FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 31 de julho de 2012

                                                   RUI VELOSO
                                UM GRANDE MÚSICO
Rui Veloso nasceu em Lisboa no dia 30 de Julho de 1957, mas logo aos três meses a sua família mudou-se para o Porto que o músico adoptou como sendo a sua terra. Sempre apoiado pela sua família, começou muito jovem a tocar, primeiro harmónica e logo a seguir a guitarra eléctrica, tendo constituído com outros jovens o grupo, “Magara Blues Band”. Nesta altura as suas maiores influências musicais provinham do famoso B.B. King com o qual se identificavam as suas composições de blues.
Outro famoso que Rui seguiu muito de perto, foi o célebre guitarrista Eric Clapton, tendo dado origem a que Rui Veloso fizesse algumas das composições com o ritmo frenético do rock´n´roll, no entanto a sua abordagem neste estilo, teve o apoio de Carlos Tê que como letrista de grande valor, contribuiu para que pela primeira vez se cantasse com grande êxito o rock em português.
                                      
Chico Fininho, Sei de Uma Camponesa e Rapariguinha do Shopping, foram duas das canções, do Álbum “Ar de Rock”, que alcançaram enorme sucesso no nosso país. Estava lançada a sua carreira, mas Rui Veloso não ficou amarrado apenas a um estilo, muito embora o “ritmo do blues”, tenha acompanhado até hoje as suas composições musicais.
Nos anos 80, editou o Álbum “Guardador de Rebanhos” com a colaboração do grande compositor, António Pinho Vargas, tendo ainda lançado o Álbum “Fora de Moda”. Nestes Álbuns nota-se um aumento significativo na qualidade das suas interpretações.
A amizade com Carlos Tê, tem-se mantido em todos estes anos, até à actualidade e esta dupla de músico e letrista têm dado os melhores frutos para a carreira de ambos. Porto Covo e Porto Sentido marcam definitivamente o seu estilo pessoal, dentro dos blues, mas mais lento e com música e letra muito acessível mas sempre com grande qualidade.
                                     
Os anos 80 são os tempos dos grandes concertos e das digressões por todo o país que confirmam o seu talento e lhe dão os melhores prémios e sucessos da sua carreira.
No início da década seguinte com a edição do duplo álbum “Mingos& Samurais” Rui Veloso vou o seu trabalho premiado com o Disco de Platina, tendo as vendas ultrapassado as 100.000 unidades.
B.B. King veio a Portugal dar um concerto no Coliseu do Porto e outro no Casino do Estoril em Lisboa, convidando o Rui a acompanhá-lo nesses concertos. Mais tarde em 1996 o famoso guitarrista de blues veio ao Coliseu dos Recreios em Lisboa, repetindo-se a colaboração com o nosso músico. Tive a felicidade de assistir a este memorável espectáculo com a ajuda de um amigo, o Carlos Marques, que conseguiu ultrapassar as dificuldades em arranjar bilhetes. Foi fantástico!
Rui Veloso participou na primeira parte do concerto que Paul Simon deu no estádio José de Alvalade, na presença de mais de 50.000 espectadores.
Em 1991, lançou o álbum “Auto da Pimenta” e em 1995 o “Lado Lunar” que alcançaram um enorme êxito a juntar a tantos outros que tem alcançado ao longo da sua carreira. Também estes trabalhos tiveram a participação de Carlos Tê que tem sido um amigo e colaborador inestimável.
Rui Veloso esteve envolvido em projectos musicais com outros músicos. Entre muitos outros o destaque para a sua participação no grupo “Rio Grande”, nos quais estiveram presentes, Vitorino, Jorge Palma, o Tim e o João Gil.
São numerosos os prémios alcançados com o seu trabalho. Para além do já mencionado Disco de Platina, registe-se ainda, uma Medalha de Mérito da Cidade do Porto e o Globo de Ouro com que foi premiado em 1999.
Estes são sucintamente alguns dados sobre a vida artística de Rui Veloso, compositor e intérprete de grande mérito. Ele foi um dos protagonistas da música rock e dos blues em português, o que na verdade não tem sido possível de prosseguir e tão pouco de igualar com o talento e capacidade artística de Rui Veloso.
Muito ainda temos a esperar de Rui Veloso mas é justo salientar desde já o valor insuperável da sua obra. Parabéns e felicidades!
CV-30.07.2012
Martins Raposo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

