FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                               JOAN MANUEL SERRAT

Nasceu em Barcelona em 27 de Dezembro de 1943. Poderia ter sido um bom Engenheiro, mas felizmente para todos os que amamos a música, ele tornou-se num dos melhores Compositores e intérpretes da nova canção espanhola. Foi mesmo um dos fundadores do movimento “Nova Canção” apresentando temas como “Agora Tenho Vinte Anos”, “Palavras de Amor” e “Como Faz o Vento.
Com o álbum “Mediterrâneo” atinge um dos maiores êxitos da sua carreira. O Cantor inspirou-se nos poemas de António Machado. Anos mais tarde editou o Álbum “El Sur También Existe”, compondo as suas músicas com poemas de Mário Benedetti.
Joan Manuel Serrat esteve exilado durante a ditadura de Franco, mas hoje o seu país reconhece-lhe o seu enorme talento com prémios e várias distinções honrosas.
São muitos os milhares de fãns espalhados por todo o mundo e a França atribuiu-lhe a Legião de Honra, o mais alto galardão daquele país.
Como cidadão são conhecidas as suas posições na defesa das causas humanísticas que ultrapassam as fronteiras do seu país.

Tem actuado algumas vezes em Portugal onde também existem muitos admiradores da sua imensa obra musical.
Aqui fica a minha pequena homenagem pelo seu enorme talento e também pela sua coragem e coerência nos temas das suas bonitas canções.
Hasta Siempre Companhero!
CV-27.12.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=FOLV1tVErDQ

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                       CARLOS DO CARMO

O Povo costuma dizer que “filho de peixe sabe nadar”. A sua Mãe, Lucília do Carmo foi uma cantora do fado que teve uma carreira fulgurante. Carlos do Carmo, nasceu em Lisboa, no dia 21 de Dezembro no ano de 1939, iniciando em 1963, a sua carreira com a canção “Loucura” que fazia parte do repertório de sua Mãe e que foi bem aceite pela crítica. A partir de então nunca mais parou até hoje, imprimindo desde o princípio um estilo muito pessoal, adoptando novos ritmos e composições musicais que exigiam a participação de novos instrumentos musicais.
Para além das influências que naturalmente adquiriu de sua Mãe, não deixam de ser importantes outras figuras que foram determinantes na sua carreira, tais como Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha. Musicalmente, na bossa nova com João Gilberto, Tom Jobim e Ellis Regina nos blues americanos com Frank Sinatra e na canção francesa com o Jacques Brell e nos músicos portugueses, José Luís Tinoco, António Vitorino, Raul Nery e o Zeca, exerceram grande fascínio no jovem Artista que rapidamente granjeou as simpatias de um vasto público que se manteve fiel ao longo de toda a sua carreira.
Os temas escolhidos por Carlos do Carmo, apoiam-se em cenas e figuras populares da Lisboa dos Sec. Passado mas que ainda perduram em alguns bairros típicos da nossa Capital. Por outro lado não se inibe de dar voz aos nossos Poetas mais queridos. Os músicos que acompanham são de primeira água e alguns como o José Maria da Nóbrega já há mais de trinta anos que trabalham juntos.
Algumas das suas canções com as quais já percorreu o mundo inteiro, tornaram-se famosas na sua voz sensível e envolvente, como são o caso de “Um Homem na Cidade”, “Mais do que Amor é Amar”,”Por Morrer Uma Andorinha, “Lisboa Menina e Moça”, “Canoas do Tejo”, “Os Putos”, “O Homem das Castanhas” e muitas, muitas mais. O seu trabalho tem sido premiado a nível nacional e internacional, sendo o Prémio José Afonso, O Globo de Ouro de Mérito e Excelência, O Prémio de Consagração da Carreira, a Ordem do Infante D. Henrique e o Prémio Goya, apenas alguns dos muitos que ao longo da sua carreira já recebeu.
Participou no Filme “Fados” de Carlos Saura e no “Douro Filme Harvest”. Neste último fez questão de dedicar algumas das canções à mítica estrela do cinema Sophia Loren.
Carlos do Carmo tem manifestado ao longo da sua carreira uma constante atitude de solidariedade para com todos os Artistas, Poetas e Compositores que com ele têm trabalhado ou que simplesmente têm participado nos seus espectáculos e colaborado com a sua obra. São numerosos os testemunhos dessa generosa acção de que destaco o Concerto de Homenagem a José Carlos Ary dos Santos.
Sem menosprezar o valor dos outros intervenientes, registe-se o importante papel que Carlos do Carmo. Desempenhou na Equipa Coordenadora que lançou e conquistou para o Fado, o mais alto galardão mundial, passando este estilo musical a fazer parte do Património Imaterial da Humanidade.
Esta nossa Estrela do Fado, nasceu em Lisboa, faz hoje dia 21 de Dezembro, 72 Anos. Ele tem sido considerado uma das maiores referências do fado, com reconhecimento a nível nacional e internacional. Quem o conhece afirma que vamos ouvi-lo durante muito anos. É esse o meu desejo neste dia do seu Aniversário. Bons êxitos Amigo Carlos!
CV – 21.12-2011
Martins Raposo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O MAIOR ENTRE OS MAIORES...

O NOSSO PRÉMIO NOBEL NASCEU HÁ 89 ANOS!

JOSÉ SARAMAGO, Prémio Nobel da Literatura, nasceu na Freguesia da Azinhaga, no ano de 1922 a 16 de Novembro. Filho de gente pobre mas inconformada veio com dois anos para Lisboa, onde estudou no Técnico e foi operário de uma oficina de serralharia. Mais tarde entra para o funcionalismo público e desde muito jovem, dedica todo os seus tempos livres à leitura dos escritores mais conhecidos na época. Tem apenas 25 anos quando escreve o seu primeiro livro “A Viúva” e um ano depois escreve “Clarabóia”.
Depois há um longo interregno inexplicável porque a crítica até nem tinha sido muito severa com a sua estreia.
Só em 1966 aparece com o livro “Os Poemas Possíveis”, seguindo-se, “Provavelmente Alegria”, não parando mais na sua escrita de Poesia, Romances e Ensaios diversos.
José Saramago deixou-nos uma imensa obra, com romances de inigualável beleza. Alguns bastante polémicos, mas é difícil ficar indiferente, mesmo que se não concorde de forma igual, com todos os temas, não há nenhum livro de Saramago que não nos faça pensar e questionar os desafios que o escritor nos lança e ao mesmo tempo nos adverte sobre os dramas de uma sociedade injusta, com inusitada coragem e ao mesmo tempo de uma “fé” inquebrantável, na transformação de uma sociedade mais humana e mais justa.
Levantado do Chão, o Memorial do Convento, A Jangada de Pedra, o Ensaio Sobre a Cegueira, A caverna e a Viagem do Elefante, são apenas alguns dos livros da sua grandiosa obra que foi distinguida com o mais alto galardão a nível mundial – O Prémio Nobel da Literatura, atribuído ao autor em 1998.
A obra de José Saramago não é de fácil leitura, assim como não foram as obras de Joyce, de Kafka, de Becket, Thomas Man e até as de Sartre, Pablo Neruda ou as de Gabriel Garcia Marques. O nosso Prémio Nobel conquistou com o seu génio literário um lugar entre os seus pares com saber e dignidade, mantendo em toda a sua vida uma coerência inabalável com os ideais que sempre defendeu.

