FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















domingo, 28 de novembro de 2010

PEDRO BARROSO

UM ARTISTA EM GRANDE!

Não sendo Pedro Barroso o Músico do Mês, decidi fazer notícia no Facebook, para assinalar o seu 61º. Aniversário, porque este grande "Trovador da Música Portuguesa", nasceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 1950. Como naquele Site Social não podemos (ou não devemos), fazer textos muito grandes, daí a razão de fazer esta pequena crónica mais pormenorizada.
Pedro Barroso é conhecido pelo sua   generosa capacidade com que se entrega à arte de bem interpretar os seus Poemas e o de Poetas consagrados da nossa Literatura, como foi o caso da Pedra Filosofal, um dos seus maiores êxitos, da autoria do Poeta António Gedeão e Afrodite de um Poema de José Saramago.
Cantor, poeta, autor de letras e compositor, com influências de grandes intérpretes franceses, como Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, Adamo, Georges Brassens, Léo Ferré, Edith Piaf, Pedro Barroso estreou-se no famoso programa de Televisão "Zip-Zip" em 1969, acompanhado por Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral. As suas primeiras canções integram críticas ao Governo fascizante. Após o 25 de Abril envolveu-se com grande entusiasmo nas Campanhas de Dinamização Cultural do MFA. Editou o primeiro disco "Trovador-dor em 1970 e desenvolve actividades artísticas no TEC.
Lutas Velhas Canto Novo, foi o seu primeiro LP, seguindo-se Agua Mole em Pedra Dura, Quem Canta Seus Males Espanta, para além de numerosos CD's entre os quais destaco; Navegador do Futuro e Antologia. A partir do seu segundo LP, começou a compor algumas das suas canções no estilo da música erudita e do pop-rock, de que se destaca "Canção para a Amizade e Afrodite.
Tem composto muitas músicas para outros artistas e trabalhou em conjunto com Janita Salomé e Manuel Freire no CD, Cantos d'Oxalá.
É autor dos seguintes Livros: Cantos Falados, Das Mulheres e do Mundo e a história maravilhosa do país bimbo.
Pedro Barroso recebeu até hoje numerosos  prémios  em Portugal e no estrangeiro e actuou com grande sucesso em muitos países da Europa, EUA, Brasil, Canadá e China.Infelizmente e tal como acontece com outros "Trovadores" do seu tempo, raramente aparece como convidado na Rádio e na Televisão, notando-se um lamentável esquecimento por parte dos responsáveis pelos média que se alastra à imprensa.
Tive a felicidade de o conhecer pessoalmente e contribuir para o Convite que lhe foi feito pela Autarquia de Sesimbra, em meados dos anos 80, e ouvir a sua voz num grande espectáculo.
Parabéns e Felicidades Amigo Pedro Barroso! A "Pedra" continua rolando. Quem sabe se um dia o Sonho não será finalmente a  realidade que todos desejamos.
CV.28.11.2011

sábado, 13 de novembro de 2010

DA MÚSICA,COM AMOR!

                                                       Vaso grego, em cerâmica 450 AC
A partir desta data e enquanto as “forças” o permitirem, vou escrever sobre o tema “Da Música, com Amor”, apresentando neste Blogue, pessoas ligadas ao mundo da música portuguesa, sejam compositores, autores de letras, e intérpretes que se tenham distinguido pelo valor do seu trabalho. Neste projecto estão contemplados todos os géneros e estilos musicais.
Por princípio será apresentado apenas um Artista por mês e o critério tem por base a data do seu nascimento, começando pelos mais antigos, sem contudo ser esta uma regra inflexível, podendo eventualmente haver alterações que tenham a ver com comemorações importantes ou com dados que possuo em cada momento.
Os “artigos” são de responsabilidade pessoal, mas abertos a sugestões e críticas construtivas que podem ser corrigidas e publicadas conforme a sua importância.
Impõe-se um esclarecimento prévio - Este trabalho não tem qualquer intenção de se apresentar como crítica ou de promover a defesa deste ou aquele género musical e muito menos individualizar este ou aquele artista.
Esta coluna pretende ser o mais imparcial possível, independente das minhas preferências pessoais que poderei apresentar em textos separados deste tema.
A Figura deste mês de Outubro recaiu sobre:


