FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALFREDO MARCENEIRO


O Mestre Carlos de Oliveira (músico), costumava ensinar que a música se impõe e perdura nos tempos, pela sua qualidade, independente dos diferentes estilos de cada época. O Fado nunca foi o estilo de minhas preferências, mas guardo com carinho na minha colecção, alguns dos seus melhores intérpretes que ouço com grande prazer.
É o caso de Alfredo Marceneiro que nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1891. Alfredo Rodrigo Duarte, recebeu de seus Pais o gosto pelo canto e começou muito jovem a cantar em festas populares, distinguindo-se pela sua forma original como interpretava as suas canções.

Em 1924 ganhou uma Medalha de Ouro, num concurso de fados organizado pelo Poeta António Boto. Foi consagrado o Rei do Fado em 1948 no Café Luso.
Despediu-se da vida de artista no ano de 1963 com uma grande Festa no Teatro São Luiz, mas a verdade é que continuou a cantar ainda durante 20 anos.
Alfredo era um fadista castiço – afirmou Amália – porque era verdadeiro...
A Casa da Mariquinhas, Amor de Mãe, Despedida, Fado Bailado, O Marceneiro, o Remorso e a Tricana foram alguns dos muitos êxitos que obteve com a sua longa carreira de Fadista.
Alfredo Duarte, vinha de gente muito humilde e passou grande parte da sua vida a trabalhar na sua profissão de marceneiro que acabou por juntar ao seu nome porque ficou conhecido. Ainda tentou criar um estabelecimento próprio a que deu o nome de “Solar do Marceneiro” que não teve qualquer êxito. Ele próprio dizia que não gostava de cantar por obrigação.
Da sua personalidade e rectidão com que encarava a própria vida ficou-nos o exemplo de solidariedade para com os seus companheiros de trabalho nos estaleiros do Alfeite, que lutavam pelas 8 horas de trabalho (na altura os Operários trabalhavam 12 horas) entraram em Greve Geral a que ele aderiu também. Foi preso e maltratado, pelo que se demitiu do emprego e a partir daí dedicou-se inteiramente ao fado.

Faleceu em Lisboa a 26 de Junho de 1982. Dois anos depois o Presidente da República, General Ramalho Eanes, condecorou este grande artista, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi pena ele já não estar físicamente entre nós.
Ao Alfredo vaidoso e namoradeiro! Ao “Alfredo Lulu”, alcunha carinhosa que os amigos lhe atribuíram! Acima de tudo ao Alfredo Marceneiro, verdadeiro ícone do Fado, a minha singela homenagem.

CV- 25 de Fevereiro de 2011

Martins Raposo

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