FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 24 de março de 2010

PEDRO ABRUNHOSA
UM DOS ÍCONES DA MÚSICA PORTUGUESA
A propósito de uma mensagem que o meu Amigo Álvaro Monteiro, bancário por acaso e necessidade, mas grande músico e invulgar intérprete de Jaz e de música portuguesa, actuando actualmente com o duo “Álvaro & Zé Victor", que tem merecido o aplauso dos numerosos admiradores que conquistaram com actuações memoráveis, em toda a zona de Sesimbra, Setúbal e outras localidades.
Como ia dizendo, hoje enviou-me um post, em que se vê o músico Pedro Abrunhosa, nos primórdios da sua carreira musical, integrando um grupo musical, ainda sem os famosos óculos que marcaram mais tarde o culto da sua personalidade. Aproveitei para dar uma espreitadela ao seu vasto currículo e aqui ficam alguns dados para os mais jovens que não conheceram este extraordinário intérprete de Jaz que tantos êxitos alcançou nos anos 80.
Pedro Machado Abrunhosa, nasceu no Porto, em 20 de Dezembro de 1960, descendente de músicos amadores que o incentivaram a seguir os estudos das artes musicais.
O seu primeiro instrumento foi o Contrabaixo de Cordas, integrando o Grupo de Música do Porto, dirigido pelo Maestro Cândido de Lima. Ao mesmo tempo iniciou as suas experiências na área do Jaz, seguindo de perto nomes como Billy Hart, David Liebman, Todd Coolman e outros. Neste período formou a Banda de Bolso e o Sexteto de Pedro Abrunhosa, tendo efectuado numerosas actuações com músicos internacionais e foi um dos co-fundadores da Escola de Jaz do Porto.
Já na década de 90 com a composição do Álbum Viagens, deu-se a grande viragem no estilo de composições musicais, aproximando-se musicalmente do “pop-rock”, reforçando a sua atitude de rebeldia e de contestação à situação política.
A sua nova imagem impõe-se com uma gestualidade provocatória, combinando o vestuário negro, com os célebres óculos escuros que jamais vai tirar nos seus espectáculos e no contacto com o público.
Os anos 90 são contemplados com grandes espectáculos e com grandes êxitos musicais, radicalizando o seu estilo musical com aproximações ao “funky e ao hip-hop”, utilizando técnicas de “sampling” com as suas interpretações que transitam invariavelmente do canto para a pura declamação. O Álbum “Silêncio” obtém enorme sucesso em todos os seus espectáculos.
A sua já longa carreira como intérprete e compositor afirmou-se como um dos grandes “ícones pop”da musica portuguesa contemporânea, reconhecido além fronteiras, muito em especial em Espanha e no Brasil onde famosos intérpretes como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, têm utilizado as suas canções nos seus reportórios.
São muitos os Prémios que Abrunhosa já conquistou, entre os quais se contam dois Globos de Ouro, vários prémios da Revista Blitz, da Rádio Nova Era e ainda o Prémio da Melhor Banda Sonora em Espanha e o Prémio Melhor Compositor pela RCL.
Esta pequena súmula da bem sucedida vida deste extraordinário músico está naturalmente muito reduzida na verdadeira dimensão, que ainda muito recentemente nos surpreendeu com a criação de uma nova formação musical, “Comité Caviar”, confirmando a coragem de prosseguir com a sua irreverência e demonstrando que se pode ser “contestatário militante” sem perder a excelente qualidade que as suas composições sempre têm tido.
 
CV- 24.03.10
Martins Raposo
NOTAS: Dados recolhidos na Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, Wikipédia e Álvaro Monteiro, para o qual vai um  abraço amigo e o meu muito obrigado, pelas excelentes músicas que tem enviado.














O Duo "Alvaro& Zé Vitor"

