FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O GRUPO DE AMIGOS DEDICOU ESTE ANO A MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
– PENSAR PORTUGAL
EM MARVÃO

Prosseguindo o Calendário que o Grupo de Amigos de Castelo de Vide, tinha estabelecido, com o apoio da Câmara Municipal de Marvão, procedeu-se no passado dia 11 de Dezembro, no Salão Nobre da Autarquia, ao início das cerimónias deste evento com o Sr. Eng.º. Vítor Manuel Frutuoso, agradecendo e dando as boas vindas aos presentes, realçando a iniciativa do GACV, pela Exposição sobre uma figura de grande importância na história do Concelho, como foi Mouzinho da Silveira, que exerceu pela primeira vez nesta Vila, o cargo de Juiz de Fora.

O Presidente da Direcção do GACV, agradecendo todos os apoios que receberam da parte da Câmara Municipal de Marvão, na pessoa do Exmo. Senhor Engenheiro Manuel Frutuoso, e do Dr. José Manuel Ramilo Pires, respectivamente Presidente e Vereador da Cultura desta Autarquia, que desde o início dos contactos nos deram com todo o entusiasmo,  os apoios necessários para que se concretizá-se com êxito esta importante iniciativa.
Agradecendo a presença de todas as individualidades públicas e convidados presentes, José Raposo, teceu algumas considerações sobre a forma como têm decorrido todas as cerimónias das Comemorações dos 230 anos de Mouzinho da Silveira, que têm superado as nossas melhores expectativas e que tiveram o seu início no dia 19 de Junho, com uma animada Sessão Livre, na Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, seguida de uma  grande Romagem à Freguesia de Margem no dia 17 de Julho que contou com largas dezenas de Castelovidenses, Amigos da Associação e alguns residentes desta Freguesia.

Continuando a evocação das iniciativas, o Presidente da Direcção do GACV, evidenciou a cerimónia realizada,  em 23 de Novembro, na Freguesia de Margem, onde foi inagurada pela primeira vez a Exposição Bibliográfica e Documentaria, da autoria do Professor Augusto Raínho, sobre a Vida e Obra de Mouzinho da Silveira e na qual esteve presente, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, reconhecida autoridade no conhecimento e divulgação histórica da época em que viveu o ilustre jurisconsulto. A  brilhante Conferência que proferiu foi atentamente escutada por todos que enchiam por completo o Salão da Junta de Freguesia.

Com o apoio da Câmara Municipal de Marvão e da colaboração prestada pela D. Celeste Palmeiro, podemos hoje, contar com honrosa presença do Exmo. Senhor Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Bernardo Sá Nogueira que desde já agradecemos a forma muito simpática aceitou o nosso convite.
O Presidente da Direcção, finalizou a sua breve alocução, informando que está previsto para o próximo dia 22 de Janeiro, a inauguração em Castelo de Vide, desta Exposição sobre Mouzinho da Silveira que vai terminar em Portalegre na Escola Secundária que tem o nome do nosso ilustre conterrâneo.

O Sr. Juiz Conselheiro com grande simplicidade, mas de forma viva e agradável surpreendeu a assistência com alguns episódios inéditos mas marcantes na vida do histórico jurista Mouzinho da Silveira, enaltecendo a enorme energia e força de vontade com que se dedicou à sua monumental obra legislativa que revolucionou uma época, terminando de vez com o antigo e caduco regime.
Nem todas as suas leis foram integralmente aplicadas – explicou - muitas delas caíram no esquecimento, mas o que ficou foi extraordinariamente importante para o futuro do País e algumas ainda hoje servem de base às Leis em vigor.
Mouzinho viveu em tempos de grandes conflitos. O País estava envolvido numa guerra civil em que o mundo antigo resistia com violência extrema às mudanças que em outros países já tinham sido aplicadas com sucesso.
Mouzinho, só se afastou  da política, desgostoso com a adulteração de algumas das suas Leis e por causa do seu estado de saúde que com a idade o deixaram mais frágil na sua luta constante em defesa da liberdade e dos princípios a que se manteve sempre fiel e solidário”.


No final o Senhor Juiz Conselheiro, foi muito aplaudido pela assistência na qual se encontravam muitos Castelovidenses que tinham vindo de propósito para ouvir as suas palavras.

Logo de seguida, foi inaugurada no Centro de Cultura, antiga Câmara de Marvão, a Exposição, com uma introdução explicativa, feita em pormenor pelo Sr. Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, que acedeu ainda a todas as perguntas dos presentes, como habitualmente de forma muito clara e objectiva, chamando a atenção para os Livros e Documentos expostos.
Assim terminou esta cerimónia desta Exposição que vai ficar patente ao público até ao dia 09 de Janeiro de 2011.
Martins Raposo
CV – 15.12.2010
NOTAS: Para mais informação sobre este evento podem consultar o Jornais “O Alto Alentejo” e “Notícias de Castelo de Vide” e o Blogue: “www.notíciasdecastelodevide.blogstpot.com”

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO EM CASTELO DE VIDE

1ª. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
SOBRE OS B’NEI ANUSSIM

EM CASTELO DE VIDE


Foi sem dúvida alguma um acontecimento de grande relevância histórica a realização em Castelo de Vide, da 1ª. Conferência Internacional sobre os B’Anussim –“Restaurando a Herança Perdida” que teve lugar no Cineteatro Mouzinho da Silveira, nos dias 3 a 5 de Dezembro de 2010.
A organização deste evento esteve a cargo da Câmara Municipal de Castelo de Vide, com os apoios do E.R.T – Alentejo, do Netivyah (Israel) e Abradjin (Brasil) e contou com a participação de dezenas de Conferencistas e de altas individualidades civis e religiosas de vários países.
Para além de Portugal, Israel e do Brasil, que apresentaram o maior número de conferencistas, estiveram representados vários países de todo o mundo, como o Japão, a Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Espanha e Holanda,

O primeiro dia, foi especialmente dedicado às apresentações e agradecimentos recíprocos dos Organizadores, iniciados os trabalhos com o discurso do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, seguindo-se as intervenções de Joseph Shulam, Presidente do Netivyah, ambos destacando o papel do acolhimento histórico que os Castelovidenses, tiveram para com os judeus expulsos de Espanha.
Seguiram-se as intervenções de Marcelo Miranda Guimarães, Fundador e Presidente da Abradjin, do Dr. Cristóvão Crespo, Deputado da Assembleia Nacional, do Sr. João Leite, Deputado do Estado de Minas Gerais, do Dr. José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, do Sr. Ceia da Silva, Presidente da E.R.T. Alentejo e de outros convidados especiais dos EUA, Japão, Coreia do Sul e China.

