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terça-feira, 27 de outubro de 2009

HERTA MÜLLER

Prémio Nobel da Literatura em 2009





 Mais uma vez a Academia Sueca, atribuiu o Nobel da Literatura a uma escritora quase desconhecida a nível internacional e muito pouco no nosso país com apenas dois livros publicados, “A Terra das Ameixas Verdes” e “O Homem é um grande Faisão”, este último dado a conhecer pelo Ensaísta e Crítico João Barrento.
Herta Müller, nasceu a 17 de Agosto de 1953, em Nitzkydorf, na Roménia, oriunda de uma família pertencendo à minoria alemã que foi marginalizada e perseguida naquele país sob o domínio da ditadura de Nicolau Ceausescu.
A escritora estreou-se em 1982 com o seu livro “Niederungen” uma recolha de contos que foi duramente censurada pela nomenclatura romena. Herta Müller foi perseguida pelo regime até quando prestava serviço como tradutora numa empresa particular, recusando-se sempre a colaborar com polícia política.
O clima de opressão terá sido determinante para que a escritora acabasse por escolher a Alemanha para viver e continuar a trabalhar na sua obra que já era bem conhecida neste país.
O Livro “Drückender Tango” segue o mesmo estilo acutilante e crítico para com o regime de Ceausescu, denunciando a marginalização das minorias que viviam na Roménia e na URSS onde a sua Mãe chegou a viver num campo soviético de trabalhos forçados. Desde o principio que os temas dos seus livros eram considerados não só como denúncias mas também como sendo a “voz dos povos despossuídos”.

São já 22 os Livros que escreveu, entre os quais se destacam os romances “Viajar num só pé” e “Atemschaukel editado em 2008. O crítico literário, Alexandre Pastor, diz-nos que este “foi um Nobel merecidíssimo” e compara Herta Müller a Virgil Gherorghiu, o autor da 25ª. Hora. João Barrento esclarece que “a autora já recebeu os principais prémios literários alemãs e vários de âmbito internacional”.
Há quem critique a Academia Sueca pela sua tendência que apontam para o reforço do critério político, deixando mais uma vez de lado, escritores há muito consagrados e com obra de grande relevo a nível mundial, como são os casos de Philipe Roth, Vargas Llosa, Amos Oz e até de Lobo Antunes que muitos críticos literários acham ser muito mais merecedores do que aqueles que nos últimos anos a Academia tem escolhido.
Pela parte que me toca basta-me saber que a Herta Müller é uma escritora comprometida que luta tenazmente em favor das minorias desfavorecidas no plano político e social, muito embora não deixando de dar razão aos descrentes no critério por vezes duvidosos da Academia Sueca que pelo seu prestígio, deveria ser sempre exemplar nas suas escolhas.
Por último, e atendendo ao facto de Herta Müller ser uma escritora relativamente jovem fico na expectativa de a laureada com o Nobel este ano, ainda pode vir a surpreender o mundo com uma obra de valor reconhecido por todos, muito para além da frouxa justificação da Academia.
CV – Outubro 2009
Martins Raposo
Notas: Dados recolhidos no JL e na Wipikédia

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