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TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 3 de novembro de 2010

VARGAS LLOSA GANHA O PRÉMIO NOBEL

Este ano a Academia Sueca, escolheu o nome do escritor Mário Vargas Llosa para atribuição do mais alto galardão literário a nível mundial, o Prémio Nobel da Literatura, justificando o prestígio da sua Obra que “pela sua cartografia das estruturas do poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos” é conhecida e admirada a nível mundial.
Mário Vargas Llosa, nasceu em Arequipa, no Peru,  no dia 28 de Março de 1936, no seio de uma família da classe média e desde muito novo se envolveu no mundo das letras. Primeiro, através do Jornalismo e da Televisão. Depois, com 26 anos, lança o seu primeiro Livro, “A Cidade e os Cães” que foi distinguido com o Prémio da Critica em 1963.
A sua escrita teve no seu início uma forte influência do existencialismo de Sartre e mais tarde do chamado “realismo mágico”. Os seus livros abordam os problemas sociais e raciais, assim como fazem a defesa da liberdade individual.
Com o seu terceiro romance, “Conversa na Catedral”, Vargas Llosa alcança um enorme êxito que o eleva muito justamente como um dos maiores escritores da América latina, entre os quais se contam os nomes de Jorge Luís Borges, Gabriel Garcia Marques, Júlio Cortazar, Miguel Angel Astúrias, Jorge Amado, Carlos Fuentes e Juan Rulfo.
O escritor João de Melo conheceu pessoalmente Vargas Llosa e visitou a cidade de Lima onde este viveu grande parte da sua vida, fez no prefácio de “Conversa na Catedral” um importante retrato do autor peruano e considera ser este Livro o expoente máximo da sua Obra.
Mas Vargas Llosa escreveu outros romances notáveis, entre os quais distinguimos, A Guerra do Fim do Mundo, A Casa Verde, Pantaleão e as Visitadoras e Quem Matou Palomino Molero. Estas obras – diz-nos João de Melo – “por si só, fariam a glória de qualquer escritor”.

O escritor ao receber o Prémio Nobel, apesar de se sentir muito feliz, afirmou que este veio revolucionar a sua vida e alterar a sua tranquilidade – “Estou muito contente de ter recebido o Prémio, mas sinto um desequilíbrio com o qual não me sinto cómodo”.
Vargas Llosa tem 74 anos, mas ainda pode legar ao mundo muito da sua prodigiosa imaginação, da sua experiência e do saber. Já depois de ter recebido o Prémio Nobel, lançou o seu último livro:
"El Sueno del Celta” que a editora Quetzal que tem publicado as suas obras. Certamente não vai demorar muito tempo a publicar mais este livro do escritor.
Tal como nos anos anteriores há sempre vozes discordantes, em relação aos critérios seguidos pela Academia Sueca e apontando este ou aquele escritor supostamente com mais mérito reconhecido. Por vezes são escritores dos mesmo país do premiado inconformados por não serem eles os escolhidos, como aconteceu com José Saramago.
Os auto-promovidos "à grandeza e glória" por vezes raiam a figura ridícula de juízes em causa própria não escondendo a raiva e a inveja, inimiga da razão e da clarividência. Rouba-lhes a realidade e o tino, expondo-os em cenas públicas pouco edificantes.
Também Vargas Llosa foi acusado por alguns sectores, que  nada  mais resultaram de frouxos petardos que nem de leve beliscaram o verdadeiro valor da sua obra mundialmente reconhecida.
O facto do Escritor ter em certo momento da sua vida, feito a opção política de se candidatar a Presidente da República do seu País, defendendo no seu Programa algumas ideias neoliberais que noutros tempos terá repudiado, poderá eventualmente ser criticada em termos de postura política e pessoal, mas em nada poderá afectar a sua Obra já realizada.
É como se o facto do grande Poeta Manuel Alegre, ter decidido candidatar-se a Presidente da República, apoiado pelo BE e pelo PS, que é no nosso País um dos Partidos que mais acerrimamente tem defendido o neoliberalismo, que vamos esquecer a sua Poesia de incontestável valor literário. Pessoalmente não posso concordar com a decisão que o Poeta tomou. Julgo até que esta sua opção a ser vitoriosa  poderá vir a prejudicar seriamente todo o futuro da sua Obra.
Pode até acontecer (apesar da sua improvável eleição) que Poeta venha a ser o vencedor das eleições Presidenciais. Então é quase certo que seremos confrontados, com a triste realidade, de um político medíocre que ao longo dos anos da sua actividade mais do que uma vez confirmou com a pouca firmeza das suas convicções. Mas a grande Poesia de Resistente e Lutador pela Liberdade que Manuel Alegre já escreveu não poderá nunca ser esquecida.
O mais certo é acontecer o mesmo que ao escritor Vargas Llosa. O Peru perdeu um Presidente certamente medíocre, mas ganhou um grande escritor e o seu primeiro Prémio Nobel da Literatura, no seu país.
Nós podemos vir a ganhar o 2º. Nobel da Literatura.
Desta vez a Academia foi justa e Vargas Llosa merece as nossas mais vivas felicitações.
Martins Raposo
CV – Outubro 2010



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