FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 6 de outubro de 2009

A MÃE, A TRAVE MESTRA DA FAMÍLIA!


A Mãe era a trave da Família. Dirigia a casa, cuidava dos filhos, fazia os gastos domésticos e orientava as relações com os outros familiares e com a vizinhança. Para além disso, ainda trabalhava para ajudar a economia caseira. A educação dos filhos estava à sua responsabilidade, quando sabia ler, ensinava-lhes as primeiras letras, em muitos casos as únicas que eles viam pela vida fora.
Ao filho a Mãe, cuidava do seu comportamento e ensinava-lhe a moral e os deveres filiais que nas famílias pobres, queria dizer que tinha que arranjar trabalho logo que acabasse a 4ª. Classe, quando não era antes por necessidade de sobrevivência.
Era muito comuns verem-se garotos com pouco mais de seis anos a guardar gado como ajudante do pastor ou do boieiro, por esses campos fora, sujeito como os adultos às intempéries dos invernos e à torreira do sol nos verões.
A pequena mesada, um pouco mais do que o caldo, vinha para casa e as famílias com muitos filhos, conseguiam assim minorar as enormes dificuldades.
O Pai, esse tinha que topar a tudo, trabalho no campo, nas estradas, nos caminhos de ferro, nada se podia desaproveitar, até porque a mão de obra era maior que a procura o que levava os homens à Praça de Jornas, para de uma forma humilhante serem avaliados pelos capatazes e feitores que defendiam os interesses dos Patrões com o maior rigor, mesmo que fosse de forma desumana.
Havia Famílias onde durante a semana, só a Mãe, regressava a Casa todos os dias e comia sozinha o pão amargo com um bocado de toucinho, queijo ou algumas azeitonas.
O dia maior era o Sábado à noite, quando todos se juntavam à mesa, a comer uma boa sopa de feijão com couves, um bocado de toucinho com ferva e por vezes, queijo e um copo de vinho para o Pai.
A Mãe, qual abelha-mestra, era a última a sentar-se à mesa, sorrindo, olhando para o marido com o olhar limpo das amarguras. Estar com o seu Homem, era na maior parte das vezes a sua maior alegria e os momentos eram só aqueles.
Depois o Pai, saia até à taberna mais próxima, para falar com os amigos e beber uns copos, não era raro regressar a casa a já tarde e com os sentidos nublados pelo álcool. A Mãe velava à lareira, pacientemente, mexendo as brasas, aquecendo a cafeteira do café. Quem sabe o seu homem, ainda viesse bem disposto para beber com ela um bom café, antes de se deitar e fazer amor. Nessas alturas, a Mãe, descobria sempre uma velha garrafa de aguardente eu servia de prelúdio à conversação e aos afectos.
No Domingo, o Pai ia até ao quintal, arranjar lenha, acomodar as capoeiras, ver o porco, quando havia essas posses e preparava-se para mais uma jornada, o lugar do trabalho obrigava-os a abalar nesse dia à tarde, na segunda-feira tinham que pegar ao trabalho antes do nascer do Sol. A Mãe dava os últimos pontos na camisa e nas calças, inspeccionava as meias e as botas e preparava os avios para mais uma semana, quando não eram duas sem intervalos.
Nas tardes de Domingo, vinha até à porta e sentada no poial, conversava com as vizinhas, comentando as novidades que circulavam de rua em rua.
Era assim todos os dias e todos os anos! A Família e a casa estava bem assente na sua trave mestra.
Maio de 2009
JAMR

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