FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 23 de outubro de 2012

                                           HERMÍNIA SILVA
                     O GÉNIO E O TALENTO EM ESTADO PURO!
Hermínia Silva, nasceu a 23 de Outubro de 1913, na cidade de Lisboa. Começou muito jovem a cantar nos velhos retiros do fado e logo se fez notar com a sua voz alegre e bem timbrada. Em poucos anos confirmou o seu talento de artista e cantadeira, tendo sido uma das primeiras vozes fadistas a entrar nos palcos da Revista, aumentando a sua popularidade junto de um vasto público que adorava o seu estilo.

  Não tardou que o cinema se interessasse pela jovem azougada e divertida que mostrava uma outra forma de interpretar o fado, com temas variados que podiam ser de raiz popular, satíricos e mordazes ou então românticos, amorosos e cheios de saudade.
No Teatro de Revista e no Cinema o seu nome brilhou com o fulgor de uma verdadeira artista de corpo inteiro, alcançando momentos de grande sucesso. Os espectáculos onde entrava eram êxitos garantidos, pelo saber encantar com profissionalismo e a escolha de um repertório diversificado.
Hermínia foi das primeiras fadistas a procurar a colaboração de maestros consagrados  para compor a suas canções, mesmo quando estes trabalhavam em áreas e estilos diferentes. Foi o caso de Raul Ferrão e de Jaime Mendes.
Apesar de ter alcançado por mérito o estatuto de uma verdadeira vedeta do espectáculo, Hermínia voltava sempre ao seu "Retiro", o Solar da Hermínia, que a  artista tinha criado e no qual cantou até quase ao fim dos seus dias.
Não é demais de referir o facto da Artista ter o talento de adaptar a sua voz ao tom e ao ritmo de cada canção que se poderia apresentar alegre e folgazão no "Fado Mal Falado", Vamos Dar de Beber à Alegria",  "A Desfolhada" e a "Tendinha", como expressar sentimento e emoção em, "Lugar Vazio",  "Maria Sozinha", Fado do Retiro" e "Rosa Enjeitada". Tudo lhe ficava bem, "benza a deus"!

O país soube (o que tem sido raro), reconhecer ainda em vida da Artista, o seu talento, distinguindo-a com valiosos prémios e condecorações, confirmando com toda a justiça o seu lugar entre as melhores fadistas de todos os tempos.
Hermínia era uma artista genuinamente popular, sem ares de vedeta que se impunha naturalmente pelo seu encanto e profissionalismo exemplar. Tinha um enorme respeito pelos músicos e compositores com quem trabalhava e pelos seus colegas, ajudando os mais novos com o seu saber e experiência.  Sabia ser acarinhada pelo povo que via nela uma Artista muito próxima dos seus problemas e dificuldades.
Soube viver a vida, cantando sempre até ao fim dos seus dias.
CV- 23.10.2012
Martins Raposo
http://youtu.be/h6_OH9gSxzM

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

                                                      RITA HAYWORTH
                                      UMA ESTRELA DE PRIMEIRA GRANDEZA!
                                      
Rita Hayworth faz parte de uma galeria de  estrelas que fui colocando no meu álbum de memórias, quase todas se evidenciaram pelo desempenho de personagens que de uma maneira ou de outra marcaram uma época e outras ainda ganharam o sublime estatuto da imortalidade. Rita ascendeu por mérito próprio a este mais alto grau  de reconhecimento.
Rita Hayworth que nasceu em Nova Iorque a 17 de Outubro de 1918, com o nome de Margarita Cansione, era filha de artistas ligadas às danças e ao bailado flamengo. Foi com o seu tio Angel Cansino que teve as primeiras aulas de bailado no Carnegie Hall e foi como bailarino que entrou nos seus primeiros filmes.
A actriz não teve uma vida fácil nos seus primeiros anos em Hollywood e só em 1941, quando foi convidada como segunda figura no Filme, "Uma Loira com Açúcar"  de Raul Walsh que se tornou definitivamente uma estrela de cinema, cobiçada pelos melhores realizadores daquela época.


Em "Sangue e Areia", Rita Hayworth conquista definitivamente o seu estatuto de "Símbolo Sexual", o Filme foi um grande sucesso de bilheteira.
A primeira vez que me encontrei com a Rita, foi  numa sala de cinema, onde a sua fulgurante figura enchia por completo a tela, com a sua beleza estonteante e avassaladora. Gilda assim  se chamava o Filme de Charles Vidor, um drama passional, mil vezes repetido que a actriz transformou num dos seus maiores êxitos.