LUÍS DE FREITAS BRANCO
Luís Maria da Costa de Freitas Branco, nasceu em Lisboa no dia 12 de Outubro de 1890 e faleceu nessa mesma cidade em 27 de Novembro de 1955, Foi criado no seio de uma família madeirense de tradições intelectuais e artísticas, influenciando os seus gostos juvenis para a aprendizagem da música. Seu Tio paterno, João de Freitas Branco foi o mais entusiasta e que mais apoiou Luís e seu irmão Pedro que também foi Director e Compositor de grande mérito.
Teve excelentes professores alguns dos quais Mestres já consagrados em toda a Europa, entre os quais destacam-se: Augusto Machado, Adrés Goni, Tomás Borba, Luigi Mancinelli, Desiré Pâque e Vicent D'Índy, Gabriel Grovlez. Para complementar a sua aprendizagem, viajou pela Europa, ouvindo os Concertos dos grandes Mestres e Compositores daquela época, entre os quais se destaca, Debussy com quem terá estado várias vezes em Paris.
Esta Família faz-me lembrar, com a s devidas distâncias do país e da época, os BACH, que maravilharam o mundo com as suas obras, de Pais para Filhos, mas Sebastião Bach sobressaiu agigantando-se com uma obra ímpar que o elevou ao mais alto patamar da consagração e da fama.
Na Família de Freitas Branco, é o Luís que sobressai naturalmente pela importância e pelo valor das suas composições que abarcam estilos e géneros tão diferentes como as simples Canções musicadas e com inspiração forte dos grandes Poetas Portugueses, entre os quais se contam, Luís de Camões, Antero de Quental, F. Fernando Pessoa, António Boto e José Gomes Ferreira, entre outros.
O Compositor tem grandes peças para Música de Câmara, entre as quais se encontram as célebres Sonatas, os prelúdios e os Quartetos de cordas.
Na Música para Orquestra, nos quais é incluída a “Morte de Manfredo” e as “Suites Alentejanas nºs. 1 e 2; as Sinfonias. Compôs para o Cinema banda sonora dos Filmes; Gado Bravo de Lopes Ribeiro; Douro, faina fluvial de Manuel de Oliveira; Vendaval maravilhoso de Leitão de Barros e Algarve além-mar de Lopes Ribeiro.
Para a Música Coral, compôs muitos temas também inspirados em Poemas dos nossos Poetas; Auto da Primavera, Dez madrigais camonianos, Hino a Santa Teresinha, Lembras-me (João de Deus), Canção do Pastor, Canção da Pedra (Afonso Duarte), Só te canta a Ti (José Gomes Ferreira.
Não cabe nesta pequena crónica enumerar a extensão de toda a sua Obra que teve reconhecimento a nível mundial, tendo sido executas por grandes Orquestras Europeias e algumas delas foram dirigidas pelo seu Irmão Pedro de Freitas Branco.
A sua obra didáctica foi de uma extrema importância pelo sentido de renovação que imprimiu aos seus escritos, e às propostas efectuadas para a remodelação do ensino musical no Conservatório Nacional, advogava a obrigatoriedade do ensino a nível da Escola, desde o Ensino Elementar até à Universidade e propunha para o efeito um projecto de grande importância.
Neste trabalho de renovação teve a colaboração e o apoio do Grande Mestre Viana da Mota que infelizmente viria a falecer ainda antes das suas propostas serem recusadas pelas mentes retrógradas e anti-culturais dos responsáveis governamentais. Apesar desses contratempos ainda foi nomeado membro do Conselho Disciplinar do Ministério de Instrução e Vogal do Instituto para a Alta Cultura (?) e Professor do Curso Superior de Composição no Conservatório.
