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TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

PRÉMIO NOBEL DA PAZ
OBAMA AINDA NÃO MERECE!














"A guerra não será erradicada no nosso tempo de vida, disse Obama, alegando que as nações serão obrigadas a avançar para o conflito quando estiverem em causa os seus legítimos direitos. E mais do que necessária a guerra pode ser justificada, seja por razões humanitárias, seja porque o inimigo não luta com as mesmas armas: Nenhuma negociação pode convencer a Al-Qaeda a depor as armas”.
Já por diversas vezes tenho manifestado as minhas dúvidas em relação aos critérios do Comité Nobel Norueguês noutros anos, a figuras no mínimo controversas. Desta vez, ainda fiquei mais apreensivo com atribuição do Premio Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama.
Independente do factor positivo de ter ganho as eleições que disputou de forma digna contra o candidato republicano e ter nos seus discursos incutido alguma esperança que apontava para algumas mudanças sociais, a verdade é que o jovem Presidente tem vindo a por em dúvida, as suas promessas iniciais.
Desde as controversas medidas económicas que tomou para enfrentar a “crise” cujos resultados tardam em inverter a grave situação com que se defrontam milhares de trabalhadores no desemprego. Mesmo na área da saúde o seu projecto inicial tem vindo a descaracterizar-se nos seus aspectos mais positivos por cedências constantes perante os lóbis e com alguns deputados democratas que conseguem ultrapassar os republicanos em conservadorismo retrógrado.
Mas no meio de todas as medidas controversas do seu programa, sem uma política concreta e bem definida, o que mais nos espanta a todos os que de certo modo acalentaram algumas esperanças na sua política externa, Obama não tem mostrado a firmeza necessária da defesa das suas ideias que apontavam para mudanças mais positivas em prol da Paz e do concerto com todos os países, melhorando as suas relações com a Europa, abolindo segundo dizia a forma arrogante e paternalista com que os Governos Americanos têm tratado os outros povos.
O tom inicial dos seus discursos foi-se alterando significativamente, em especial no que diz respeito à resolução dos conflitos em que os US estão envolvidos, escolhendo deliberadamente a manutenção e o reforço de militares e armamento, prosseguindo a instabilidade no Iraque e a guerra no Afeganistão, usando de todos os artifícios e ameaças contra muitos outros povos. A sua autoproclamada intenção de querer em curto prazo desmantelar as bases de Guantánamo, parece cada vez mais retardada no tempo e na forma, não só em relação à extinção desta prisão (num país estrangeiro), como também continuam nebulosos os critérios e medidas que vão ser utilizadas em relação aos prisioneiros, muitos deles encarcerados há longos anos, sem uma justa avaliação das causas.
Antes de mais, devo esclarecer que sou totalmente contra os meios de terror e violência que os fundamentalistas de todos os credos se servem para impor o seu poder e as suas ideias. Condeno veementemente, todos os actos de terrorismo, sejam os praticados no 11 de Setembro nos US e no 11 de Março em Espanha, sejam todos os outros que ao abrigo de uma pretensa liberdade ou de religião são praticados em todo o mundo, utilizando diversas formas de terror e violência, provocando a morte de milhares de pessoas inocentes. Muito embora reconheça de que em alguns casos a palavra terrorismo é aplicada injustamente contra os povos que se querem efectivamente libertar contra o colonialismo e outras formas de opressão, como foi o caso dos países Africanos que só com a perda de muitas vidas conseguiram almejar a sua liberdade.
Mas o que está em causa nesta atribuição do Nobel da Paz ao Presidente dos Estados Unidos, é o facto de se estar a condecorar uma pessoa que poucos meses após a sua tomada de posse, nega em actos e palavras todos os seus discursos a favor da Paz e da concórdia entre todos os Povos, sendo o exemplo mais flagrante a recente decisão de enviar mais 30.000 Militares para o Afeganistão, para quem anunciava a vontade de resolver as contendas através de negociações e consenso estamos bem servidos.
Ao receber o Prémio de Nobel da Paz, Obama num acto de hipocrisia farisaica, enalteceu as figuras cimeiras da Paz, Luther King e Nelson Mandela, mas logo assumiu o discurso dos antigos Presidentes Americanos, defendendo a estranha teoria de guerras justas e necessárias. Até quando e como é que uma guerra de ofensiva e ataque a um país estrangeiro pode ser considerada justa? Isso o laureado não explica, assim como não pode explicar o porquê de um em cada cinco americanos acharem que o “seu” Presidente não é merecedor desta distinção.
Para mim mais do que uma enorme desilusão pelos duvidosos critérios do Comité Nobel Norueguês na atribuição de tão alto galardão que já no passado cometeram erros históricos na sua avaliação, fica o acto de aceitação por parte do Presidente Obama de um Prémio para o qual ainda em nada contribui e que tudo aponta que no futuro só teremos a lamentar ainda mais a sua politica belicista, com mais guerras, dando-nos a dolorosa sensação de que as ideias do Imperialismo e Expansionismo americano continuam a servir de guia e orientação do detentor do Prémio Nobel da Paz em 2009.
CV-Dezembro de 2009
Martins Raposo




1 comentário:

  1. Eu creio que Obama, representa uma outra América, uma América diferente daquela outra que nos ficou de Bush... Creio que não podemos "confundir" Obama com aquela América.
    Ainda assim não posso aceitar que lhe atribuíssem o Prémio Nobel, o que vem demonstrar, o quanto "farisaico" é aquele prémio e discordo, reprovo mesmo o discurso de Obama naquela cerimonia.
    Como diria o senhor Comendador: "Fora isso tudo bem..."
    Um abraço

    José Carrilho

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