FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















domingo, 19 de junho de 2011

                                    O PRÉMIO CAMÕES
O prémio deste ano foi atribuído a Manuel António Pina que ao ter conhecimento da escolha do júri, não escondeu a sua surpresa que o levaram a dizer – “Quando soube do prémio Camões, perguntei-me: Terei feito batota, terei enganado aquela gente toda?”
O Escritor impôs-se no campo da poesia, abordando temas de grande sensibilidade criativa que desafia constantemente a inteligência dos leitores. O seu primeiro Livro, “O País das Pessoas de Pernas para o Ar”, foi escrito em 1973 e nunca mais parou de escrever os seus livros com temas juvenis, de poesia e teatro, com incursões na área da crítica literária.
Manuel António Pina tem ganho muitos prémios, em todas as diferentes áreas da sua escrita. O Prémio Camões inclui o seu nome ao lado de escritores como Miguel Torga, Virgílio Ferreira, Jorge Amado, Sophia de Melo Breyner, José Saramago. No ano passado foi premiado o Poeta Brasileiro, Ferreira Gular, também ele, um desconhecido do grande público, creio que esta diversidade enriquece o papel deste prémio que tem revelado grandes escritores do mundo lusófono.

O escritor nasceu no Sabugal, no dia 18 de Novembro de 1943, licenciou-se em advocacia na Universidade de Coimbra, mas ainda muito jovem abraçou a carreira de Jornalista e de Escritor.
Confesso que apenas conheço algumas dos poemas e a ensaios de crítica deste escritor, mas o que tenho lido nos últimos dias, tem despertado a minha curiosidade.
Este apontamento está ligado à orientação seguida por este blogue que procura registar acontecimentos considerados de relevo nas artes em geral. O Prémio Camões, pela sua importância no mundo literário, justifica plenamente a sua divulgação.

Aos Filhos

Já nada nos pertence,
nem a nossa miséria.
O que vos deixaremos
a vós o roubaremos.
Toda a vida estivemos
sentados sobre a morte,
sobre a nossa própria morte!

Agora como morreremos?
Estes são tempos de
que não ficará memória,
alguma glória teríamos
fôssemos ao menos infames.
Comprámos e não pagámos,
faltámos a encontros:
nem sequer quando errámos
fizemos grande coisa!
Manuel António Pina, in "Um Sítio onde Pousar a Cabeça"

Amor como em Casa

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar

te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
CV-16.06.11
Martins Raposo

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