FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 9 de outubro de 2012


VIOLETA PARRA 
 A MÃE DA MÚSICA DE INTERVENÇÃO

Violeta Parra, compositora e cantora chilena, nasceu em São Carlos, a 04 de Outubro de 1917. Iniciou a sua carreira de cantora muito jovem, actuando com os seus irmãos nos mais variados sítios, aperfeiçoando-se profissionalmente de forma autodidacta. Do seu primeiro casamento teve dois filhos que escolheram a música como profissão.

Foi nos anos 50 que Violeta iniciou as suas pesquisas sobre a música popular chilena, aproveitando esses conhecimentos para fazer as suas composições musicais que muito em breve a tornariam famosa. Criou o seu programa de rádio o que ajudou a difundir o seu trabalho que ia aumentando o repertório com um talento e qualidade invulgar.

Em meados da década de 50 viajou pela Europa, tendo gravado em Londres na BBC e em Paris, nos Chant du Monde.

 

Voltou a Santiago do Chile em 1957, percorrendo o país, dando espectáculos e ao mesmo tempo recolhendo músicas nos locais por onde passava.
O seu enorme talento musical aliado a uma forte personalidade imprimiram nas suas composições uma forte componente política e social, declaradamente de esquerda vertical e coerente, na defesa dos mais desfavorecidos. As letras dos seus poemas que não são só de natureza panfletária estão imbuídos de um lirismo simplista e popular.
Obrigada a refugiar-se na Argentina, teve a sorte de ver o seu trabalho apreciado por multidões que assistiam aos seus espectáculos, obtendo sucessos memoráveis.
Só regressou ao seu País em 1965, trazendo na bagagem um projecto de grande alcance cultural. Violeta propunha-se criar um lugar que se convertesse num centro de referência para a cultura folclórica do Chile. Neste projecto magnífico, trabalharam os seus filhos do primeiro e do segundo matrimónio. A sua dedicação e o apaixonado empenho com quem trabalhou para concretizar este sonho, acabaram por lhe prejudicar a saúde que piorou ao verificar o seu insucesso.
Sabemos hoje que este fracasso acumulado com uma recente desilusão amorosa a atingiu emocionalmente de forma dramática e que terão sido estas as causas da sua morte. Violeta Parra suicidou-se a 05 de Fevereiro de 1967.
Violeta Parra, deixou-nos uma obra fantástica, com canções que se tornaram imortais e muitas outras que ficaram como hinos de revolta e de solidariedade para com os mais fracos. Muitos foram os músicos que deram e continuam a dar seguimento à sua obra e em todo o mundo onde houve injustiças a sua voz foi lembrada  e repetida, servindo de inspiração a outros grandes músicos. Lembremos apenas algumas como "La Carta", "Volver a los 17", "Que Pena Siente El Alma", "Paloma Ausente", "Hace Falta Un  Guerrillero" e "Yo Canto a la Diferencia".



No seu país os ,mais próximos foram Vítor Jara e Mercedes de Sosa. Mas na mesma data ou em datas precedentes, apareceram as vozes de Milton Nascimento, Chico Buarque, Ellis Regina, Bob Dylan, Joan Baez, Serge Regginani, Jaques Brell, Léo Ferré,


 
Juan Manuell Serrat, Paco de Lúcia, Patxi Andion, Zeca Afonso, Adriano, Luís Cília, Ellias Diá Kimuenzo, Carlos Vieira Dias, etc.etc.etc.

 

                   


Foram duros anos de luta, contra as ditaduras militares, o franquismo, o salazarismo e o nazismo.Mas nesses tempos os homens grandes se levantavam firmes e corajosos, colocando o seu talentoao serviço da resistência em prol dos mais desfavorecidos. Os tempos eram de sombras e traições,muitos perderam a vida na sua luta, mas logo eram substituídos por outros que com a mesma valentia davam seguimento à luta pela liberdade e pela democracia.

Chegados ao nosso tempo, verificamos que a terra volta de novo a ser ensombrada por monstruosas criaturas que tudo têm feito para destruir o que foi feito de bom ao longo dos séculos, e tentam aprisionar o povo, impondo medidas cada vez mais injustas, tentando aniquilar de vez a liberdade e a democracia. No meio desta guerra de autodestruição o medo lança as suas garras destruindo a moral e a força necessária para fazer frente a estes novos "neofascismos". Não tardará que comecem as perseguições às instituições e pessoas que ainda vão lutando com as suas parcas forças.

Noutros tempos, havia escritores, poetas e artistas que se rebelavam declaradamente contra a repressão das ditaduras fascistas, contra o nazismo, contra todas as injustiças, mas agora muitas dessas pessoas preferem digladiar-se por coisas fúteis e mesquinhas do que aliarem-se em volta dos ideais democráticos que fingem defender, colocando o seu talento ao serviço da liberdade que nos querem roubar.
Por isso é que me parece importante que relembremos o Zeca, o Vítor Jara, o Chico, o Paco, a Mercedes, o Dylan e sempre, sempre a Grande VIOLETA PARRA! HASTA SIEMPRE!
CV - 04-10-2012  Martins Raposo




 






 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário