FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

                                        CARLOS GARDEL
                             O MAIOR ENTRE OS MAIORES
É considerado um dos mais famosos intérpretes do tango argentino. O seu nascimento está envolvido em uma polémica, havendo uma cidade francesa e uma cidade do Uruguai que disputam a primazia do seu nascimento. Gardel costumava dizer: "Nasci em Buenos Aires aos dois anos de idade". De qualquer modo parece ser  Tacuarembó o lugar onde Carlos Gardel nasceu em 11 de Dezembro de 1930.
A sua fama ultrapassou fronteiras e hoje podemos afirmar que graças à sua maravilhosa voz, Gardel, pertence a todos nós, habitantes deste "controverso" Planeta.
Começou muito jovem a cantar nos bares dos subúrbios da cidade de Buenos Aires e muito rapidamente a sua voz, forte e calidamente sensual, foi-se impondo numa altura em que o Tango já estava emancipado como música popular muito procurada, por diferentes extractos sociais. Canções como "Mano e Mano", Tomo Y Obligo", "Golondrina", "Melodia de Arrabal", "Volver", "Por Una Cabeza", "Mi Buenos Aires Querido" e "El Dia Que Me Qieras", são alguns dos melhores tangos alguma vez cantados.


 
Gardel trabalhou com bons músicos, compositores e letristas do tango, entre outros convém destacar os nomes de; Guilhermo Barbieri, Discépolo, Alfredo Le Pera e Juan Dias Filisberto. A sua orquestra preferida chamava-se Terig Tucci.

A Argentina deu ao mundo muitos dos melhores músicos e cantores de Tango, porém Carlos Cardel, merece por direito próprio um lugar de destaque entre todos eles, ele foi o intérprete de quase todos os melhores tangos da sua época.

Carlos Gardel, faleceu de um desastre aéreo, na cidade de Medelin, na Colombia, no dia 24 de Junho de 1935. Tinha apenas 45 anos de idade, mas graças à sua maravilhosa voz, continua vivo em todos os corações amantes da Boa Música.
Hasta Siempre, GARDEL!
http://youtu.be/ZgcqijaUxdg
CV-11.12.2013
Martins Raposo
Notas: in - O Guia do Tango de Pierre Monete (Tad. de José Quitério e José Labaredas); Wiki.

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


                                               ARY DOS SANTOS
                                        O POETA DA REVOLUÇÃO
ARY DOS SANTOS O POETA DE ABRIL
José Carlos Ary dos Santos, nasceu em Lisboa, no dia 07 de Dezembro de 1937. Poeta, Autor de Peças de Teatro/Revista e declamador. Escreveu mais de 600 poemas destinados na sua grande maioria aos intérpretes e compositores portugueses, com alguns brasileiros e franceses, entre os quais se destacam os nomes de Simone de Oliveira, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Tonicha, Chico Buarque, Nuno Nazaré Fernandes e muitos, muitos outros. 
   Foi considerado um verdadeiro inovador nas temáticas e nos textos escritos para música ligeira.  A sua poesia começaram a chamar a atenção da crítica a partir de meados dos anos 60, revelando-se o Poeta logo no seu início, com poesia de intervenção a que intervalava com outros temas ligados ao amor, à cidade de Lisboa e canções simples sobre pessoas.
          
 
            O seu primeiro grande êxito. dá-se com a canção "Desfolhada" interpretada por Simone de OLiveira que obtém assinalável êxito através da rádio e da televisão. Seguem-se os Poemas; "Menina do Alto da Serra" que Tonicha cantou muito bem e "Tourada" com Fernando Tordo, numa interpretação com muita garra, dando um toque especial a uma letra que em igualdade com desfolhada era não só de crítica dos costumes como também política. Estas canções venceram o Festival da RTP, respectivamente nos anos de 1969, 1971 e 1973.
 
               
 Fernando Tordo, deu voz a mais alguns poemas de Ary dos Santos, tais como, "Cavalo à Solta" e "Estrela da Tarde".

Destaque ainda para os poemas que escreveu para os álbuns , "Um Homem na Cidade" e "Um Homem No País", editados por Carlos do Carmo e que tiveram enorme sucesso.
Nos anos 70 escreveu algumas peças para o Teatro/Revista. "Uma no Cravo outra na Ditadura", "Para trás mija a burra", "Ó da Guarda" e "O Calinas Cala a Boca" obtiveram assinalável êxito no Parque Mayer.
Os seus textos, assim como as numerosas letras que escreveu para canções e não só, foram marcados pelo recurso à metáfora com um forte teor satírico e de intervenção. Mas a sua obra não é apenas de crítica irónica, tem também muito de simplicidade e de lirismo. As temáticas são as emoções e as personagens arquetípicas da cidade de Lisboa, o amor, o trabalho, as injustiças sociais e a solidão.
Como declamador o seu tom de voz, forte crítica, defendendo o seu Partido a que aderiu em 1969 e ao qual se manteve sempre coerente em tida a sua vida, apesar da sua ascendência de uma família da classe média alta.
A crítica de antes do 25 de Abril, nunca lhe foi muito favorável com raríssimas excepções. Logo a seguir à  Revolução dos Cravos esteve presente no I Encontro da Música Portuguesa, ao lado do Zeca Afonso, do Adriano, do José Niza, do Fausto e de tantos outros que fizeram o memorável espectaculo do Coliseu dos Recreios. Depois durante o Verão quente esteve ao lados dos seus camaradas em inúmeras sessões de esclarecimento, declamando os seus poemas, para tal como a revolução voltar a ser ostracizado e maltratado por uma crítica que sempre foi feroz com os defensores da liberdade.
Num dia frio de Janeiro do ano de 1984 o Poeta morreu, sem coroa de flores, nem o merecimento devido de quem deu tudo de si, com amor, lágrimas, raiva e muita solidão sofrida. Tinha feito há poucos dias 47 anos de idade o que teria feito  nestes quase trinta anos que lhe foram roubados pelos "cornos" de um destino trágico.
O mundo já viu muitos dos seus génios desaparecerem com menos de cinquenta anos. Alguns se foram de bem com o mundo, recheados de sucessos e de pleno êxito pela sua obra. Não gosto de fazer comparações , mas a obra do Poeta Ary dos Santos, eleva-o perante os meus olhos, ao panteão onde foram colocados os maiores nomes da nossa poesia popular, onde figuram nomes como os de Manuel da Fonseca, José Gomes Ferreira e Manuel Alegre, felizmente ainda entre nós.
Natália Correia que prefaciou o seu livro, "As Palavras das Cantigas" chama-lhe Romântico à portuguesa, garrettiano. A Poetisa já falecida, foi uma das suas melhores amigas e que melhor o terá conhecido, nas suas horas felizes e de outras sofredoras e infernais, carregadas de um "desespero real até às fezes", mas tem o cuidado de na sua definição nos deixar a visão de um grande poeta, dividido entre "os arroubos do seu sócio-romatismo" , ex.: "Fado Operário Leal" e a "candura social que toca as raias de uma religiosidade franciscana".
Fiquemos então com a imagem de Ary dos Santos retratado por Natália Correia... o Poeta era um sentimentalão social que se desnudava para dar a roupa aos pobres, o eterno amante sem amor, enchendo esse vazio com rizadas que sabem a sangue.
NOTAS DE:   Wiqui, Enciclopédia da Música Portuguesa, As palavras das Cantigas...
CV-08.12.2013
Martins Raposo