FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 26 de outubro de 2010

JOSÉ CARRILHO GANHA 1º. PRÉMIO

NOS JOGOS FLORAIS DA ALMA ALENTEJANA
José Carrilho obteve o 1º. Prémio com o seu Conto intitulado “FUTURO GERÓNIMO, OU O IDEÁRIO PERPETUADO”, nos X JOGOS FLORAIS – realizados pela Associação ALMA ALENTEJANA, com Sede em Almada.

A cerimónia realizou-se no Auditório Romeu Correia dirigida pelo Presidente da Direcção Sr. António Oliveira que iniciou os trabalhos com palavras de louvor e agradecimento ao patrono destes Jogos Florais, Dr. Simas Abrantes (o 1º. Presidente da Direcção desta Instituição) e logo de seguida procedeu à entrega dos Prémios de Poesia e do Conto, começando naturalmente pelas menções honrosas e finalmente chamando o José Francisco Carrilho, natural de Castelo de Vide, para lhe entregar o 1º. Prémio, conseguido com o seu maravilhoso Conto “Futuro Jerónimo ou o Ideário Perpetuado”.

Este Conto, é uma bela narrativa de alguns episódios que se passaram com a implantação da República tendo como personagem um filho de gente abastada do Alentejo que influenciado por um familiar, aderiu de corpo e alma aos ideais defendidos por alguns dos republicanos do 5 de Outubro e  de certo modo os aplicou pela vida fora, auxiliando os mais desprotegidos e apadrinhando muitas crianças filhas dos camponeses da sua terra.
Seguindo de forma breve as atribulações do novo regime que não só traiu as esperanças dos trabalhadores, como acabou cedendo o lugar à ditadura de Salazar. O autor, eleva a personagem principal como um dos muitos resistentes que nunca desistiram de defender os ideais humanistas da Revolução de Outubro e acreditaram num futuro melhor.

Aos seus afilhados João Marcelino, assim se chama o herói desta brilhante narrativa, apenas exigia que tivessem como nome próprio as palavras Liberdade e Fraternidade e ao último atribuiu o nome de Futuro, querendo perpetuar no nome dos seus afilhados, o seu ideário republicano.
Aos leitores deste pequeno apontamento, aconselho vivamente a leitura da versão integral deste belo conto, inserido no “Blogue Ribeiro da Fonte”, no qual o premiado evoca o nome de Isabel Diniz (Avó dos seus Filhos), contadora de lindas histórias que lhe terá servido de inspiração para este seu trabalho.
O Prémio dedicou-o José Carrilho aos seus Familiares e Amigos e às gentes da sua Terra, num gesto muito bonito e muito aplaudido pela numerosa assistência que enchia por completo o Auditório Romeu Correia.

Está de parabéns o nosso conterrâneo, pelo prémio alcançado com o seu excelente trabalho. Ficamos a aguardar com renovado interesse os seus trabalhos literários.
Resta-me terminar com uma palavra de apreço pela distinta simplicidade como decorreu a cerimónia da entrega dos prémios, na qual participaram para além do Patrono destes Jogos Florais, o Presidente da Associação, todos os elementos do Júri que foram distinguidos com palavras elogiosas dos presentes.
Do Programa fez parte ainda um Grupo de Jovens Violonistas que presenteou o público com bonitos e variados trechos musicais. A terminar tivemos o grato prazer de assistir à actuação de Francisco Naia e dos seus acompanhantes que deliciou a assistência com a sua voz extraordinária e algumas das canções do seu vasto e importante repertório.
Martins Raposo
CV-25.10.10

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SAUDADES DO ADRIANO

ONDE ESTÃO TEUS COMPANHEIROS?


Por princípio, gosto mais de glorificar a data de nascimento das pessoas a que me refiro nos meus escritos, mas por vezes sinto a necessidade de assinalar a data do seu desaparecimento tão grande é a mágoa e a falta que certas pessoas nos fazem nos tristes dias que estamos a passar no nosso país.
Adriano foi um dos mais activos e corajosos intérpretes da “Canção de Protesto que começou a ter grande importância em meados dos anos 60 e da qual fizeram parte Zeca Afonso, Manuel Freire Luís Cília, entre outros. Eles foram os obreiros que revolucionaram uma nova forma de cantar em português. Intérpretes dos nossos melhores Poetas, entre os quais António Gedeão, Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, Reinaldo Ferreira, e da música de verdadeiros génios na arte de compor e de tocar, como foram Rui Pato, António Portugal, António Menano, Machado Soares e José Niza.

