhos d’estes luz!

Autor: Manuel dos Santos
Notas: Fotos gentilmente cedidas por Alexandre Cordeiro e Manuel Isaac
CV- Setembro de 2009

Martins Raposo
DOS LIVROS
Do Livro que mais gostei no Mês de Agosto!


BARROCO TROPICAL, foi o Livro que mais me marcou nas leituras do Mês de Agosto. O seu autor, José Eduardo Agualusa, nasceu em 13 de Dezembro de 1960, na cidade do Huambo, em Angola. Estudou em Lisboa, no Instituto de Agronomia, licenciando-se em Agronomia e Sevicultura.
Descendente de famílias brasileira e portuguesa, José Agualusa, define-se como um escritor, afro-luso-brasileiro.
O seu primeiro Livro, “Nação Crioula” saíu em 1997, beneficiando o jovem escritor, de uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Centro Nacional de Cultura.
Recebeu o Prémio de Revelação Sonangol, com a publicação em 1989, do romance “A Conjura”.
Em 1997 foi distinguido com a Grande Prémio de Literatura da RTP, atribuído ao livro, “Nação Crioula” e em 1999 obteve o Grande Prémio de Conto da Associação de Escritores, com o seu livro “Fronteiras Perdidas”.
Em 2002, ganhou o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura, com o romance “Estranhos e Bizarros” e em 2004 recebe o Prémio Independente de Ficção Estrangeira, promovido pelo jornal britânico “The Independente”, pela publicação do seu livro “Vendedor de Passados”.
Já tinha lido do escritor, os seus livros: 1996, “Estação das Chuvas”; 2004, “Vendedor de Passados” e em 2007 “As Mulheres do Meu Pai”. Todos eles têm como cenário as terras de Angola e algumas referências a Portugal e ao Brasil. As suas personagens movem-se num mundo mágico e sensual, com um tom de sátira aos costumes e à sociedade actual.
Barroco Tropical segue na mesma linha de efabulação fantástica, contando-nos em “histórias” que se envolvem e cruzam, num mundo subterrâneo e sinistro. Impiedoso com o retrato de personagens que se movem na sombra e na lama onde muito poucos se salvam.
“Há quem diga que as personagens de Barroco Tropical”, vão do céu, ao submundo, no qual as formas ocultas, manejam, magoam e executam”. Concordo plenamente, embora o livro se nos apresente como uma parábola de um tempo futuro (2020) – “ Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical”.
Barroco Tropical é um livro muito duro, implacável e cáustico para com os interesses corruptos de alguns políticos com muito poder no jovem país que mesmo em 2020 Angola ainda o será. A densidade dramática do enredo, sufoca-nos como se estivéssemos numa pequena sala de exposições com um grande quadro negro à nossa frente, no qual a única luz viesse de uma pequena clarabóia no tecto, ensombrada pela tempestade e por uma estranha figura de mulher.
Este livro transporta-nos para o realismo-mágico das literaturas latino-americanas, de onde sobressaem uma plêiade de escritores como do portentoso génio de Garcia Marques. Parece-me de grande significado o próprio título que nos avisa com o seu estilo radical e exuberante, estarmos perante um “monumento” que não nos deixa indiferente e nos agarra freneticamente do princípio ao fim.
A Luanda que nos parece transfigurada e transida de medo e de terror, não é a cidade maravilhosa que eu conheci nos anos 60 e 70, que apesar de ter efectivamente algumas fronteiras a dividir as classes sociais e dos seus “muceques” serem bairros pobres e degradantes, possuía uma atmosfera especial, repleta. de luz e musicalidade feliz.
Outros grandes escritores Angolanos, a começar pelo meu amigo Pepetela, deste aparente caos que se vive na belíssima Luanda, têm feito descrições muito semelhantes. A Literatura tem também esta missão de carregar um pouco nas cores mais feias, para sacudir o leitor, abaná-lo para que também nós possamos contribuir para quês estes tempos mais tristes se transformem num mundo melhor.
Quem sabe, talvez não seja preciso esperar até 2020, para voltarmos a ver os luandenses mais felizes com uma cidade mais justa e mais bela.
CV – Setembro de 2009
Martins Raposo

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MICHAEL JACKSON
Porque gosto efectivamente de toda e qualquer música que tenha qualidade, independente dos estilos e dos ritmos. Porque sou uma pessoa de gostos diferenciados em todas as áreas da cultura (já o disse algures), dependendo apenas do momento e do estado de espírito, assim posso-me levantar a ouvir Mozart ou até mesmo Schoenberg, para depois de almoço sentar-me a ouvir, João Gilberto ou Elis Regina, para mais tarde ao lanche, mudar para Zeca Afonso e Adriano, passando por Bob Dylan,
Se o jantar corre bem, e o vinho é bom convidem-me para dançar ao som dos Beatles, dos Rolling Stones ou dos Pink Floyd. Mais tarde posso enternecer-me com a Billie Holiday ou com a Ella Fitzgerald e pela madrugada adormecer ao som de Amália.
Isto pode ser exagero, mas pelo meio posso ainda ouvir os U2, os Nirvana os Queen ou os Coldplay. Também gosto de ouvir os The Bee Gees, The Beach Boys, Os Xutos & Pontapés, Bob Marley e muitos outros.
Isto só para dizer que fiquei triste quando soube o que “Rei da Pop” tinha falecido repentinamente quando se preparava para lançar mais um trabalho musical. Tinha apenas 50 Anos, mas a sua vida foi vivida de uma forma muito intensa com milhares de espectáculos em todo o mundo.
Foi o criador de um estilo de música no qual a dança e os movimentos frenéticos do corpo e dos pés levavam à loucura os seus fãns e inventou figuras de estilo que vão ficar para sempre na nossa memória, como foram o Robot, The Lean e o famoso Moonwalk
Os anos 80 e 90 foram os mais fulgurantes da sua carreira, quando lançou os Álbuns, Off the Waal, Thriller, Bad e Dangerous alcançaram os maiores êxitos da sua carreira.
Ganhou muitos prémios nos quais se incluem numerosos Grammys vários records certificados pelo Guiness World Records. Vendeu milhões de discos que lhe renderam uma imensa fortuna.
Como muitos outros Artistas, foi acusado na sua vida particular de ter cometido alguns excessos condenáveis pela falsa moral da sociedade americana. O mais grave, foi a acusação de abuso de crianças, mas a investigação levada a efeito foi arquivada por falta de provas concludentes. Foi um processo muito longo que para além de ter perdido uma grande parte da sua fortuna, lhe deve ter prejudicado a saúde que nunca foi muito boa.
Nascido de uma família problemática, mas muito ligada à música, cedo se distinguiu como vocalista dos “Jackson 5” dos quais faziam parte alguns dos seus irmãos. A Motown apoiou o seu grupo e ajudou a lançar a carreira de Michael Jackson que não tardou a conquistar por mérito próprio o sucesso e a celebridade mundial.
De assinalar a sua extraordinária obra em favor dos mais desfavorecidos. Jackson doou milhões de dólares ao “Dangerous World Tour e responsabilizou-se pela manutenção de 39 Centros de Caridade.
Não tendo sido um artista que tenha ganho a minha predilecção, reconheço o seu valor e o sucesso que alcançou como “Popstar” e que influenciou milhares de jovens da sua geração. Pelo seu contributo na música na qual criou o seu estilo pessoal, não podia deixar de registar o nome de Michael Jackson como uma das figuras mais importantes da Pop Music.
Foi pena partir tão cedo!
CV-Setembro 2009
JMartins Raposo