Tivemos ainda o prazer de ouvir o hino “Kablat Shabat” , apresentação musical com o acender das luzes de Hanukan. A encerrar este primeiro dia da Conferência ouvimos o Sr. Joseph Shulam explicar os objectivos traçados no projecto “Restaurando a Herança Perdida”.
No segundo dia o maior realce vai para a cerimónia do lançamento do Livro “ Grácia Nasi”, escrito por Esther Mucznik, famosa pelos seus estudos publicados, sobre as questões judaicas, que numa linguagem acessível e envolvente, nos descreveu em síntese o percurso da corajosa e humanista heroína que dá o nome ao seu livro.
Foi muito importante o discurso do Sr. Carolino Tapadejo, que em linhas gerais da fez um brilhante
resumo da história da Comunidade Judaica em Castelo de Vide que se implantou a partir do Sec. XIV, aumentando a sua população com a perseguição movida pelos Reis Católicos de Espanha.



Castelo de Vide – disse - "foi sempre uma terra de tolerância que ao mesmo tempo beneficiou com o saber e as artes praticadas pela comunidade judaica que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento económico local. Aqui nasceram nomes de grande importância na ciência e nas letras, tendo como expoente máximo, a figura do grande Cientista, Garcia d’Orta".
Carolino Tapadejo, prestou ainda, uma sentida homenagem a Aristides de Sousa Mendes pedindo a presença no palco do seu neto, António de Sousa Mendes que continua lutar pelos ideais que o seu avô sempre pugnou, em defesa do povo judaico.


O Padre Vítor Milícias, reforçou as palavras de Carolino Tapadejo, pelo que conhece da história desta linda terra, que à muito tempo o cativou, pelo seu importante património religioso e no bem receber das suas gentes. Falou ainda da Igreja Católica e na política que tem vindo a ser seguida, de grande tolerância para com todos os credos e religiões, com destaque especial para as Encíclicas dos últimos Papas e a intervenção de outras personalidades da Igreja que têm feito um grande esforço  de aproximação e reconciliação.



O último dia, estava reservado para os Conferencistas e Convidados visitarem a Judiaria e a Sinagoga, mesmo o mau tempo que se fazia sentir, não impediu a alegria e boa disposição de todos que se despediram muito sensibilizados pelo acolhimento simpático com que foram recebidos.
Durante três dias Castelo de Vide, foi a “Capital”, dos B’NEI ANUSSIM (FILHOS FORÇADOS OU MARRANOS), com intervenções de grande importância, relatando os aspectos mais importantes da sua história. É justo salientar o empenho e o esforço que a Câmara Municipal de Castelo de Vide, efectuou e a excelente organização deste evento que decorreu na perfeição e com o agrado de todos os intervenientes.
Para além do Sr. Presidente da Câmara, Dr. António Ribeiro que deu todo o apoio e entusiasmo a este evento, registe-se para além das já citadas intervenções do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal e do Senhor Carolino Tapadejo, a presença constante com que acompanharam os altos dignitários da Família Judaica Internacional, os Convidados e os Conferencistas, em todos os momentos da sua estadia.
Castelo de Vide pode orgulhar-se de ter contribuído para que fique registado na história dos B’nei Anussim, um dos momentos mais importantes da nossa época, neste encontro de Associações judaicas de todo o mundo que comungam do mesmo espírito religioso.
Para terminar, e, sem desmerecimento da Organização, apenas uma nota de surpresa pela  ausência dos Castelovidenses que por razões que não compreendo, não compareceram com o número suficientemente digno, que esta iniciativa obrigava. O tempo se encarregará de esclarecer este aparente desprendimento, por esta Conferência que dizia respeito a muitos de nós, descendentes legítimos da comunidade judaica da nossa terra.
CV-18.12.2010
Martins Raposo
NOTAS: Retiradas da própria Conferência e das Informações entregues aos convidados.

domingo, 19 de dezembro de 2010

MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA - PENSAR PORTUGAL

NO CONCELHO DE GAVIÃO – FREGUESIA DE MARGEM


O Grupo de Amigos de Castelo de Vide em parceria com a Câmara Municipal de Gavião e a Junta de Freguesia de Margem, escolheram o dia 23 de Novembro, data em que o Concelho comemora os 491 anos da sua fundação, para num conjunto de outras iniciativas procederem à inauguração Bibliográfica da Vida e da Obra de Mouzinho da Silveira, para a qual convidaram Representantes de Entidades Públicas e Privadas do Distrito de Portalegre e como convidada especial, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, para proferir uma Conferência sobre o célebre Jurista.
O Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, pronunciou um importante discurso, começando por registar o facto de este aniversário ter sido marcado pela descentralização, cabendo essa honra à Freguesia de Margem, elogiando o trabalho dos autarcas e dos habitantes desta região do Concelho que têm sabiamente defendido as suas tradições no campo da agricultura e ao mesmo tempo aderido com entusiasmo à inovação de culturas, aproveitando o Projecto Regadio Tradicional que tem estado a recolher os melhores resultados. Depois de mais alguns considerandos em que se afirmou como um convicto defensor do Poder Local, destacando o papel das Autarquias no Desenvolvimento de Regiões que sem o seu apoio teriam muito mais dificuldades nestes tempos em que a crise atingiu todos os sectores de actividade.
Reafirmando o relevante papel da sua Autarquia no Desporto, na Educação e na Cultura e chegado a este ponto teceu largos elogios à figura do eminente estadista Mouzinho da Silveira, que no seu tempo encontrou aqui nesta Freguesia verdadeiros amigos que nos tempos difíceis em que foi perseguido aqui encontrou abrigo. Foi tão grande essa troca de afectos que levou esse incansável lutador da liberdade a inscrever no seu testamento a vontade de ficar para sempre após a sua morte aqui nesta Freguesia.
Jorge Martins referiu ainda a louvável iniciativa do Jornal “ O Comércio” que fez o apelo a uma subscrição pública para que aqui fosse erguido um monumento a Mouzinho da Silveira, o que veio a acontecer pouco tempo de pois pelas mãos do artista italiano Camels. Não esqueceu o Autarca de referir como foi agradável a parceria da Câmara Municipal com Direcção do Grupo de Amigos de Castelo de Vide para que se fizesse em 17 de Julho uma importante Romagem e de logo em seguida se dispusesse a colaborar na planificação e execução da Exposição que em breve vamos ter o prazer de inaugurar.

