FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O GRUPO DE AMIGOS DEDICOU ESTE ANO A MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
– PENSAR PORTUGAL
EM MARVÃO

Prosseguindo o Calendário que o Grupo de Amigos de Castelo de Vide, tinha estabelecido, com o apoio da Câmara Municipal de Marvão, procedeu-se no passado dia 11 de Dezembro, no Salão Nobre da Autarquia, ao início das cerimónias deste evento com o Sr. Eng.º. Vítor Manuel Frutuoso, agradecendo e dando as boas vindas aos presentes, realçando a iniciativa do GACV, pela Exposição sobre uma figura de grande importância na história do Concelho, como foi Mouzinho da Silveira, que exerceu pela primeira vez nesta Vila, o cargo de Juiz de Fora.

O Presidente da Direcção do GACV, agradecendo todos os apoios que receberam da parte da Câmara Municipal de Marvão, na pessoa do Exmo. Senhor Engenheiro Manuel Frutuoso, e do Dr. José Manuel Ramilo Pires, respectivamente Presidente e Vereador da Cultura desta Autarquia, que desde o início dos contactos nos deram com todo o entusiasmo,  os apoios necessários para que se concretizá-se com êxito esta importante iniciativa.
Agradecendo a presença de todas as individualidades públicas e convidados presentes, José Raposo, teceu algumas considerações sobre a forma como têm decorrido todas as cerimónias das Comemorações dos 230 anos de Mouzinho da Silveira, que têm superado as nossas melhores expectativas e que tiveram o seu início no dia 19 de Junho, com uma animada Sessão Livre, na Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, seguida de uma  grande Romagem à Freguesia de Margem no dia 17 de Julho que contou com largas dezenas de Castelovidenses, Amigos da Associação e alguns residentes desta Freguesia.

Continuando a evocação das iniciativas, o Presidente da Direcção do GACV, evidenciou a cerimónia realizada,  em 23 de Novembro, na Freguesia de Margem, onde foi inagurada pela primeira vez a Exposição Bibliográfica e Documentaria, da autoria do Professor Augusto Raínho, sobre a Vida e Obra de Mouzinho da Silveira e na qual esteve presente, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, reconhecida autoridade no conhecimento e divulgação histórica da época em que viveu o ilustre jurisconsulto. A  brilhante Conferência que proferiu foi atentamente escutada por todos que enchiam por completo o Salão da Junta de Freguesia.

Com o apoio da Câmara Municipal de Marvão e da colaboração prestada pela D. Celeste Palmeiro, podemos hoje, contar com honrosa presença do Exmo. Senhor Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Bernardo Sá Nogueira que desde já agradecemos a forma muito simpática aceitou o nosso convite.
O Presidente da Direcção, finalizou a sua breve alocução, informando que está previsto para o próximo dia 22 de Janeiro, a inauguração em Castelo de Vide, desta Exposição sobre Mouzinho da Silveira que vai terminar em Portalegre na Escola Secundária que tem o nome do nosso ilustre conterrâneo.

O Sr. Juiz Conselheiro com grande simplicidade, mas de forma viva e agradável surpreendeu a assistência com alguns episódios inéditos mas marcantes na vida do histórico jurista Mouzinho da Silveira, enaltecendo a enorme energia e força de vontade com que se dedicou à sua monumental obra legislativa que revolucionou uma época, terminando de vez com o antigo e caduco regime.
Nem todas as suas leis foram integralmente aplicadas – explicou - muitas delas caíram no esquecimento, mas o que ficou foi extraordinariamente importante para o futuro do País e algumas ainda hoje servem de base às Leis em vigor.
Mouzinho viveu em tempos de grandes conflitos. O País estava envolvido numa guerra civil em que o mundo antigo resistia com violência extrema às mudanças que em outros países já tinham sido aplicadas com sucesso.
Mouzinho, só se afastou  da política, desgostoso com a adulteração de algumas das suas Leis e por causa do seu estado de saúde que com a idade o deixaram mais frágil na sua luta constante em defesa da liberdade e dos princípios a que se manteve sempre fiel e solidário”.


No final o Senhor Juiz Conselheiro, foi muito aplaudido pela assistência na qual se encontravam muitos Castelovidenses que tinham vindo de propósito para ouvir as suas palavras.

