FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 20 de outubro de 2009

MERCEDES SOSA "LA NEGRA"











Mercedes Sosa, faleceu no dia 04 de Outubro, em Buenos Aires, vítima de uma grave infecção renal. Tinha 74 anos e continuava a trabalhar intensamente no seu novo Álbum.Toda a sua vida foi de luta constante em favor dos oprimidos e por isso mesmo sofreu perseguições políticas e foi obrigada a abandonar o seu país, mas manteve sempre a mesma postura cívica, espalhando por todo o mundo, a sua mensagem de Liberdade em defesa dos “Descamisados” e dando “A voz aos sem voz”.
A grande cantora da alma latino-americana, ficou também conhecida pela “La Negra”, pelos longos cabelos negros que denunciavam a sua ascendência ameríndia, nasceu no dia 09 de Julho, no Dia da Independência do seu país, em San Miguel de Tucumán, no noroeste da Argentina.Mercedes Sosa, pertenceu na juventude à ala esquerda do peronismo e manifestou durante toda a sua vida a sua preocupação sociopolítico que se reflectiu no seu vasto reportório, tendo por isso sido perseguida pela ditadura militar de Jorge Videla que a obrigou a exilar-se em França e em Espanha, em meados dos anos 70. Foi nessa altura que esteve em Portugal, na Festa do Avante de 1979 onde felizmente tive a oportunidade de assistir ao seu extraordinário espectáculo, realizado no Alto da Ajuda.A célebre cantora começou a ser conhecida após o lançamento do seu primeiro álbum, “La Voz de la Zafra” editado em 1959. Fez parte com os Poetas Tejada Gomez, Óscar Matur e Eduardo Aragón, da “Nueva Canción” com raízes africanas, andinas e espanholas e marcada pela ideologia do socialismo de que o seu álbum “Canciones Com Fundamiento” é bem representativo.A sua voz inconfundível, poderosa mas com um timbre mavioso, encantou todo o mundo e marcou várias gerações de intérpretes em todo o mundo, alguns dos quais partilharam o palco com “La Negra”. Foi a corajosa intérprete de Ariel Ramirez, de Feliz Luna e de muitos outros compositores e poetas do seu país e do estrangeiro.Em 1971, gravou a canção “Gracias à la Vida” como tributo à sua autora Violeta Parra que alcançou em todo o mundo enorme sucesso. León Gieco, Charly Garcia, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luciano Pavarotti, Joana Baez e Pablo Milanês, são outros dos compositores e artistas que a cantora interpretou ao longo da sua vida.Mercedes Sosa, regressou ao seu país em 1982 e a partir daí deu uma série de fabulosos espectáculos no Teatro Colón de Buenos Aires e por outros palcos da Argentina, sendo também convidada a actuar no Lincoln Center, no Carnegie Hall e no Teatro Mogador.Em 2000, Mercedes Sosa, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e o Caribe, e ganhou o Grammy Latino em 2000, 2003 e 2006, com as canções, “Misa Crioula”, “Acústico” e “Corazon Libré”. A sua interpretação de “Balderrama” do Poeta Horácio Guarany, faz parte da trilha-sonora do filme de 2008, “Che” e o seu último álbum “Cantora”, encontra-se nomeado para tês prémios Grammy.Canções como “Solo Pido a Dios”, Como La Cigarra”, Serenata para La Terra Uno”, “Canção con Todos”, “Canción De Los Simples” e muitas outras são um verdadeiro bálsamo para todos aqules que amam a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.Mercedes Sosa, apoiou em 2005, a candidatura de Cristina Fernández de Kirchener à Presidência da República. Kirchener por sua vez, declarou luto nacional durante três dias (caso muito raro no nosso país), e o seu corpo foi velado no Congresso Nacional da Argentina, em Buenos Aires.
HASTA SIEMPRE CAMARADA MERCEDES SOSA!
CV – Outubro de 2009Martins Raposo

1 comentário:

  1. Com um abraço e muitas felicitações pelo excelente trabalho que nesta área vens realizando, aqui fica um pequeno complemento do texto, até porque esta é uma das mais emblemáticas canções que Mercedes imortalizou.Tanto mais que parece adequada ao momento presente: «Tantas veces me mataron / tantas veces me morí / sin embargo estoy aquí / resucitando.»
    Ressuscitanto, pois!

    José Carrilho
    ____________________________


    Como La Cigarra

    Tantas veces me mataron,
    tantas veces me morí,
    sin embargo estoy aquí
    resucitando.
    Gracias doy a la desgracia
    y a la mano con puñal,
    porque me mató tan mal,
    y seguí cantando.

    Cantando al sol,
    como la cigarra,
    después de un año
    bajo la tierra,
    igual que sobreviviente
    que vuelve de la guerra.

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