O Presidente da Direcção do GACV, manifestou em seu nome pessoal e da Associação que representa, a sentida gratidão pelo facto do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, ter tão prontamente e de forma eficaz cumprido a promessa de apoiar logísticamente e financeiramente a Exposição sobre Mouzinho da Silveira e ao mesmo tempo elogiar a escolha do dia do Município para proceder à sua inauguração associando o nome do nosso ilustre conterrâneo à data mais importante do Concelho. É um gesto que muito nos honra e dignifica mais uma vez as gentes de Margem.
Ao proceder-se à cerimónia da inauguração da Exposição, o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, fez uma breve explanação sobre o roteiro dos Painéis e Vitrinas, realçando as obras e os documentos expostos pela primeira vez em público, desejando a atenção dos presentes e convidando os responsáveis pelas Escolas para trazerem os seus alunos para conhecerem algo mais sobre Mouzinho da Silveira.
Realizou-se de seguida a importante Conferencia proferida pela Dra. Miriam Halpern Pereira, que se referiu com pormenor sobre o seu trabalho de pesquisa que teve alguns episódios interessantes, com documentos importantes que estavam esquecidos e abandonados sem qualquer catalogação. A Professora considerada uma das mais prestigiadas biógrafas da obra do grande estadista e da de toda a época em que Mouzinho viveu, fez com simplicidade o percurso do histórico jurisconsulto, prendendo a vasta audiência que no final prestou uma prolongada e efusiva ovação. Foi
uma lição importante lição, lida com a naturalidade e a sabedoria dos grandes mestres de história.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, agradece à Professora Catedrática e Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira e oferece dois livros sobre Castelo de Vide: No Alto Alentejo - Crónicas e Narrativas, de João António Gordo e Efemérides de Diogo Cordeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NA RUA DA SAUDADE COM O ARY

ARY DOS SANTOS


José Carlos Pereira Ary dos Santos, nasceu em Lisboa no dia 07 de Dezembro de 1936 e faleceu apenas com 48 anos, a 18 de Janeiro de 1984. Poeta, declamador e actor de Teatro e Revista, escreveu mais de 600 Canções e algumas delas tornaram-se famosas por terem ganho o primeiro lugar nos Festivais da Canção, promovidos pela RTP, a começar pela Desfolhada”, interpretada por Simone de Oliveira em 1969, seguindo-se a “Menina do Alto da Serra”, interpretada por Tonicha em 1971. Fernando Tordo em 1973 arrebata o 1º. Prémio com “Tourada” e em 1977, Os Amigos, são os vencedores do Festival com“Portugal no Coração"                                                          
Considerado por alguns críticos como um dos mais talentosos poetas da sua geração, de linguagem irreverente, por vezes caustica, mas a que não faltava sentimento e emoção, estreou-se com o Livro de Poemas “A Liturgia do Sangue” a que se seguiram, “Tempo da Lenda das Amendoeiras”, “As Portas que Abril Abriu”, “ O Sangue das Palavras” e muitos outros que contribuíram para um renovado e criativo estilo poético centrados nas “temáticas da emoção, de ter, sentir e possuir”. Foi essencialmente um Poeta do Amor, que amava

Lisboa e as suas gentes, abordando temas sociais como o trabalho e a justiça, mas também da grande solidão que nunca o abandonou após a morte de sua mãe que muito amou.
Amigo e solidário, trabalhou com músicos e intérpretes de várias gerações e sensibilidades, entre os quais, Vitorino de Almeida, Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Teresa Tarouca, Paulo de Carvalho, Nuno Nazaré Fernandes, Fernando Tordo, Serge Reggiani, Chico Buarque, Tonicha, Hugo Maia Loureiro, José Mário Branco, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Carlos do Carmo e muitos outros imortalizaram a sua obra com interpretações inesquecíveis e composições musicais de grande qualidade.
A sua voz grave e poderosa aumentava a mensagem forte dos seus versos. Ficaram célebres alguns poemas que declamou com grande emoção, como foi o caso do Poema “Poeta Castrado, Não” – “Serei tudo o que disserem/por inveja ou negação:/cabeçudo dromedário/fogueira de exibição/teorema corolário/poema de mão em mão/ lãzudo publicitário/ malabarista cabrão. /Serei tudo o que disserem: Poeta castrado, não"! E esse enorme Poema, “As Portas que Abril Abriu” que por ser muito longo não posso transcrever mas que aconselho a todos os que gostam de Poesia de Intervenção a lerem com atenção esse autêntico manifesto de revolta e de libertação.

César Príncipe escreveu como ninguém uma belíssima crónica sobre Ary dos Santos, que ele diz - "ter sido mais chegado aos Demónios e ser considerado um Anjo Rebelde que nunca tresmalhou, nem consentiu que se iludissem a seu respeito, nas trincheiras de Abril e do Socialismo”. E o brilhante Escritor e Jornalista recorda o Poeta com saudade e tristeza – Ary faz notória falta, porque o país está cheio de patetas e poetas “castrados”…
Mas deixemos o Poeta falar para melhor o compreendermos: “A poesia é, em primeiro lugar, a maneira que eu tenho de falar com o meu povo. Depois, é por causa desse povo, a própria razão da minha vida. É pesquisa, luta, trabalho e força. Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece (…) O que é certo é que nunca abandonei nenhuma das três linhas que fazem parte do todo da minha poesia: a lírica, a satírica e de intervenção”.

O seu carácter excessivo e apaixonado, marcaram uma época. A sua morte prematura impediu que a sua obra se consolidasse ainda mais, mas o seu nome deve constar na literatura, com o mesmo relevo que têm dado à sua amiga Natália Correia que o apelidou de Poeta Romântico, “sem as névoas físicas da germanidade. Muito à portuguesa tendo em seu baptismo garrettiano dado romanceiro e liberalismo”. E também até certo ponto do Manuel Alegre dos ano 60 quando escreveu a Praça da Canção e o Canto e as Armas.
A terminar deixo aos meus queridos amigos os últimos versos do Poema “Meu Amor, Meu Amor” – Meu amor, meu amor/meu nó de sofrimento/minha mó de ternura/minha nau de tormento/ este mar não tem cura/ este céu não tem ar/nós parámos o vento/ não sabemos nadar/ e morremos, morremos/devagar, devagar.
 E aos novos, mesmo aqueles aquém as musas fadaram para a Poesia, eu os convido a ler a sua Obra. Façam-no com a mente aberta e livre de preconceitos e tenho a certeza que ficarão agradavelmente surpreendidos. Leiam a Balada Para os Nossos Filhos, um hino de ternura e emoção que começa dizendo: Um filho é como um ramo despontado/do tronco já maduro que sou eu/um filho é como um pássaro deitado/no ninho da mulher que me escolheu.
O Ary é um Poeta do povo que nos oferece o Fado da Lezíria, do Fado do Trigo e até do Fado Burrico. Quem não se lembra de “ Os Putos” na voz inconfundível de Carlos do Carmo. Fala-nos do Cacilheiro, do Cauteleiro, das Varinas, do Homem das Castanhas, da Feira da Ladra e dessa Lisboa Menina e Moça que ele amou até morrer.
E agora que estamos perto de mais um Natal, que a fúria consumista desumaniza e aviltesse com actos de grande cinismo e hipocrisia, relembremos o Poeta que nos diz: “Natal é em Dezembro/ mas em Maio pode ser. / Natal é em Setembro/ é quando um homem quiser. / Natal é quando nasce uma vida a amanhecer. / Natal é sempre o fruto/que há no ventre da mulher.”
Até sempre companheiro Ary dos Santos!
Martins Raposo
CV – 07 de Dezembro de 2010
Notas: com a devida vénia, Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, de Salwa Castelo Branco,As Palavras das Cantigas, do Ary dos Santos,Internet. Obrigado!

domingo, 28 de novembro de 2010

PEDRO BARROSO

UM ARTISTA EM GRANDE!