E assim se fizeram canções imortais como "Menina dos Olhos Tristes, Trova do Vento que Passa, Tão Forte Sopra o Vento, História do Quadrilheiro, Pedro Soldado, Fala do Homem Nascido,Homem Nascido, Tejo que Lavas o Rio",  e tantas outras que a sua voz maravilhosa tornou célebres, nos fez pensar e nos encantou.
Foi ele que cantou: “Ninguém pode calar/ A voz da Liberdade”; “Mesmo na noite mais triste/ E em tempo de solidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não”;” Ó Alentejo dos pobres/ Reino da desolação/ Não sirvas quem te despreza”.
Adriano, tinha a firme convicção de que as letras e as músicas das suas canções revolucionárias podiam influenciar as mentalidades e modificar a postura de muitos portugueses que o ouviam e seguiam a sua carreira com atenção.Ele conseguiu manter sempre a mesma postura corajosa, na defesa dos seus ideais bem expressa neste poema: “Venho dizer-vos que não tenho medo/ A verdade é mais forte que as algemas”.
 Era assim o Adriano! Um bom gigante que erguia bem alto a sua VOZ! Aquela voz que tanto podia ser grave, forte e possessiva, como podia ser insinuante e colorida como um manto de preciosidades raras da natureza. O seu longo repertório, incluía para além das canções de intervenção, muitas canções populares que o nosso povo tem guardado desde os tempos mais antigos dos trovadores de gesta. Teve grandes êxitos e muita juventude o seguiu como um ídolo antes e depois do 25 de Abril até à derrocada do 25 de Novembro de 1975, em que os vencedores iniciaram os ataques a todas as conquistas conseguidas com a Revolução dos cravos.
O  conceito de cultura popular foi de certo modo adulterado, numa visão distorcida das realidades  do nosso povo, manipulando a juventude, moldando-a em conformidade com os principios do neoliberalismo e de uma pretensa aldeia global no qual o economicismo elimina toda a filosofia de ideais progressistas e humanistas. A obra de Adriano e de muitos dos seus companheiros foi a partir de então, relegada para o fundo das gavetas dos novos senhores do poder.
É um  facto comprovado que a participação de Adriano na acção cívica e  revolucionária através da canção, levou a que os meios de comunicação tenham feito tudo para fazer desaparecer o seu trabalho de artista, intérprete e compositor. Aliás, toda essa gente com responsabilidades nas direcções de informação, ainda em vida do grande intérprete o tinham emparedado nos muros do silêncio, com rancor e raiva. Tinham e ainda têm,  pavor das palavras das suas canções que lhes queimam as más consciências.
Hoje, está tudo muito pior, vinte e oito anos passados após o seu desaparecimento físico, pouco resta da sua memória, e muito menos de quem queira  falar do seu nome e da sua obra. Os tempos voltam a estar ameaçadoramente sombrios, na eminência de uma catástrofe que nos envolve a todos, mas ataca muito em especial a classe trabalhadora, por quem Adriano generosamente tanto se bateu em sua defesa.
Para agravar esta tristeza, regista-se o facto dos seus companheiros de luta terem desaparecido quase todos.Uns porque faleceram, outros porque se cansaram e acomodaram. Outros ainda, no pior sentido, já se passaram para o outro lado da barricada sem pudor e sem vergonha.
Restam muito poucos dos teus Companheiros! E mesmo esses poucos, desapareceram de circulação. Não se ouvem. Não aparecem. Esconderam-nos!
Eu bem digo para ouvirem a tua VOZ! Mas as pessoas têm pressa, estão cheias de preocupações.São as prestações do carro e da casa. São os filhos no desemprego. É o futuro hipotecado. Todos correm sem tino e sem tempo de ouvir.
É pena, mas vou continuar a gritar. É preciso ouvir o ADRIANO!
Que saudades temos de ti Adriano! Que falta nos fazes!
Martins Raposo
CV-16 de Outubro de 2010
NOTAS:  Texto apoiado no Livro " Adriano Correia de Oliveira - Vida e Obra, de Mário Correia.
Fotos extraídas da Net.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

EM MEMÓRIA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

ROMAGEM À FREGUESIA DE MARGEM
Concelho do Gavião
No seguimento do artigo sobre a Homenagem que os Castelovidenses efectuaram no dia 17 de Julho, na Freguesia de Margem, onde se encontra o busto e os restos mortais do ínsigne estadista Mouzinho da Silveira, natural desta nossa querida terra, vimos colocar mais algumas fotos deste importante evento cultural, levado a efeito pelo Grupo de Amigos de Castelo de Vide.