Logo de seguida, foi inaugurada no Centro de Cultura, antiga Câmara de Marvão, a Exposição, com uma introdução explicativa, feita em pormenor pelo Sr. Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, que acedeu ainda a todas as perguntas dos presentes, como habitualmente de forma muito clara e objectiva, chamando a atenção para os Livros e Documentos expostos.
Assim terminou esta cerimónia desta Exposição que vai ficar patente ao público até ao dia 09 de Janeiro de 2011.
Martins Raposo
CV – 15.12.2010
NOTAS: Para mais informação sobre este evento podem consultar o Jornais “O Alto Alentejo” e “Notícias de Castelo de Vide” e o Blogue: “www.notíciasdecastelodevide.blogstpot.com”

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO EM CASTELO DE VIDE

1ª. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
SOBRE OS B’NEI ANUSSIM

EM CASTELO DE VIDE


Foi sem dúvida alguma um acontecimento de grande relevância histórica a realização em Castelo de Vide, da 1ª. Conferência Internacional sobre os B’Anussim –“Restaurando a Herança Perdida” que teve lugar no Cineteatro Mouzinho da Silveira, nos dias 3 a 5 de Dezembro de 2010.
A organização deste evento esteve a cargo da Câmara Municipal de Castelo de Vide, com os apoios do E.R.T – Alentejo, do Netivyah (Israel) e Abradjin (Brasil) e contou com a participação de dezenas de Conferencistas e de altas individualidades civis e religiosas de vários países.
Para além de Portugal, Israel e do Brasil, que apresentaram o maior número de conferencistas, estiveram representados vários países de todo o mundo, como o Japão, a Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Espanha e Holanda,

O primeiro dia, foi especialmente dedicado às apresentações e agradecimentos recíprocos dos Organizadores, iniciados os trabalhos com o discurso do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, seguindo-se as intervenções de Joseph Shulam, Presidente do Netivyah, ambos destacando o papel do acolhimento histórico que os Castelovidenses, tiveram para com os judeus expulsos de Espanha.
Seguiram-se as intervenções de Marcelo Miranda Guimarães, Fundador e Presidente da Abradjin, do Dr. Cristóvão Crespo, Deputado da Assembleia Nacional, do Sr. João Leite, Deputado do Estado de Minas Gerais, do Dr. José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, do Sr. Ceia da Silva, Presidente da E.R.T. Alentejo e de outros convidados especiais dos EUA, Japão, Coreia do Sul e China.

Tivemos ainda o prazer de ouvir o hino “Kablat Shabat” , apresentação musical com o acender das luzes de Hanukan. A encerrar este primeiro dia da Conferência ouvimos o Sr. Joseph Shulam explicar os objectivos traçados no projecto “Restaurando a Herança Perdida”.
No segundo dia o maior realce vai para a cerimónia do lançamento do Livro “ Grácia Nasi”, escrito por Esther Mucznik, famosa pelos seus estudos publicados, sobre as questões judaicas, que numa linguagem acessível e envolvente, nos descreveu em síntese o percurso da corajosa e humanista heroína que dá o nome ao seu livro.
Foi muito importante o discurso do Sr. Carolino Tapadejo, que em linhas gerais da fez um brilhante
resumo da história da Comunidade Judaica em Castelo de Vide que se implantou a partir do Sec. XIV, aumentando a sua população com a perseguição movida pelos Reis Católicos de Espanha.



Castelo de Vide – disse - "foi sempre uma terra de tolerância que ao mesmo tempo beneficiou com o saber e as artes praticadas pela comunidade judaica que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento económico local. Aqui nasceram nomes de grande importância na ciência e nas letras, tendo como expoente máximo, a figura do grande Cientista, Garcia d’Orta".
Carolino Tapadejo, prestou ainda, uma sentida homenagem a Aristides de Sousa Mendes pedindo a presença no palco do seu neto, António de Sousa Mendes que continua lutar pelos ideais que o seu avô sempre pugnou, em defesa do povo judaico.