Não sendo Pedro Barroso o Músico do Mês, decidi fazer notícia no Facebook, para assinalar o seu 61º. Aniversário, porque este grande "Trovador da Música Portuguesa", nasceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 1950. Como naquele Site Social não podemos (ou não devemos), fazer textos muito grandes, daí a razão de fazer esta pequena crónica mais pormenorizada.
Pedro Barroso é conhecido pelo sua   generosa capacidade com que se entrega à arte de bem interpretar os seus Poemas e o de Poetas consagrados da nossa Literatura, como foi o caso da Pedra Filosofal, um dos seus maiores êxitos, da autoria do Poeta António Gedeão e Afrodite de um Poema de José Saramago.
Cantor, poeta, autor de letras e compositor, com influências de grandes intérpretes franceses, como Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, Adamo, Georges Brassens, Léo Ferré, Edith Piaf, Pedro Barroso estreou-se no famoso programa de Televisão "Zip-Zip" em 1969, acompanhado por Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral. As suas primeiras canções integram críticas ao Governo fascizante. Após o 25 de Abril envolveu-se com grande entusiasmo nas Campanhas de Dinamização Cultural do MFA. Editou o primeiro disco "Trovador-dor em 1970 e desenvolve actividades artísticas no TEC.
Lutas Velhas Canto Novo, foi o seu primeiro LP, seguindo-se Agua Mole em Pedra Dura, Quem Canta Seus Males Espanta, para além de numerosos CD's entre os quais destaco; Navegador do Futuro e Antologia. A partir do seu segundo LP, começou a compor algumas das suas canções no estilo da música erudita e do pop-rock, de que se destaca "Canção para a Amizade e Afrodite.
Tem composto muitas músicas para outros artistas e trabalhou em conjunto com Janita Salomé e Manuel Freire no CD, Cantos d'Oxalá.
É autor dos seguintes Livros: Cantos Falados, Das Mulheres e do Mundo e a história maravilhosa do país bimbo.
Pedro Barroso recebeu até hoje numerosos  prémios  em Portugal e no estrangeiro e actuou com grande sucesso em muitos países da Europa, EUA, Brasil, Canadá e China.Infelizmente e tal como acontece com outros "Trovadores" do seu tempo, raramente aparece como convidado na Rádio e na Televisão, notando-se um lamentável esquecimento por parte dos responsáveis pelos média que se alastra à imprensa.
Tive a felicidade de o conhecer pessoalmente e contribuir para o Convite que lhe foi feito pela Autarquia de Sesimbra, em meados dos anos 80, e ouvir a sua voz num grande espectáculo.
Parabéns e Felicidades Amigo Pedro Barroso! A "Pedra" continua rolando. Quem sabe se um dia o Sonho não será finalmente a  realidade que todos desejamos.
CV.28.11.2011

sábado, 13 de novembro de 2010

DA MÚSICA,COM AMOR!

                                                       Vaso grego, em cerâmica 450 AC
A partir desta data e enquanto as “forças” o permitirem, vou escrever sobre o tema “Da Música, com Amor”, apresentando neste Blogue, pessoas ligadas ao mundo da música portuguesa, sejam compositores, autores de letras, e intérpretes que se tenham distinguido pelo valor do seu trabalho. Neste projecto estão contemplados todos os géneros e estilos musicais.
Por princípio será apresentado apenas um Artista por mês e o critério tem por base a data do seu nascimento, começando pelos mais antigos, sem contudo ser esta uma regra inflexível, podendo eventualmente haver alterações que tenham a ver com comemorações importantes ou com dados que possuo em cada momento.
Os “artigos” são de responsabilidade pessoal, mas abertos a sugestões e críticas construtivas que podem ser corrigidas e publicadas conforme a sua importância.
Impõe-se um esclarecimento prévio - Este trabalho não tem qualquer intenção de se apresentar como crítica ou de promover a defesa deste ou aquele género musical e muito menos individualizar este ou aquele artista.
Esta coluna pretende ser o mais imparcial possível, independente das minhas preferências pessoais que poderei apresentar em textos separados deste tema.
A Figura deste mês de Outubro recaiu sobre:


LUÍS DE FREITAS BRANCO
Luís Maria da Costa de Freitas Branco, nasceu em Lisboa no dia 12 de Outubro de 1890 e faleceu nessa mesma cidade em 27 de Novembro de 1955, Foi criado no seio de uma família madeirense de tradições intelectuais e artísticas, influenciando os seus gostos juvenis para a aprendizagem da música. Seu Tio paterno, João de Freitas Branco foi o mais entusiasta e que mais apoiou Luís e seu irmão Pedro que também foi Director e Compositor de grande mérito.
Teve excelentes professores alguns dos quais Mestres já consagrados em toda a Europa, entre os quais destacam-se: Augusto Machado, Adrés Goni, Tomás Borba, Luigi Mancinelli, Desiré Pâque e Vicent D'Índy, Gabriel Grovlez. Para complementar a sua aprendizagem, viajou pela Europa, ouvindo os Concertos dos grandes Mestres e Compositores daquela época, entre os quais se destaca, Debussy com quem terá estado várias vezes em Paris.
Esta Família faz-me lembrar, com a s devidas distâncias do país e da época, os BACH, que maravilharam o mundo com as suas obras, de Pais para Filhos, mas Sebastião Bach sobressaiu agigantando-se com uma obra ímpar que o elevou ao mais alto patamar da consagração e da fama.
Na Família de Freitas Branco, é o Luís que sobressai naturalmente pela importância e pelo valor das suas composições que abarcam estilos e géneros tão diferentes como as simples Canções musicadas e com inspiração forte dos grandes Poetas Portugueses, entre os quais se contam, Luís de Camões, Antero de Quental, F. Fernando Pessoa, António Boto e José Gomes Ferreira, entre outros.
O Compositor tem grandes peças para Música de Câmara, entre as quais se encontram as célebres Sonatas, os prelúdios e os Quartetos de cordas.
Na Música para Orquestra, nos quais é incluída a “Morte de Manfredo” e as “Suites Alentejanas nºs. 1 e 2; as Sinfonias. Compôs para o Cinema banda sonora dos Filmes; Gado Bravo de Lopes Ribeiro; Douro, faina fluvial de Manuel de Oliveira; Vendaval maravilhoso de Leitão de Barros e Algarve além-mar de Lopes Ribeiro.
Para a Música Coral, compôs muitos temas também inspirados em Poemas dos nossos Poetas; Auto da Primavera, Dez madrigais camonianos, Hino a Santa Teresinha, Lembras-me (João de Deus), Canção do Pastor, Canção da Pedra (Afonso Duarte), Só te canta a Ti (José Gomes Ferreira.
Não cabe nesta pequena crónica enumerar a extensão de toda a sua Obra que teve reconhecimento a nível mundial, tendo sido executas por grandes Orquestras Europeias e algumas delas foram dirigidas pelo seu Irmão Pedro de Freitas Branco.
A sua obra didáctica foi de uma extrema importância pelo sentido de renovação que imprimiu aos seus escritos, e às propostas efectuadas para a remodelação do ensino musical no Conservatório Nacional, advogava a obrigatoriedade do ensino a nível da Escola, desde o Ensino Elementar até à Universidade e propunha para o efeito um projecto de grande importância.
Neste trabalho de renovação teve a colaboração e o apoio do Grande Mestre Viana da Mota que infelizmente viria a falecer ainda antes das suas propostas serem recusadas pelas mentes retrógradas e anti-culturais dos responsáveis governamentais. Apesar desses contratempos ainda foi nomeado membro do Conselho Disciplinar do Ministério de Instrução e Vogal do Instituto para a Alta Cultura (?) e Professor do Curso Superior de Composição no Conservatório.
È desta altura que se conta um episódio lamentável que ocorreu com o seu discípulo Fernando Lopes Graça. Quando este, estava fazer o seu Exame para Piano, no Conservatório, a PIDE apareceu para o prender, tendo de imediato o Júri de que fazia parte Luís de Freitas Branco, protestado e imposto que o aluno acabasse a sua prova que terminou em primeiro lugar com 18 valores., mas acabou sendo levado para a prisão.
Mais tarde, Luís de Freitas Branco, comentava este triste episódio – “O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça, pode ter do valor de Shakespeare”.
Esta sua atitude marca a nobreza de cidadão, de civismo e moral engrandecida pelo conhecimento, pela experiência e pelos valores humanistas que se revelam na sua imensa Obra Musical. É verdade que nos seus tempos de juventude terá tido algumas simpatias pela causa monárquica e mais tarde chegou a ter algumas ligações com os integralistas António Sardinha e Alberto Monsaraz, mas o tempo e a amizade que encontrou em pessoas como António Arroio, Bento de Jesus Caraça, Lopes Graça, com quem chegou a colaborar na Biblioteca Cosmos, levaram o compositor a ligar-se aos numerosos Escritores e Músicos que se opunham ao regime.
Esta postura de cidadão e de interveniente por causas justas contribuíram para a sua demissão de todos os cargos públicos que teve como Professor e como Mestre. Foi um das primeiras vítimas das “depurações” efectuadas pelo Fascismo no Conservatório Nacional, no qual terá lamentavelmente colaborado um dos seus companheiros, o Mestre Ivo Cruz, que foi nomeado para o seu lugar.
Foi expulso do programa que tinha na Emissora Nacional porque segundo dizia o Director, Luís de Freitas Branco se apresentou no programa com uma gravata avermelhada, no próprio dia em que teria falecido o Chefe de Estado, Marechal Carmona.
Luís de Freitas Branco esteve sempre acima das traições e ameaças que os esbirros a mando do fascismo lhe fizeram em toda a sua vida, chegando a proibir a apresentação pública de algumas das suas obras, mas nada disso foi suficiente para abafar o prestígio e a fama alcançada por um dos maiores compositores de sempre da música portuguesa.
A sua Obra aí está para testemunhar o seu valor incontestável e só é de lamentar que a mesma não seja conhecida da grande maioria dos jovens músicos portugueses, não só porque os média, se desinteressam na sua divulgação e as próprias Bandas de Música, o tenham afastado das estantes o seu vasto repertório.
Felizmente que ainda tive o privilégio de conhecer parte da sua obra, por intermédio do Major Silvério Campos que foi Maestro da Banda Militar do R.I. 15 de do RIL (Luanda), que foi um dos melhores Mestres que tive como músico militar, pelas suas qualidades técnicas e pelo seu profundo humanismo. O então Alferes Silvério Campos, apresentava frequentemente obras do grande compositor, entre as quais se contavam as Suites Alentejanas.
Para terminar proponho a audição do 1º. Suite Alentejana (a mesma que serviu de música de fundo, na inauguração da Exposição sobre o Centenário da República em Castelo de Vide (Outubro/2010).
Mas por favor não fiquem por aqui, sempre que estejam tristes ouçam, Luís de Freitas Branco! A sua música deixa Portugal mais lindo, menos cinzento, mais azul!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010
Bibliografia in: Enciclopédia da Música em Portugal, de Salwa Castelo-Branco;História da Música Ocidental, de Donald  J. Grout e Claude V. Palisca, do Google e do Youtube - Clip a Música e Imagens Fabulosas do nosso quarido Alentejo. Parabéns jpmrp.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A ORQUESTRA DE PINK MARTINI

  E CHINA FORBES
A Orquestra de Pink Martini, foi constituída por Thomas Lauderdale, pianista talentoso que em 1994 com um bom grupo de 12 músicos resolveu criar uma Banda que interpreta-se músicas de diferentes estilos, abrangendo os ritmos quentes das Caraíbas e do Sul da Europa, com incursões no Word Music, nos Blues e no próprio Jaz.
A Banda no entanto só atingiu os primeiros sucessos com a entrada de China Forbes como principal vocalista do Grupo.
A empatia que se gerou entre Thomas Lauderdale e China Forbes, contribuiu para que se estabelecesse uma parceria de grande qualidade em termos de composições musicais, que levaram a Orquestra a ser contratada por séries de Televisão de grande sucesso. As suas composições serviram de Banda Sonora em Filmes como “O Sr. & Sra. Smith”, “Em Carne Viva” e muitos outros.
Esta pequena introdução não foi mais do que o pretexto para falar dessa magnífica intérprete conhecida como China Forbes  possuidora de uma voz extraordinária
Que empresta às suas canções uma envolvência sensual que nos seduz e nos cativa.