segunda-feira, 22 de março de 2010


ISABEL FIGUEIRA
UMA ATLETA EXTRAORDINÁRIA



Isabel Maria Andrade Figueira, nasceu em 05 de NOvcembro de 1979, viveu uma parte da sua juventude em Castelo de Vide, onde teve os seus primeiros treinos de natação, modalidade em que se viria a notabilizar como mais adiante veremos pela excelente entrevista que concedeu a meu pedido, para ser publicada no Jornal NCV. Isabel Figueira, licenciou-se em Educação Física e Desporto, é Tecnica Superior de Desporto na Câmara Municipal de Faro e Treinadora no Clube de Natação de Faro.
JMR - Conte-nos um pouco como foi a sua infância.
IF - Tive uma infância normal como tantas outras crianças, com a particularidade de ter tido uns pais que me apoiaram e trilharam comigo os caminhos que decidi percorrer e um irmão que tem sido até hoje um alicerce na minha vida.
JMR – Onde iniciou os seus estudos? Como foi a sua iniciação desportiva?
IF - Fiz até ao 9º ano na Escola C+S de Castelo de Vide e o Secundário na Escola Secundária Mouzinho da Silveira em Portalegre.
Desde cedo que o meu pai me incutiu a mim e ao meu irmão (também ele atleta) o gosto pela prática desportiva. Foi nas aulas que o meu pai dava nas piscinas em Portalegre que aprendi a nadar e mais tarde passei para a associação desportiva de Castelo de Vide onde fui acompanhada pelo meu antigo treinador (João Augusto) até ao momento em que iniciei a minha vida académica em Faro.
JMR – Com que idade começou a praticar desporto de competição?
IF - Comecei a praticar desporto de competição com 6 anos.
JMR – O facto de o seu pai ser professor de E F e além disso se ter distinguido no atletismo, teve alguma influência na decisão?
IF - Possivelmente um pouco.

JMR – Nos campeonatos europeus, realizados em Cádiz, em 2009, a Isabel obteve três medalhas de ouro e dois recordes da Europa. Como viveu esses momentos? Foi a melhor época da sua carreira?
Os resultados que obtive em Cádiz foram fruto de muito trabalho ao longo da época e de um verão praticamente todo passado na piscina e no ginásio a treinar, fiquei por isso muito feliz com os resultados.
IF - Sim, esta foi uma das melhores épocas da minha carreira.
JMR – Quais as provas e os prémios mais importantes que alcançou. Pode-nos indicar o lugar onde decorreram as provas e o porquê da sua importância?
IF - A minha carreira é longa e já participei em inúmeros campeonatos, menciono por isso os últimos prémios mais importantes para além obviamente de Cádiz. A ascensão do meu actual clube (Clube de Natação de Faro) à 2ª divisão e o bronze obtido no meeting internacional da Póvoa de Varzim foram os últimos prémios de destaque.
JMR – Consegue dar-nos o número de provas e prémios que já consegui ganhar?
IF - Como referi anteriormente, a minha carreira é longa, já perdi a noção do número das provas e dos prémios que consegui ganhar.
JMR – Como vai ser o seu calendário de provas para esta época?

IF - Os meus objectivos neste momento são a participação nos Campeonatos de Portugal e a preparação para o Mundial em Julho na Suécia.
JMR – Já participou em Castelo de Vide em alguma prova desportiva?
IF - Participei em muitas!!! Até aos 17 anos representei a Associação Desportiva de Castelo de Vide.
JMR – Qual ou quais os clubes em que já esteve inscrita? Actualmente qual o clube que representa?
IF - Representei o Clube de Natação de Portalegre, a Associação Desportiva de Castelo de Vide e quando vim para Faro para a Universidade, integrei o Louletano Desportos Clube, mais tarde a convite de um amigo, representei o Clube Futebol Benfica e actualmente estou no Clube de Natação de Faro.
JMR – Acha que Castelo de Vide tem condições para a prática da natação? Em sua opinião o que deve ser feito para que esta prática tenha mais adeptos e se possam realizar provas com regularidade?
IF - Castelo de Vide tem condições em termos de infra-estruturas, no entanto não existe uma escola de formação como em todos os clubes pelos quais já passei, e este aspecto é fulcral na criação de uma equipa de competição.
JMR – Quais os seus sonhos e a sua maior ambição em termos desportivos?
IF - O meu sonho neste momento é ser a mulher com 30 anos mais rápida do mundo aos 50 e 100 metros bruços, e a minha maior ambição é continuar com capacidade de lutar para me superar.
JMR – Quais as suas referências a nível desportivo? Tem algum(s) ídolo(s) desportivo(s)?
IF - Admiro o Phelps, e o nadador japonês Kosuke Kitajima.
JMR – Qual o seu hobby preferido?
IF -Tenho vários, praticar outros desportos, ir à praia, cinema…
JMR – Deseja deixar alguma mensagem aos castelovidenses e em particular aos jovens?
IF - Aproveito a oportunidade para deixar algumas mensagens:
Uma à autarquia da vila que me viu crescer, para que não se esqueça de valorizar e congratular os feitos que os castelovidenses vão conseguindo…
Outra de agradecimento ao meu antigo treinador João Augusto, porque muito do que sou como atleta a ele lho devo.
Aos meus pais, irmão e amigos, obrigada por estarem sempre!
E para os jovens de Castelo de Vide…
tem pelos vossos sonhos porque não há impossíveis!
NOTAS: Esta Entrevista já foi publicada no Jornal "Notícias de Castelo de Vide""  na sua Edição de Março. No entanto, trata-se de um projecto pessoal que a Direcção do NCV, teve a gentileza de publicar. A elaboração das perguntas e composição foram de minha autoria e as respostas estão na íntegra tal e qual a Isabel Figueira respondeu de forma muito objectiva, precisa e clara, realçando o valor incontestável da Entevista.A sua inserção neste Blogue corresponde sob o meu ponto de vista, ao interesse geral que a mesma possa ter para todas as pessoas que não tenham acesso ao Jornal. JMR