O Padre Vítor Milícias, reforçou as palavras de Carolino Tapadejo, pelo que conhece da história desta linda terra, que à muito tempo o cativou, pelo seu importante património religioso e no bem receber das suas gentes. Falou ainda da Igreja Católica e na política que tem vindo a ser seguida, de grande tolerância para com todos os credos e religiões, com destaque especial para as Encíclicas dos últimos Papas e a intervenção de outras personalidades da Igreja que têm feito um grande esforço  de aproximação e reconciliação.



O último dia, estava reservado para os Conferencistas e Convidados visitarem a Judiaria e a Sinagoga, mesmo o mau tempo que se fazia sentir, não impediu a alegria e boa disposição de todos que se despediram muito sensibilizados pelo acolhimento simpático com que foram recebidos.
Durante três dias Castelo de Vide, foi a “Capital”, dos B’NEI ANUSSIM (FILHOS FORÇADOS OU MARRANOS), com intervenções de grande importância, relatando os aspectos mais importantes da sua história. É justo salientar o empenho e o esforço que a Câmara Municipal de Castelo de Vide, efectuou e a excelente organização deste evento que decorreu na perfeição e com o agrado de todos os intervenientes.
Para além do Sr. Presidente da Câmara, Dr. António Ribeiro que deu todo o apoio e entusiasmo a este evento, registe-se para além das já citadas intervenções do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal e do Senhor Carolino Tapadejo, a presença constante com que acompanharam os altos dignitários da Família Judaica Internacional, os Convidados e os Conferencistas, em todos os momentos da sua estadia.
Castelo de Vide pode orgulhar-se de ter contribuído para que fique registado na história dos B’nei Anussim, um dos momentos mais importantes da nossa época, neste encontro de Associações judaicas de todo o mundo que comungam do mesmo espírito religioso.
Para terminar, e, sem desmerecimento da Organização, apenas uma nota de surpresa pela  ausência dos Castelovidenses que por razões que não compreendo, não compareceram com o número suficientemente digno, que esta iniciativa obrigava. O tempo se encarregará de esclarecer este aparente desprendimento, por esta Conferência que dizia respeito a muitos de nós, descendentes legítimos da comunidade judaica da nossa terra.
CV-18.12.2010
Martins Raposo
NOTAS: Retiradas da própria Conferência e das Informações entregues aos convidados.

domingo, 19 de dezembro de 2010

MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA - PENSAR PORTUGAL

NO CONCELHO DE GAVIÃO – FREGUESIA DE MARGEM


O Grupo de Amigos de Castelo de Vide em parceria com a Câmara Municipal de Gavião e a Junta de Freguesia de Margem, escolheram o dia 23 de Novembro, data em que o Concelho comemora os 491 anos da sua fundação, para num conjunto de outras iniciativas procederem à inauguração Bibliográfica da Vida e da Obra de Mouzinho da Silveira, para a qual convidaram Representantes de Entidades Públicas e Privadas do Distrito de Portalegre e como convidada especial, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, para proferir uma Conferência sobre o célebre Jurista.
O Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, pronunciou um importante discurso, começando por registar o facto de este aniversário ter sido marcado pela descentralização, cabendo essa honra à Freguesia de Margem, elogiando o trabalho dos autarcas e dos habitantes desta região do Concelho que têm sabiamente defendido as suas tradições no campo da agricultura e ao mesmo tempo aderido com entusiasmo à inovação de culturas, aproveitando o Projecto Regadio Tradicional que tem estado a recolher os melhores resultados. Depois de mais alguns considerandos em que se afirmou como um convicto defensor do Poder Local, destacando o papel das Autarquias no Desenvolvimento de Regiões que sem o seu apoio teriam muito mais dificuldades nestes tempos em que a crise atingiu todos os sectores de actividade.
Reafirmando o relevante papel da sua Autarquia no Desporto, na Educação e na Cultura e chegado a este ponto teceu largos elogios à figura do eminente estadista Mouzinho da Silveira, que no seu tempo encontrou aqui nesta Freguesia verdadeiros amigos que nos tempos difíceis em que foi perseguido aqui encontrou abrigo. Foi tão grande essa troca de afectos que levou esse incansável lutador da liberdade a inscrever no seu testamento a vontade de ficar para sempre após a sua morte aqui nesta Freguesia.
Jorge Martins referiu ainda a louvável iniciativa do Jornal “ O Comércio” que fez o apelo a uma subscrição pública para que aqui fosse erguido um monumento a Mouzinho da Silveira, o que veio a acontecer pouco tempo de pois pelas mãos do artista italiano Camels. Não esqueceu o Autarca de referir como foi agradável a parceria da Câmara Municipal com Direcção do Grupo de Amigos de Castelo de Vide para que se fizesse em 17 de Julho uma importante Romagem e de logo em seguida se dispusesse a colaborar na planificação e execução da Exposição que em breve vamos ter o prazer de inaugurar.