È desta altura que se conta um episódio lamentável que ocorreu com o seu discípulo Fernando Lopes Graça. Quando este, estava fazer o seu Exame para Piano, no Conservatório, a PIDE apareceu para o prender, tendo de imediato o Júri de que fazia parte Luís de Freitas Branco, protestado e imposto que o aluno acabasse a sua prova que terminou em primeiro lugar com 18 valores., mas acabou sendo levado para a prisão.
Mais tarde, Luís de Freitas Branco, comentava este triste episódio – “O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça, pode ter do valor de Shakespeare”.
Esta sua atitude marca a nobreza de cidadão, de civismo e moral engrandecida pelo conhecimento, pela experiência e pelos valores humanistas que se revelam na sua imensa Obra Musical. É verdade que nos seus tempos de juventude terá tido algumas simpatias pela causa monárquica e mais tarde chegou a ter algumas ligações com os integralistas António Sardinha e Alberto Monsaraz, mas o tempo e a amizade que encontrou em pessoas como António Arroio, Bento de Jesus Caraça, Lopes Graça, com quem chegou a colaborar na Biblioteca Cosmos, levaram o compositor a ligar-se aos numerosos Escritores e Músicos que se opunham ao regime.
Esta postura de cidadão e de interveniente por causas justas contribuíram para a sua demissão de todos os cargos públicos que teve como Professor e como Mestre. Foi um das primeiras vítimas das “depurações” efectuadas pelo Fascismo no Conservatório Nacional, no qual terá lamentavelmente colaborado um dos seus companheiros, o Mestre Ivo Cruz, que foi nomeado para o seu lugar.
Foi expulso do programa que tinha na Emissora Nacional porque segundo dizia o Director, Luís de Freitas Branco se apresentou no programa com uma gravata avermelhada, no próprio dia em que teria falecido o Chefe de Estado, Marechal Carmona.
Luís de Freitas Branco esteve sempre acima das traições e ameaças que os esbirros a mando do fascismo lhe fizeram em toda a sua vida, chegando a proibir a apresentação pública de algumas das suas obras, mas nada disso foi suficiente para abafar o prestígio e a fama alcançada por um dos maiores compositores de sempre da música portuguesa.
A sua Obra aí está para testemunhar o seu valor incontestável e só é de lamentar que a mesma não seja conhecida da grande maioria dos jovens músicos portugueses, não só porque os média, se desinteressam na sua divulgação e as próprias Bandas de Música, o tenham afastado das estantes o seu vasto repertório.
Felizmente que ainda tive o privilégio de conhecer parte da sua obra, por intermédio do Major Silvério Campos que foi Maestro da Banda Militar do R.I. 15 de do RIL (Luanda), que foi um dos melhores Mestres que tive como músico militar, pelas suas qualidades técnicas e pelo seu profundo humanismo. O então Alferes Silvério Campos, apresentava frequentemente obras do grande compositor, entre as quais se contavam as Suites Alentejanas.
Para terminar proponho a audição do 1º. Suite Alentejana (a mesma que serviu de música de fundo, na inauguração da Exposição sobre o Centenário da República em Castelo de Vide (Outubro/2010).
Mas por favor não fiquem por aqui, sempre que estejam tristes ouçam, Luís de Freitas Branco! A sua música deixa Portugal mais lindo, menos cinzento, mais azul!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010
Bibliografia in: Enciclopédia da Música em Portugal, de Salwa Castelo-Branco;História da Música Ocidental, de Donald  J. Grout e Claude V. Palisca, do Google e do Youtube - Clip a Música e Imagens Fabulosas do nosso quarido Alentejo. Parabéns jpmrp.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A ORQUESTRA DE PINK MARTINI

