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TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


                                               ARY DOS SANTOS
                                        O POETA DA REVOLUÇÃO
ARY DOS SANTOS O POETA DE ABRIL
José Carlos Ary dos Santos, nasceu em Lisboa, no dia 07 de Dezembro de 1937. Poeta, Autor de Peças de Teatro/Revista e declamador. Escreveu mais de 600 poemas destinados na sua grande maioria aos intérpretes e compositores portugueses, com alguns brasileiros e franceses, entre os quais se destacam os nomes de Simone de Oliveira, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Tonicha, Chico Buarque, Nuno Nazaré Fernandes e muitos, muitos outros. 
   Foi considerado um verdadeiro inovador nas temáticas e nos textos escritos para música ligeira.  A sua poesia começaram a chamar a atenção da crítica a partir de meados dos anos 60, revelando-se o Poeta logo no seu início, com poesia de intervenção a que intervalava com outros temas ligados ao amor, à cidade de Lisboa e canções simples sobre pessoas.
          
 
            O seu primeiro grande êxito. dá-se com a canção "Desfolhada" interpretada por Simone de OLiveira que obtém assinalável êxito através da rádio e da televisão. Seguem-se os Poemas; "Menina do Alto da Serra" que Tonicha cantou muito bem e "Tourada" com Fernando Tordo, numa interpretação com muita garra, dando um toque especial a uma letra que em igualdade com desfolhada era não só de crítica dos costumes como também política. Estas canções venceram o Festival da RTP, respectivamente nos anos de 1969, 1971 e 1973.
 
               
 Fernando Tordo, deu voz a mais alguns poemas de Ary dos Santos, tais como, "Cavalo à Solta" e "Estrela da Tarde".

Destaque ainda para os poemas que escreveu para os álbuns , "Um Homem na Cidade" e "Um Homem No País", editados por Carlos do Carmo e que tiveram enorme sucesso.
Nos anos 70 escreveu algumas peças para o Teatro/Revista. "Uma no Cravo outra na Ditadura", "Para trás mija a burra", "Ó da Guarda" e "O Calinas Cala a Boca" obtiveram assinalável êxito no Parque Mayer.
Os seus textos, assim como as numerosas letras que escreveu para canções e não só, foram marcados pelo recurso à metáfora com um forte teor satírico e de intervenção. Mas a sua obra não é apenas de crítica irónica, tem também muito de simplicidade e de lirismo. As temáticas são as emoções e as personagens arquetípicas da cidade de Lisboa, o amor, o trabalho, as injustiças sociais e a solidão.
Como declamador o seu tom de voz, forte crítica, defendendo o seu Partido a que aderiu em 1969 e ao qual se manteve sempre coerente em tida a sua vida, apesar da sua ascendência de uma família da classe média alta.
A crítica de antes do 25 de Abril, nunca lhe foi muito favorável com raríssimas excepções. Logo a seguir à  Revolução dos Cravos esteve presente no I Encontro da Música Portuguesa, ao lado do Zeca Afonso, do Adriano, do José Niza, do Fausto e de tantos outros que fizeram o memorável espectaculo do Coliseu dos Recreios. Depois durante o Verão quente esteve ao lados dos seus camaradas em inúmeras sessões de esclarecimento, declamando os seus poemas, para tal como a revolução voltar a ser ostracizado e maltratado por uma crítica que sempre foi feroz com os defensores da liberdade.
Num dia frio de Janeiro do ano de 1984 o Poeta morreu, sem coroa de flores, nem o merecimento devido de quem deu tudo de si, com amor, lágrimas, raiva e muita solidão sofrida. Tinha feito há poucos dias 47 anos de idade o que teria feito  nestes quase trinta anos que lhe foram roubados pelos "cornos" de um destino trágico.
O mundo já viu muitos dos seus génios desaparecerem com menos de cinquenta anos. Alguns se foram de bem com o mundo, recheados de sucessos e de pleno êxito pela sua obra. Não gosto de fazer comparações , mas a obra do Poeta Ary dos Santos, eleva-o perante os meus olhos, ao panteão onde foram colocados os maiores nomes da nossa poesia popular, onde figuram nomes como os de Manuel da Fonseca, José Gomes Ferreira e Manuel Alegre, felizmente ainda entre nós.
Natália Correia que prefaciou o seu livro, "As Palavras das Cantigas" chama-lhe Romântico à portuguesa, garrettiano. A Poetisa já falecida, foi uma das suas melhores amigas e que melhor o terá conhecido, nas suas horas felizes e de outras sofredoras e infernais, carregadas de um "desespero real até às fezes", mas tem o cuidado de na sua definição nos deixar a visão de um grande poeta, dividido entre "os arroubos do seu sócio-romatismo" , ex.: "Fado Operário Leal" e a "candura social que toca as raias de uma religiosidade franciscana".
Fiquemos então com a imagem de Ary dos Santos retratado por Natália Correia... o Poeta era um sentimentalão social que se desnudava para dar a roupa aos pobres, o eterno amante sem amor, enchendo esse vazio com rizadas que sabem a sangue.
NOTAS DE:   Wiqui, Enciclopédia da Música Portuguesa, As palavras das Cantigas...
CV-08.12.2013
Martins Raposo

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