FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 11 de março de 2010

MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA (PARTE II)

Para que os amigos e leitores tenham o prazer de conhecer melhor o nosso Poeta aqui fica um pouco da sua Poesia premiada. O primeiro Poema obteve o 1º. Prémio dos Jogos Florais de Outono XVII, realizados em Monforte no dia 21 de Outubro de 2009 e promovidos pela Autarquia Local.
O Júri do certame era composto pelo Professor António Matias, a Professora Maria das Dores e o Professor Jacques Songy, tendo como convidado de honra o Sr. Miguel Rasquinho, Presidente da Câmara Municipal que se congratulou com o sucesso deste evento que de ano para ano aumenta o número de concorrentes.
O auditório da Biblioteca Municipal estava completamente cheio, com a presença de numerosos concorrentes e convidados. De acordo com a informação do Júri, este ano foi difícil de selecionar os premiados, devido à superior qualidade dos trabalhos apresentados.
Este certame, muito semelhante ao que outras Autarquias do Alentejo vêm promovendo em prol da cultura popular, ganhou ao longo dos anos uma grande popularidade e os concorrentes vêm de todas as regiões do País, alguns dos quais são já caras bastante conhecidas nesta simpática Vila de Monforte, onde grangearam bastantes amigos.
Não é valida qualquer comparação com os Jogos Florais promovidos pela Câmara Muncipal de Castelo de Vide que decorreram pela 2ª. vez em Castelo de Vide, neste ano de 2009, quer em termos de experiência quer do número de participantes, muito embora se deva dizer que o trabalho coordenado pelo Sr.Major Carlos de Oliveira, foi muito importante e merece que a nossa Autarquia o continue a apoiar para que a obra não esmoreça. De qualquer modo, agrada-nos saber que há mais "Majores da Cultura" neste recanto do Alentejo.














CONSELHO AOS SENIORES
Inevitavelmente o tempo vai
A hora flui e urge o dia-a-dia…
Não penses muito nisso e abstrai,
Põe na vida a doçura da poesia.
Põe graça nas palavras e recria
O teu sonho de um dia que se esvai
Noutro sonho de amor e alegria
Que adoça a tua vida e descontrai.
E, revive o teu tempo de criança
Com prazer, alegria, sonho e graça
Olha o tempo que passa, não espera…
Abre-lhes as portas largas da bonança,
Convive sem espinhos nem mordaça
E faz do teu Outono a Primavera.
M.S.
PÁSSAROS DE FOGO
Em pássaros de fogo
chega o pelotão da morte
para impôr como jogo
a lei do mais forte.
Da orla da mata
parte fogo e metralha
e o terror se espalha
por cada cubata.
Morteiro a morteiro
há corpos caídos
em sangue esvaídos
no pó do terreiro
que serão consumidos
no horror do braseiro.
O menino escuro
indefeso chora
pretende ir-se embora
mas...treme inseguro,
ainda o vejo agora
tem as tripas de fora.
Ainda o vejo agora
mas tento esquecê-lo
ao menino que implora
num eterno apêlo.
Era terno e puro
mas... morreu p'lo futuro
já não pode tê-lo
é por isso que eu juro
que tento esquecê-lo.
Eu tento esquecê-lo...
mas a toda a hora
continuo a vê-lo...
 tem as tripas de fora
e num pranto sem fim
é dentro de mim
que o menino chora.
M.S.
COMENTÁRIO AO ADÁGIO POPULAR "BURRO MORTO, CEVADA AO RABO"
( Poesia picaresca)
Neste tão velho ditado
o rabo que vem descrito
tem sentido figurado, 
ele é, ao fim e ao cabo,
'ma outra forma de rabo...
não o propriamente dito;
dito não literalmente...
não é cauda propriamente
mas algo mais redondito
aquela forma inocente
que é, afinal, somente,
'ma espécie de buraquito,
que fica localizado
no ponto mais recuado
da 'strutura do burrito.
Dar de rabo na moral,
não sou eu a fazer tal.
Por isso, devo dizer:
O que houver para fazer,
não se guarde p'ró final
quando a pena já não vale.
Dizia certo poeta,
de forma muito concreta,
muito concreta e serena...
Para se atingir a meta
tudo vale sempre a pena
se a alma não é  pequena:::
Mas... eu, nem sou da poesia...
nem de grande pensamento...
nem me tenta a fantasia
de ir fazer filosofia
sobre o rabo de um jumento
que para além de figurado
é um burro já finado,
e por esse passamento
eu só não choro e lamento
por ser um burro inventado.
M.S.
DEMOCRACIA
(Crítica social)
Quando a coerência e a razão
puserem laivos de amor
em cada coração...
Nesse dia!...
será dia de mudança!
O Sol voltará a iluminar a esperança
e haverá de novo
flores na rua e risos de criança
paz e harmonia!
Quando a Justiça. enfim, tiver vencido,
o amor for um dado adquirido
houver solidariedade,
sem embuste
e com verdade...
e for a voz dos justos libertada...
reataremos a obra começada,
num Abril mais florido.
E ouviremos a música prometida...
e ver-se-á uma bandeira erguida
e desfraldada...
a hipocrisia voltará ao seu redil
e ver-se-á envergonhada
de tanto embuste e tanto ardil
e será de novo Abril
com cravos muitos mil
numa Pátria libertada.
Quando a mentira for banida
e da razão uma bandeira içada,
e a voz dos justos for ouvida
e não seja a verdade acorrentada
para que seja comedida e controlada
dos barões a gula desmedida...
A justiça reinará
e... nesse dia
diremos que haverá
enfim...DEMOCRACIA!...
Autor: Francisco Matos Serra
DADOS RECOLHIDOS: Matos Serra, O Distrito de Portalegre e Câmara Municipal de Monforte.
JMRaposo

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