Que pena já não poder ouvir a tua voz sábia, arrastada mas sempre de uma lucidez fantástica. A tua obra é para ler e reler e em cada dia que passa vemos com mais clareza a crítica certeira sobre um mundo que há muito nos prevenistes que estava a apodrecer.
Até sempre meu bom amigo!
CV-16.11.11
Martins Raposo

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ERSTRELAS DE SEMPRE - MÚSICA

                                  BRUCE SPRINGSTEEN
Compositor, cantor, violinista e guitarrista são os atributos consignados a um dos melhores intérpretes da música R&B de todo o mundo. No entanto os média raramente se referem aos numerosos êxitos de Bruce Springsteen. Ele de facto não se atira para a frente dos holofotes, não gosta dos paparazzi e não tem grande simpatia pelas habituais festas espampanantes das estrelas.
Depois existem outros anticorpos, que os patrões dos média não gostam mesmo nada, a começar pela sua música de intervenção com canções de crítica político-social e de defesa da classe trabalhadora. Nos EU como aqui em Portugal a indústria da informação é controlada pelos tubarões ligados aos grandes interesses económicos.
Bruce nasceu em Long Branch a 23 de Setembro, e, iniciou a sua carreira em 1965 com a formação da banda “The Cartiles” a que se seguiram outras pequenas bandas. Os seus primeiros álbuns não tiveram boa recepção do público e só em 1975 com “Born To Run” conseguiu o seu primeiro êxito.
Por esta altura constituiu o grupo “E Street Banda” e os êxitos repetiram-se com “Darkness On The Edge Of Town”, “The River” e “Nebraska”.
The River consolidou as suas opções de classe, na defesa dos valores e ideais por um mundo melhor sem explorados nem exploradores. Musicalmente o seu estilo aproximou-se mais da Pop-Rock e os críticos renderam-se finalmente ao valor incontestável da sua obra.
Born In The U.S.A., não teve de início o êxito comercial que merecia, mas insistência de Bruce em apresentar esta canção em todos os seus espectáculos, acabaram por surtir o efeito desejado. A crítica desta vez não podia alterar os dados. Os 15 milhões de discos vendidos acabaram por ajudar a catalogar legitimamente esta canção como uma das melhores de sempre.
Depois de participar activamente em vários movimentos de contestação musical, foi convidado a colaborar no disco “We Are The World” e no movimento “Human Right Now”, o primeiro a favor dos africanos desprotegidos e o segundo como uma valiosa ajuda à Amnistia Internacional.
Após o seu casamento com Pati Scialfa em 1991, Bruce mudou-se para a Califórnia e a sua actividade musical foi diminuindo. Em 1992 produziu o álbum “Human Touch e Lucky Town” e em 1994 compôs a música para o extraordinário Filme “Philadelfhia” de Joathan Demme que teve em Tom Hanks e Denzel Washington os principais actores, ambos com excelentes interpretações.
Bruce foi distinguido com numerosos prémios e a sua Obra valoriza e dignifica o imenso património histórico da música.
Mas hoje é o dia do 62º. Aniversário de Bruce Springsteen é de bom tom que não nos afastemos da razão fundamental deste texto que tem como objectivo o de relembrar aos meus amigos que não podemos esquecer o genial intérprete de “Born to Run”, de n the Edge of Town”, “ Hungry Heart” , “Glory Days” e “Born in the U.S.A.”. Vale a pena ouvi-lo e informar os nossos filhos que cada vez têm menos tempo para se interessarem por música autêntica com valor e substância.
É bom enaltecer a sua coragem, neste mundo em que muitos se escondem cobardemente, fechando os olhos aos problemas que nos cercam.
Por tudo quanto este magnífico músico tem feito, aqui fica a minha modesta homenagem.
Longa Vida e Bons êxitos!
CV- 23.09.11
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=129kuDCQtHs

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O LIVRO DO MÊS

                                                    À BEIRA DO ABISMO
Li à dias este livro extraordinário de Raymond Chandler, considerado um dos melhores escritores de romances policiais que já com mais de quarenta anos iniciou a sua obra precisamente com este livro que se tornou um marco neste estilo literário que nem sempre a crítica aceitou o seu verdadeiro valor.
É um livro fantástico, com um enredo muito bem estruturado com a sua principal personagem a encarnar a figura do célebre detective particular Philipe Marlowe que faria parte de outros romances, com o seu porte romântico, temperado com algum cinismo e desapego pela vida, mas obedecendo a uma ética particular, no qual a justiça praticada individualmente se regia pela honestidade imparcial.
Raymond Chandler nasceu em Chicago no ano de 1888 e durante grande parte da sua vida sofreu sérias adversidades que o levaram a procurar no álcool o refúgio dos seu dramas profissionais e familiares.
O seu primeiro livro lançou-o definitivamente como escritor de referência, servindo de modelo a muitos outros escritores deste género. O escritor teve a sorte de ver parte da sua obra adaptada ao cinema como foi o caso de “À Beira do Abismo”, realizado em 1946 por Howard Hanks e com Humphrey Bogart e Lauren Bacall como principais protagonistas.
                                                    
O Filme já o vi várias vezes porque adoro ver a representação fantástica de Humphrey Bogart que considero um dos melhores actores de sempre, mas que hoje não vou dedicar mais tempo, até porque que é a sua parceira e Lauren Bacall que faz hoje anos e que por isso, merece mais umas palavras de atenção.

