FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 21 de março de 2013


EXPOSIÇÃO E COLÓQUIO

SOBRE ALVES REDOL E O NEO-REALISMO


A Exposição sobre a Vida e a Obra de Alves Redol, inaugurada no passado dia 16 de Março, no auditório da Fundação Nª. Sª. da Esperança, foi um acontecimento de grande relevo cultural completado com o Colóquio que trouxe a Castelo de Vide, um grupo de  prestigiados ensaístas, poetas e escritores profundos conhecedores da obra do escritor e do movimento neo-realista.

Esta iniciativa foi promovida pela CDU-Castelo de Vide que contou com o apoio do Museu do Neo-Realismo, da Fundação Nª. Sª. da Esperança, da Câmara Municipal, do Agrupamento de Escolas do Concelho e da Editora Colibri.

O evento que teve uma sessão da parte da manhã e outra da parte da tarde contou com a presença de cerca de oito dezenas de pessoas que seguiram atentamente os conferencistas e teceram elogios aos temas discutidos, assim como aos painéis da exposição muito completos no descritivo e nas fotos apresentadas, referiram-se ainda com palavras de apreço sobre Documentário - "Alves Redol, Memórias e Testemunhos", do Realizador Francisco Manso, exibido antes da abertura dos trabalhos e que teve uma excelente intervenção do Eng.º. António Mota Redol que comentou e acrescentou alguns dados pessoais sobre o trabalho apresentado.

Antes de se dar início ao colóquio, o Dr. Serpa Soares que coordenou a mesa,
na qual estavam presentes os oradores e o Sr. Vice Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide,  fez os agradecimentos às entidades que apoiaram esta iniciativa, distinguindo com um agradecimento especial os oradores convidados que se prestaram a participar neste evento de forma gratuita.
O primeiro orador, foi o Escritor, Poeta e Director do Jornal "Avante", José Casanova que destacou o percurso político de Alves Redol, chamando-lhe o "Militante da Escrita e da Resistência", para além do importante trabalho que o escritor desenvolveu na área do associativismo e nas inúmeras tertúlias a que se juntavam os jovens artistas da sua geração - Escritores, Poetas, Pintores e Músicos e também alguns políticos da oposição ao regime fascista.
O segundo orador foi o Professor António Sérgio Silva, Licenciado em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa que abordou o tema do Neo-Realismo poético e a importância do Novo Cancioneiro, no qual se destacaram os melhores poetas da época. Leu alguns poemas que fazem parte daquela colecção poética, criada em Coimbra no ano de 1941.
Da parte da tarde coube ao Professor Victor Viçoso, ilustre ensaísta e crítico literário, Director da Revista "Nova Síntese" iniciar os trabalhos com uma brilhante intervenção sobre a forma como Alves Redol obtinha os dados e pesquisava com métodos de verdadeiro etnólogo o meio ambiente, social e humano que viriam a ser uma característica intrínseca do escritor que ao longo da vida foi aperfeiçoando o seu método, nos romances e nos estudos etnográficos de diversas regiões do nosso país a começar com o famoso trabalho que deu origem a "Glória, uma Aldeia do Ribatejo", "Porto Wine", "Nazaré" e mesmo em romances como os "Gaibéus", "Avieiros" e outros.  
Seguiu-se a intervenção de Manuel G. Simões, Poeta e Professor Universitário, Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, que teve como tema "Os Romances" na poesia do Neo-Realismo Português, referindo-se aos Poetas do "Novo Cancioneiro", Mário Dionísio, João José Cochofel, Joaquim Namorado, Sidónio Muralha e Francisco José Tenreiro, Armindo Rodrigues, lendo alguns poemas destes autores. Destacou a importância que esta colecção poética teve na afirmação estética da poesia do Neo-Realismo.
 A finalizar o Eng.º. António Mota Redol, filho do escritor e um dos principais fundadores da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, sediado em Vila Franca de Xira, apresentou excelentes diapositivos da autoria de seu Pai e de seus companheiros que registaram os trabalhos de pesquisa etnográfica.
Referiu ainda a importância dos encontros e viagens no Rio Tejo que o escritor organizava que servia para os escritores confraternizarem e discutirem para além da literatura, os problemas sociais e políticos com que o país se confrontava.
                                   
Todos os oradores foram agraciados com fortes aplausos da assistência que seguiu atentamente  e por vezes com alguma emoção a lembrança de momentos que alguns dos presentes ainda se lembram muito bem. Alves Redol foi o precursor do movimento do Neo-Realismo em Portugal que como foi dito ultrapassou a componente literária, estando associado às artes plásticas, ao Cinema e ao Teatro e ao mesmo tempo ficará na história como um movimento de resistência antifascista. Muitos outros se lhe juntaram e aqui foram lembrados, para além dos Poetas já enunciados, os nomes de romancistas, como Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, Antunes da Silva, José Gomes Ferreira, José Cardoso Pires, Urbano Tavares Rodrigues, Batista Bastos, Alexandre Pinheiro Torres, Mário Sacramento e muitos outros; e ainda os Pintores, Júlio Pomar, Rogério Ribeiro e Lima de Freitas.
A sessão terminou com um beberete oferecido pela Fundação e ofertas de elementos da organização, que decorreu num ambiente festivo entre todos os presentes. A CDU-CV e as entidades que deram o seu apoio, estão de parabéns por esta importante iniciativa cultural.
A exposição vai continuar patente ao público até ao próximo dia 31 de Março.
A todos aqueles que não puderam estar presentes na inauguração, não percam a oportunidade de visitar esta valiosa Exposição!
CV- 18 de Março de 2013
Martins Raposo


Nota: Algumas fotos que completam o texto sobre a Exposição.
Castelo de Vide, 18 de Março de 2013