MARIA JOÃO PIRES

UMA DAS MELHORES PIANISTAS PORTUGUESAS
Maria João Pires nasceu em Lisboa, no dia 23 de Julho de 1944. Menina-prodígio com uma inclinação musical fora do vulgar, começou a tocar com cinco anos e deu o seu primeiro concerto aos sete com uma peça de Mozart. Este compositor seria aliás um dos seus preferidos durante a sua longa carreira que entretanto foi aumentando os seus conhecimentos musicais, nos melhores Conservatórios da Europa. Em Portugal estudou com os Professores Campos Coelho e Francine Benoit
Em 1970, ganhou o 1º. Prémio do Concurso do Bicentenário de Beethoven, realizado em Bruxelas, o que lhe valeu o reconhecimento internacional como pianista de grande mérito.
Seguiram-se os espectáculos por todo o mundo, actuando a solo, ou acompanhando grandes orquestras sob a batuta de famosos maestros e compositores. O seu repertório criteriosamente escolhido em obras de Mozart, Beethoven, Schuman, Schubert e Chopin, aumentou o enorme prestígio junto de um vasto mas exigente público que continua a preferir os grandes clássicos.
Maria João Pires foi uma das intérpretes seleccionadas para integrar a colecção discográfica, “Great Pianists Of The 20th Century” editada no ano 2000 pela Philips.
Com uma carreira fulgurante recheada de enormes êxitos, a pianista que entretanto tinha alcançado o mais cume da fama, viu-se rodeada de muitos amigos que professavam a mesma paixão pela música. Uns como intérpretes, outros como professores, incentivaram a nossa pianista na criação pessoal de um enorme projecto de ensino da música e do bailado, a que deu o nome de Centro Para o Estudo das Artes em Belgais – Castelo Branco”.
Chegados aqui, permitam-me o desabafo – Os responsáveis políticos e governamentais do nosso país, não têm uma relação saudável com as artes e os seus criadores. São inúmeros os exemplos de incompreensão e por vezes até de perseguição a que escritores e artistas de grande mérito têm sido confrontados. A perversa tacanhez, ignorância, inveja, e a maldade de certos responsáveis pela cultura, têm dado azo a que a maior parte dos nossos geniais intérpretes, compositores e escritores, tenham que emigrar para sobreviver.
Com Maria João Pires foi o que aconteceu, perante um projecto que em qualquer parte do mundo seria apoiado e acarinhado (até da Venezuela nos vem o exemplo do extraordinário trabalho nesta área), aqui o que a pianista recebeu foi uma constante obstrução por parte de pessoas altamente responsáveis que tudo fizeram para destruir o Centro de Artes de Belgais. Não há talento por mais força e arte que tenha que consiga sair vitorioso contra a ignorância, e a estupidez arrogante dos poderosos.
Maria João Pires que para além de ser uma genial pianista, tem valiosos conhecimentos musicais e estava acompanhada por amigos com prestígio que estavam empenhados em ajudar no bom funcionamento do Centro. O país só tinha a ganhar. Com o fim deste projecto o país ficou mais pobre.
A sua desistência do projecto deve ter sido muito traumática para a artista. Por isso não me surpreende que a sua mágoa a tenha levado para outras terras. Quem sabe, talvez nesses lugares consiga alcançar o objectivo que sonhou realizar em Portugal.

Não é difícil gostarmos de Maria João Pires, como intérprete e como pessoa. Lutadora pelos seus ideais, vertical e humanista, merecia ter vencido, aqui onde nasceu.
Neste dia do seu 68º. Aniversário aqui fica a minha modesta mas sentida homenagem e a solidariedade de um seu admirador, eternamente grato pelo que conseguiu fazer, na divulgação e no ensino musical.
Parabéns e obrigado Maria João Pires!
Martins Raposo
CV-23,07.2012
http://youtu.be/srfbdxAYIZ4

sábado, 21 de julho de 2012

ERNEST HEMINGWAY
UM DOS MELHORES ESCRITORES AMERICANOS 

Hemingway, é um dos grandes escritores americanos por quem nutro uma profunda admiração e respeito pela sua obra de incomensurável valor. Já em tempos escrevi sobre o seu livro “O Velho e o Mar” que na altura associei a uma grande figura de quem fui amigo e que morreu em circunstâncias trágicas na Foz do Rio Kwanza, em Angola. Mas hoje não se trata de falar do António Luís, foi um dos melhores pescadores de espadarte em toda a África Austral. Morreu tentando salvar o Pai, na rebentação do Rio.


O “Papa Hemingway” viveu furiosamente, ardendo de paixões desenfreadas por belíssimas mulheres. As suas aventuras ficaram inscritas nos seus livros que são ao mesmo tempo um documento fantástico sobre uma época e sobre os acontecimentos mais marcantes do Sec. XX, como foi a Guerra Civil Espanhola que registou no livro “Por quem os Sinos Dobram” e da IIª. Grande Guerra, com o livro, “O Adeus às Armas”. Em Espanha apaixonou-se pela tauromaquia e conviveu de perto com os mais famosos toureiros. Desta sua experiência resultou o livro “O Sol também se Levanta”. Gostava de pescar e de caçar, o seu livro “As Verdes Colinas de África”, reproduzem cenas de caça inigualáveis.

                                                                               


Ernest Hemingway foi um escritor que abraçou causas nobres tendo sofrido alguns reveses e perdido algumas amizades, pelas suas opções corajosas.


Hemingway, nasceu em Oak Park, no dia 21 de Julho de 1899 e suicidou-se no ano de 1961, no dia 02 de Julho. Tal como a maioria dos seus personagens o seu fim foi uma tragédia pessoal e uma grande perda para a literatura.
Aqui fica o registo e o apreço pelo escritor e pelo homem que se identificou no seu tempo com povos cujos dramas conheci de perto, embora em contextos diferentes.
Martins Raposo
CV-21.07.2012