China Forbes nasceu a 29 de Abril de 1970, na cidade de Cambridge e licenciou-se em artes visuais na Universidade de Harvard, ligando-se desde muito jovem ao mundo da música, chegando a actuar como actriz na Broadway, em Nova York conquistando alguns êxitos com algumas das suas interpretações.
Após alguma insistência, começou a trabalhar com Lauderdale em 1998 na cidade de Portland., alterando por completo a carreira do Grupo que conheceu a partir daí grandes êxitos com os álbuns criados com a sua participação como compositora e como intéprete.

Algumas das suas canções percorreram o mundo em tournées de grande sucesso, destacando-se entre outras; “Uma Noite em Nápoles”; “Donde Estas Yolanda”, “Hey Eugene”; “LillY”; “ Sympathique” “Que Será, Será”; Let´s Never Stop Falling in Love” e muitas outras.

China Forbes no auge da sua carreira não hesitou em arriscar em “colar” a sua voz cálida e melodiosa, aos Clipes desse fabuloso Filme, Gilda, ajustando-se com perfeição ao ritmo diabólico e sensual dessa extraordinária e belíssima actriz chamada Rita Hayworth que tem no Filme realizado em 1945, por Charles Vidor, uma das suas melhores interpretações ao lado desse grande actor de nome Glen Ford.
E é assim que ouvimos extasiados; “Tempo Perdido”; “Amado Mio” “Put Blame on Mame” ao som da voz de China Forbes e ao ritmo de uma sensualidade erótica jamais vista no cinema naqueles tempos e que eu recordo com imensa nostalgia. Podemos dizer sem exageros que a Voz de Forbes se iguala aos dotes de grande bailarina que sempre foi a sedutora e grande actriz Rita Hayworth de quem mais cedo ou mais tarde falarei da sua história fantástica que viveu no cinema e na vida.
Mas hoje, gostaria de chamar a atenção dos melómanos que como eu gostam de viajar pelos sons independentemente do estilo, do ritmo, da origem e da data da sua criação, para que procurem no Youtube essa jovem que nos envolve na doce teia da sua magnífica voz e nos ajuda a alimentar o sonho de que “há mesmo estrelas no céu” que nos vão ajudando a caminhar no espinhoso negrume destes dias sombrios.


Foto tirada mesmo junto à cratera do Vesúvio. O grande Vulcãoque no ano 79DC soterrou as cidades de Pompeia e Herculano, tem tido ao longo várias erupções a última das quais foi em 1944.



 A fotografia a seguir  mostra a Cidália a subir com dificuldade a escarpada encosta com a ajuda de dois varapaus para subir a montanha.
  
  
 Confesso ainda mais… quando estou mesmo triste de verdade, procuro a China Forbes a cantar “Uma Noite em Nápoles”, vou chamar a Cidália e revivemos à nossa maneira, ao som dessa grande Orquestra, os belos momentos que vivemos nessa bela cidade do sul da Itália, que tem uma baía encantadora e o seu centro histórico foi declarado património mundial pela

 UNESCO. É importante que se diga que o excelente pianista e Director da Orquestra, Thomas Lauderdale tem para além de China Forbes  mais dez grandes músicos, cujas interpretações de grande qualidade, ajudaram a conquistar os êxitos alcançados em todo o mundo.
Como empedernido romântico que sou, talvez esteja inadvertidamente a exagerar, mas não custa nada experimentar.
Vão até lá, e depois, podemos conversar!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010


PARTIU SEM CUMPRIR O SONHO!

JOÃO AGUIAR


João de Aguiar, nasceu em Lisboa, no dia 28 de Outubro de 1943 e faleceu nesta cidade no passado dia 03 de Junho. O escritor dedicou grande parte da sua obra ao romance histórico, estreando-se com “A Voz dos Deuses” que alcançou um grande sucesso. Trata-se de uma biografia romanceada do herói lusitano, Viriato, traçando um quadro da época em que a Lusitana esteve ocupada pelos Romanos.
A Voz dos Deuses, descreve-nos a forma como os habitantes da Lusitana não aceitaram pacificamente a ocupação do invasor, e, escolheram Viriato, para chefiar a revolta que acabaria por ser derrotada com a traição e a desproporção das forças inimigas.
Na “Encomendação das Almas” o escritor descreve-nos o mundo rural com os seus mitos e as suas tradições arreigadas nos velhos costumes.
Na trilogia "Os Comedores de Pérolas", "O Dragão de Fumo" e a "Catedral Verde", descreve-nos em páginas brilhantes a derrocada do chamado império colonial. Mas é sobretudo no estudo da nossa história, que assentam os temas de grande parte dos seus livros – "O Trono do Altíssimo"; "A Hora de Sertório"; "Inês de Portugal" são outros dos títulos que lhe deram a justa fama de grande escritor.
João Aguiar viveu parte da sua vida ligada aos Jornais, pois só com mais de 40 anos apresentou o seu primeiro livro. Para além do Jornalismo escreveu alguns livros para crianças, "Sebastião e os Mundos Secretos" e o "Bando dos Quatro", são os mais conhecidos.

O seu último projecto era escrever um livro sobre a Revolução de 1383.
Infelizmente a doença venceu o escritor que apenas contava 66 anos com imensas faculdades e conhecimentos que nos poderia ter deixando uma Obra muito mais completa e ser reconhecido a nível mundial. Talvez por isso o articulista João Céu e Silva, dá o título ao seu artigo: "João Aguiar parte sem cumprir o sonho". Parece-me bem apropriado, no entanto, a Obra que nos legou merece a nossa atenção e deveríamos ler e reflectir na importância de dar a conhecer aos mais novos toda a sua Obra, pelo seu incontestável valor na literatura contemporânea.
Martins Raposo
CV- Outubro 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

VARGAS LLOSA GANHA O PRÉMIO NOBEL

Este ano a Academia Sueca, escolheu o nome do escritor Mário Vargas Llosa para atribuição do mais alto galardão literário a nível mundial, o Prémio Nobel da Literatura, justificando o prestígio da sua Obra que “pela sua cartografia das estruturas do poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos” é conhecida e admirada a nível mundial.
Mário Vargas Llosa, nasceu em Arequipa, no Peru,  no dia 28 de Março de 1936, no seio de uma família da classe média e desde muito novo se envolveu no mundo das letras. Primeiro, através do Jornalismo e da Televisão. Depois, com 26 anos, lança o seu primeiro Livro, “A Cidade e os Cães” que foi distinguido com o Prémio da Critica em 1963.
A sua escrita teve no seu início uma forte influência do existencialismo de Sartre e mais tarde do chamado “realismo mágico”. Os seus livros abordam os problemas sociais e raciais, assim como fazem a defesa da liberdade individual.
Com o seu terceiro romance, “Conversa na Catedral”, Vargas Llosa alcança um enorme êxito que o eleva muito justamente como um dos maiores escritores da América latina, entre os quais se contam os nomes de Jorge Luís Borges, Gabriel Garcia Marques, Júlio Cortazar, Miguel Angel Astúrias, Jorge Amado, Carlos Fuentes e Juan Rulfo.
O escritor João de Melo conheceu pessoalmente Vargas Llosa e visitou a cidade de Lima onde este viveu grande parte da sua vida, fez no prefácio de “Conversa na Catedral” um importante retrato do autor peruano e considera ser este Livro o expoente máximo da sua Obra.
Mas Vargas Llosa escreveu outros romances notáveis, entre os quais distinguimos, A Guerra do Fim do Mundo, A Casa Verde, Pantaleão e as Visitadoras e Quem Matou Palomino Molero. Estas obras – diz-nos João de Melo – “por si só, fariam a glória de qualquer escritor”.