 J. Canário e A. Manso distribuem os "Diplomas" .

 O Alcino a Esposa  e o Julio bem dispostos.

O Sr. Governador Cilvil despede-se dos presentes.


Um dos presentes já pensa no seu Restaurante.


Dois Jovens e mais gente muito simpática.



O Zé Carrilho, o Zé Raposo e a Cidália.
Alice, Rui, Serpa, Hilário e Romero.

O Celestino comanda a marcha para... o almoço

Cecília, Marido e Filhos com Dr. Calha e D. Olívia.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

EM MEMÓRIA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

ROMAGEM À FREGUESIA DE MARGEM 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide organizou uma Romagem ao busto de Mouzinho da Silveira que se encontra na Freguesia de Margem, Concelho de Gavião, no passado dia 17 de Julho de 2010.
Estiveram presentes algumas dezenas de pessoas (cerca de 100 pessoas), sendo na sua grande maioria Castelovidenses que se fizeram transportar em dois autocarros cedidos pela Câmara Municipal de Castelo de Vide e em viatura própria. Da Freguesia de Margem havia pouco mais de uma dezena de pessoas.
Esta iniciativa teve o apoio das Câmaras Municipais de Castelo de Vide e de Gavião e da já referida Freguesia de Margem, representadas respectivamente, pelo Vice-Presidente da CMCV, Sr. António Pita, Presidente CMG, Professor Jorge Martins e Presidente da F.M, Sr. José Praia Neves. Ente outras entidades Públicas convidadas, estavam o Presidente da Assembleia Municipal de Castelo de Vide, Dr. António José Miranda e o Governador Civil do Distrito de Portalegre, o Sr. Jaime Estorninho.
 
 O Presidente da Direcção do GACV, José Raposo, deu início à cerimónia definindo os objectivos propostos de rever Obra de Mouzinho e de reavivar, nestes tempos de crise em que vivemos, o nobre exemplo de patriota, de lutador pelas causas justas da Liberdade e da Justiça
 Não me cabe a mim - disse - a evocação dos feitos que elevaram por mérito próprio a figura de Mouzinho da Silveira, como um dos Estadistas e Legisladores mais importantes da história do nosso país, outros o podem fazer com mais conhecimentos e autoridade no saber… falarei da pessoa em si, do elevado carácter de firmeza e de isenção, pelo sentido de estado e pelo amor à Pátria, pelo qual muitas vezes, sacrificou a própria família e a sua vida pessoal.

 A forma como generosamente praticou e demonstrou o conceito que tinha de amizade e de solidariedade para com todos os que tiveram o privilégio de privar mais de perto com a sua pessoa. … a coragem e o estoicismo com que enfrentou as traições e as adversidades e acima de tudo na forma magnânima e tolerante com que julgou e tratou os seus inimigos, defendendo sempre uma linha moderada, sem o extremo radicalismo defendido por alguns dos seus amigos.
…pelo desapego que tinha pelo poder e pelas mordomias, bem se podiam aplicar a este nosso ilustre conterrâneo, os versos de Sá de Miranda, quando na sua carta/poema a D. João III, disse ser: Homem de só parecer/De um só rosto, uma só fé/D’antes quebrar que torcer, /Ele tudo pode ser, / Mas de corte homem não é.”
O Presidente da Direcção finalizou, agradecendo a todos a sua presença, os apoio recebidos e um agradecimento muito especial para todos os habitantes do Vale de Gaviões, dignos descendentes que se atreverem em tempos adversos, a defender a honra e a vida de Mouzinho da Silveira, lugar que ele próprio escolheu para ser sepultado.
 Antes das intervenções das entidades oficiais, foi depositado um ramo de flores junto ao busto de Mouzinho. A seguir o Presidente da Freguesia de Margem, Sr. José Praia Neves, usou da palavra agradecendo a iniciativa do GACV e a presença dos numerosos Castelovidenses, mostrando-se grato por poder associar-se a esta nobre iniciativa.
   De seguida falou o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, lendo um extenso documento de pesquisa que ele próprio efectuou através das Actas da Câmara Municipal, onde é referida a Homenagem efectuada em 16 de Maio de 1910, por ocasião do 130º. Aniversário do nascimento de Mouzinho da Silveira, tendo na altura sido atribuído o nome do ilustre Castelovidense, à Rua até então conhecida por Arco da Barreira e no edifício que fica junto ao arco foi colocado um brasão da família Mouzinho  foi também colocado o seu retrato na sala de sessões da Câmara.