O Presidente da Direcção do GACV, manifestou em seu nome pessoal e da Associação que representa, a sentida gratidão pelo facto do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, ter tão prontamente e de forma eficaz cumprido a promessa de apoiar logísticamente e financeiramente a Exposição sobre Mouzinho da Silveira e ao mesmo tempo elogiar a escolha do dia do Município para proceder à sua inauguração associando o nome do nosso ilustre conterrâneo à data mais importante do Concelho. É um gesto que muito nos honra e dignifica mais uma vez as gentes de Margem.
Ao proceder-se à cerimónia da inauguração da Exposição, o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, fez uma breve explanação sobre o roteiro dos Painéis e Vitrinas, realçando as obras e os documentos expostos pela primeira vez em público, desejando a atenção dos presentes e convidando os responsáveis pelas Escolas para trazerem os seus alunos para conhecerem algo mais sobre Mouzinho da Silveira.
Realizou-se de seguida a importante Conferencia proferida pela Dra. Miriam Halpern Pereira, que se referiu com pormenor sobre o seu trabalho de pesquisa que teve alguns episódios interessantes, com documentos importantes que estavam esquecidos e abandonados sem qualquer catalogação. A Professora considerada uma das mais prestigiadas biógrafas da obra do grande estadista e da de toda a época em que Mouzinho viveu, fez com simplicidade o percurso do histórico jurisconsulto, prendendo a vasta audiência que no final prestou uma prolongada e efusiva ovação. Foi
uma lição importante lição, lida com a naturalidade e a sabedoria dos grandes mestres de história.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, agradece à Professora Catedrática e Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira e oferece dois livros sobre Castelo de Vide: No Alto Alentejo - Crónicas e Narrativas, de João António Gordo e Efemérides de Diogo Cordeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NA RUA DA SAUDADE COM O ARY

ARY DOS SANTOS


José Carlos Pereira Ary dos Santos, nasceu em Lisboa no dia 07 de Dezembro de 1936 e faleceu apenas com 48 anos, a 18 de Janeiro de 1984. Poeta, declamador e actor de Teatro e Revista, escreveu mais de 600 Canções e algumas delas tornaram-se famosas por terem ganho o primeiro lugar nos Festivais da Canção, promovidos pela RTP, a começar pela Desfolhada”, interpretada por Simone de Oliveira em 1969, seguindo-se a “Menina do Alto da Serra”, interpretada por Tonicha em 1971. Fernando Tordo em 1973 arrebata o 1º. Prémio com “Tourada” e em 1977, Os Amigos, são os vencedores do Festival com“Portugal no Coração"                                                          
Considerado por alguns críticos como um dos mais talentosos poetas da sua geração, de linguagem irreverente, por vezes caustica, mas a que não faltava sentimento e emoção, estreou-se com o Livro de Poemas “A Liturgia do Sangue” a que se seguiram, “Tempo da Lenda das Amendoeiras”, “As Portas que Abril Abriu”, “ O Sangue das Palavras” e muitos outros que contribuíram para um renovado e criativo estilo poético centrados nas “temáticas da emoção, de ter, sentir e possuir”. Foi essencialmente um Poeta do Amor, que amava