Lauren Bacall não teve a grandeza mítica de Ava Gardner, Liz Taylor, ou mesmo de Ingrid Bergman, mas foi no seu tempo uma artista muito procurada pelo seu talento e pela sua beleza sensual a que a voz rouca dava um toque muito especial. Entrou em numerosos filmes e obteve prémios valiosos pelas suas brilhantes actuações em se destacam para além deste filme, Prisioneiro do Passado, O Espelho tem Duas Faces Paixões em Fúria e Uma Aventura na Martinica. Alguns destes Filmes teve a seu lado Humphrey Bogart a paixão maior da sua vida.
Lauren faz hoje 87 anos, pois nasceu a 16 de Setembro de 1924, na cidade de Nova Iorque e de vez em quando ainda aparece no Teatro onde desempenhou também grandes personagens. Parabéns Lauren!
Voltando ao Livro “ Beira do Abismo”, devo confessar que tal como no filme prendeu totalmente a minha atenção e li-o de fio a pavio e fico agradecido a Raymond Chandler por momentos de leitura inesquecíveis. Atrevo-me a confessar que ao ler esta magnífica obra se acentua ainda mais a minha descrença por alguns jovens escritores que no afã de produziram mecanicamente enormes calhamaços apoiados por incríveis campanhas de publicidade, deveria antes procurar entender porque escritores como Chandler continuam a refrescar-nos saudavelmente com boa literatura.
Este escritor que influenciou muitos outros escritores famosos, defendeu e honrou com grande dignidade o género policial que hoje tem imensos seguidores.
CV-16.09.2011
Martins Raposo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                         SÉRGIO GODINHO
     Português, Artista e Cidadão do Mundo Exemplar!
O Sérgio faz parte da Geração de Ouro da música popular portuguesa, emparceirando com os nomes de Fausto, J. Mário Branco, Vitorino, Luís Cília, Pedro Barroso, Jorge Palma, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Paulo de Carvalho e outros que não relembro de momento, mas que souberam com grande mérito e dignidade, dar seguimento à Obra de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
As minhas referências neste estilo musical, visam apenas qualificar os intérpretes mais conhecidos da minha colectânea que como os meus amigos sabem é bastante diversificada e não contempla apenas este género musical.
Hoje importa falarmos de Sérgio Godinho, porque é o dia do seu 66º. Aniversário e acima de tudo porque é um músico que muito admiro e estimo.
A primeira vez que ouvi falar do seu Sérgio foi quando entrou na célebre peça musical “Hair”. Estávamos em 1969 e o nosso artista estava em França depois de se ter escapado ao serviço militar e de ter passado pela Suíça. É neste país que conhece Luís Cília e José Mário Branco, iniciando uma amizade e colaboração que ainda hoje perdura.
Colabora como músico e letrista no álbum “Mudam-se Os Tempos, Mudam-se as Vontades” de JMB em 1971 e nesse mesmo ano, edita o seu primeiro LP, “Romance de um dia de Estrada”.
No ano a seguir edita “Sobreviventes” que é muito bem aceite pela crítica e com o qual ganha o Prémio de Melhor Disco Português, atribuído pela Casa da Imprensa. Seguem-se “Pré-História” e “À Queima Roupa”, todos alcançam enorme sucesso
As suas deambulações continuam pela Holanda, Brasil e Canadá. Neste último país, junta-se ao teatro “Génesis” e casa-se com Shila em Montreal, no ano de 1972.
Volta a Portugal depois do 25 de Abril e participa em conjunto com José Mário Branco e Fausto, na banda sonora do Filme “A Confederação” de Luís Galvão Teles” e escreve a canção-tema do Filme “Os Demónios de Alcácer Quibir” de José Fonseca e Costa e escreve a música do Filme “Kilas o Mau da Fita” do mesmo Realizador.
Em 1978, edita “Nós Por Cá Todos Bem”, seguindo-se “Pano Cru” e Campolide, todos com êxito absoluto.
Em 1981, ganha o Disco de Prata, com o álbum “Canto da Boca”. É neste álbum que se encontram algumas das canções mais populares de Sérgio Godinho, entre as quais se distinguem, “Com um Brilhozinho nos Olhos”, “O Porto Aqui Tão Perto” e “É Terça Feira”. Recebe o Sete de Ouro de melhor cantor português do ano.
No ano a seguir volta ao Brasil e é preso injustamente acusado por possuir droga, quando na verdade, tudo se deveu às suas posições políticas que a ditadura militar quis castigar duramente. Só o protesto que se levantou na opinião pública, em sua defesa a nível mundial, conseguiu a sua libertação forçada. “Os Sobreviventes” é um álbum composto com letras que denunciam este difícil período vivido pelo artista.
Volta a participar no teatro, na peça “Um jeep em Segunda Mão” e edita “Salão de Festas” e “Na Vida Real” com algum sucesso.
Em 1989, ganha o Prémio José Afonso, com o LP “Aos Amores”, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora. Edita a seguir “Escritor de Canções” e compões musicas para curtas metragens. Pelo meio vai obtendo enormes sucessos com actuações no Coliseu dos Recreios e em digressões que faz pelo país. Participa como actor no teatro e em alguns filmes de valor reduzido.
Em 1993 edita o álbum, “Tinta Permanente” que conta com a colaboração de João Esteves Silva, nos arranjos e Teresa Salgueiro, Filipa Pais e Sandra Fidalgo como intérpretes. A seguir edita, “Domingo No Mundo” com poemas de Rimbaud, Alexandre O’Neill e José Afonso.
Em 2001, comemora com um espectáculo de grande êxito os 30 anos da sua extraordinária obra musical, nos quais apresenta uma Colectânea de Canções de Amor (Afinidades). Partilha ainda com grandes músicos da cena portuguesa, num noutro espectáculo belíssimo espectáculo.
O Sérgio, esteve em Castelo de Vide, em 2009, apresentando o seu último livro “Afrontamento”, na Biblioteca Municipal. Nessa ocasião tive o privilégio de falar com o artista, trocando impressões sobre a sua obra magnífica. Na altura recordei-lhe uma das cenas que presenciei num dos filmes que foi rodado em Castelo de Vide e de que nenhum de nós se lembra de o ter visto depois. Tratou-se segundo me disse de mais um dos muitos episódios da sua multifacetada vida artística.
                                                   
Mas é sem dúvida a música que comanda o primado das suas paixões e onde tem ganho projecção mundial como um dos compositores e músicos mais célebres da sua geração. Neste dia em festeja os seus 66 anos de idade, envio-lhe um abraço fraterno de amizade manifestando o desejo para que continue a dar-nos o seu melhor como Poeta, Músico e Compositor.
Parabéns e longa Vida!
De um amigo e admirador sincero,
José Martins Raposo
31.08.2011
http://youtu.be/aMKHMcS7X3g