Todas aquelas as cerimónias - disse António Pita – se revestiram de grande solenidade e tiveram grande participação do povo, terminando por reconhecer que ao se manifestar a vontade testamentária de Mouzinho, que após a sua morte fosse enterrado na Freguesia de Margem, cercado de gente boa e agradecida, ficou bem claro que o eminente estadista, não perdoou “esta fatalidade histórica com que o povo português estima os seus filhos ilustres”.

O Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, teceu palavras de grande elogio a esta iniciativa do GACV, reconhecendo que o seu município não terá feito no passado tudo o que o insigne estadista merece. Agora estamos determinados em apoiar esta Associação no seu programa de homenagens, entre as quais a Exposição que teremos muito gosto em que seja inaugurada neste Concelho, a 23 de Novembro.
 
No final desta sessão, interveio o Sr. Governador Civil que se referiu a Mouzinho da Silveira, como uma das figuras maiores da nossa história, fazendo referência à sua obra de legislador no qual foi também um dos maiores da Nação Portuguesa. Um Homem, frisou, para quem os valores eram tudo. Até na sua grande  simplicidade de viver e de se apresentar em público se destacava. Conta-se quando D.Pedro certa vez lhe fez uma observação sobre a falta das insígnias a que tinha direito de usar, Mouzinho lhe terá respondido – Deixai-me viver assim, Senhor, que eu sou um homem de Castelo de Vide.
 E a terminar disse – Os grandes reformadores são devorados e caem em desgraça. É sempre de emendar os erros e o GACV está de parabéns e estão a dar uma lição ao virem homenagear Mouzinho e agradecer à população que o acolheu nos maus momentos. A gratidão é uma virtude que nem todos têm o dom de possuir, é um valor maior

A seguir a esta cerimónia e tal como estava programado, os presentes vindos de Castelo de Vide e alguns convidados, dirigiram-se para a Quinta do Barata, onde foi servida uma excelente refeição que se reflectiu na boa disposição que se estabeleceu num agradável convívio a que não faltou as habituais saudações em verso e como sempre se distinguiu o nosso ilustre convidado, Sr. Eduardo Valhelhas.

 Durante a refeição, foi distribuído a todos os convidados um “Diploma” de presença nesta iniciativa para que mais tarde possam recordar este belo dia.  
Foram muitas as pessoas que se dirigiram aos Directores presentes com largos elogios da forma como correu esta iniciativa, desejando que se façam mais actividades deste género que são sempre bem acolhidas e têm muita participação como hoje  ficou bem demonstrado.
Para além do Presidente da Direcção, estavam presentes, o Vice-Presidente, Sr. Joaquim Pinto Ferreira Canário, o Tesoureiro, Sr. Augusto Manso, o Vogal, Sr. António José  Miranda e o 1º. Secretário da Assembleia, Sr. José Francisco Carrilho,sendo bem visível no final a satisfação por tudo ter corrido da melhor forma.
  













Martins Raposo
CV- Julho de 2010
  Nota explicativa: Sobre esta grande iniciativa do GACV, já todos os Jornais da região, incluindo o Jornal “Notícias de Castelo de Vide”, relataram nas suas páginas a forma como decorreu esta Romagem. Poderia muito bem copiar para o meu blogue, o excelente artigo editado pelo Jornal “Alto Alentejo” da autoria do nosso amigo,
Manuel Isaac, que ficaria completa e muito bem descrita. No entanto e sem qualquer desprimor para todos os que se dignarem a escrever sobre este evento, achei que deveria fazer um texto para editar “apenas no meu Blogue, em que ficasse o meu ponto de vista, tentando apresentar sucintamente o discurso dos intervenientes sem alterar na substância as ideias apresentadas. Aqui fica portanto a minha visão desta importante iniciativa que se deve acima de tudo ao esforço de toda a Direcção do GACV, tendo a maior parte do trabalho recaído por razões de maior disponibilidade, nos Directores que estiveram na cerimónia acima descrita.