FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 11 de março de 2010

MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA!
Francisco Matos Serra nasceu em Monforte, no dia 26 de Março de 1937, filho de gente humilde, trabalhadores rurais que sofreram as agruras impostas aos trabalhadores pelo Estado Novo, mas sempre de cabeça levantada. Senhores do campo, vivendo uns no Assumar, outros em Monforte, gente rija e de numerosa prole.
Francisco, ainda sofreu na pele a dura lei do proletariado agrícola, passando a sua juventude, junto dos ganhões e dos pastores nas herdades dos agrários que nesta região detinham todos os poderes, sob o beneplácito de Salazar, o ditador. No seu tempo ainda apareciam os malteses, de duro traço e alma de aventureiros românticos que eram adorados pelos campesinos que ouviam as suas histórias rocambolescas, relatadas sempre com um humor por vezes cáustico, por vezes ingénuo, mas admiráveis no seu imaginário de raízes populares.
Apetrechado com estas ricas experiências, o descendente dos Serra, não se conformava com a rude vida que levava, rebelando-se com as injustiças sociais de que ainda foi vítima, saíu da sua terra, para outra vida e para outros muitos lugares que percorreu, com o seu porte altivo, de “guerreiro”, idealista e sonhador.
Matos Serra, é um dos amigos da nossa Terra, que há muitos anos nos honra não só com a sua amizade, mas também com uma colaboração prestigiada pela enorme simpatia de um comunicador por excelência, com saber e conhecimento pessoal dos actos que descreve com simplicidade e elegância.
Corria o ano de 2000, quando a Associação de Pais das Escolas de Castelo de Vide, o convidou para falar com os alunos, sobre os acontecimentos do 25 de Abril, vividos pelo anfitrião, como jovem oficial militar. Daí para cá, voltou várias vezes à Escola, sempre a convite da Associação de Pais.
Colaborou activamente com o GACV, na Sessão “Poetas de Abril”, realizado em 30 de Outubro de 2004, contactando com os Poetas Populares que participaram neste evento. Ajudou a realizar a “Exposição Revisitar Abril”, nas Comemorações do 30º. Aniversário da Revolução dos Cravos.

A mais recente colaboração foi a sua intervenção, na Evocação dos 65º. Aniversário do Capitão de Abril, Salgueiro Maia, dando-nos mais uma vez o testemunho da amizade que o ligava ao nosso herói conterrâneo, o respeito pela intérprete ousadia do jovem Capitão, ao mesmo tempo que manifestava a sua preocupação pelos tempos de crise e de desesperança em que vivemos.
Por estranho que pareça, este nosso Amigo é praticamente desconhecido da sua faceta extraordinária que o liga à Poesia Popular, e digo estranho por que o Matos Serra é na verdade um dos melhores Poetas Populares da nossa Região, com um palmarés de Prémios de grande mérito, os últimos dos quais tive o prazer de presenciar nos XVII JOGOS FLORAIS DO OUTONO DE 2009, realizados em Monforte, no dia 11 de Outubro e promovidos pela Câmara Municipal.
Matos Serra,  foi neste precioso evento, galardoado com o 1º. Prémio (ex-aequo) com o Poema “Conselho aos Seniores”, o 2º. Prémio, com a Poesia “Poesia é Vida Eterna, outro 2º. Prémio com o Soneto, “O Bosque em Alvoroço” e o 3º. Prémio no Tema Poesia a Mote, com a Poesia “Ir às Tertulhas (tertúlias), tendo ainda, sido distinguido com Sete Menções Honrosas.
Para não tornar este apontamento demasiado extenso, não posso por agora alongar-me muito mais nesta área da Poesia Popular, em que o nosso amigo já provou ser um dos mestres exímios, no jogo das palavras, com um sentindo romântico carregado de um lirismo sedutor, aliado a um fino sentido de humor onde não faltam as cenas picarescas tão usuais nos meios campestres e bucólicos, no chão do nosso Alentejo.
É mais do que uma certeza de que voltaremos a falar desta figura que se destaca agora no mundo da poesia, mas que tem ainda muito que nos contar da sua história como militar de Abril, interveniente e activo nos momentos mais quentes da Revolução dos Cravos. Homem Vertical, seguro e solidário nos momentos de crise, enfrentando com coragem e dignidade todas as adversidades impostas pelos “próceres” vencedores do 11 de Novembro.

Hoje, este nosso amigo, vive voluntariamente afastado das ondas palacianas que nunca o seduziram, numa Quinta junto às Termas de Cabeço de Vide que é um pequeno jardim, construído sobre ruínas de um velho casarão, pedra a pedra, árvore a árvore, pelas suas mãos. Neste retiro bonançoso, junto de sua dedicada esposa, Maria Antónia, vai dando largas à sua fértil imaginação poética. Escreve sempre em forma poética e a sua vasta produção, vai decerto transformar-se em livro que eu aguardo com a certeza de que terá enorme sucesso.
De vez em quando o Poeta, desce à cidade de “José Régio” (ele, que adora Pessoa), para participar em amenas tertúlias, aumentando em cada dia o enorme espólio de amizades que crescem espontaneamente em cada pessoa que vai conhecendo, com a mesma simplicidade com que dispõe os cravos e as gardénias do seu jardim.
CV - Novembro 2009
Martins Raposo
Nota: Seguem noutro texto os Poemas de Matos Serra

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