FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 20 de outubro de 2009

JOGOS FLORAIS EM CASTELO DE VIDE
















Foi no passado dia 03 de Outubro que se realizaram em Castelo de Vide, os 2ºs. Jogos Florais, organizados pela Câmara Municipal, com a colaboração do Grupo de Amigos de Castelo de Vide e Coordenados pelo Major Carlos de Oliveira.
O evento designado como Festival de Proclamação e Consagração dos Premiados, teve lugar no Cine-Teatro Mouzinho da Silveira, contou com a presença de mais de duas dezenas de premiados, alguns familiares e amigos, convidados e algumas dezenas de Castelovidenses que aparentemente não mostram grande entusiasmo por este tipo de incitativas culturais. O que a confirmar-se é uma pena, porque na verdade os Jogos Florais, são como disse o Major Carlos de Oliveira, uma tradição muito antiga e popular e são realizados com muita frequência no Alentejo, e geralmente têm uma grande afluência do público.


A cerimónia propriamente dita, teve lugar no palco, com uma mesa a que presidia em Representação da Assembleia Municipal, o Dr. João António M. Calha, ladeado pelo Vice-Presidente Câmara Municipal, Sr. António Manuel Nobre Pita e o Presidente da Direcção do Grupo de Amigos, Sr. José António Martins Raposo.
Na direcção e coordenação dos trabalhos, O Sr. Major Carlos de Oliveira, assessorado pelo Sr. Augusto Manso, membro da Direcção do GACV, que desde a primeira hora se dedicou com grande entusiasmo à concretização deste projecto e o Técnico de Som da CMCV.
Neste Concurso foram apresentados 264 trabalhos às diversas modalidades a que obrigava o Regulamento apresentado pelo Coordenador e aprovado pela Organização no princípio deste ano. O Júri composto pela Dra. Ana Patrício de Sá, Dr. João Filipe Bugalho e Dra. Maria Luísa Vasconcelos que procedeu à análise e classificação dentro de cada modalidade a que só a Monografia não foi contemplada e que ficou assim distribuída:
Modalidade Biografia: 1º. Prémio – Maria J. Gaspar de Oliveira; 2º. Prémio – José Augusto Pires; 3º. Prémio – Carlos Manuel S. Oliveira.
Modalidade Conto ou Narrativa: 1º. Prémio – Amílcar Mendes Inácio; 2º. Prémio – Paulo Jorge R. Mourão; 3º. Prémio – Lurdes Breda.
Modalidade Conto Infantil: 1º. Prémio – Maria de Lurdes P. Aguiar Trilho; 2º. Prémio – Maria Rosa V. Barralé; 3º. Prémio – José Bento M. Barbosa.
Modalidade Soneto: 1º. Prémio – Joaquim da Conceição B. Rato; 2º. Prémio – Glória Marreiros; 3º. Prémio – António J. barradas Barroso.
Modalidade Poesia Tema Livre: 1º. Prémio – João Batista Coelho; 2º. Prémio – Albano Mendes de Matos; 3º. Prémio – Maria Fernanda Tavares de Sá.
Modalidade Quadra: 1º. Prémio – José Gabriel Gonçalves; 2º. Prémio – João Batista Coelho; 3º. Prémio – Maria Custódia H.
Baptista.
Quase todos trabalhos premiados em prosa e poesia eram de grande qualidade, respeitando na íntegra o regulamento, revelando os seus autores conhecimentos e sensibilidade com bastante experiência literária.
Para além destes prémios, foram entregues menções honrosas a alguns Concorrentes.
Os prémios foram entregues por pessoas convidadas pela Organização e não se notou qualquer irregularidade ou contestação, apenas no final quando o Coordenador, Sr. Major Carlos Oliveira anunciou com tristeza, o facto de não haver nenhum Castelovidense premiado e ter sido por isso mesmo decidido como incentivo, atribuir um “Diploma” de participação, se ouviu um ligeiro "sururu" na vasta sala, onde já reinava algum cansaço.
É que os cinco concorrentes a residir em Castelo de Vide, não tinham sido devidamente esclarecidos sobre este tipo de atribuição. Mas mesmo assim, sorridentes lá subiram ao palco, a Prof. Vera , o Dr. Paulo Canário, a Dra. Helena Coelho, Sr. Fernando Valhelhas e Almerindo Graça.