  E CHINA FORBES
A Orquestra de Pink Martini, foi constituída por Thomas Lauderdale, pianista talentoso que em 1994 com um bom grupo de 12 músicos resolveu criar uma Banda que interpreta-se músicas de diferentes estilos, abrangendo os ritmos quentes das Caraíbas e do Sul da Europa, com incursões no Word Music, nos Blues e no próprio Jaz.
A Banda no entanto só atingiu os primeiros sucessos com a entrada de China Forbes como principal vocalista do Grupo.
A empatia que se gerou entre Thomas Lauderdale e China Forbes, contribuiu para que se estabelecesse uma parceria de grande qualidade em termos de composições musicais, que levaram a Orquestra a ser contratada por séries de Televisão de grande sucesso. As suas composições serviram de Banda Sonora em Filmes como “O Sr. & Sra. Smith”, “Em Carne Viva” e muitos outros.
Esta pequena introdução não foi mais do que o pretexto para falar dessa magnífica intérprete conhecida como China Forbes  possuidora de uma voz extraordinária
Que empresta às suas canções uma envolvência sensual que nos seduz e nos cativa.


China Forbes nasceu a 29 de Abril de 1970, na cidade de Cambridge e licenciou-se em artes visuais na Universidade de Harvard, ligando-se desde muito jovem ao mundo da música, chegando a actuar como actriz na Broadway, em Nova York conquistando alguns êxitos com algumas das suas interpretações.
Após alguma insistência, começou a trabalhar com Lauderdale em 1998 na cidade de Portland., alterando por completo a carreira do Grupo que conheceu a partir daí grandes êxitos com os álbuns criados com a sua participação como compositora e como intéprete.

Algumas das suas canções percorreram o mundo em tournées de grande sucesso, destacando-se entre outras; “Uma Noite em Nápoles”; “Donde Estas Yolanda”, “Hey Eugene”; “LillY”; “ Sympathique” “Que Será, Será”; Let´s Never Stop Falling in Love” e muitas outras.

China Forbes no auge da sua carreira não hesitou em arriscar em “colar” a sua voz cálida e melodiosa, aos Clipes desse fabuloso Filme, Gilda, ajustando-se com perfeição ao ritmo diabólico e sensual dessa extraordinária e belíssima actriz chamada Rita Hayworth que tem no Filme realizado em 1945, por Charles Vidor, uma das suas melhores interpretações ao lado desse grande actor de nome Glen Ford.
E é assim que ouvimos extasiados; “Tempo Perdido”; “Amado Mio” “Put Blame on Mame” ao som da voz de China Forbes e ao ritmo de uma sensualidade erótica jamais vista no cinema naqueles tempos e que eu recordo com imensa nostalgia. Podemos dizer sem exageros que a Voz de Forbes se iguala aos dotes de grande bailarina que sempre foi a sedutora e grande actriz Rita Hayworth de quem mais cedo ou mais tarde falarei da sua história fantástica que viveu no cinema e na vida.
Mas hoje, gostaria de chamar a atenção dos melómanos que como eu gostam de viajar pelos sons independentemente do estilo, do ritmo, da origem e da data da sua criação, para que procurem no Youtube essa jovem que nos envolve na doce teia da sua magnífica voz e nos ajuda a alimentar o sonho de que “há mesmo estrelas no céu” que nos vão ajudando a caminhar no espinhoso negrume destes dias sombrios.


Foto tirada mesmo junto à cratera do Vesúvio. O grande Vulcãoque no ano 79DC soterrou as cidades de Pompeia e Herculano, tem tido ao longo várias erupções a última das quais foi em 1944.



 A fotografia a seguir  mostra a Cidália a subir com dificuldade a escarpada encosta com a ajuda de dois varapaus para subir a montanha.
  
