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TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 7 de outubro de 2009

FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO

Já há muitos anos que durante o mês de Agosto a Câmara Municipal vinha organizando com algum êxito, as Festividades que em 1970 tomaram o nome de FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO, na altura com a participação da Paróquia. Mas estas Festas tinham há muitos séculos conquistado grande prestígio junto dos Castelovidenses de todos os visitantes nacionais e estrangeiros.
Nesse ano de 1970 as Festas apresentaram-se com um novo figurino e tiveram pela primeira vez, lugar a espectáculos e cerimónias de grande relevo. Houve uma enorme afluência de público aos Espectáculos que contou com um numerosa presença dos nossos vizinhos espanhóis.
Não resisto a transcrever a “Justificação e Desejo” do Presidente da Câmara em Exercício nessa altura, Sr. Engº. Malato Beliz:
Ao programar as Festas de Santa Maria de Agosto, o Pároco, a Comissão Municipal de Turismo e a Câmara Municipal pretenderam fazer reviver algumas das mais tradicionais festividades religiosas e populares do Concelho, certos de que elas vão directas ao coração do bom Povo de Castelo de Vide, o qual através dos séculos, sempre as viveu com a sã alegria e a abertura de espírito que tão belamente o caracterizam.
Que elas possam corresponder ao humaníssimo desejo de conviver, de sorrir e de distribuir por quantos nestes dias se reúnam à sua volta, familiares, amigos ou meros visitantes, os tão ancestrais e sempre renovados dotes de Povo hospitaleiro que são seu apanágio.
Que elas possam constituir, ainda, um verdadeiro cartaz turístico para a nossa tão bela região.
E, enfim, que todos aqueles que nos visitem, durante estes dias, estrangeiros e nacionais, se sintam em sua casa e, ao partir, levem consigo a mais grata recordação de Castelo de Vide e da sua boa Gente.
O Programa desse ano, contemplava:
Os Festejos começaram no dia 02 de Agosto com a Banda União Artística a cumprimentar a população, a que se seguiram durante dias, os Concertos de Música pela Banda União Artística, Exposições, Festa em honra de Nª. Sª. Da Penha, Teatro Infantil, Jogos, Gincanas e Corridas. Homenagem aos ilustres Castelovidenses – Garcia d’Orta e Dr. Morato Roma, com Exposição Bibliográfica e Conferência.
No último dia das Festas, a 15 de Agosto, deu-se grande relevo à visita de autoridades autárquicas da nossa vizinha Espanha que terminou com um grande festival de folclore Luso-Espanhol. Houve ainda neste dia um desfile etnográfico e um cortejo de açafates.

