FADISTA CONSAGRADO E INOVADOR
Carlos do Carmo, nasceu em Lisboa no dia 21 de Dezembro de 1039, no seio de uma família ligado à ,musica e ao fado. A sua mãe, Lucília do Carmo foi mesmo uma destacada fadista da sua geração e o Pai foi o proprietário de "O Faia". A sua estreia musical deu-se em 1963 com a edição do EP, "Mário Simões e o seu quarteto", no qual interpretou o fado "Loucura" que de imediato constituiu um autêntico sucesso de vendas.
Logo a seguir alcança a notoriedade com o fado de Amália, "Estranha Forma de Vida" e a partir daqui nunca mais parou de cantar por todo o país e no mundo, impondo-se pela qualidade do seu repertório que ao mesmo tempo introduz uma mudança em termos harmónicos, formais e na utilização de letras de grandes de grandes Poetas Portugueses. Esta mudança de estilo de temas, deve-se em grande parte às influências de cantores como Frank Sinatra, Jacques Brell, Elis Regina, José Afonso e Alain Oulman. Este último foi o principal responsável pela mudança que se verificou no vasto repertório de Amália Rodrigues.
A inovação introduzida pelo " Fado Novo " reflecte-se no próprio instrumental que passa a ser mais diversificado, mantendo no entanto a viola e a guitarra como acompanhantes, passou a ouvir-se também o piano, o contrabaixo de cordas e outros instrumentos. A voz passa a ter a primazia logo na entrada das canções e os temas tradicionais foram substituídos por poemas de autores como Ary dos Santos, José Luís Tinoco, Fernando Tordo, José Afonso e outros jovens compositores e poetas, como António Vitorino de Almeida.
Com o lançamento do Álbum, "Um Homem na Cidade", em 1978,Carlos do Carmo afirma-se de vez como um verdadeiro inovador do fado em Portugal, vencendo algumas resistências que ainda se faziam sentir por parte dos puristas que defendiam os temas e a linha melódica utilizada até então.
A confirmação dos seus êxitos deu-se em 1984 com a edição de "Um Homem no País", alcançando com mérito absoluto o estatuto de um dos principais intérpretes do fado, ganhando fama a nível internacional e realizando espectaculos nas melhores salas do mundo.
Carlos do Carmo, para além de possuir uma voz excelente, expressiva e de grande sensibilidade vocal, trabalha o seu repertório com grande profissionalismo, aperfeiçoando-se em termos técnicos e na forma interactiva que contribui para uma aproximação perfeita entre o artista e o seu público, levando este a participar espontaneamente nos espectáculos.
Em 1997, foi condecorado com a Comenda da Ordem do "Infante D. Henrique" e no ano a seguir foi-lhe atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, o Prémio da "Consagração de Carreira".
De entre os muitos outros prémios que já
ganhou ao longo da sua carreira, destacamos o "Prémio Goya - Para a Melhor
Canção Original" que lhe foi atribuído pela canção "Saudade".
Das suas últimas obras registe-se o Álbum gravado com Bernardo Sassetti e outro com Marioa João Pires. É caso para dizer que este nosso genial artista não consegue e não quer parar de cantar e de nos surpreender agradavelmente.
Da sua Obra Monumental o difícil é
enumerar todos os seus <êxitos neste curo espaço, pelo que vou mencionar
apenas alguns deles: "Por Morrer Uma Andorinha"; "Ferro
Velho"; "Canoas do Tejo"; "Lisboa Menina e Moça";
"Estrela da Tarde"; "Os Putos"; "O Homem das
Castanhas"; "Dá Tempo ao Tempo"; "No Teu Poema";
"Um Homem na Cidade"; "O Cacilheiro",etc., etc., etc.Martins Raposo -CV-21.12.201




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