Antes de terminar esta primeira parte do Espectáculo, o
Coordenador convidou o popular poeta repentista, Miguel Joanes que encantou a plateia com um poema adequado ao momento.
Finalmente, os elementos da Mesa teceram algumas palavras de elogio aos Concorrentes e o Coordenador Major Carlos de Oliveira fez o discurso final, visivelmente satisfeito com o resultado final desta iniciativa que apesar de algumas dores de cabeça, acabou por ser um acontecimento de grande importância cultural para Castelo de Vide que é importante repetir. Já lá vão quase trinta anos –
disse – que sou o responsável por este tipo de iniciativas, muitos destes concorrentes já os conheço há mais de vinte anos. Já somos quase uma Família todos meus amigos e companheiros destas viagens pela cultura feitas pelo país. Apesar de sentir já o peso da idade, ainda penso continuar mais alguns anos e vir de novo a Castelo de Vide para ajudar a realizar os próximos Jogos Florais.
Terminou o seu discurso com os agradecimentos à Câmara Municipal de Castelo de Vide que desde a primeira hora se mostrou interessada em organizar e custear todas as despesas com este evento. Agradeceu aos Trabalhadores da Câmara e ao Sr. Augusto Manso que esteve sempre ao seu lado ajudando para que os trabalhos fossem concretizados com o sucesso que todos hoje podemos testemunhar.
Na segunda parte dando cumprimento ao Programa, assistimos à brilhante actuação do Orfeão de Portalegre que sob a regência do Maestro Domingos Redondo, interpretaram algumas canções de grande qualidade com vozes bem afinadas e muito bonitas.
Em abono da verdade, podemos afirmar ter assistido a um importante acontecimento cultural, que os pequenos pormenores menos conseguidos não beliscaram o sucesso de todo o Espectáculo em que sobressaíram os trabalhos e os concorrentes premiados, nos quais se notavam fortes emoções reflectidas no “brilhozinho dos olhos”.
É importante que não se perca no tempo (o 1º. Foi em 1971?), este tipo de iniciativas. Dificilmente a Câmara Municipal poderia fazer melhor com a Coordenação de uma pessoa muito experiente nesta matéria, como é o Sr. Major Carlos de Oliveira, mas continuo como sempre a defender que se devem envolver e responsabilizar as Associações do Concelho, na participação activa destes eventos.
Estão a ver este jovem atrás da máquina de filmar? É o Diogo que esteve a filmar com a máuina do Sr. Augusto Manso, todo o Espectaculo guardando assim as únicas imagens filmadas deste acontecimento

CV – Outubro de 2009
Martins Raposo

NOTAS: Dados recolhidos do “livrinho” feito pela Câmara Municipal

Como adenda complementar junto dois dos sonetos classificados.
1º. PRÉMIO
FORMOSA SOLIDÃO

Formosa solidão, parceira qu’rida
A minha confidente em cada dia,
Nela me vem beijar a fantasia,
Nela repouso e acalmo a minha vida

Formosa solidão, minha guarida,
Nas horas de abandono e de magia.
Nela acarinho a paz e a nostalgia,
Nela cruzam-se encontro e despedida.

A solidão tem modos de mulher,
Tem laivos de deleite e de prazer,
Leva-me além do sonho, além de tudo;

Confunde com os meus seus gemidos
Toca-me, na volúpia dos sentidos
A solidão tem dedos de veludo

Autor: Joaquim da Conceição Barão Rato

2º. PRÉMIO
TERRA DOCE

A Terra era doce. Plantei emoções,
Com gestos suaves, saídos do peito.
Reguei-as com beijos de orgia, no leito .
Da colcha bordada com mil ilusões.

Cresceram, rebeldes, negando lições
Que alguém lhe quis dar, com doutrina e preceito,
Mas tinham o brilho do sonho perfeito
Em cachos de luz, emitindo visões

Na serra, granitos debruçam-se e esperam
A paz das sementes que ainda imperam
No seio da terra que o dogma lhes trouxe

Plantei emoções. E colhi no Outono
o néctar de ser sem ter dono
que abraça o prazer onde a terra é mais doce

Autor: Glória Marreiros
CV- Outubro de 2009
MR












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