O tema do filme é ultrapassado pela fantástica interpretação de Rita que contracena com o Glen Ford  que sendo um grande actor, submerge perante uma actriz que está no auge da sua beleza e se afirma com o seu talento fogoso e sensual que incendiava os corações milhares de fãs em todo o mundo.
A vida pessoal de Rita Hayworth foi pontuada por momentos de grande euforia, seguida de problemas sentimentais. Esteve casada cinco vezes e de todas as vezes se divorciou em litigio com os consortes. Um deles foi o príncipe Ally Khan que fez com que a actriz fosse a primeira princesa do cinema, outro não menos famoso, foi  Orson Welles, um grande actor e realizador. Rita na altura já era famosa com o seu nome associado aos grandes êxitos do cinema. O grande Mestre  obrigou -a a entrar no seu filme "A Dama de Shangai" que acabou por ser um desastre de bilheteira e ainda hoje nos fica a ideia de que terá sido este o filme que marca  o princípio do declínio da grande estrela.

Rita Hayworth costumava desabafar sobre os insucessos com os homens, dizendo - A maioria dos homens se apaixona por Gilda, mas acorda comigo". A sua carreira continuou com muito trabalho, entrando em bastantes filmes, mas os grandes êxitos não se repetiram. Terminou a sua carreira com o filme "A Ira Divina" ao lado de Robert Mitchum no ano de 1972.


A belíssima actriz faleceu em 14 de Maio de 1987, vítima da doença de Alzheimer, tardiamente diagnosticada e que lhe provocou muitos anos de sofrimento. Para a eternidade ficam os seus filmes e um muito especial, "GILDA", que será sempre um dos melhores filmes de sempre, graças a Rita Hayworth.
CV - 17.10.12
Martins Rapospo
http://youtu.be/4rWpND28Jos

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

LUCIANO PAVAROTTI UM GIGANTE
NO MUNDO DA ÓPERA


Luciano Pavarotti, nasceu em 12 de Outubro de 1935, na cidade de Modena em Itália. Inspirado pelo amor que seu Pai dedicava à música, o jovem Luciano começou a estudar o" bel canto",  com o maestro Arrigo Pola, estreando-se em 1955 no coral masculino de Modena, mas foi em 1961, no Teatro Municipalle de Reggio Emília que Luciano alcançou o seu maior sucesso até então, interpretando o papel de Rodolfo, da Ópera La Bohème, de Puccini.
Depois, durante largos anos,  o cantor não mais parou de acumular êxitos retumbantes, ao longo de uma carreira fantástica. Pavarotti foi considerado o melhor tenor das Óperas de Verdi e de Giacomo Puccini. Em 1985, na interpretação de Radamés, no Scala de Milão, alcançou  um extrondo  êxito que elevou o seu nome aos pícaros da fama, contribuindo um maior conhecimento do seu talento escolhido pelos grandes maestros para interpretar com os melhores nomes femininos do bel canto as suas Óperas.
A canção, "Nessun Dorma" da Ópera Turandot de Puccini foi durante largos anos classificada com a sua melhor interpretação de  sempre e foi distinguida como tema de abertura da Copa do Mundo em 1990.
De salientar a sua amizade com muitos dos seus colegas cantores, sobressaindo naturalmente  a que o ligou a Plácido Domingo e José Carreiras que constituíram o grupo "Os Três Tenores" que percorreram o mundo com espectáculos de grande qualidade artística.

Pavarotti foi sempre um artista que dedicou grande parte do seu trabalho, em prol de causas humanitárias, a favor dos pobres, dos desprotegidos e das crianças vítimas das guerras. Amigo de Diana a Princesa de Galles, o cantor, contribui voluntariamente nas suas campanhas com o fim  de acabar com as minas terrestres que deixou milhares de inocentes incapacitados para a vida inteira.
Em 1998 foi indicado pelas Nações Unidas, como Mensageiro da Paz, tendo sido agraciado com numerosas condecorações de Organizações Mundiais. A sua carreira foi também premiada por muitas instituições públicas e governamentais que distinguiu o seu trabalho e as colectâneas que editou não só em música clássica, mas também em música popular e até em música ligeira.

Pavarotti  faleceu em 06 de Setembro de 2007, vítima de doença cancerosa. No seu funeral em Modena, juntaram-se à enorme multidão, alguns nomes famosos que eram seus amigos, como Andrea Bocelli, José Carreiras, Bono Vox, Romano Prodi e Kofi Annan. O Juventus Futebol Club de que Pavarotti era um dos melhores fãs, colocou no seu site como homenagem a seguinte legenda: Pavarotti, coração negro e branco. E nós simples mortais temos a obrigação em sua memória de o ouvir sempre e divulgar o enorme repertório que nos deixou.
CV-12.10.12
Martins Raposo

terça-feira, 9 de outubro de 2012


VIOLETA PARRA 
 A MÃE DA MÚSICA DE INTERVENÇÃO

Violeta Parra, compositora e cantora chilena, nasceu em São Carlos, a 04 de Outubro de 1917. Iniciou a sua carreira de cantora muito jovem, actuando com os seus irmãos nos mais variados sítios, aperfeiçoando-se profissionalmente de forma autodidacta. Do seu primeiro casamento teve dois filhos que escolheram a música como profissão.

