FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















domingo, 11 de outubro de 2009

DOS LIVROS
Do Livro que mais gostei no Mês de Agosto!


BARROCO TROPICAL, foi o Livro que mais me marcou nas leituras do Mês de Agosto. O seu autor, José Eduardo Agualusa, nasceu em 13 de Dezembro de 1960, na cidade do Huambo, em Angola. Estudou em Lisboa, no Instituto de Agronomia, licenciando-se em Agronomia e Sevicultura.
Descendente de famílias brasileira e portuguesa, José Agualusa, define-se como um escritor, afro-luso-brasileiro.
O seu primeiro Livro, “Nação Crioula” saíu em 1997, beneficiando o jovem escritor, de uma Bolsa de Criação Literária, atribuída pelo Centro Nacional de Cultura.
Recebeu o Prémio de Revelação Sonangol, com a publicação em 1989, do romance “A Conjura”.
Em 1997 foi distinguido com a Grande Prémio de Literatura da RTP, atribuído ao livro, “Nação Crioula” e em 1999 obteve o Grande Prémio de Conto da Associação de Escritores, com o seu livro “Fronteiras Perdidas”.
Em 2002, ganhou o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura, com o romance “Estranhos e Bizarros” e em 2004 recebe o Prémio Independente de Ficção Estrangeira, promovido pelo jornal britânico “The Independente”, pela publicação do seu livro “Vendedor de Passados”.
Já tinha lido do escritor, os seus livros: 1996, “Estação das Chuvas”; 2004, “Vendedor de Passados” e em 2007 “As Mulheres do Meu Pai”. Todos eles têm como cenário as terras de Angola e algumas referências a Portugal e ao Brasil. As suas personagens movem-se num mundo mágico e sensual, com um tom de sátira aos costumes e à sociedade actual.
Barroco Tropical segue na mesma linha de efabulação fantástica, contando-nos em “histórias” que se envolvem e cruzam, num mundo subterrâneo e sinistro. Impiedoso com o retrato de personagens que se movem na sombra e na lama onde muito poucos se salvam.
“Há quem diga que as personagens de Barroco Tropical”, vão do céu, ao submundo, no qual as formas ocultas, manejam, magoam e executam”. Concordo plenamente, embora o livro se nos apresente como uma parábola de um tempo futuro (2020) – “ Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical”.
Barroco Tropical é um livro muito duro, implacável e cáustico para com os interesses corruptos de alguns políticos com muito poder no jovem país que mesmo em 2020 Angola ainda o será. A densidade dramática do enredo, sufoca-nos como se estivéssemos numa pequena sala de exposições com um grande quadro negro à nossa frente, no qual a única luz viesse de uma pequena clarabóia no tecto, ensombrada pela tempestade e por uma estranha figura de mulher.
Este livro transporta-nos para o realismo-mágico das literaturas latino-americanas, de onde sobressaem uma plêiade de escritores como do portentoso génio de Garcia Marques. Parece-me de grande significado o próprio título que nos avisa com o seu estilo radical e exuberante, estarmos perante um “monumento” que não nos deixa indiferente e nos agarra freneticamente do princípio ao fim.
A Luanda que nos parece transfigurada e transida de medo e de terror, não é a cidade maravilhosa que eu conheci nos anos 60 e 70, que apesar de ter efectivamente algumas fronteiras a dividir as classes sociais e dos seus “muceques” serem bairros pobres e degradantes, possuía uma atmosfera especial, repleta. de luz e musicalidade feliz.
Outros grandes escritores Angolanos, a começar pelo meu amigo Pepetela, deste aparente caos que se vive na belíssima Luanda, têm feito descrições muito semelhantes. A Literatura tem também esta missão de carregar um pouco nas cores mais feias, para sacudir o leitor, abaná-lo para que também nós possamos contribuir para quês estes tempos mais tristes se transformem num mundo melhor.
Quem sabe, talvez não seja preciso esperar até 2020, para voltarmos a ver os luandenses mais felizes com uma cidade mais justa e mais bela.
CV – Setembro de 2009
Martins Raposo

Sem comentários:

Enviar um comentário