  
 Confesso ainda mais… quando estou mesmo triste de verdade, procuro a China Forbes a cantar “Uma Noite em Nápoles”, vou chamar a Cidália e revivemos à nossa maneira, ao som dessa grande Orquestra, os belos momentos que vivemos nessa bela cidade do sul da Itália, que tem uma baía encantadora e o seu centro histórico foi declarado património mundial pela

 UNESCO. É importante que se diga que o excelente pianista e Director da Orquestra, Thomas Lauderdale tem para além de China Forbes  mais dez grandes músicos, cujas interpretações de grande qualidade, ajudaram a conquistar os êxitos alcançados em todo o mundo.
Como empedernido romântico que sou, talvez esteja inadvertidamente a exagerar, mas não custa nada experimentar.
Vão até lá, e depois, podemos conversar!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010


PARTIU SEM CUMPRIR O SONHO!

JOÃO AGUIAR


João de Aguiar, nasceu em Lisboa, no dia 28 de Outubro de 1943 e faleceu nesta cidade no passado dia 03 de Junho. O escritor dedicou grande parte da sua obra ao romance histórico, estreando-se com “A Voz dos Deuses” que alcançou um grande sucesso. Trata-se de uma biografia romanceada do herói lusitano, Viriato, traçando um quadro da época em que a Lusitana esteve ocupada pelos Romanos.
A Voz dos Deuses, descreve-nos a forma como os habitantes da Lusitana não aceitaram pacificamente a ocupação do invasor, e, escolheram Viriato, para chefiar a revolta que acabaria por ser derrotada com a traição e a desproporção das forças inimigas.
Na “Encomendação das Almas” o escritor descreve-nos o mundo rural com os seus mitos e as suas tradições arreigadas nos velhos costumes.
Na trilogia "Os Comedores de Pérolas", "O Dragão de Fumo" e a "Catedral Verde", descreve-nos em páginas brilhantes a derrocada do chamado império colonial. Mas é sobretudo no estudo da nossa história, que assentam os temas de grande parte dos seus livros – "O Trono do Altíssimo"; "A Hora de Sertório"; "Inês de Portugal" são outros dos títulos que lhe deram a justa fama de grande escritor.
João Aguiar viveu parte da sua vida ligada aos Jornais, pois só com mais de 40 anos apresentou o seu primeiro livro. Para além do Jornalismo escreveu alguns livros para crianças, "Sebastião e os Mundos Secretos" e o "Bando dos Quatro", são os mais conhecidos.

O seu último projecto era escrever um livro sobre a Revolução de 1383.
Infelizmente a doença venceu o escritor que apenas contava 66 anos com imensas faculdades e conhecimentos que nos poderia ter deixando uma Obra muito mais completa e ser reconhecido a nível mundial. Talvez por isso o articulista João Céu e Silva, dá o título ao seu artigo: "João Aguiar parte sem cumprir o sonho". Parece-me bem apropriado, no entanto, a Obra que nos legou merece a nossa atenção e deveríamos ler e reflectir na importância de dar a conhecer aos mais novos toda a sua Obra, pelo seu incontestável valor na literatura contemporânea.
Martins Raposo
CV- Outubro 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

VARGAS LLOSA GANHA O PRÉMIO NOBEL

Este ano a Academia Sueca, escolheu o nome do escritor Mário Vargas Llosa para atribuição do mais alto galardão literário a nível mundial, o Prémio Nobel da Literatura, justificando o prestígio da sua Obra que “pela sua cartografia das estruturas do poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos” é conhecida e admirada a nível mundial.
Mário Vargas Llosa, nasceu em Arequipa, no Peru,  no dia 28 de Março de 1936, no seio de uma família da classe média e desde muito novo se envolveu no mundo das letras. Primeiro, através do Jornalismo e da Televisão. Depois, com 26 anos, lança o seu primeiro Livro, “A Cidade e os Cães” que foi distinguido com o Prémio da Critica em 1963.
A sua escrita teve no seu início uma forte influência do existencialismo de Sartre e mais tarde do chamado “realismo mágico”. Os seus livros abordam os problemas sociais e raciais, assim como fazem a defesa da liberdade individual.
Com o seu terceiro romance, “Conversa na Catedral”, Vargas Llosa alcança um enorme êxito que o eleva muito justamente como um dos maiores escritores da América latina, entre os quais se contam os nomes de Jorge Luís Borges, Gabriel Garcia Marques, Júlio Cortazar, Miguel Angel Astúrias, Jorge Amado, Carlos Fuentes e Juan Rulfo.
O escritor João de Melo conheceu pessoalmente Vargas Llosa e visitou a cidade de Lima onde este viveu grande parte da sua vida, fez no prefácio de “Conversa na Catedral” um importante retrato do autor peruano e considera ser este Livro o expoente máximo da sua Obra.
Mas Vargas Llosa escreveu outros romances notáveis, entre os quais distinguimos, A Guerra do Fim do Mundo, A Casa Verde, Pantaleão e as Visitadoras e Quem Matou Palomino Molero. Estas obras – diz-nos João de Melo – “por si só, fariam a glória de qualquer escritor”.