Ressalvando as devidas distâncias no tempo e na circunstâncias de cada momento, quem é que não concorda com os princípios enunciados nesta “Justificação”? A verdade é que mesmo nos últimos anos e já com a crise a castigar duramente as nossas vidas, os Castelovidenses continuaram a considerar as Festas de Santa Maria como o segundo grande momento de visitar a Família e os Amigos ( o primeiro é sem dúvida a Páscoa). Entretanto, o modelo das Festas foi-se alterando, deixou de haver o Cortejo do Traje e as Touradas no Largo de S. Roque que deram lugar à Feira de Artesanato e aos Espectáculos Musicais.
Nos últimos anos procurou-se, implementar a semana da gastronomia, sem os resultados que seriam de esperar, mas que seria importante implementar com outro formato que poderá vir a dar excelentes resultados.
Este ano a Câmara Municipal resolveu alterar por completo o figurino dos últimos anos e as Festas de Santa Maria de Agosto, ficaram reduzidas em termos de Espectáculos, acabou-se com a Feira de Artesanato e centralizaram as inciativas para os arrabaldes da Vila, num Parque Chamado de Engº. Malato Beliz, junto à Ribeira de São João. O Programa foi curto e pobre, salvando-se apenas o Festival de Folclore, o Concerto da BUA e pouco mais.
Com a excepção de alguns jovens que na sua imensa generosidade, acabam por aceitar “boa a música” que lhe dão; todas as pessoas com quem falei se mostraram profundamente desiludidas e defraudadas com esta mudança tão radical que transformaram as Festas de Santa Maria, como uma pequena festa de fim-de-semana, sem interesse para a maioria da população.
Note-se, que não pretendo criticar a Associação da Juventude Local (Ekosiuvenis), nem tão pouco o Rancho Folclórico ou a Banda de Música, que tentaram com os parcos meios de que dispunham dar uma certa dignidade aos festejos e às actuações respectivas e julgo até que em anos futuros terão que ser estas e as outras Associações do Concelho a tomar a seu cargo a responsabilidade de organizar as Festas de Santa Maria, pois só assim teremos a garantia destas não acabarem de vez e de terem o relevo e a importância que os Castelovidenses merecem.
É lógico e compreensível se façam alterações ao formato e modelo seguido durante bastante tempo, mas neste caso particular, penso que seria útil a Autarquia ter apresentado o seu “novo” Programa às forças vivas do município, respeitando a tradição de um evento que tem na história local uma importância de grande relevo cultural e social.
Estou entre aqueles que defendem uma programação e calendarização de iniciativas, ao longo do ano, estimulando e apoiando as Associações na sua realização, respeitando no geral uma Agenda Cultural, Desportiva e de Lazer, que deve ser aprovada no final de cada ano pelos interessados directos.
Por isso mesmo, dou os parabéns pela Autarquia levar a efeito uma grande inciativa de âmbito cultural a que deu o nome de “Viver a História” e que vai ter lugar no próximo fim-de-semana (4,5,6 e 7 de Setembro) e que tanto sucesso tem tido noutras terras. No entanto e dando voz aos numerosos comentários que criticaram a “alteração ao formato” das Festas de Santa Maria, alerto para o bom senso das entidades responsáveis, que sempre tem havido até agora nestas questões cruciais, no sentido de que no próximo ano estas voltem de novo a ter o brilho e a importância que os Castelovidenses merecem.
Não resisto a incluir neste apontamento, o artigo inscrito no Programa das Festas de Santa Maria de Agosto, no ano de 1972:
“FESTAS
Está cheio delas o calendário.
Não há cidade, vila ou aldeia que não tenha as suas.
Festas como as nossas, diz o Povo, não as há em terra alguma.
As comunidades, que a busca do pão parece desfazer, refazem-se e encontram-se nas Festas.
No geral, andem por onde andarem os filhos da terra, as festas que o povo celebrar à volta da sua igreja ou de alguma capela, em louvor de Nossa Senhora, de Santa Margarida ou de Santo António ou de outro Santo, à sua casa os faz voltar.
Querem matar as saudades!
Querem ver as pessoas de família que ficaram, os amigos de infância, as ruas e caminhos.
Querem… sabe-se lá tantas vezes o quê!
Querem voltar.
Festas de Santa Maria de Agosto!
Festas de Castelo de Vide!
Hora alta de comunhão humana e cristã.
Saltando por cima de tudo quanto possa separar, é altura de nos darmos as mãos, de aproveitar ao máximo a graça do encontro, dos filhos com os pais, com os irmãos e companheiros de escola, com a Senhora da Penha, com…
Como é bom, diz a sagrada Escritura, o encontro dos familiares e amigos!
E quem não fica com mais coragem para retomar o trabalho que tantas vezes separa, sabendo que, passado um ano, voltará e terá de novo a graça do encontro?
E que neste encontro matará as saudades que não morrem e fará crescer o amor que as gera?
Festas!
Oxalá não falte quem as faça, embora com sacrifício.
Bendito !
que tanto bem faz e tantos frutos produz!
O PÁROCO ALBANO
E com esta bonita prelecção termino, com os sinceros desejos de que para o ano as FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO, sejam melhores do que foram este ano.
CV- Agosto de 2009
JMartins Raposo

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