quinta-feira, 11 de março de 2010

MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA (PARTE II)

Para que os amigos e leitores tenham o prazer de conhecer melhor o nosso Poeta aqui fica um pouco da sua Poesia premiada. O primeiro Poema obteve o 1º. Prémio dos Jogos Florais de Outono XVII, realizados em Monforte no dia 21 de Outubro de 2009 e promovidos pela Autarquia Local.
O Júri do certame era composto pelo Professor António Matias, a Professora Maria das Dores e o Professor Jacques Songy, tendo como convidado de honra o Sr. Miguel Rasquinho, Presidente da Câmara Municipal que se congratulou com o sucesso deste evento que de ano para ano aumenta o número de concorrentes.
O auditório da Biblioteca Municipal estava completamente cheio, com a presença de numerosos concorrentes e convidados. De acordo com a informação do Júri, este ano foi difícil de selecionar os premiados, devido à superior qualidade dos trabalhos apresentados.
Este certame, muito semelhante ao que outras Autarquias do Alentejo vêm promovendo em prol da cultura popular, ganhou ao longo dos anos uma grande popularidade e os concorrentes vêm de todas as regiões do País, alguns dos quais são já caras bastante conhecidas nesta simpática Vila de Monforte, onde grangearam bastantes amigos.
Não é valida qualquer comparação com os Jogos Florais promovidos pela Câmara Muncipal de Castelo de Vide que decorreram pela 2ª. vez em Castelo de Vide, neste ano de 2009, quer em termos de experiência quer do número de participantes, muito embora se deva dizer que o trabalho coordenado pelo Sr.Major Carlos de Oliveira, foi muito importante e merece que a nossa Autarquia o continue a apoiar para que a obra não esmoreça. De qualquer modo, agrada-nos saber que há mais "Majores da Cultura" neste recanto do Alentejo.














