É um livro fantástico, com um enredo muito bem estruturado com a sua principal personagem a encarnar a figura do célebre detective particular Philipe Marlowe que faria parte de outros romances, com o seu porte romântico, temperado com algum cinismo e desapego pela vida, mas obedecendo a uma ética particular, no qual a justiça praticada individualmente se regia pela honestidade imparcial.
Raymond Chandler nasceu em Chicago no ano de 1888 e durante grande parte da sua vida sofreu sérias adversidades que o levaram a procurar no álcool o refúgio dos seu dramas profissionais e familiares.
O seu primeiro livro lançou-o definitivamente como escritor de referência, servindo de modelo a muitos outros escritores deste género. O escritor teve a sorte de ver parte da sua obra adaptada ao cinema como foi o caso de “À Beira do Abismo”, realizado em 1946 por Howard Hanks e com Humphrey Bogart e Lauren Bacall como principais protagonistas.

O Filme já o vi várias vezes porque adoro ver a representação fantástica de Humphrey Bogart que considero um dos melhores actores de sempre, mas que hoje não vou dedicar mais tempo, até porque que é a sua parceira e Lauren Bacall que faz hoje anos e que por isso, merece mais umas palavras de atenção.
Lauren Bacall não teve a grandeza mítica de Ava Gardner, Liz Taylor, ou mesmo de Ingrid Bergman, mas foi no seu tempo uma artista muito procurada pelo seu talento e pela sua beleza sensual a que a voz rouca dava um toque muito especial. Entrou em numerosos filmes e obteve prémios valiosos pelas suas brilhantes actuações em se destacam para além deste filme, Prisioneiro do Passado, O Espelho tem Duas Faces Paixões em Fúria e Uma Aventura na Martinica. Alguns destes Filmes teve a seu lado Humphrey Bogart a paixão maior da sua vida.
Lauren faz hoje 87 anos, pois nasceu a 16 de Setembro de 1924, na cidade de Nova Iorque e de vez em quando ainda aparece no Teatro onde desempenhou também grandes personagens. Parabéns Lauren!
Voltando ao Livro “ Beira do Abismo”, devo confessar que tal como no filme prendeu totalmente a minha atenção e li-o de fio a pavio e fico agradecido a Raymond Chandler por momentos de leitura inesquecíveis. Atrevo-me a confessar que ao ler esta magnífica obra se acentua ainda mais a minha descrença por alguns jovens escritores que no afã de produziram mecanicamente enormes calhamaços apoiados por incríveis campanhas de publicidade, deveria antes procurar entender porque escritores como Chandler continuam a refrescar-nos saudavelmente com boa literatura.
Este escritor que influenciou muitos outros escritores famosos, defendeu e honrou com grande dignidade o género policial que hoje tem imensos seguidores.
CV-16.09.2011
Martins Raposo



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