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ESTRELAS DO JAZ

                                                   CHARLIE PARKER
                                                 

Hoje é o dia do “BIRD” que se fosse vivo completaria 91 anos. A vida de Charlie Parker, foi uma constante tragédia emocional que terminou de forma turbulenta aos 34 anos, no entanto, o seu nome consta com o mesmo brilho ao lado de Louis Armstrong. A sua música genial conquistou o mais alto título de “o melhor saxofonista de todos os temos” e a crítica é unânime ao considerá-lo um dos melhores intérpretes do Jaz. O seu nome estará para sempre ligado ao cinema através de um belíssimo filme de Clint Eastwood, “The Bird” e nas Letras no Livro de Júlio Cortazar, “O Perseguidor”. Ouvir a sua música oferece-nos o condão de sair desta órbita terrestre e vaguear por entre o mundo estelar de brilho magico e incandescente.
                                               

Charlie foi ainda com Dizzie Gillespie o fundador do Bebop, estilo que marcou definitivamente uma nova era no Jaz, na sua forma, no ritmo e na harmonia musical.
Olhão, 29.08.11
NOTAS: Wikipédia e Youtube. A escrita vai a verde porque é assim que eu vejo todos os "pássaros do mundo"!
http://www.youtube.com/watch?v=j1bWqViY5F4

terça-feira, 16 de agosto de 2011

VOZES ROMÂNTICAS

                                    FRANCISCO JOSÉ

Este extraordinário artista, nasceu em Évora a 16 de Agosto de 1924. Nesta cidade, iniciou a sua brilhante carreira, notabilizando-se como intérprete de canções românticas. Olhos Castanhos, foi uma das canções mais célebres dos anos 50, numa altura em que o primado da voz se sobreponha aos instrumentos musicais.
Ainda nos anos 50, tentou a sua sorte no Brasil que soube valorizar a qualidade dos seus trabalhos. Como é Bom Gostar de Alguém, Maria Morena, Encontro às Dez e Estrela da Minha Vida, são algumas das canções mais conhecidas.

Em Portugal na década de 70, alcançou de novo enorme êxito com a canção, Guitarra Toca Baixinho que ainda hoje se ouve com emoção.

A última obra da sua notável carreira chama-se “ As Crianças Não Querem a Guerra” gravada em 1983.
Este notável alentejano, sofreu durante a sua vida algumas atribulações. Sentindo-se sempre mal amado na sua pátria, pelos meios televisivos e radiofónicos o que o terá levado em 1964, a assumir uma posição de denúncia na enorme diferença que a RTP fazia nos pagamentos de “cachets” entre os artistas estrangeiros e os portugueses do qual se dizia vítima. Isto feito em directo, resultou na imediata detenção pela PIDE e a interdição durante mais de 16 anos de actuar na Televisão Portuguesa.
Só a partir da década de 70 é que este notável representante do romantismo na música ligeira, conseguiu depois da canção já citada “Guitarra Toca Baixinho”, alcançar alguns êxitos colocando-o definitivamente ao lado de outros grandes intérpretes deste género musical, dos quais se destacam entre outros os nomes de Carlos Ramos, Alberto Ribeiro, Max, Tony de Matos e Luís Piçarra.
Independentemente dos juízos de valor que possam ser feitos sobre este estilo musical, não nos podemos esquecer da sua aceitação popular e que marcou uma época de que a minha geração ainda hoje se lembra com alguma saudade.
Recordemos então, meus bons velhos amigos!
Olhão, 16 de Agosto de 2011
Martins Raposo
Notas: Enciclopédia da Música Ligeira, de Luís Pinheiro de Almeida e João Pinheiro de Almeida; e Internet - Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=sFhJskkG4AU

sábado, 13 de agosto de 2011

NO CLUB DOS 27

NADA ESTÁ PROVADO!

MAS A AMY NÃO RESISTIU…
Nada está provado em relação às causas da morte de Amy Winehouse! Por enquanto o que se possa afirmar poderá não passar de pura especulação. O que todos já sabemos é como foi parte da sua vida que os “média” compuseram desde que se tornou famosa.
Em relação ao seu talento e à sua vertiginosa carreira, está provado que começou desde miúda a querer ser o que realmente foi: Uma Estrela de primeira grandeza!
Os Familiares terão ajudado Amy desde muito nova, a conseguir uma formação musical em Escolas e Orquestras Juvenis e aos 16 anos já se fazia notar como vocalista do grupo Bolsha Banda.
As suas influências musicais são bastante diversificadas e incluem vozes como as de Sara Vaughan e Ella Fitzgerald no Jaz e de Madona e Michael Jackson na Pop. O seu primeiro álbum “Frank” tem uma batida claramente jazística e foi sem dúvida importante para o início da sua brilhante carreira.
Ao êxito do seu primeiro álbum, seguem-se alguns prémios e espectáculos com grande sucesso que levaram as Editoras a disputar a primazia das suas actuações. Amy muda de estilo, abandona o Jaz e volta-se decididamente para a música Pop, mudando radicalmente o seu estilo de actuar e o seu repertório que se reflecte de forma espectacular no seu segundo álbum “Back To Black”.
Está também provado que a sua vida emocional está recheada de desenfreadas paixões nem sempre correspondidas e por vezes mesmo desencontradas. A sua inclinação para as drogas e para a bebida, tornaram-se numa dependência difícil de controlar.
Quanto mais se aproximava do apogeu da sua carreira, mais infernal se tornava o seu viver, com tentativas rustradas de recuperação em clínicas especializadas. Logo após ter vencido o prémio Prit “Melhor Artista” com a canção Rehab, foi detida na Noruega pela posse ilegal de marijuana.
É neste ponto que me leva a interrogar sobre as causas que terão levado Amy a deixar-se arrastar de forma tão degradante para o submundo do álcool e da droga, impedindo-a de cumprir contractos fabulosos e de interromper espectáculos por completa incapacidade física e mental.
As suas qualidades vocais e as suas interpretações foram apreciadas em todo o mundo, a sua ascensão vertiginosa foi aceite e compreendida como resultante do seu real talento e originalidade. Conquistou por mérito próprio um dos lugares cimeiros do estrelato musical e a sua personalidade vincada deve ter ajudado a impor-se no meio dos seus iguais.
No entanto, algo conseguiu vergar esta extraordinária vedeta, ou se quisermos ser mais exactos na aproximação da realidade, várias terão sido as causas que levaram Amy para o tristemente célebre Clube dos 27.
Há dias reli uma crónica de alguém que se referia às semelhanças que a vida atormentada e turbulenta de Amy teve com alguns dos famosos artistas falecidos de forma muito semelhante, entre elas a de Judy Garland, a menina prodígio, que sofreu às mãos de Empresários e Produtores gananciosos, as mais aviltantes e desumanas condições de trabalho.
No Clube dos 27 há histórias diversas, mas também existem factos que demonstram que alguns dos suicídios foram provocados pela pressão monstruosa que os “homens dos negócios” infligiram violentamente na vida dos artistas que caíram nas suas armadilhas mortais.
Nada está provado! Mas a Amy não resistiu…
Olhão, Agosto de 2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=w1evzhSast8

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE!

