FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 4 de março de 2011

UMA VOZ DO POVO

                                   ISABEL SILVESTRE


Primeiro foi a Voz de Manhouce que se ouvia no Rancho Regional de Manhouce e desde logo conquistou a simpatia de todos nós que numa determinada altura os meios de comunicação ainda davam alguma importância a este tipo de intervenção artística.
Foi o início de uma carreira que já leva mais de cinquenta anos e que se norteou por um aturado trabalho de pesquisa das músicas e canções tradicionais portuguesas com mais incidência no rico património da sua região.

 Desde 1979 que Isabel Silvestre é solista do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce, mantendo inalterável a sua postura na defesa do folclore e da música etnográfica obedecendo integralmente aos requisitos necessários para dar autenticidade natural e simples desta verdadeira arte popular.
O seu primeiro Álbum, “A Portuguesa” revela em toda a sua grandeza o seu estilo pessoal, com uma escolha criteriosa que dá a importância e o valor da recolha que efectuou ao longo de anos, nos quais se conta também a colaboração que teve de outros músicos e compositores, como foi o caso de João Gil que tem sido o produtor dos seus discos, com a participação do guitarrista Mário Delgado.
O segundo Álbum, “Eu” segue o mesmo estilo no qual são reproduzidos os temas tradicionais cantados no lugar onde viveu toda sua vida e que desde a infância influenciaram o seu modo de interpretar. No entanto, neste disco nota-se já um trabalho com cunho próprio, moldando ligeiramente “com uma nova roupa” a que não foram alheios a colaboração musical de Mário Delgado e João Nuno Represas. Note-se que este Álbum teve a participação de Rão Kyao na faixa “Senhora da Saúde”.
A partir da participação no Álbum dos GNR no “Rock In Rio Douro” em “Pronúncia do Norte”, que teve enorme sucesso, o seu nome alcançou enorme prestígio a nível nacional. Teve igual importância a sua participação na homenagem efectuada a António Variações ao lado de nomes como Sérgio Godinho, Delfins e Madredeus.
Registe-se ainda, a sua colaboração no Disco, “Uma Escola Para Timor”. Este trabalho foi efectuado em conjunto com Pedro Barroso e Vitorino, no sentido de ajudar o povo timorense a reconstruir o sistema educativo,
Um dos seus últimos trabalhos em colaboração com a Banda Futrica, ouvimo-la, numa bonita versão do “Menino do Bairro Negro”, incluída no Álbum “Com Zeca no Coração”
Foi agraciada com a Ordem do Infante, no dia 10 de Junho de 2005.
Simplicidade, Naturalidade e Autenticidade, têm sido as palavras que os críticos têm definido o importante trabalho desta extraordinária intérprete da música etnográfica portuguesa, mas que infelizmente é mais um caso em que os meios de comunicação e os responsáveis pela Cultura deste País, não têm dado o valor e importância que merecem.
Isabel Silvestre, nasceu em Manhouce, S. Pedro do Sul, no dia 04 de Março de 1941.
Parabéns Isabel! Deves continuar o teu trabalho, um dia quem sabe…
CV – 04.03.2011


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