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TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















domingo, 9 de novembro de 2014

                                      OS MEMORÁVEIS
                                              De Lídia Jorge

Lídia Jorge, nasceu em Boliqueime, Algarve, no dia 18 de Junho de 1946. Antes do 25 de Abril, foi professora em Angola e Moçambique que da sua experiência resultou o livro "A Costa dos Murmúrios"
O romance "O Dia dos Prodígios" foi o seu  primeiro livro, escrito em 1980, alcançou logo na sua primeira edição um estrondoso êxito. Seguiram-se o "Cais das Merendas" e "Notícias da Cidade Silvestre" que granjearam à autora o Prémio Literário da Cidade de Lisboa.
Muitos mais romances escreveu a autora que estão traduzidos em várias línguas  e lhe valeram até hoje, numerosos e valiosos prémios.
A 13 de Abril de 2005, foi condecorada pelo Presidente da República Francesa, Jacques Chirac, com a "Ordem das Artes e Letras de França". Em 2009, o Presidente da República, Jorge Sampaio, condecorou-a com a "Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique".
Lídia Jorge nos diz que foi influenciada no seu estilo literário pelo "mágico latino-americano". Os seus livros têm como temas a sociedade portuguesa contemporânea, reflectindo sobre vivências humanas de antes e depois do 25 de Abril que marcou a escritora de forma muito intensa.
Infelizmente ainda não consegui ler totalmente a sua obra, sendo que o último livro da autora "Os Memoráveis" acabei à pouco de o ler com toda a atenção que o livro requer, até porque nos fala de algumas das figuras mais proeminentes do 25 de Abril.
As personagens revivem os momentos de glória de diferentes formas de acordo com a intervenção de cada um e depois vão-se descobrindo as frustrações  e as marginalidades a que foram obrigados a enfrentar com os senhores do poder que renegaram o seu papel na história, desrespeitando e adulterando a revolução dos cravos de que só foi possível com a abnegada entrega voluntária e heróica que os jovens capitães conseguiram ao derrubar uma das velhas ditaduras da Europa. Tudo isso marcou dolorosamente as suas vidas. Alguns já faleceram, mas sofreram tanto como os que ficaram.
Os Jovens Capitães na sua juventude generosa criaram a aliança Povo e MFA e juntos conseguiram fazer uma Constituição verdadeiramente revolucionara que considerava as conquistas pela aquela aliança, tais como a Descolonização, a Reforma Agrária, o Ensino gratuito, a Saúde, o Poder Local e muitas outras que os Governos sucessivos do PS, PSD e CDS acabaram por ir destruindo, algumas por completo, outras completamente descaracterizadas por inúmeras leis e decretos, atacando as conquistas de Abril com uma sanha desumana que pode considerar uma verdadeira traição.
É um livro pessimista no qual a sua personagem principal, é uma Jornalista ao serviço de uma editora americana é convidada a fazer as entrevistas aos memoráveis, no qual estão para além dos capitães, um Jornalista e um fotógrafo que tiveram uma intervenção activa no 25 de Abril.
O livro não pretende ser um documento histórico, tudo não passa de ficção com o pensamento subjectivo de uma escritora que se julga à margem dos acontecimentos que a obriga a mascarar as suas personagens com disfarces nos nomes que não são os seus.
Não posso dizer que desgostei do que li, talvez discorde da fórmula que me levanta algumas dúvidas quanto aos objectivos da autora que tenho que aceitar que tenho que ler de novo este livro para tentar compreender totalmente o alcance real desta obra.
Deixemos o tempo passar mais algum tempo. Não quero dramatizar uma interpretação muito pessoal, porque tenho imensa admiração pela escritora e ter bem a consciência de que se trata de alguém que tem o estatuto universal e pode ser considerada um dos valores mais altos da nossa literatura contemporânea.
CV. 09.11.2014
Martins Raposo
NOTA BREVE: Resolvi de motu próprio incluir mais algumas das figuras proeminentes do 25 de Abril -
Por ordem: Vasco Gonçalves, Melo Antunes, Rosa Coutinho, Costa Martins, Victor Alves. A Lista é muito maior, num outro escrito, rectificarei a falta.
CV- 09.11.14

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