RECORDAÇÕES, COM MÚSICA DO ZECA!
Neste dia em que o Zeca Afonso fazia 82 anos de idade, gostava de ter o “dom” de escrever algo de invulgar que não fosse o repetido refrão de frases bombásticas, onde falha a autenticidade do conhecimento pessoal, como é o meu caso que só muito fugazmente tive a felicidade de contactar com o nosso mais famoso intérprete da música de intervenção portuguesa.
Antes dos breves encontros pessoais, tive o privilégio de em Luanda, conhecer a sua obra nos finais dos anos 60, através do Jorge que tinha conhecimentos em Cabinda por onde entravam alguns livros e música que o poder não deixava circular livremente.
Este pequeno grupo a que demos o nome de “Germinal” em homenagem ao grande escritor Émile Zola, era composto por pessoas com os mais diversos gostos, desde o Teatro à Música de que alguns de nós fazíamos parte. Cada elemento trazia para a discussão o seu saber e as suas experiências, mas aos fins de semana os sons predominavam, tanto nas conversas como na acção. Alguns de nós tocavam num Conjunto Musical.
E foi assim que conheci as canções do Zeca, do Adriano, do Letria, do Fausto e de outros que abriam o caminho da música popular e de intervenção.
O Zeca Afonso era sem dúvida o guia principal que servia de exemplo para animar os serões sobre política que interessava à maioria dos elementos do grupo. Os “Vampiros”, o “Menino do Bairro Negro” a “Menina dos Olhos Tristes” e o “Canta Camarada” vieram antes da “Balada de Outono” e do “Menino de Ouro”. Era a juventude que predominava e os seus gostos, mesmo a nível da música local Angolana, inclinavam-se predominantemente para os temas de forte conotação social e política.
Pessoalmente, assisti a dois espectáculos do Zeca Afonso em Luanda onde se deslocou algumas vezes, acompanhado de outros artistas. O mais importante foi em 1975, no novo estádio de Futebol da Cidade que encheu por completo.
                                   
Mais tarde em 1984, tive a sorte de organizar um extraordinário espectáculo em Coruche com a figura do Zeca como cabeça do cartaz que incluía ainda o Janita Salomé, e o Júlio Pereira. Quando digo da “sorte”, refiro-me ao facto de após termos concluído o acordo para sua presença, ter acontecido um problema no Cinema da Vila, que impedia a realização de qualquer actividade pública. O Concerto acabou por se realizar no amplo auditório da paróquia, graças à boa vontade do Padre Silvestre.
O grande “Trovador” apesar de se encontrar já debilitado pela doença, conseguiu levar a assistência ao rubro com a qualidade do seu repertório e a colaboração dos excelentes músicos que o acompanhavam. Foi um dos melhores espectáculos de sempre que hoje ainda muitos Coruchenses se lembram com emoção.
Lá estava a assistir o nosso querido amigo José Labaredas, autor da fotografia que o Zeca tirou em Londres de boina preta e que fez questão de inserir na capa de um dos seus álbuns.
Foi também com o José Labaredas que no dia 23 de Fevereiro de 1987, fomos a Setúbal para o último adeus e caminhámos lado a lado com milhares de pessoas que percorreram o percurso da Escola Secundária de São Julião até ao Cemitério da Senhora da Piedade, a cantar as canções mais emblemáticas do Zeca Afonso.
Por muito que os fariseus palavrosos nos façam promessas com louvaninhas de cinismo,ao falar sobre o talento do Zeca, a verdade é que neste País ainda não houve vontade suficiente para fazer a homenagem digna que o Zeca merece. Enquanto isso não acontece devemos ajudar a divulgar a sua obra em acções que não desmereçam o valor e a dignidade deste grande génio da cultura popular.
Aos mais novos é bom que não esqueçam o Zeca e continuem a ouvi-lo, não só as canções que já citei mas todas as canções que prefiguram na sua obra monumental, de que acrescentarei apenas mais alguns títulos: A Morte saiu à Rua, Coro dos Caídos, Ronda dos Paisanos, Resineiro Engraçado, O Meu Menino é de Ouro, Venham Mais Cinco, A Morte saiu à Rua, Era Um Redondo Vocábulo, o Avô Cavernoso, Coro dos Tribunais, O Que faz Falta, Era de Noite e Levaram-no,Os Fantoches de Kissinguer, Teresa Torga, O Dia da Unidade, Como Se Faz Um Canalha, Quem Diz que é Pela Rainha, a mítica Grândola Vila Morena, etc. etc. etc.
Numa opinião muito pessoal e naturalmente pouco pacífica, julgo que a Grândola Vila Morena, apenas com ligeiríssimas alterações, poderia muito bem substituir, o nosso velho e desactualizado Hino.
O Zeca Afonso para além de intérprete invulgar, foi também um Poeta de grande sensibilidade, com letras de grande significado em termos populares e nos temas de intervenção. Foi compositor e acima de tudo soube acarinhar os seus amigos com solidariedade activa, recebendo em troca a colaboração de grandes músicos, compositores e poetas portugueses e também no estrangeiro, muito principalmente em Espanha, na Galiza onde ainda hoje se mantém uma grande comunidade de fervorosos fãs do nosso Artista.
Em Portugal foi sempre aplaudido e seguido com paixão por numerosos adeptos das suas canções. O Povo adorava-o! Do poder nunca quis receber coisa alguma e os prémios para que foi indicado por Ramalho Eanes, ainda em vida e por Mário Soares a título póstumo, foram recusados com serenidade mas com firmeza.
Aos poderes constituídos antes do 25 de Abril e a muitos outros que nos governaram depois de 75, nunca lhe agradaram a gigantesca figura de intelectual e o poder e influência que exerceu efectivamente junto de muitos jovens.
Como confessei logo de início, falta-me o engenho e a arte para expressar e descrever os meus sentimentos de emoção, de respeito e de gratidão por ter tido a felicidade de viver no seu tempo e ter em muitos dos meus actos individuais e colectivos ter levado as suas canções como símbolo e bandeira para dar mais força às manifestações onde muitas vezes estive integrado, na luta por um mundo melhor de que o Zeca foi um dos mais fieis protagonistas.
Assim deixo-vos com as palavras do Poeta Manuel Alegre – o Zeca foi um homem fraterno, despojado, por vezes até ao exagero. Mas era assim, um revolucionário franciscano…Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento. Por isso o Zeca foi tanta vez censurado. Por isso continua simultaneamente a encantar e a incomodar.
Até Sempre Zeca!
Olhão, 02.08.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI

sábado, 9 de julho de 2011

ESTREALAS DE SEMPRE

                    MERCEDES SOSA – LA NEGRA


Mercedes Sosa teria hoje 76 anos e com toda a certeza continuaria a encantar-nos com a sua voz “caliente” e luminosa. Ela mesmo disse como seria a sua forma de viver: “até ao fim da minha vida, continuarei cantando como uma cigarra”.
Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tecuman, a 09 de Julho de 1935, no mesmo dia e na mesma cidade na qual foi assinada a declaração de Independência da Argentina no ano de 1816.
Durante a sua juventude viveu no meio musical onde se distinguiu aos 15 anos. Foi uma fervorosa seguidora da ala esquerda do peronismo ao qual se manteve fiel durante grande parte da sua vida. Mas mais do que no plano político, a sua intervenção caracterizou-se essencialmente pela defesa dos direitos sociais dos mais desprotegidos.

Mercedes Sosa iniciou a sua longa carreira com o lançamento do álbum “La Voz De La Zafra” e a partir daí nunca mais deixou de nos oferecer o melhor da música popular Argentina, com canções que se tornaram autênticos hinos, escritos pelos melhores poetas e pelos melhores compositores aos quais a voz inconfundível da artista contribuiu para a sua divulgação a nível mundial.
No álbum editado em 1965, “Canciones Com Fundamiento” que teve a colaboração do seu marido, Manuel Óscar Mateus, ficaram registadas algumas das canções mais importantes do cancioneiro Argentino. Esse trabalho foi enriquecido com os álbuns, “Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas” que teve para além do seu marido a colaboração dos Compositores Ariel Ramirez e Victor Heredia e do Poeta Feliz Luna. Todo este trabalho levou a que a Artista fosse considerada como um dos pilares mais importantes do “Movimiento del Nuevo Cancionero”.
Mercedes Sosa atingiu o auge da sua carreira, nos anos 70, com espectáculos realizados em todo o mundo. É desses anos a sua parceria com outros grandes músicos e intérpretes, entre os quais se contam os nomes de Chico Buarque, Joana Baez, Sting, Andreia Bocelli, Luciano Pavaroti, Pablo Milanês, Milton Nascimento, Gal Costa e Beth Carvalho.É também deste período a preocupação da intérprete dedicar a sua atenção ao trabalho de outros grandes músicos da América do Sul, com especial relevo para a música popular e de intervenção dos respectivos países. A Canção “Gracias à La Vida” escrita e interpretada por Violeta Parra é um dos muitos exemplos que seguiu nos anos seguintes.
Perseguida pela ditadura do General Jorge Videla a cantora teve que se exilar na Europa, continuando aí a sua actividade artística com grande sucesso.
Mercedes Sosa viu a sua obra ser premiada com três Gramy’s nos anos de 2000, 2003 e 2006, respectivamente com as canções; Misa Criola, Acústico e Corazon Libré o que por si só atesta a trabalho incansável que Mercedes Sosa, tinha nos anos mais recentes. Pela sua obra e pela e pela sua postura cívica, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade junto da UNESCO, para a América Latina e o Caribe.
Numa noite de Setembro, em 1979, Mercedes de Sosa iniciou o seu espectáculo com “Gracias à la Vida” a que seguiram algumas das suas melhores canções que tivemos a sorte de ouvir directamente no Alto da Ajuda. Os milhares de espectadores presentes, brindaram a sua actuação com calorosos e prolongados aplausos. Foi uma noite deslumbrante, animada pela presença de uma das estrelas mais brilhantes do firmamento musical.
A sua morte em 04 de Outubro de 2009, deixou consternados os milhares de amigos espalhados pelo mundo, tendo merecido da Jornalista da Reuter, Helen Poopper as seguintes palavras: Mercedes Sosa lutou contra os ditadores da América do Sul “com a sua voz e se tornou uma gigante da música latino americana. La Negra, saiu da vida para entrar na história como um verdadeiro mito”.
Hasta Siempre!
CV-09.07.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                         AMÁLIA RODRIGUES


Mesmo para os que não têm apreço especial por este estilo musical, não podem ficar indiferentes à extraordinária voz de Amália, considerada a Rainha do Fado. Foi durante muitos anos a melhor Embaixadora de Portugal. Foi uma verdadeira diva que encantou os seus milhares de admiradores, no Cinema, no Teatro, na Televisão e nos Espectáculos Musicais, onde interpretou os melhores Poetas Portugueses.
                                   
A sua longa carreira teve momentos inesquecíveis, alcançando êxitos retumbantes em todos os Continentes, com a sua voz maravilhosa.
Amália Rodrigues, nasceu no dia (!), 01 de Julho de 1920, filha de gente pobre não há ninguém que não conheça a sua vida e os seus memoráveis sucessos que foram galardoados com as mais altas distinções e insígnias no país e no estrangeiro.

Por isso mais do que falar de Amália, importa não esquecer as suas canções levando os jovens de hoje a ouvi-las com a atenção e o respeito que nos merece esta Artista com um talento fora do vulgar. Mencionemos apenas aquelas que foram os seus maiores êxitos - Ai Mouraria, Povo Que Lavas no Rio, Que Estranha Forma de Vide e Gaivota.
Ouvir Amália é também ouvir alguns dos melhores músicos que a acompanharam e os poemas mais lindos que se escreveram para o nosso povo de ontem, de hoje e de sempre!
CV - 01.07.2011

http://youtu.be/uFgctURyGp4

quinta-feira, 23 de junho de 2011

UM LIVRO PROVOCADOR

                       ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS

“Este País Não É Para Velhos” é uma obra controversa, do consagrado escritor americano, Cornac McArthur, editada em 2005 e adaptada ao cinema pelos irmãos Coen que conquistaram em 2008 quatro Óscares da academia de Hollywood, entre eles o de melhor filme.
O Livro revela-nos um país submerso pelo ódio e pela violência, com cenas assombrosas e desumanas que nos deixam confusos e desamparados. É difícil de entender e aceitar em pleno Sec. XXI um mundo assim.
No meio do trama o autor introduz-nos uma personagem banal, de inteligência mediana e de fraco carácter, aparentemente marcada pela guerra do Vietname que terá tido influência na escolha da caça grossa como o seu desporto favorito. É sem dúvida um sinal, mas que não justifica o comportamento do assassino que o persegue.