Foi nos anos 50 que Violeta iniciou as suas pesquisas sobre a música popular chilena, aproveitando esses conhecimentos para fazer as suas composições musicais que muito em breve a tornariam famosa. Criou o seu programa de rádio o que ajudou a difundir o seu trabalho que ia aumentando o repertório com um talento e qualidade invulgar.

Em meados da década de 50 viajou pela Europa, tendo gravado em Londres na BBC e em Paris, nos Chant du Monde.

 

Voltou a Santiago do Chile em 1957, percorrendo o país, dando espectáculos e ao mesmo tempo recolhendo músicas nos locais por onde passava.
O seu enorme talento musical aliado a uma forte personalidade imprimiram nas suas composições uma forte componente política e social, declaradamente de esquerda vertical e coerente, na defesa dos mais desfavorecidos. As letras dos seus poemas que não são só de natureza panfletária estão imbuídos de um lirismo simplista e popular.
Obrigada a refugiar-se na Argentina, teve a sorte de ver o seu trabalho apreciado por multidões que assistiam aos seus espectáculos, obtendo sucessos memoráveis.
Só regressou ao seu País em 1965, trazendo na bagagem um projecto de grande alcance cultural. Violeta propunha-se criar um lugar que se convertesse num centro de referência para a cultura folclórica do Chile. Neste projecto magnífico, trabalharam os seus filhos do primeiro e do segundo matrimónio. A sua dedicação e o apaixonado empenho com quem trabalhou para concretizar este sonho, acabaram por lhe prejudicar a saúde que piorou ao verificar o seu insucesso.
Sabemos hoje que este fracasso acumulado com uma recente desilusão amorosa a atingiu emocionalmente de forma dramática e que terão sido estas as causas da sua morte. Violeta Parra suicidou-se a 05 de Fevereiro de 1967.
Violeta Parra, deixou-nos uma obra fantástica, com canções que se tornaram imortais e muitas outras que ficaram como hinos de revolta e de solidariedade para com os mais fracos. Muitos foram os músicos que deram e continuam a dar seguimento à sua obra e em todo o mundo onde houve injustiças a sua voz foi lembrada  e repetida, servindo de inspiração a outros grandes músicos. Lembremos apenas algumas como "La Carta", "Volver a los 17", "Que Pena Siente El Alma", "Paloma Ausente", "Hace Falta Un  Guerrillero" e "Yo Canto a la Diferencia".



No seu país os ,mais próximos foram Vítor Jara e Mercedes de Sosa. Mas na mesma data ou em datas precedentes, apareceram as vozes de Milton Nascimento, Chico Buarque, Ellis Regina, Bob Dylan, Joan Baez, Serge Regginani, Jaques Brell, Léo Ferré,


 
Juan Manuell Serrat, Paco de Lúcia, Patxi Andion, Zeca Afonso, Adriano, Luís Cília, Ellias Diá Kimuenzo, Carlos Vieira Dias, etc.etc.etc.

 

                   


Foram duros anos de luta, contra as ditaduras militares, o franquismo, o salazarismo e o nazismo.Mas nesses tempos os homens grandes se levantavam firmes e corajosos, colocando o seu talentoao serviço da resistência em prol dos mais desfavorecidos. Os tempos eram de sombras e traições,muitos perderam a vida na sua luta, mas logo eram substituídos por outros que com a mesma valentia davam seguimento à luta pela liberdade e pela democracia.

Chegados ao nosso tempo, verificamos que a terra volta de novo a ser ensombrada por monstruosas criaturas que tudo têm feito para destruir o que foi feito de bom ao longo dos séculos, e tentam aprisionar o povo, impondo medidas cada vez mais injustas, tentando aniquilar de vez a liberdade e a democracia. No meio desta guerra de autodestruição o medo lança as suas garras destruindo a moral e a força necessária para fazer frente a estes novos "neofascismos". Não tardará que comecem as perseguições às instituições e pessoas que ainda vão lutando com as suas parcas forças.

Noutros tempos, havia escritores, poetas e artistas que se rebelavam declaradamente contra a repressão das ditaduras fascistas, contra o nazismo, contra todas as injustiças, mas agora muitas dessas pessoas preferem digladiar-se por coisas fúteis e mesquinhas do que aliarem-se em volta dos ideais democráticos que fingem defender, colocando o seu talento ao serviço da liberdade que nos querem roubar.
Por isso é que me parece importante que relembremos o Zeca, o Vítor Jara, o Chico, o Paco, a Mercedes, o Dylan e sempre, sempre a Grande VIOLETA PARRA! HASTA SIEMPRE!
CV - 04-10-2012  Martins Raposo