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quinta-feira, 17 de março de 2011

JOLY BRAGA SANTOS

UM GRANDE COMPOSITOR

Compositor, Director de Orquestras, Crítico e Professor de Música, José Manuel Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa no dia 14 de Março de 1924.Músico de génio precoce que o Maestro e Compositor Luís de Freitas Branco, elogia e incentiva a continuar os estudos musicais. É precisamente este seu Professor que influencia grande parte da sua obra, notando-se com grande evidência em “Nocturnos em Mi” e no “Soneto de Camões”, duas sinfonias de grande qualidade.

Joly Braga Santos, acompanhado dos seus Amigos, Maria Helena de Freitas e Luís de Freitas Branco.
O contacto com outros compositores e Maestros teve especial importância na mudança da temática musical moderna que aponta para o universalismo que os seus trabalhos vão ter neste segundo ciclo da sua obra. Destacam-se entre outros o Maestro Herman Scherch que foi seu professor em Veneza, no Curso Internacional de Regência que Joly Braga Santos frequentou.

Quando regressa empenha-se com todo o seu saber adquirido na formação da "Juventude Musical Portuguesa", uma autêntica escola de formação de muitos jovens músicos. A sua "4ª. Sinfonia" é precisamente a obra que o Maestro dedica à juventude portuguesa.
Em atenção ao seu trabalho e ao reconhecimento que o país lhe dedica, é nomeado Director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional que graças ao esforço do seu Maestro e dos seus bons intérpretes, granjeou na década de 50 um enorme prestígio.
Das influências já mencionadas registem-se ainda os nomes de Pendereck, William Walton, Vaughan Williams, Compositores modernistas que contribuíram para a renovação do estilo musical de Joly Braga Santos, notando-se o emprego da dissonância e do cromatismo musical, numa dimensão não apenas colorística mas também estrutural. São desta época as obras "Concerto para Viola"," Esboços Sinfónicos", "Sinfonieta" e a" Sinfonia nº. 5", escrita em 1966. Esta última obra tem influências da música tradicional Moçambicana (Zavala), tendo obtido enorme êxito e com a qual foi galardoado com o Prémio de Composição-UNESCO.

O Compositor acaba numa última fase por utilizar alguns temas da música popular das regiões do Alentejo, Beira e Trás-os-Montes, para compor “Três Esboços Sinfónicos”, tentando com a sua música alargar-se a um público mais vasto e diversificado. A arte de comunicar foi uma das suas grandes preocupações, tendo em parte conseguido obter algum sucesso com as suas últimas composições, nas quais utilizou temas sobre os clássicos da nossa Literatura, como foi o caso da "Ópera Mérope" (texto de Almeida Garrett), da "Trilogia das Barcas" (baseada em Gil Vicente).
Registem-se ainda as composições dedicadas a outros músicos e compositores, como a "Elegia a Viana da Mota"," Requiem à memória de Pedro Freitas Branco" e a ópera "Viver ou Morrer" (texto de João de Freitas Branco).
Joly Braga Santos foi de facto, um dos mais talentosos compositores da sua geração, tendo recebido das mãos do Presidente da República Ramalho Eanes, em 1981, a Ordem de Santiago e Espada – Por Mérito Artístico.
Faleceu em Lisboa, no ano de1988, com 64 anos de idade, deixando-nos uma Obra de grande mérito, que infelizmente não tem sido utilizada na actualidade pelos Maestros de Bandas de Música e Grupos Musicais com algum prestígio, que não sendo muitas ainda temos algumas, felizmente. Em vez disso somos muitas vezes enganados com Concertos  com programas musicais intragáveis misturando o clássico com composições “travestidas” com arranjos popularuchos, sem valor e sem sentido.
Nunca será demais, relevar os verdadeiros e autênticos valores da nossa música, Joly Braga Santos é um dos melhores.
CV-14 de Março de 2011
Martins Raposo
NOTAS: Texto apoiado na Obra de Salwa Castelo-Branco; Wiquipédia e Internet (Fotos).

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