FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quarta-feira, 7 de outubro de 2009

DA MÚSICA
O que ouvi no mês de Julho!
A música que gosto de ouvir, não tem cores, nem fronteiras e os estilos podem ser os mais diversos, começando por Bach, passando por Mozart, Bethoven, Wagner, Verdi, Stranvinsky até Bela Bartok. Sinto o mesmo prazer, com os outros géneros musicais, que podem ir dos Blues ao Jaz, do Rock/Pop ao Reggae, das Baladas ao Samba, do Merengue às Mornas, do Fado Português ao Tango Argentino. Tudo depende do estado de espírito do momento.
Estas explicações visam dar a conhecer o aparente mistério das minhas escolhas, nos Livros, no Cinema, no Teatro e na Música e porque são tão diferentes nos géneros e nos sons.
Vejamos o que ouvi no passado Mês de Julho:
Mariana Ayder, cantora brasileira no estilo MPB, nasceu em São Paulo, em 1980. Beleza total! Presença física e vocal de grande e qualidade. Acompanhada por bons músicos que se fazem ouvir e deixam ouvir a Mariana, com a sua voz quente e suave, nesse tema memorável os “Frutos de Verão”que já ouvi vezes sem conta.
Madeleine Peyroux, nasceu na Geórgia em 1974.É sem dúvida uma das vozes mais bonitas do Jaz actual. Há quem a compare a Billie Holyday, José Duarte afirma e eu concordo que a Lady Sings The Bues, “não deixou descendentes nem discípulos”.
Madeleine não precisa deste tipo de comparações, para impor o seu próprio estilo, com naturalíssima paixão. Ouvimos I’m All Right e Don’t Wait Too Long e não nos lembramos de mais ninguém. Ficamos extasiados por longos dias de...Julho.
Rodrigo Leão, nasceu em Lisboa no ano de 1964. Foi o co-fundador dos Sétima Legião em 1985 e em conjunto com Pedro Ayres Magalhães e Gabriel Gomes funda em 1993 os Madredeus.
Actualmente, é considerado um dos melhores compositores dentro de uma linha clássica-moderna, imprimindo aos seus temas uma originalidade invulgar. O seu último trabalho “A Mãe” confirmando os seus dotes, tem na canção “Vida Tão Estranha” com a voz de Ana Vieira, alcançado um sucesso invulgar. A tristeza lírica deste Poema toca-nos o coração de sentimentos, relembrando outros velhos e tempos.
Miriam Makeba, nasceu em Joanesburgo, África do Sul, a 04 de Março do ano de 1932. Foi uma grande intérprete de Blues e de Música Tradicional Africana, tendo ganho numerosos Prémios, entre os quais os Gramy’s de Música Folk, em 1966, com a canção Pata Pata que alcançou um enorme sucesso mundial.
Foi também uma incansável defensora dos direitos cívicos, rebelando-se contra o apartheid que vigorava no seu país e do qual foi expulsa em 1963. Recebeu vários prémios como intérprete e como lutadora, entre os quais a Medalha de Ouro da Paz, recebida na Alemanha em 2001.
Esteve casada com Stokeley Carminchael, porta-voz dos Panteras Negras, por tal facto foi duramente perseguida pelas autoridades americanas. Regressou ao seu País em 1990, a pedido do Presidente Nelson Mandela.
Faleceu em 15 de Novembro de 2008, após um concerto em Nápoles em apoio do escritor e jornalista Roberto Saviano, ameaçado pela Camorra Italiana, devido à publicação do seu livro “Gomorra”.
Pode-se dizer que esta grande mulher, morreu a lutar pelas boas causas.
Agora voltei a ouvir de novo Pata Pata em sua memória.
Este mês não houve tempo para os clássicos…
Castelo de Vide, 19.08.09
O TEATRO FICOU MAIS POBRE!