Lisboa e as suas gentes, abordando temas sociais como o trabalho e a justiça, mas também da grande solidão que nunca o abandonou após a morte de sua mãe que muito amou.
Amigo e solidário, trabalhou com músicos e intérpretes de várias gerações e sensibilidades, entre os quais, Vitorino de Almeida, Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Teresa Tarouca, Paulo de Carvalho, Nuno Nazaré Fernandes, Fernando Tordo, Serge Reggiani, Chico Buarque, Tonicha, Hugo Maia Loureiro, José Mário Branco, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Carlos do Carmo e muitos outros imortalizaram a sua obra com interpretações inesquecíveis e composições musicais de grande qualidade.
A sua voz grave e poderosa aumentava a mensagem forte dos seus versos. Ficaram célebres alguns poemas que declamou com grande emoção, como foi o caso do Poema “Poeta Castrado, Não” – “Serei tudo o que disserem/por inveja ou negação:/cabeçudo dromedário/fogueira de exibição/teorema corolário/poema de mão em mão/ lãzudo publicitário/ malabarista cabrão. /Serei tudo o que disserem: Poeta castrado, não"! E esse enorme Poema, “As Portas que Abril Abriu” que por ser muito longo não posso transcrever mas que aconselho a todos os que gostam de Poesia de Intervenção a lerem com atenção esse autêntico manifesto de revolta e de libertação.

César Príncipe escreveu como ninguém uma belíssima crónica sobre Ary dos Santos, que ele diz - "ter sido mais chegado aos Demónios e ser considerado um Anjo Rebelde que nunca tresmalhou, nem consentiu que se iludissem a seu respeito, nas trincheiras de Abril e do Socialismo”. E o brilhante Escritor e Jornalista recorda o Poeta com saudade e tristeza – Ary faz notória falta, porque o país está cheio de patetas e poetas “castrados”…
Mas deixemos o Poeta falar para melhor o compreendermos: “A poesia é, em primeiro lugar, a maneira que eu tenho de falar com o meu povo. Depois, é por causa desse povo, a própria razão da minha vida. É pesquisa, luta, trabalho e força. Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece (…) O que é certo é que nunca abandonei nenhuma das três linhas que fazem parte do todo da minha poesia: a lírica, a satírica e de intervenção”.

O seu carácter excessivo e apaixonado, marcaram uma época. A sua morte prematura impediu que a sua obra se consolidasse ainda mais, mas o seu nome deve constar na literatura, com o mesmo relevo que têm dado à sua amiga Natália Correia que o apelidou de Poeta Romântico, “sem as névoas físicas da germanidade. Muito à portuguesa tendo em seu baptismo garrettiano dado romanceiro e liberalismo”. E também até certo ponto do Manuel Alegre dos ano 60 quando escreveu a Praça da Canção e o Canto e as Armas.
A terminar deixo aos meus queridos amigos os últimos versos do Poema “Meu Amor, Meu Amor” – Meu amor, meu amor/meu nó de sofrimento/minha mó de ternura/minha nau de tormento/ este mar não tem cura/ este céu não tem ar/nós parámos o vento/ não sabemos nadar/ e morremos, morremos/devagar, devagar.
 E aos novos, mesmo aqueles aquém as musas fadaram para a Poesia, eu os convido a ler a sua Obra. Façam-no com a mente aberta e livre de preconceitos e tenho a certeza que ficarão agradavelmente surpreendidos. Leiam a Balada Para os Nossos Filhos, um hino de ternura e emoção que começa dizendo: Um filho é como um ramo despontado/do tronco já maduro que sou eu/um filho é como um pássaro deitado/no ninho da mulher que me escolheu.
O Ary é um Poeta do povo que nos oferece o Fado da Lezíria, do Fado do Trigo e até do Fado Burrico. Quem não se lembra de “ Os Putos” na voz inconfundível de Carlos do Carmo. Fala-nos do Cacilheiro, do Cauteleiro, das Varinas, do Homem das Castanhas, da Feira da Ladra e dessa Lisboa Menina e Moça que ele amou até morrer.
E agora que estamos perto de mais um Natal, que a fúria consumista desumaniza e aviltesse com actos de grande cinismo e hipocrisia, relembremos o Poeta que nos diz: “Natal é em Dezembro/ mas em Maio pode ser. / Natal é em Setembro/ é quando um homem quiser. / Natal é quando nasce uma vida a amanhecer. / Natal é sempre o fruto/que há no ventre da mulher.”
Até sempre companheiro Ary dos Santos!
Martins Raposo
CV – 07 de Dezembro de 2010
Notas: com a devida vénia, Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, de Salwa Castelo Branco,As Palavras das Cantigas, do Ary dos Santos,Internet. Obrigado!