FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 6 de outubro de 2009

NAQUELES ANOS 60


Naqueles tempos que os “kotas” de hoje gostam de relembrar como os anos dourados da sua juventude, passaram-se coisas fascinantes que deslumbraram e incentivaram a nossas frescas e revoltosas imaginações.Parecia que todo o Mundo se transformava aos seus olhos com uma rapidez nunca antes alcançada. A Ciência e os avanços da Tecnologia, estimulavam os seus ideais de uma utopia humanista, em que a Paz e o Amor Universal seriam as ideologias dominantes.As viagens espaciais foram uma das fortes componentes que alimentaram os seus sonhos visionários.
“Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigante para a humanidade”! Foi com estas palavras que Neil Armstrong anunciou ao Mundo a chegada do Homem à Lua. Os seus passos e os do seu companheiro, Edwin Aldrin, abriram uma das mais belas páginas da Humanidade.Luanda, ainda não tinha Televisão, naquele ano de 1969, as pessoas seguiram esta extraordinária aventura, através da rádio, pelas vozes de Sebastião Coelho e do celebre cientista Bettencourt Faria que do seu estúdio instalado no Centro Espacial da Mulemba, seguia passo a passo, o voo do Columbia que levou o modulo Eagle a alunar no nosso Planeta no dia 20 de Julho.Todo o mundo se maravilhou com mais esta enorme conquista do espaço. A juventude, acompanhava com particular atenção, todas as descobertas que os cientistas russos e americanos desenvolveram a partir dos meados dos anos 50 e que se intensificaram na década seguinte, numa disputa servida pelo móbil da guerra fria que atravessava a sua fase mais crítica de sempre.
Já naquela altura as pessoas se dividiam nas suas preferências entre os que apoiavam tudo o que era realizado pelos USA e outros em menor número que exultavam com os avanços tecnológicos da URSS que nos primórdios dos anos 60 averbaram grandes vitórias, com Yuri Gagarine a ser o primeiro humano, em 12 de Abril de 1961, a fazer uma orbita completa em redor da Terra, a bordo da Vostok I. Em Junho de 1963 Valentina Tereshkova tornava-se na primeira mulher a viajar no espaço. Os anos 60 foram férteis em extraordinários avanços da ciência e das artes, deram lugar a grandes movimentos sociais e culturais, entre os quais sobressaiu o Maio de 68, que trazia na sua génese uma nova forma de encarar o mundo. A juventude e os intelectuais da altura de entre os quais se destacavam os escritores existencialistas, Sartre, Beauvoir, Camus, tentaram acabar com os velhos tabus da sociedade e incrementar uma nova era em que imperasse o sempre sonhado “Homem Novo”.
Foi assim em Paris, e de certo modo em Woodstock, nos USA, nesse extraordinário Festival de Música, onde músicos como Joan Baez, Santana, Janis Joplin, Joe Cocker e Jimi Hendrix , abrilhantaram os três dias com um reportório de músicas fantásticas que ficarão para sempre na nossa memória. Este gigantesco encontro de jovens foi também o vértice do movimento Hippie que tinha como divisa a célebre frase “Peace and Love” opondo-se declaradamente contra a guerra do Vietname.Os USA debatiam-se com a firme oposição da sua Juventude que se rebelavam contra uma guerra injusta, praticada lá para os confins de um País do Oriente, que nada dizia ao povo americano, a não ser aos velhos xenófobos que acirradamente combatiam tudo o que cheirasse a socialismo. Tiveram que engolir o desastroso fracasso da Baía dos Porcos, um atentado falhado contra a jovem Cuba, libertada recentemente de uma Ditadura. Os Americanos lutavam em todas as frentes à procura de alguma vitória que lhes confirmasse a sua supremacia.O êxito conseguido com a Apolo 11 e os seus três astronautas, Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin “Buz” Aldrin, cada qual com uma função específica que foi cumprida na sua totalidade e com sucesso, veio dar uma lufada de esperança na desmedida ambição de quererem a todo o custo dominar o mundo.Infelizmente, os seus planos foram quase na sua totalidade alcançados, os USA não só têm dominado o mundo em termos económicos, como politicamente a suas ideias neocapitalistas, ganharam uma força determinante no