CONSELHO AOS SENIORES
Inevitavelmente o tempo vai
A hora flui e urge o dia-a-dia…
Não penses muito nisso e abstrai,
Põe na vida a doçura da poesia.
Põe graça nas palavras e recria
O teu sonho de um dia que se esvai
Noutro sonho de amor e alegria
Que adoça a tua vida e descontrai.
E, revive o teu tempo de criança
Com prazer, alegria, sonho e graça
Olha o tempo que passa, não espera…
Abre-lhes as portas largas da bonança,
Convive sem espinhos nem mordaça
E faz do teu Outono a Primavera.
M.S.
PÁSSAROS DE FOGO
Em pássaros de fogo
chega o pelotão da morte
para impôr como jogo
a lei do mais forte.
Da orla da mata
parte fogo e metralha
e o terror se espalha
por cada cubata.
Morteiro a morteiro
há corpos caídos
em sangue esvaídos
no pó do terreiro
que serão consumidos
no horror do braseiro.
O menino escuro
indefeso chora
pretende ir-se embora
mas...treme inseguro,
ainda o vejo agora
tem as tripas de fora.
Ainda o vejo agora
mas tento esquecê-lo
ao menino que implora
num eterno apêlo.
Era terno e puro
mas... morreu p'lo futuro
já não pode tê-lo
é por isso que eu juro
que tento esquecê-lo.
Eu tento esquecê-lo...
mas a toda a hora
continuo a vê-lo...
 tem as tripas de fora
e num pranto sem fim
é dentro de mim
que o menino chora.
M.S.
COMENTÁRIO AO ADÁGIO POPULAR "BURRO MORTO, CEVADA AO RABO"
( Poesia picaresca)
Neste tão velho ditado
o rabo que vem descrito
tem sentido figurado, 
ele é, ao fim e ao cabo,
'ma outra forma de rabo...
não o propriamente dito;
dito não literalmente...
não é cauda propriamente
mas algo mais redondito
aquela forma inocente
que é, afinal, somente,
'ma espécie de buraquito,
que fica localizado
no ponto mais recuado
da 'strutura do burrito.
Dar de rabo na moral,
não sou eu a fazer tal.
Por isso, devo dizer:
O que houver para fazer,
não se guarde p'ró final
quando a pena já não vale.
Dizia certo poeta,
de forma muito concreta,
muito concreta e serena...
Para se atingir a meta
tudo vale sempre a pena
se a alma não é  pequena:::
Mas... eu, nem sou da poesia...
nem de grande pensamento...
nem me tenta a fantasia
de ir fazer filosofia
sobre o rabo de um jumento
que para além de figurado
é um burro já finado,
e por esse passamento
eu só não choro e lamento
por ser um burro inventado.
M.S.
DEMOCRACIA
(Crítica social)
Quando a coerência e a razão
puserem laivos de amor
em cada coração...
Nesse dia!...
será dia de mudança!
O Sol voltará a iluminar a esperança
e haverá de novo
flores na rua e risos de criança
paz e harmonia!
Quando a Justiça. enfim, tiver vencido,
o amor for um dado adquirido
houver solidariedade,
sem embuste
e com verdade...
e for a voz dos justos libertada...
reataremos a obra começada,
num Abril mais florido.
E ouviremos a música prometida...
e ver-se-á uma bandeira erguida
e desfraldada...
a hipocrisia voltará ao seu redil
e ver-se-á envergonhada
de tanto embuste e tanto ardil
e será de novo Abril
com cravos muitos mil
numa Pátria libertada.
Quando a mentira for banida
e da razão uma bandeira içada,
e a voz dos justos for ouvida
e não seja a verdade acorrentada
para que seja comedida e controlada
dos barões a gula desmedida...
A justiça reinará
e... nesse dia
diremos que haverá
enfim...DEMOCRACIA!...
Autor: Francisco Matos Serra
DADOS RECOLHIDOS: Matos Serra, O Distrito de Portalegre e Câmara Municipal de Monforte.
JMRaposo
MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA!
Francisco Matos Serra nasceu em Monforte, no dia 26 de Março de 1937, filho de gente humilde, trabalhadores rurais que sofreram as agruras impostas aos trabalhadores pelo Estado Novo, mas sempre de cabeça levantada. Senhores do campo, vivendo uns no Assumar, outros em Monforte, gente rija e de numerosa prole.
Francisco, ainda sofreu na pele a dura lei do proletariado agrícola, passando a sua juventude, junto dos ganhões e dos pastores nas herdades dos agrários que nesta região detinham todos os poderes, sob o beneplácito de Salazar, o ditador. No seu tempo ainda apareciam os malteses, de duro traço e alma de aventureiros românticos que eram adorados pelos campesinos que ouviam as suas histórias rocambolescas, relatadas sempre com um humor por vezes cáustico, por vezes ingénuo, mas admiráveis no seu imaginário de raízes populares.
Apetrechado com estas ricas experiências, o descendente dos Serra, não se conformava com a rude vida que levava, rebelando-se com as injustiças sociais de que ainda foi vítima, saíu da sua terra, para outra vida e para outros muitos lugares que percorreu, com o seu porte altivo, de “guerreiro”, idealista e sonhador.
Matos Serra, é um dos amigos da nossa Terra, que há muitos anos nos honra não só com a sua amizade, mas também com uma colaboração prestigiada pela enorme simpatia de um comunicador por excelência, com saber e conhecimento pessoal dos actos que descreve com simplicidade e elegância.
Corria o ano de 2000, quando a Associação de Pais das Escolas de Castelo de Vide, o convidou para falar com os alunos, sobre os acontecimentos do 25 de Abril, vividos pelo anfitrião, como jovem oficial militar. Daí para cá, voltou várias vezes à Escola, sempre a convite da Associação de Pais.
Colaborou activamente com o GACV, na Sessão “Poetas de Abril”, realizado em 30 de Outubro de 2004, contactando com os Poetas Populares que participaram neste evento. Ajudou a realizar a “Exposição Revisitar Abril”, nas Comemorações do 30º. Aniversário da Revolução dos Cravos.