A figura mais marcante de todo o Livro, chama-se Chigurg, assassino profissional que fica encarregue de recuperar a mala cheia de dinheiro que Moss acidentalmente retirou do massacre havido entre dois gangs, envolvidos num negócio de drogas que decorreu da pior forma para ambos.
Chigurg é um parente próximo de Dellinger e de All Capone que não obedece a nenhuma lei institucional e que se assume acima de todos os homens. Como um deus sanguinário, mata para satisfazer o seu ego que pretende ser um código de honra pessoal.
Para contrabalançar todo este ambiente assustador e imoral, o autor coloca o Xerife Bell que em voz off vai apresentando as suas dúvidas em relação ao sistema e tentando contrariar sem grande convicção a degradação dos valores e o aumento da criminalidade que observa mesmo junto da juventude e da população em geral e desabafa “… muitas vezes que eu digo que o mundo está a ir direitinho para o Inferno, ou alguma coisa do género, as pessoas limitam-se a fazer-me um sorriso e dizem-me que eu estou a ficar velho. Que este é um dos sintomas. Mas cá no meu entender, se alguém não vê a diferença entre violar e assassinar pessoas e mascar pastilha elástica é porque tem um problema muito mais grave do que o meu”.
Há poucos dias a RTP, promoveu um debate sobre o pretexto de que se fala num aumento da violência no nosso país. Apesar de estarem presentes pessoas com conhecimentos e experiência do nosso mundo social, o programa terminou sem conclusões práticas e sem consensos nas medidas a tomar para inverter esta situação que alguns sociólogos consideram de muito grave.
No meu fraco entender a nossa juventude actual não é muito diferente daquelas que fizeram parte da geração dos anos 60 do Sec. XX. Os meios mediáticos, esses sim sofreram em todos os aspectos uma alteração considerável que na maioria dos casos aplica métodos sensacionalistas, ampliando e distorcendo os factos de forma negativa. É evidente que há honrosas excepções sobre esta lamentável forma de informar, mas em regra geral quase todos afinam pelo mesmo diapasão.
Nos Estados Unidos sempre houve uma parte da sociedade que se manifestou a favor da violência pura e dura. Basta lembrar-nos das grandes famílias da Máfia que chegaram a dominar o poder em Cidades como Chicago de grande importância em termos económicos e financeiros. Lembremo-nos ainda de grupos e seitas de fundamentalistas religiosos e raciais, como o Klus Klus Kan.
Nos anos mais recentes, muitos escritores têm apontado os traumas da guerra, do Vietname e do Iraque como os causadores de cenas de violência individuais e de grupos que se envolvem por vezes em verdadeiras chacinas de morte e destruição.
Na Europa também houve períodos conturbados que provocaram autênticas catástrofes em termos desumanos de selvajaria e de crueldade que deixaram milhares de pessoas traumatizadas para sempre, como foi o caso do Nazismo, do Estalinismo, do Colonialismo e de muitas tentativas de eliminar povos e etnias desprotegidas. Isto sem mencionar outras guerras injustas que provocaram imensas vítimas inocentes, como foi o caso da Guerra Civil Espanhola e da Guerra da Argélia.
O Governo fascista de Salazar, envolveu-se a partir dos anos 60 (já para não falar das guerras da expansão colonial nos Sec . XIX e princípios do Sec. XX), numa guerra fratricida que durou mais de 14 anos e provocou a morte e a mutilação de milhares de jovens de ambos os lados da contenda. Sem nos alongarmos muito no tema é bom não esquecer os milhares de famílias que de um momento para o outro, foram espoliados dos seus haveres, na grande maioria dos casos, alcançados com enormes sacrifícios, ao fim de muitos anos de trabalho honesto e nem sempre devidamente remunerado.
Estes problemas enunciados no nosso país, provocaram grandes traumas e sofrimento, mas não se vislumbram actos individuais ou colectivos que sejam directamente imputados a esse triste e lamentável período da nossa história. Muito pelo contrário, é ponto assente que a contestação da Juventude Militar que veio transformar-se no Movimento que assumiu o papel principal na Revolução dos Cravos.
Voltando de novo ao livro de Cornac McArthur devo confessar que me desgosta a descrição de uma sociedade permissiva impotente para evitar a "violência niilista" que nos assusta pela sua aparente impunidade, sem arrependimentos e sem redenção. O autor descreve-nos um quadro negro assustador do seu país que tantas vezes tem servido de árbitro entre outros povos e imposto a sua democracia a outros tantos pela força das armas,  impunemente e acima de todas as leis universais.

O Xerife, tímido moralista da história, retira-se vencido a ouvir a mulher a falar do Apocalipse e a "...sentir uma sensação mais amarga do que a própria morte”.
Fecho o livro desanimado, mas desperto! Fico a pensar…
Nem todas as obras que me fazem pensar se podem classificar como excelentes e algumas até nem são de autores conhecidos do grande público. Depende do assunto ser ou não ser importante para a minha sensibilidade que considero muito heterogénea e abrangente nos diversos géneros literários.
Há quem considere Cornac McArthur muito próximo da maestria e do talento de Philip Roth que tem uma Obra notável a todos os títulos e que já registei neste Blogue com a leitura de “A Conspiração Contra a América”. Se alguma coisa os liga é a idade, pois ambos nasceram em 1933, mas a diferença entre os dois escritores é muito grande, a não ser que…
Tenho estado para aqui às voltas com a conclusão deste meu apontamento, no fundo não queria que ficasse uma imagem totalmente negativa que o autor da Estrada (outro bom livro do Escritor) não merece de todo. No fundo, acho que o autor nos provoca intencionalmente, obrigando-nos a parar e olhar sem falsos moralismos, de forma crítica, para o mundo e a sociedade de que fazemos parte e da qual somos de uma ou outra forma os cúmplices do sistema.
“Este País Não É Para Velhos” é um Livro provocador! Ponto Final.
CV -Junho de 2011
Martins Raposo

domingo, 19 de junho de 2011

PATRIMÓNIO

                        A LAPA DOS GAVIÕES


Estas Pinturas Rupestres situam-se muito perto da Freguesia da Esperança, Concelho de Arronches, inseridas no belíssimo Parque Natural da Serra de S. Mamede. Calcula-se que tenham cerca de 5000 anos, pertencendo ao período do Neolítico e do Calcolito.


As pinturas descobertas em 1916, pelo célebre Abade Breuil, representam figuras humanas, de animais, astrais e geométricas efectuadas pelos povos que habitaram esta região e que registaram na pedra um pouco da sua história, da sua maneira de sentir e de viver.

