O
JARDIM SEPARADO
Perante
uma plateia de algumas dezenas de pessoas e depois da brilhante apresentação do
livro por parte da Dra. Luísa Monteiro e de Samuel Pimenta, foi-nos dada a
oportunidade de falar com a poetisa que estava visivelmente satisfeita por se encontrar rodeada de bons amigos,
salientando o privilégio de ter a seu lado escritores com obra credenciada já há bastantes anos.
A
autora esclareceu logo de início, que embora a Editora já tivesse posto à venda
nas livrarias, esta sua obra, foi desde sempre sua a intenção de proceder ao
lançamento do livro em Portalegre, cidade que sente ser a sua terra por adopção
e onde vive à mais de 20 anos.Tendo-lhe pedido que nos dissesse algumas palavras sobre o livro agora editado, "O Jardim Separado" a autora esclarece que esta obra, percorre o mesmo sentido estilístico do seu livro anterior, "Nymphea", lançado no ano de 2012 e acrescenta estou plenamente de acordo com as palavras do poeta Luís Serguilha quando afirma que "a literatura, a poesia e a arte, são inexplicáveis, pois são atravessadas pela potência das sensações. Elas acontecem, são eminências"; para concluir afirma - "O Jardim Separado faz parte da natureza e a natureza não se explica, ela simplesmente existe, está em nosso redor, é o que é".
Numa leitura muito rápida a necessitar de ser relida com mais vagar de forma a poder usufruir plenamente de toda a beleza e significado dos seus poemas, julgo poder afirmar que a autora deu com as suas palavras uma explicação objectiva e abrangente do pleno conteúdo desta sua obra. Resta-nos agradecer o amável convite que nos enviou e desejar o melhor sucesso para o seu "Jardim Separado" que o mesmo, espalhe as suas flores (poemas), por toda a parte e que a beleza afrodisíaco das suas pétalas acabe por ser uma partilha unificadora.
Como adenda julgo ser útil informar que Luísa Demétrio Raposo, nasceu no dia 10 de Novembro de 1973, em Oeiras e vive em Portalegre há vinte anos. Iniciou a sua carreira como escritora em 2010 com o lançamento do livro, "Respiração das Coisas", no ano seguinte publicou, "Nu Âmbar da Minha Escrita", em 2012 saiu o seu livro "Nymphea" e este ano presenteou-nos com "O Jardim Separado".
Nas paredes da Sala da Biblioteca estavam reproduzidas várias imagens da poetisa grega, Safo, não cheguei a falar com a autora sobre o significado da sua escolha, mas conhecendo a sua obra reconheço algumas semelhanças poéticas.
Martins Raposo
CV- 25.11.13
POEMA
O
coração é uma ponte dura entre a carne e o poder de amar, suspensa da
liberdade, na plenitude de um livro em movimento. Eternas são as luas colocadas
dentro, no espaço procurando o silêncio entre astros húmidos, em batimentos
rodeados de sal, rodeado de veias e de um verbo que cresce entre as marés
vermelhas unindo o meu corpo que sonha à fuga intemporal da verdade.
Os
sonhos são a prata que caçamos no fogo de um deserto interno, nas profundezas
de um mar que carregamos e onde muitas vezes naufragamos sem navio ou sombra...O mundo é uma mulher só cheia de curvas e um punhado de telhas molhadas onde a minha boca se desmembra em cada entardecer disperso. Lá fora os azuis do céu forjam a noite e os milhões de cavalos que me percorrem num sexo quente que eu aperto contra mim, onde afago uma cauda redonda que rosna em cada pulsatr cru dentro da minha carne fervente...
Do Livro: O JARDIM SEPARADO - Pag. 20
PT - 23.11.13