O escritor ao receber o Prémio Nobel, apesar de se sentir muito feliz, afirmou que este veio revolucionar a sua vida e alterar a sua tranquilidade – “Estou muito contente de ter recebido o Prémio, mas sinto um desequilíbrio com o qual não me sinto cómodo”.
Vargas Llosa tem 74 anos, mas ainda pode legar ao mundo muito da sua prodigiosa imaginação, da sua experiência e do saber. Já depois de ter recebido o Prémio Nobel, lançou o seu último livro:
"El Sueno del Celta” que a editora Quetzal que tem publicado as suas obras. Certamente não vai demorar muito tempo a publicar mais este livro do escritor.
Tal como nos anos anteriores há sempre vozes discordantes, em relação aos critérios seguidos pela Academia Sueca e apontando este ou aquele escritor supostamente com mais mérito reconhecido. Por vezes são escritores dos mesmo país do premiado inconformados por não serem eles os escolhidos, como aconteceu com José Saramago.
Os auto-promovidos "à grandeza e glória" por vezes raiam a figura ridícula de juízes em causa própria não escondendo a raiva e a inveja, inimiga da razão e da clarividência. Rouba-lhes a realidade e o tino, expondo-os em cenas públicas pouco edificantes.
Também Vargas Llosa foi acusado por alguns sectores, que  nada  mais resultaram de frouxos petardos que nem de leve beliscaram o verdadeiro valor da sua obra mundialmente reconhecida.
O facto do Escritor ter em certo momento da sua vida, feito a opção política de se candidatar a Presidente da República do seu País, defendendo no seu Programa algumas ideias neoliberais que noutros tempos terá repudiado, poderá eventualmente ser criticada em termos de postura política e pessoal, mas em nada poderá afectar a sua Obra já realizada.
É como se o facto do grande Poeta Manuel Alegre, ter decidido candidatar-se a Presidente da República, apoiado pelo BE e pelo PS, que é no nosso País um dos Partidos que mais acerrimamente tem defendido o neoliberalismo, que vamos esquecer a sua Poesia de incontestável valor literário. Pessoalmente não posso concordar com a decisão que o Poeta tomou. Julgo até que esta sua opção a ser vitoriosa  poderá vir a prejudicar seriamente todo o futuro da sua Obra.
Pode até acontecer (apesar da sua improvável eleição) que Poeta venha a ser o vencedor das eleições Presidenciais. Então é quase certo que seremos confrontados, com a triste realidade, de um político medíocre que ao longo dos anos da sua actividade mais do que uma vez confirmou com a pouca firmeza das suas convicções. Mas a grande Poesia de Resistente e Lutador pela Liberdade que Manuel Alegre já escreveu não poderá nunca ser esquecida.
O mais certo é acontecer o mesmo que ao escritor Vargas Llosa. O Peru perdeu um Presidente certamente medíocre, mas ganhou um grande escritor e o seu primeiro Prémio Nobel da Literatura, no seu país.
Nós podemos vir a ganhar o 2º. Nobel da Literatura.
Desta vez a Academia foi justa e Vargas Llosa merece as nossas mais vivas felicitações.
Martins Raposo
CV – Outubro 2010