FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















domingo, 30 de maio de 2010

VITTORIO DE SICA
Um dos Maiores Realizadores de Sempre!

Vittório de Sica nasceu em Soria, a 07 de Julho de 1901 e faleceu em Paris em 13 de Novembro de 1974. Descendente de uma família da classe média, viveu grande parte da sua juventude na cidade de Nápoles. A carreira das artes que escolheu foi estimulada pelo pai, iniciando-se como actor de Teatro chegando a participar na Companhia de Tatiana Pavlova. A sua estreia no cinema deu-se com um pequeno papel no filme “ Il Processo Clémenceau” em 1917. Mais tarde atingiu grande popularidade como galã em Filmes de Camerini e de Gli Uonimi.
A sua carreira como realizador começou e 1939, com o Filme, “Rosas Escarlates” a que se seguiram mais de três dezenas de Filmes, alguns dos quais com a estreita colaboração do roteirista Cesare Zavattini.
Das suas Obras mais célebres, contam-se “Vitimas da Tormenta”,Ladrões de Bicicletas”, “La Ciociara”,Boccaio70”,UmbertoD”,Um Lugar para os Amantes” e”Jardim dos Finzi-Contini”.

Ladrões de Bicicletas, realizado em 1948, com argumento de Cesare Zavanttini, é sem dúvida o Filme mais célebre deste grande Realizador, alcançando um enorme sucesso em todo o mundo, sendo considerado como um dos marcos mais importantes da escola neo-realista italiana, um autêntico grito de revolta contra a desumana exploração dos trabalhadores.

Todos aqueles que tiveram o privilégio de ver este filme se comoveram intensamente com o drama de António Ricci, o personagem principal (muito bem interpretado por Lamberto Maggiorani), que para conseguir o emprego numa empresa de distribuição, tem que ter uma bicicleta e que para a poder comprar teve que vender os parcos haveres de sua casa.
A tragédia adensa-se quando lhe é roubada a bicicleta que acabou de comprar com venda de roupas de sua mulher. As peripécias por que tem de passar à procura do único meio para salvar a família do desemprego e da fome, são as mais incríveis e desventuradas.
Pai e Filho percorrem Roma por todos os lugares e em quase todos são confrontados com a miséria que se espalhava por toda a cidade. Ninguém os pode socorrer, todas as portas lhe são fechadas e quando ele no limite do desespero, tenta vingar-se roubando também uma bicicleta é imediatamente apanhado e só a imagem aflita do filho comovem as testemunhas que o libertam por dó e piedade.
Esta obra foi premiada como o Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento do ano de 1948 e recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Locarno em 1949 e o Prémio Bodil em 1951.
Toda a sua Obra assenta nos princípios da nova escola do Neo-Realismo, que se caracteriza pelos temas sociais da época, durante e a seguir à 2ª. Grande Guerra a que se seguiu a implantação do capitalismo selvagem e desumano que a burguesia, a única classe que lucrou com o conflito mundial. Vittorio de Sica, toma corajosamente a defesa dos deserdados e das classes mais desfavorecidas, acusando com desassombro os vampiros de uma sociedade decadente, sem escrúpulos e sem moral.

 A lado de De Sica, se destacam outros Realizadores Italianos que seguem os mesmos ideais e usam técnicas semelhantes nos seus filmes, são eles Roberto Rossellini que nos legou o extraordinário Filme de Roma, Cidade Aberta, com a interpretação fabulosa de Anna Magnani. Luchino Visconti, com os seus Filmes, “Rocco e seus Irmãos”,Morte em Veneza” e o “O Leopardo”, retrato impiedoso da sociedade decadente, com interpretações notáveis de Burt Lancaster, Cláudia Cardinale e Alain Delon.

 Podemos ainda integrar nesta mesma Escola, os nomes de Giuseppe De Santis com o Filme, “Arroz Amargo”, cuja interpretação de Silvana Mangano conseguiu alcançar enorme êxito em 1948 e Marco Bellochio que inicia a sua carreira com “I Pugni in Tasca”,La Cina à Vicina” e nos acaba de brindar aos 70 anos com o Filme, Vencer, uma biografia ousada e crítica do fascista Mussolini, o que levou já alguns críticos a verem semelhanças com o execrável Sílvio Berlosconi que tem conseguido manipular o povo Italiano de uma forma absurda e louca, fazendo-nos recordar os anos negros e nefastos do Ditador.
Não queria deixar de referir que este movimento cultural do Neo-Realismo Italiano, teve o seu início em França após a vitória da Frente Popular em 1936, com o chamado Realismo Poético Francês dos quais se destacaram os Realizadores, Jean Vigo e o seu Filme “O Atalante”; Jean Renoir, com “A Grande Ilusão” e a “Regra do Jogo” e Marcel Carné, com “Cais de Sombras” e “Trágico Amanhecer”. Alguns destes Filmes foram escritos por outra grande figura do cinema Jacques Prévert.


Para terminar esta minha pequena homenagem ao Realizador Vittorio de Sica, feita após a crónica sobre o Livro de Altertto Morávia, La Ciociara, aproveitei para ao mesmo tempo mencionar os nomes de outros Grandes Realizadores da época, não posso deixar de confessar que quase todos estes filmes que mencionei, os vi muito mais tarde, até porque alguns foram realizados antes de ter nascido e que a minha juventude foi até aos 17 anos, marcada pelos Filmes de Aventuras do “Far - west Americano", dos Piratas Famosos, do Robim dos Bosques, Do Sinal do Zorro e outros semelhantes.
A Escola Secundária reiniciada em Tomar e a leitura de bons livros, levaram-me a descobrir outro cinema com uma realidade muito próxima daquilo que a minha Família tinha vivido e continuou a viver por muitos anos.
Estávamos ainda muito longe do 25 de Abril.

CV- Maio de 2010

Martins Raposo

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