FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O TEATRO FICOU MAIS POBRE!

JOSÉ ARMANDO TAVARES DE MORAIS E CASTRO, faleceu no dia 22 de Agosto, vítima de cancro no pâncreas. Fazia 70 anos no dia 30 de Setembro.
Formou-se em Direito e muito embora nunca tivesse deixado por completo de exercer a advocacia, foi ao Teatro que dedicou toda a sua vida. Estreou-se em 1956 no Teatro Gerifalto, com a peça “A Ilha do Tesouro”, dirigida por Couto Viana. A partir daí nunca mais parou de representar.
Estreou-se na Televisão em 1958 com a peça “O Rei Veado”, uma adaptação de Carlos Gozzi , sob a direcção de Artur Ramos. Mais tarde, teve a oportunidade de desempenhar inúmeros papéis em telenovelas.
Foi um dos fundadores do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia com um projecto revolucionário para a época, apresentando nos anos de 1961 a 1965, peças de grandes Escritores nacionais e estrangeiros, “O Dia Seguinte” de Luís Francisco Rebelo,
“O Render do Heróis” de José Cardoso Pires, “Morte de Um Caixeiro Viajante” de Arthur Miller, “Humilhados e Ofendidos” de Dostoievski. Foram anos de grande actividade e de grande importância para o Teatro em Portugal, sempre acossados pela censura e pela PIDE.
Em 1968, funda o Teatro Aberto com João Lourenço e Irene Cruz, prosseguindo a sua corajosa representação de peças de autores que constavam da Lista Negra da Censurai Peter Weiss, Bertold Brecht, Max Frisch, Peter Handke e Bris Vian. É desta fase que encenou “É Preciso Continuar” de Luís Francisco Rebelo, e entrou em numerosas peças de teatro, contracenando com Armando Cortez, Cármen Dolores, Rogério Paulo, Paulo Renato, Rui Mendes e muitos outros.
Em 1985, faz em parceria com Nicolau Breyner a comédia “Pouco Barulho” que teve assinalável êxito e pouco depois aparece ao lado de Mário Viegas na Companhia Teatral do Chiado.
Em 2004 representa “O Fazedor do Teatro” de Thomas Bernard, sob a direcção de Joaquim Benite, na Companhia de Teatro de Almada, tendo-lhe sido atribuída a Menção Honrosa da Crítica pela sua representação que obteve enorme êxito.
Finalmente em 2000 alcança na Televisão, um enorme sucesso, no papel de Professor nos episódios das Lições do Menino Tonecas, ao lado de Luís Aleluia (O Menino Tonecas), uma peça de José Oliveira e Costa que se estreou na Rádio Clube Português em 1934.
Não se tendo distinguido como uma grande galã, como o foram os seus colegas, Ruy de Carvalho, Paulo Renato ou Rui Mendes, os seus papéis destacam-se pelo factor dramático, psicológico e humano.
Para além de o ter visto em muitos dos seus êxitos no Teatro e na Televisão, também tive a oportunidade de presenciar a leitura emocionada da Mensagem enviada por Álvaro Cunhal ao XIV Congresso do PCP realizado em 1992, em Almada, que levantou em peso, com uma prolongada salva de palmas, os milhares de Militantes presentes. Daí que foi também com emoção que ouvi na hora do adeus, os seus Colegas Joaquim Benite e Irene Cruz referiram-se a Morais e Castro, como “Um dos Imprescindíveis” de que nos fala o Poema de Bertold Brecht – “Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis”
“ATÉ AMANHÃ CAMARADA!”
In: Wikipédia” e Avante.
CV – Agosto/09
Martins Raposo

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