FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ESTRELAS DE SEMPRE

                                        CARLOS PAREDES
                                     UM GÉNIO ADMIRÁVEL
                                 
                                          
                                           "Quando eu morrer, morre a guitarra também.
                                             O meu pai dizia que, quando morresse,
                                             queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
                                             Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”
Carlos Paredes nasceu em Coimbra, no dia 16 de Fevereiro de 1925. Filho do Mestre e compositor Artur Paredes, o jovem recebeu na sua juventude fortes influências do estilo coimbrão no qual a família Paredes se tinha destacado.
Quando a família se mudou para Lisboa, Carlos Paredes ainda não tinha definido a carreira a seguir, dividido entre os conselhos da mãe e os sons da guitarra do Pai.
Aos 24 anos entra para o funcionalismo público, retardando por isso a sua ascensão que não foi rápida nem fulgurante no seu início.
Só a partir de 1957 é que edita como acompanhador os seus primeiros trabalhos. Entretanto, sendo conhecida a sua oposição ao salazarismo, a PIDE levou-o para a prisão e o regime moveu-lhe um processo disciplinar expulsando-o da função pública.
                                     
Há males que vêm por bem (com todo o respeito pela forma digna como sempre se comportou), é a partir desta data que Carlos Paredes se dedica mais afincadamente à execução e composição de algumas das suas melhores obras.
Em 1962 grava o seu primeiro EP a solo, com a colaboração de Fernando Alvim e logo a seguir escreve as Bandas musicais dos Filmes “Verdes Anos” e “Mudar de Vida” de Paulo Rocha. Seguiram-se muitos outros trabalhos, entre eles para uma Peça Teatral de José Cardoso Pires, “O Render dos Heróis” e para a peça “António Marinheiro”de Bernardo Santareno.
                                        
A edição do LP “Guitarra Portuguesa” com a colaboração de Alain Houlman e do “Movimento Perpétuo” reafirma o seu génio como compositor e intérprete da guitarra portuguesa. Entretanto colabora musicalmente em peças do Grupo de Teatro de Campolide e participa na edição de um disco de Poemas de José Carlos Ary dos Santos.
Com o 25 de Abril, vemos Carlos Paredes empenhado fervorosamente na participação de numerosos espectáculos populares, animando musicalmente algumas sessões públicas do PCP, partido a que sempre pertenceu.
Foi também a partir dos anos 70 e 80, que a sua obra começou a ser conhecida internacionalmente, tendo sido convidado a tocar com outros grandes intérpretes a nível mundial e actuar em espectáculos de grande sucesso no país e no estrangeiro.
A fama e o génio do artista consolida-se e em 1992, “O Homem Dos Mil Dedos” foi homenageado numa série de grandes espectáculos musicais a que se associaram muitos dos nossos melhores artistas. Ainda neste ano foi-lhe atribuída pelo então Presidente da República, Mário Soares, a Comenda da Ordem de Santiago e Espada.

                                          
Nos últimos anos da sua brilhante carreira, teve a seu lado como acompanhante da guitarra, a jovem Luísa Amaro que é hoje já uma artista consagrada, tem dedicado a sua vida à execução e divulgação da obra de Carlos Paredes.
O Professor e Mestre da guitarra, António Eustáquio adoptou nos últimos anos o Guitolão como instrumento de sua predilecção nas obras que executa com reconhecido mérito pessoal, tendo participado em espectáculos de grande qualidade e enorme sucesso popular.
                                    
O Guitolão foi construído por Gilberto Grácio a pedido de Carlos Paredes que pretendia composições com sonoridades particulares que a Guitarra Clássica não conseguia atingir. Infelizmente a saúde do grande músico e compositor foi-se deteriorando a partir do ano de 2003, vindo a falecer em 23 de Julho de 2004.
Carlos Paredes ficará para sempre conhecido como um dos mais carismáticos guitarristas portugueses, com um estilo pessoal inconfundível e de grande beleza estética em que predominam as “variações livres” com um lirismo que por vezes atingem um dramatismo muito singular. Ele é de facto, “um símbolo ímpar da cultura portuguesa”.
CV-16.02.2012
Martins Raposo

DADOS RECOLHIDOS: Enciclopédia da Música Em Portugal no Século XX, de Salwa Castelo-Branco, Wiquipédia e Youtube.

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