Foram localizados no Parque seis “Lapas” identificadas como pertencendo ao mesmo período, mas apenas estas são visitáveis, atravez de um amplo e bem construído passadiço em madeira, que protege o “Abrigo” e nos possibilita uma grande proximidade com as figuras representadas. Trata-se de um excelente trabalho que merece uma visita atenta e respeitosa.

Arroches, Maio 2011
Martins Raposo
                                    O PRÉMIO CAMÕES
O prémio deste ano foi atribuído a Manuel António Pina que ao ter conhecimento da escolha do júri, não escondeu a sua surpresa que o levaram a dizer – “Quando soube do prémio Camões, perguntei-me: Terei feito batota, terei enganado aquela gente toda?”
O Escritor impôs-se no campo da poesia, abordando temas de grande sensibilidade criativa que desafia constantemente a inteligência dos leitores. O seu primeiro Livro, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”, foi escrito em 1973 e nunca mais parou de escrever os seus livros com temas juvenis, de poesia e teatro, com incursões na área da crítica literária.
Manuel António Pina tem ganho muitos prémios, em todas as diferentes áreas da sua escrita. O Prémio Camões inclui o seu nome ao lado de escritores como Miguel Torga, Virgílio Ferreira, Jorge Amado, Sophia de Melo Breyner, José Saramago. No ano passado foi premiado o Poeta Brasileiro, Ferreira Gular, também ele, um desconhecido do grande público, creio que esta diversidade enriquece o papel deste prémio que tem revelado grandes escritores do mundo lusófono.

O escritor nasceu no Sabugal, no dia 18 de Novembro de 1943, licenciou-se em advocacia na Universidade de Coimbra, mas ainda muito jovem abraçou a carreira de Jornalista e de Escritor.
Confesso que apenas conheço algumas dos poemas e a ensaios de crítica deste escritor, mas o que tenho lido nos últimos dias, tem despertado a minha curiosidade.
Este apontamento está ligado à orientação seguida por este blogue que procura registar acontecimentos considerados de relevo nas artes em geral. O Prémio Camões, pela sua importância no mundo literário, justifica plenamente a sua divulgação.

Aos Filhos

Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.
Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!

Agora como morreremos?
Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.
Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!
Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"

Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar

te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
CV-16.06.11
Martins Raposo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ESTRELAS DO MEU PAÍS

                                       JORGE PALMA

O Jorge Palma é um dos Artistas por quem tenho sincera admiração e que gostava de ter falado da sua obra, no dia do seu aniversário que foi no passado dia 04 de Junho, aliás como vem sendo hábito com as pesquisas que vou fazendo a partir do meu recanto “bloguista” e que vou partilhando com alguns dos poucos mas bons amigos que ainda possuo.
Trata-se de um trabalho sem pretensiosismo e que reconheço com algumas falhas imperdoáveis por insuficiências diversas. Por vezes, omitindo involuntariamente, alguns dos bons nomes do universo musical.
As minhas pobres crónicas pretendem relembrar o nome de artistas, poetas, escritores e até mesmo da ciência, alguns há muito afastados das luzes da ribalta, outros empurrados para os armários do esquecimento, por razões diversas. Na maior parte das vezes, pela sua rebeldia, pelas suas convicções e até mesmo pela militância por causas justas e humanas. Os poderes constituídos ordenam que se retirem da circulação da média, as suas vozes certas mas discordantes e tempos houve em que os metiam nas masmorras para sempre.
O caso particular do Jorge é muito original e interessante de seguir, por que fez da maior parte da sua vida, numa fuga constante a todos os tentáculos dos poderosos. Fechando os ouvidos a falsas sereias que a tantos têm des-encantado, ele correu mundo, furtou-se a servir no Exército no tempo da ditadura, e de guitarra às costas, comeu o pão que o diabo amassou e saltou por cima, sacudindo a poeira nevoenta e sufocante que se vivia nesses tempos pardacentos.
Praticou o rock’in roll na sua juventude, mas foi evoluindo para o pop-rock e mais tarde para um estilo muito pessoal a que não foi alheio, numa primeira fase, aproveitou com inteligência a amizade e colaboração com o Poeta Maior, José Carlos Ary dos Santos, com o qual editou o seu primeiro EP, “A Última Canção”.
O 25 de Abril traz-nos um Jorge Palma, com uma bagagem de conhecimentos musicais muito importantes e colabora de perto com Pedro Barroso, José Barata Moura, e José Jorge Letria.
Em breve se enfastia do lugar e da atmosfera da Capital, que começa já a reflectir os tempos de cinzentismo que se avizinhavam. Estamos em 1977, o andarilho vai de novo correr o mundo e só regressa na década seguinte.
Na sua bagagem traz-nos as canções de grandes músicos, como Bob Dylan, Leonard Cohen, Neyl Young e dos Simon & Garfunkel. É a partir destas influências que edita o álbum “Qualquer Coisa pá Música”.
Trabalha incansavelmente, compondo, escrevendo letras, fazendo arranjos e editando alguns dos seus melhores êxitos, como Portugal, Portugal, Deixa-me Rir, Frágil, Dá-me Lume e Bairro do Amor, são destes tempos, os seus melhores êxitos.
Actua ao lado de grandes músicos; Zé Nabo, Guilherme Inês, Zé da Pinte, Rui Velosos, Júlio Pereira e muitos outros que valorizam o seu trabalho e lhe dão um suporte de grandes audiências nos seus espectáculos, criando uma empatia muito interessante com a juventude.
Na década de 90 a sua popularidade não só se solidifica como aumenta de forma espectacular. O seu estilo confirma-se numa certa versatilidade que sempre dominou parte da sua obra, explorando os ritmos e os estilos da música country, do rock’n’roll dos blue. Geralmente acompanha-se ao piano e à guitarra eléctrica, emprestando com a sua voz grave, uma interpretação expressiva, abordando temas da sua experiência pessoal, com letras muito cuidadas e de fácil memorização. Ficam bem no ouvido, dão uma sensação de paz social e familiar.
Jorge Palma é um lutador de esperanças que tem conseguido sobreviver, apesar do “circo de feras” de que é formado o ambiente cultural no nosso país.
Força Amigo e segue em frente e quando puderes vai de novo dar uma volta, Tu sabes também como eu, quanto é necessário, após algum tempo, sair deste pequeno quintal, para renovar as forças e o espírito, e… voltar sempre.
CV-07.06.11
NOTAS: Informação obtida na "Enciclopédia da Música em Portugal no Sec.XX e na Internet.
http://www.youtube.com/watch?v=Tu9HPz__3ys