FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 6 de outubro de 2009

UM ESPECTACULO FABULOSO
COM JOSÉ CARRERAS
A velha parada da EPC, recentemente desactivada e transformada na Praça Fundação da Liberdade, em homenagem ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia, estava completamente cheia para ouvir um dos melhores Tenores do Mundo, numa iniciativa organizada e promovida pela Câmara Municipal de Santarém.
José Carreiras convidou para o acompanhar, a cantora lírica, Isabel Alcobia e a Orquestra Filarmónica das Beiras, sob a regência do Maestro David Gimenês.
José Carreras, abriu o espectáculo com L’Árlesienne de Georges Bizet, com uma notável interpretação que recolheu do público fartos aplausos, que se repetiram entusiasticamente ao longo deste extraordinário Concerto e no qual se incluíam obras de Charles Gounod, Gaetano Lama, Evemero Nardella, Léo Delibes, Josep Ribas, Salvatore Gambardela.
Interpretou em conjunto com Isabel Alcobia, o Die Lustigue Witwe de Franz Léhar e El Duo de la Africana de Manuel Cabalero. Por sua vez a cantora interpretou a solo,Die Flkedermaus de Johan Strauss e a Canção do Mar de Frederico de Brito e Ferrer Trindade.
No final e depois de um naturalíssimo encore com Isabel Alcobia, foi obrigado pelo Público a brindar-nos com mais três excelentes interpretações. Visivelmente emocionado despediu- se finalmente do público com a famosa Granada de Augustin Lara.
A Orquestra das Beiras, fundada em 1996, com a sua Sede na cidade de Aveiro, esteve sempre muito bem e brindou o público com duas excelentes interpretações, a Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni e do “La Bodas de Luís Alonso” de Jerónimo Gimenez.
José Carreras, nasceu em Barcelona, a 05 de Dezembro de 1946, começou muito jovem a interessar-se pela música clássica e diz-se ter ficado fascinado quando pela primeira vez ouviu Mário Lanza em The Great Caruso. Apoiado pela Família, ingressou no Conservatório Municipal de Barcelona e teve aulas com Francisco Puig e Juan Ruax o qual considera o seu “pai artístico”. A sua estreia foi na sua cidade natal, em 1970, no Gran Teatre del Liceu, interpretando a ópera Nabucco de Verdi.
Os seus enormes dotes vocais levam-no aos melhores Teatros de Ópera do Mundo, acompanhado pelas melhores Orquestras, dirigidas por famosos Maestros, como Von Karajan e Leonard Bernstein, entre outros.
A década de 80, foi particularmente difícil para Carreras acometido por uma Leucemia Linfóide de que conseguiu sobreviver depois de um severo tratamento que o obrigou durante algum tempo a suspender as suas actuações. Gradualmente retornou à Ópera em 1988 já estava de novo numa tournê
.
Mais tarde faz parte do Projecto “ Os Três Tenores” com Plácido Domingo e Luciano Pavarotti que alcançaram enorme sucesso em todo o mundo. Particularmente conhecido pelas suas performances nas obras de Verdi e Puccini, não enjeita dar a sua magnífica voz a outras obras clássicas como foi o caso de Cármen de Bizet e L’elisir d’Amore de Donizette, deste último compositor interpretou em parceria com Monteserrat Caballé a ópera Lucrezia Borgia.
José Carreras foi agraciado com numerosos prémios e distinções pelas suas interpretações a nível mundial e também pelas suas intervenção social humanística. Registe-se que das três vezes que esteve em Portugal, da primeira esteve no Espectáculo das 7 Maravilhas do Mundo, que se realizou em Lisboa e em 2009, ofereceu-se para actuar na Gala dos 50 Anos do Hospital de S. João do Porto.
Desta vez veio a Santarém a convite do Presidente da Câmara Municipal, Sr.Franscisco Moita Flores, para a inauguração da Fundação da Liberdade e todos os que tivemos o privilégio de assistir a este memorável espectáculo, estamos para sempre rendidos ao seu extraordinário talento, à sua voz divina e à sua simplicidade em palco e no convívio que teve com todos os que o acompanharam.
Há muito que desejava ouvir e ver pessoalmente José Carreras. Ter a sua obra quase completa não é o mesmo que ouvi-lo directamente. O mesmo se passava com a “Daia” que tem Carre(i)ras no nome e é natural de Santarém, duas boas razões para termos ido a este “Histórico Concerto” em Santarém.
Se alguém achar estranho (devido às minhas opções políticas) a clara indicação do nome do Presidente da Câmara que promoveu este Espectaculo, direi que o fiz de propósito. Não o conheço pessoalmente, mas as cerimónias do 10 de Junho e o relevo que deu à figura de Salgueiro Maia, nessa data e nos 35 anos do 25 de Abril deste ano, levam-me pessoalmente a considerar de excepcional importância este seu trabalho e “simbolicamente” atribuir-lhe uma nota de exemplar distinção.
Mas é com José Carreras que pretendo finalizar, para afirmar com toda a sinceridade que este foi sem dúvida o melhor Concerto (no género), que ouvi em toda a minha já longa vida.
Obrigado José!
Julho2009

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