O escritor ao receber o Prémio Nobel, apesar de se sentir muito feliz, afirmou que este veio revolucionar a sua vida e alterar a sua tranquilidade – “Estou muito contente de ter recebido o Prémio, mas sinto um desequilíbrio com o qual não me sinto cómodo”.
Vargas Llosa tem 74 anos, mas ainda pode legar ao mundo muito da sua prodigiosa imaginação, da sua experiência e do saber. Já depois de ter recebido o Prémio Nobel, lançou o seu último livro:
"El Sueno del Celta” que a editora Quetzal que tem publicado as suas obras. Certamente não vai demorar muito tempo a publicar mais este livro do escritor.
Tal como nos anos anteriores há sempre vozes discordantes, em relação aos critérios seguidos pela Academia Sueca e apontando este ou aquele escritor supostamente com mais mérito reconhecido. Por vezes são escritores dos mesmo país do premiado inconformados por não serem eles os escolhidos, como aconteceu com José Saramago.
Os auto-promovidos "à grandeza e glória" por vezes raiam a figura ridícula de juízes em causa própria não escondendo a raiva e a inveja, inimiga da razão e da clarividência. Rouba-lhes a realidade e o tino, expondo-os em cenas públicas pouco edificantes.
Também Vargas Llosa foi acusado por alguns sectores, que  nada  mais resultaram de frouxos petardos que nem de leve beliscaram o verdadeiro valor da sua obra mundialmente reconhecida.
O facto do Escritor ter em certo momento da sua vida, feito a opção política de se candidatar a Presidente da República do seu País, defendendo no seu Programa algumas ideias neoliberais que noutros tempos terá repudiado, poderá eventualmente ser criticada em termos de postura política e pessoal, mas em nada poderá afectar a sua Obra já realizada.
É como se o facto do grande Poeta Manuel Alegre, ter decidido candidatar-se a Presidente da República, apoiado pelo BE e pelo PS, que é no nosso País um dos Partidos que mais acerrimamente tem defendido o neoliberalismo, que vamos esquecer a sua Poesia de incontestável valor literário. Pessoalmente não posso concordar com a decisão que o Poeta tomou. Julgo até que esta sua opção a ser vitoriosa  poderá vir a prejudicar seriamente todo o futuro da sua Obra.
Pode até acontecer (apesar da sua improvável eleição) que Poeta venha a ser o vencedor das eleições Presidenciais. Então é quase certo que seremos confrontados, com a triste realidade, de um político medíocre que ao longo dos anos da sua actividade mais do que uma vez confirmou com a pouca firmeza das suas convicções. Mas a grande Poesia de Resistente e Lutador pela Liberdade que Manuel Alegre já escreveu não poderá nunca ser esquecida.
O mais certo é acontecer o mesmo que ao escritor Vargas Llosa. O Peru perdeu um Presidente certamente medíocre, mas ganhou um grande escritor e o seu primeiro Prémio Nobel da Literatura, no seu país.
Nós podemos vir a ganhar o 2º. Nobel da Literatura.
Desta vez a Academia foi justa e Vargas Llosa merece as nossas mais vivas felicitações.
Martins Raposo
CV – Outubro 2010



terça-feira, 26 de outubro de 2010

JOSÉ CARRILHO GANHA 1º. PRÉMIO

NOS JOGOS FLORAIS DA ALMA ALENTEJANA
José Carrilho obteve o 1º. Prémio com o seu Conto intitulado “FUTURO GERÓNIMO, OU O IDEÁRIO PERPETUADO”, nos X JOGOS FLORAIS – realizados pela Associação ALMA ALENTEJANA, com Sede em Almada.

A cerimónia realizou-se no Auditório Romeu Correia dirigida pelo Presidente da Direcção Sr. António Oliveira que iniciou os trabalhos com palavras de louvor e agradecimento ao patrono destes Jogos Florais, Dr. Simas Abrantes (o 1º. Presidente da Direcção desta Instituição) e logo de seguida procedeu à entrega dos Prémios de Poesia e do Conto, começando naturalmente pelas menções honrosas e finalmente chamando o José Francisco Carrilho, natural de Castelo de Vide, para lhe entregar o 1º. Prémio, conseguido com o seu maravilhoso Conto “Futuro Jerónimo ou o Ideário Perpetuado”.

Este Conto, é uma bela narrativa de alguns episódios que se passaram com a implantação da República tendo como personagem um filho de gente abastada do Alentejo que influenciado por um familiar, aderiu de corpo e alma aos ideais defendidos por alguns dos republicanos do 5 de Outubro e  de certo modo os aplicou pela vida fora, auxiliando os mais desprotegidos e apadrinhando muitas crianças filhas dos camponeses da sua terra.
Seguindo de forma breve as atribulações do novo regime que não só traiu as esperanças dos trabalhadores, como acabou cedendo o lugar à ditadura de Salazar. O autor, eleva a personagem principal como um dos muitos resistentes que nunca desistiram de defender os ideais humanistas da Revolução de Outubro e acreditaram num futuro melhor.

Aos seus afilhados João Marcelino, assim se chama o herói desta brilhante narrativa, apenas exigia que tivessem como nome próprio as palavras Liberdade e Fraternidade e ao último atribuiu o nome de Futuro, querendo perpetuar no nome dos seus afilhados, o seu ideário republicano.
Aos leitores deste pequeno apontamento, aconselho vivamente a leitura da versão integral deste belo conto, inserido no “Blogue Ribeiro da Fonte”, no qual o premiado evoca o nome de Isabel Diniz (Avó dos seus Filhos), contadora de lindas histórias que lhe terá servido de inspiração para este seu trabalho.
O Prémio dedicou-o José Carrilho aos seus Familiares e Amigos e às gentes da sua Terra, num gesto muito bonito e muito aplaudido pela numerosa assistência que enchia por completo o Auditório Romeu Correia.