A mais recente colaboração foi a sua intervenção, na Evocação dos 65º. Aniversário do Capitão de Abril, Salgueiro Maia, dando-nos mais uma vez o testemunho da amizade que o ligava ao nosso herói conterrâneo, o respeito pela intérprete ousadia do jovem Capitão, ao mesmo tempo que manifestava a sua preocupação pelos tempos de crise e de desesperança em que vivemos.
Por estranho que pareça, este nosso Amigo é praticamente desconhecido da sua faceta extraordinária que o liga à Poesia Popular, e digo estranho por que o Matos Serra é na verdade um dos melhores Poetas Populares da nossa Região, com um palmarés de Prémios de grande mérito, os últimos dos quais tive o prazer de presenciar nos XVII JOGOS FLORAIS DO OUTONO DE 2009, realizados em Monforte, no dia 11 de Outubro e promovidos pela Câmara Municipal.
Matos Serra,  foi neste precioso evento, galardoado com o 1º. Prémio (ex-aequo) com o Poema “Conselho aos Seniores”, o 2º. Prémio, com a Poesia “Poesia é Vida Eterna, outro 2º. Prémio com o Soneto, “O Bosque em Alvoroço” e o 3º. Prémio no Tema Poesia a Mote, com a Poesia “Ir às Tertulhas (tertúlias), tendo ainda, sido distinguido com Sete Menções Honrosas.
Para não tornar este apontamento demasiado extenso, não posso por agora alongar-me muito mais nesta área da Poesia Popular, em que o nosso amigo já provou ser um dos mestres exímios, no jogo das palavras, com um sentindo romântico carregado de um lirismo sedutor, aliado a um fino sentido de humor onde não faltam as cenas picarescas tão usuais nos meios campestres e bucólicos, no chão do nosso Alentejo.
É mais do que uma certeza de que voltaremos a falar desta figura que se destaca agora no mundo da poesia, mas que tem ainda muito que nos contar da sua história como militar de Abril, interveniente e activo nos momentos mais quentes da Revolução dos Cravos. Homem Vertical, seguro e solidário nos momentos de crise, enfrentando com coragem e dignidade todas as adversidades impostas pelos “próceres” vencedores do 11 de Novembro.

Hoje, este nosso amigo, vive voluntariamente afastado das ondas palacianas que nunca o seduziram, numa Quinta junto às Termas de Cabeço de Vide que é um pequeno jardim, construído sobre ruínas de um velho casarão, pedra a pedra, árvore a árvore, pelas suas mãos. Neste retiro bonançoso, junto de sua dedicada esposa, Maria Antónia, vai dando largas à sua fértil imaginação poética. Escreve sempre em forma poética e a sua vasta produção, vai decerto transformar-se em livro que eu aguardo com a certeza de que terá enorme sucesso.
De vez em quando o Poeta, desce à cidade de “José Régio” (ele, que adora Pessoa), para participar em amenas tertúlias, aumentando em cada dia o enorme espólio de amizades que crescem espontaneamente em cada pessoa que vai conhecendo, com a mesma simplicidade com que dispõe os cravos e as gardénias do seu jardim.
CV - Novembro 2009
Martins Raposo
Nota: Seguem noutro texto os Poemas de Matos Serra

quarta-feira, 3 de março de 2010

UMA TRAGÉDIA MORTAL


Em vésperas de Natal



Paulo Jorge Samarra Trindade, nasceu em Lisboa no dia 29 de Março de 1969 e era filho dos Castelovidenses, Sr. Rogério Trindade e de D. Camila Samarra, já falecida.
O Paulo era neto da minha Tia Libânnia, irmã do meu Pai.
No dia 22 de Dezembro, este jovem apenas com quarenta anos de idade, foi mortalmente colhido por um automóvel desgovernado, com o seu condutor perdido de bêbado que veio embater violentamente na paragem do autocarro que o malogrado Paulo Jorge se preparava para tomar a caminho do emprego.
Paulo Jorge que nem sempre teve sorte nos seus empregos, encontrava-se agora com uma situação estável, nos serviços de segurança na Securitas, colocado na Carris, onde era estimado por superiores e companheiros.
A cerimónia do funeral acompanhada por muitos familiares e amigos, deu-se na Igreja da Charneca do Lumiar e o infeliz foi sepultado no Cemitério do Lumiar. Era bem visível a consternação por esta tragédia provocada por uma pessoa que já tem cadastro criminal e que cobardemente abandonou o carro e a vítima que teve morte imediata. Havia no local uma senhora e duas crianças que sofreram ligeiras escoriações.
Deixa a sua jovem viúva sem emprego e com uma doença incurável, sendo toda a sua família bastante pobre e carenciada, aquém apresentámos o nosso profundo pesar e solidariedade nesta hora de tragédia e de dor.
Ao Rogério Trindade, meu familiar e amigo, destroçado pela dor por ter perdido o único filho que tinha, eu lhe peço que tenha ânimo e coragem para enfrentar esta dolorosa perda.
CV - Dezembro de 2009
Martins Raposo