ocidente. A derrocada dos países do leste contribuíram decisivamente para que se autoproclamassem os senhores absolutos de todos os povos, com algumas honrosas excepções como é óbvio.Assim a grande vitória alcançada naquele dia 20 de Julho de 1969 que deveria ter sido o começo de uma nova era em que a tecnologia científica ajudasse todas as outras ciências sociais e políticas a caminhar num sentido mais justo e humano, não passou de mais uma vitória dos políticos ultraconservadores Americanos, que serviu apenas os seus intentos maquiavélicos de dominar tudo e todos, dos quais o Presidente Reagan com a sua “Guerra das Estrelas”foi um dos expoentes máximos da teoria imperialista. Portugal vivia nessa época, os anos terríficos da ditadura salazarista, com os portugueses amordaçados por uma política fascista dominada pelo medo e pela repressão da PIDE e das Corporações patronais que agiam a seu belo prazer na exploração dos trabalhadores.Por outro lado, os anos 60, foram marcados pela vontade dos povos Africanos se libertarem do colonialismo. Este movimento alastrou-se às chamadas Províncias Ultramarinas de Angola, Moçambique e Guiné Bissau. O Salazarismo do “orgulhosamente sós” negando-se a negociar pacificamente, contrariando a oposição democrática, impôs aos jovens portugueses uma guerra injusta e inútil, que levou à perda de muitas vidas e causou enorme sofrimento aos povos envolvidos no conflito.À margem dos acontecimentos, Angola aparentemente, ganhou uma imagem de desenvolvimento económico que já vinha dos anos 50, beneficiando de um grande aumento da população branca vinda da Metrópole, de algumas Empresas Industriais e Comerciais e dos Bancos que investiram os seus capitais, na chamada “Jóia da Coroa do Império”. No entanto, a maioria do povo continuou a viver mal, com uma desigualdade social e económica muito grande, com os autóctones a sofreram de descriminação racial e os intelectuais mais activos a serem perseguidos e presos.Não cabe neste apontamento, desenvolver o tema sobre a justa luta dos povos pela liberdade e pela sua autodeterminação, noutros artigos e sempre que julgar oportuno, poderei pronunciar-me e desenvolver com mais dados esta delicada matéria. O mesmo poderei dizer em relação aos “anos dourados” sobre os quais certamente voltarei a escrever.
Por hoje, gostaria apenas de salientar que todos os movimentos iniciados na década 50 e 60 foram determinantes nas vitórias dos povos de vários países pela sua autodeterminação, pela libertação das “Províncias Ultramarinas” do jugo do colonialismo e pela liberdade do povo português conquistada com o 25 de Abril, foram estes sem dúvida dos momentos mais importantes, vividos pelos jovens da minha geração.Em jeito de conclusão, digamos que foi bom ter vivido esse tempo mágico e louco, de tantas correrias e ilusões. Em relação à Ciência com a qual comecei esta crónica, apenas duas curtíssimas notas (em Dó Sustenido Grave) – a primeira refere-se a esse sábio engenhoso que foi Bettencourt Faria, criador do melhor Centro Espacial em toda a África nos anos 60, reconhecido pela NASA, que chegou a utilizar os seus conhecimentos e pesquisas. A sua obra foi destruída em 1977, no momento em que foi barbaramente assassinado mesmo em frente à sua casa. Infelizmente, esse hediondo crime continua impune até hoje, sem o julgamento dos culpados.
A outra nota, vai para esse extraordinário jornalista que foi Sebastião Coelho, autor do célebre programa de rádio “O Café da Noite” que após o 25 de Abril foi forçado a viver no Brasil, num exílio de amargura e tristeza, vindo a falecer em 2000, sem nunca lhe terem sido reconhecidos os seus verdadeiros méritos, como profissional e cidadão exemplar que muito contribuiu para o enriquecimento cultural da juventude Angolana.Só mais uma nota, mas esta em "Mi Bemol", registando a minha sentida mágoa por não ter sido possível que Galileu tenha visto com os seus olhos, este lindo Planeta Azul, tal como aconteceu com Yuri Gagarine!Apesar de tudo, como diria Gedeão…O Mundo Pula e Avança!Martins Raposo
Publicada por Martins Raposo em 13:06

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