FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 6 de outubro de 2009

DOS LIVROS
O que mais gostei em Julho!

A bem dizer, tratou-se de reler um Livro que marcou as minhas primeiras leituras em Angola, de autores que só se encontravam nas mãos de poucas pessoas, conseguidos clandestinamente na Lello e na ABC. Terra Morta do escritor Castro Soromenho, foi publicada no Brasil em 1949, numa altura em que o autor residia em Portugal.
Castro Soromenho nasceu em Moçambique, no Chinde, a 31 de Janeiro de 1910 e faleceu 18 de Junho de 1968 em São Paulo, no Brasil.
Foi Jornalista, etnólogo e ficcionista, integarndo o movimento neo-realista, seguindo um estilo literário, muito próximo de Alves Redol.
Neste Livro, Castro Soromenho, descreve a vida numa vila do interior de Angola, na qual os Comerciantes, o Chefe de Posto e os Fazendeiros, usam e abusam da sua superioridade social, tratando os negros de forma racista como seres inferiores. O retrato impiedoso, denúncia o colonialismo como uma prepotência racial, com todos os horrores praticados em populações indefesas e duramente submetidas.
A Vila do Camaxilo, ficava na Lunda, tinha conhecido os tempos áureos da borracha e do negócio do marfim, chegando a haver mais de cinquenta lojas e os comerciantes encheram-se de dinheiro e os negros das senzalas tinham muito trabalho com que pagam os seus panos. Na época em que o autor descreve a sua narrativa tudo tinha mudado a vila estava empobrecida e o negócio era o de arregimentar os nativos para a Companhia dos Diamantes do Nordeste.
Castro Soromenho relata o drama desta gente, sem direitos, tratados quase como os escravos do antigamente, onde um ou outro consegue escapar, integrando-se na Administração do Posto, como Cipaios.
O Escritor fala ainda da mestiçagem, fenómeno tipicamente português, e da sua integração com os povos onde vive, foi assim no Brasil, em Moçambique, Angola, Cabo Verde e Guiné.
Nem todos eram colonos racistas! No meio em que viviam, uns de forma paternalista, outros porque eram puros e humanos. A personagem central do romance, Joaquim Américo é isso mesmo, um puro humanista, com ideais, ainda um pouco confusos, mas já numa perspectiva de mudança radical com o poder instituído. Tal como Soromenho, também ele esteve no Brasil e veio para Angola servir na Administração, numa terra do interior.
Ainda faltavam muitos anos para que as ideias de Castro Soromenho, vincadamente socialistas, tivessem a possibilidade de serem difundidas em liberdade, mas a coragem do escritor é de grande importância, embora tenha pago caro a sua ousadia.
A seguir a Terra Morta, Soromenho, escreveu Viragem e A Chaga, para além de Contos, Novelas e narrativas.
Foi um prazer reler esta Obra!

Sem comentários:

Enviar um comentário