Está de parabéns o nosso conterrâneo, pelo prémio alcançado com o seu excelente trabalho. Ficamos a aguardar com renovado interesse os seus trabalhos literários.
Resta-me terminar com uma palavra de apreço pela distinta simplicidade como decorreu a cerimónia da entrega dos prémios, na qual participaram para além do Patrono destes Jogos Florais, o Presidente da Associação, todos os elementos do Júri que foram distinguidos com palavras elogiosas dos presentes.
Do Programa fez parte ainda um Grupo de Jovens Violonistas que presenteou o público com bonitos e variados trechos musicais. A terminar tivemos o grato prazer de assistir à actuação de Francisco Naia e dos seus acompanhantes que deliciou a assistência com a sua voz extraordinária e algumas das canções do seu vasto e importante repertório.
Martins Raposo
CV-25.10.10

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SAUDADES DO ADRIANO

ONDE ESTÃO TEUS COMPANHEIROS?


Por princípio, gosto mais de glorificar a data de nascimento das pessoas a que me refiro nos meus escritos, mas por vezes sinto a necessidade de assinalar a data do seu desaparecimento tão grande é a mágoa e a falta que certas pessoas nos fazem nos tristes dias que estamos a passar no nosso país.
Adriano foi um dos mais activos e corajosos intérpretes da “Canção de Protesto que começou a ter grande importância em meados dos anos 60 e da qual fizeram parte Zeca Afonso, Manuel Freire Luís Cília, entre outros. Eles foram os obreiros que revolucionaram uma nova forma de cantar em português. Intérpretes dos nossos melhores Poetas, entre os quais António Gedeão, Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, Reinaldo Ferreira, e da música de verdadeiros génios na arte de compor e de tocar, como foram Rui Pato, António Portugal, António Menano, Machado Soares e José Niza.

E assim se fizeram canções imortais como "Menina dos Olhos Tristes, Trova do Vento que Passa, Tão Forte Sopra o Vento, História do Quadrilheiro, Pedro Soldado, Fala do Homem Nascido,Homem Nascido, Tejo que Lavas o Rio",  e tantas outras que a sua voz maravilhosa tornou célebres, nos fez pensar e nos encantou.
Foi ele que cantou: “Ninguém pode calar/ A voz da Liberdade”; “Mesmo na noite mais triste/ E em tempo de solidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não”;” Ó Alentejo dos pobres/ Reino da desolação/ Não sirvas quem te despreza”.
Adriano, tinha a firme convicção de que as letras e as músicas das suas canções revolucionárias podiam influenciar as mentalidades e modificar a postura de muitos portugueses que o ouviam e seguiam a sua carreira com atenção.Ele conseguiu manter sempre a mesma postura corajosa, na defesa dos seus ideais bem expressa neste poema: “Venho dizer-vos que não tenho medo/ A verdade é mais forte que as algemas”.
 Era assim o Adriano! Um bom gigante que erguia bem alto a sua VOZ! Aquela voz que tanto podia ser grave, forte e possessiva, como podia ser insinuante e colorida como um manto de preciosidades raras da natureza. O seu longo repertório, incluía para além das canções de intervenção, muitas canções populares que o nosso povo tem guardado desde os tempos mais antigos dos trovadores de gesta. Teve grandes êxitos e muita juventude o seguiu como um ídolo antes e depois do 25 de Abril até à derrocada do 25 de Novembro de 1975, em que os vencedores iniciaram os ataques a todas as conquistas conseguidas com a Revolução dos cravos.
O  conceito de cultura popular foi de certo modo adulterado, numa visão distorcida das realidades  do nosso povo, manipulando a juventude, moldando-a em conformidade com os principios do neoliberalismo e de uma pretensa aldeia global no qual o economicismo elimina toda a filosofia de ideais progressistas e humanistas. A obra de Adriano e de muitos dos seus companheiros foi a partir de então, relegada para o fundo das gavetas dos novos senhores do poder.
É um  facto comprovado que a participação de Adriano na acção cívica e  revolucionária através da canção, levou a que os meios de comunicação tenham feito tudo para fazer desaparecer o seu trabalho de artista, intérprete e compositor. Aliás, toda essa gente com responsabilidades nas direcções de informação, ainda em vida do grande intérprete o tinham emparedado nos muros do silêncio, com rancor e raiva. Tinham e ainda têm,  pavor das palavras das suas canções que lhes queimam as más consciências.
Hoje, está tudo muito pior, vinte e oito anos passados após o seu desaparecimento físico, pouco resta da sua memória, e muito menos de quem queira  falar do seu nome e da sua obra. Os tempos voltam a estar ameaçadoramente sombrios, na eminência de uma catástrofe que nos envolve a todos, mas ataca muito em especial a classe trabalhadora, por quem Adriano generosamente tanto se bateu em sua defesa.
Para agravar esta tristeza, regista-se o facto dos seus companheiros de luta terem desaparecido quase todos.Uns porque faleceram, outros porque se cansaram e acomodaram. Outros ainda, no pior sentido, já se passaram para o outro lado da barricada sem pudor e sem vergonha.
Restam muito poucos dos teus Companheiros! E mesmo esses poucos, desapareceram de circulação. Não se ouvem. Não aparecem. Esconderam-nos!
Eu bem digo para ouvirem a tua VOZ! Mas as pessoas têm pressa, estão cheias de preocupações.São as prestações do carro e da casa. São os filhos no desemprego. É o futuro hipotecado. Todos correm sem tino e sem tempo de ouvir.
É pena, mas vou continuar a gritar. É preciso ouvir o ADRIANO!
Que saudades temos de ti Adriano! Que falta nos fazes!
Martins Raposo
CV-16 de Outubro de 2010
NOTAS:  Texto apoiado no Livro " Adriano Correia de Oliveira - Vida e Obra, de Mário Correia.
Fotos extraídas da Net.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

EM MEMÓRIA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

ROMAGEM À FREGUESIA DE MARGEM
Concelho do Gavião
No seguimento do artigo sobre a Homenagem que os Castelovidenses efectuaram no dia 17 de Julho, na Freguesia de Margem, onde se encontra o busto e os restos mortais do ínsigne estadista Mouzinho da Silveira, natural desta nossa querida terra, vimos colocar mais algumas fotos deste importante evento cultural, levado a efeito pelo Grupo de Amigos de Castelo de Vide.



 J. Canário e A. Manso distribuem os "Diplomas" .

 O Alcino a Esposa  e o Julio bem dispostos.

O Sr. Governador Cilvil despede-se dos presentes.


Um dos presentes já pensa no seu Restaurante.


Dois Jovens e mais gente muito simpática.



O Zé Carrilho, o Zé Raposo e a Cidália.
Alice, Rui, Serpa, Hilário e Romero.

O Celestino comanda a marcha para... o almoço

Cecília, Marido e Filhos com Dr. Calha e D. Olívia.