JOSÉ ARMANDO TAVARES DE MORAIS E CASTRO, faleceu no dia 22 de Agosto, vítima de cancro no pâncreas. Fazia 70 anos no dia 30 de Setembro.
Formou-se em Direito e muito embora nunca tivesse deixado por completo de exercer a advocacia, foi ao Teatro que dedicou toda a sua vida. Estreou-se em 1956 no Teatro Gerifalto, com a peça “A Ilha do Tesouro”, dirigida por Couto Viana. A partir daí nunca mais parou de representar.
Estreou-se na Televisão em 1958 com a peça “O Rei Veado”, uma adaptação de Carlos Gozzi , sob a direcção de Artur Ramos. Mais tarde, teve a oportunidade de desempenhar inúmeros papéis em telenovelas.
Foi um dos fundadores do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia com um projecto revolucionário para a época, apresentando nos anos de 1961 a 1965, peças de grandes Escritores nacionais e estrangeiros, “O Dia Seguinte” de Luís Francisco Rebelo,
“O Render do Heróis” de José Cardoso Pires, “Morte de Um Caixeiro Viajante” de Arthur Miller, “Humilhados e Ofendidos” de Dostoievski. Foram anos de grande actividade e de grande importância para o Teatro em Portugal, sempre acossados pela censura e pela PIDE.
Em 1968, funda o Teatro Aberto com João Lourenço e Irene Cruz, prosseguindo a sua corajosa representação de peças de autores que constavam da Lista Negra da Censurai Peter Weiss, Bertold Brecht, Max Frisch, Peter Handke e Bris Vian. É desta fase que encenou “É Preciso Continuar” de Luís Francisco Rebelo, e entrou em numerosas peças de teatro, contracenando com Armando Cortez, Cármen Dolores, Rogério Paulo, Paulo Renato, Rui Mendes e muitos outros.
Em 1985, faz em parceria com Nicolau Breyner a comédia “Pouco Barulho” que teve assinalável êxito e pouco depois aparece ao lado de Mário Viegas na Companhia Teatral do Chiado.
Em 2004 representa “O Fazedor do Teatro” de Thomas Bernard, sob a direcção de Joaquim Benite, na Companhia de Teatro de Almada, tendo-lhe sido atribuída a Menção Honrosa da Crítica pela sua representação que obteve enorme êxito.
Finalmente em 2000 alcança na Televisão, um enorme sucesso, no papel de Professor nos episódios das Lições do Menino Tonecas, ao lado de Luís Aleluia (O Menino Tonecas), uma peça de José Oliveira e Costa que se estreou na Rádio Clube Português em 1934.
Não se tendo distinguido como uma grande galã, como o foram os seus colegas, Ruy de Carvalho, Paulo Renato ou Rui Mendes, os seus papéis destacam-se pelo factor dramático, psicológico e humano.
Para além de o ter visto em muitos dos seus êxitos no Teatro e na Televisão, também tive a oportunidade de presenciar a leitura emocionada da Mensagem enviada por Álvaro Cunhal ao XIV Congresso do PCP realizado em 1992, em Almada, que levantou em peso, com uma prolongada salva de palmas, os milhares de Militantes presentes. Daí que foi também com emoção que ouvi na hora do adeus, os seus Colegas Joaquim Benite e Irene Cruz referiram-se a Morais e Castro, como “Um dos Imprescindíveis” de que nos fala o Poema de Bertold Brecht – “Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis”
“ATÉ AMANHÃ CAMARADA!”
In: Wikipédia” e Avante.
CV – Agosto/09
Martins Raposo
DOS LIVROS E DOS POEMAS
DO QUE MAIS GOSTEI EM AGOSTO!



Arei o rio e pesquei
Peixe que a terra engodou
Semeei trabalho e cresceu
Desolação e miséria
Que o patrão nos legou

Circulava a vida em carris
A riqueza em vagonetas
Da Mina ao Pomarão
E os filhos de Bárbara santa
Ordeiros sempre servis
Como se foram marionetas.

E o rio?!... Tudo levava
Pela estrada do Guadiana,
Sem protesto, sem queixume...
Ao Sol feito de lume
Cada dia da semana
A esperança, de barco vogava!...

Para quê o sofrimento,
O labor, os perigos
Esventrar da terra minério
Se só entende o capital
A igualdade desigual
Dos ricos senhores e mendigos
Que lhes engorda o império?!...

Arei o rio e pesquei
Destroços que a vida deixou
Foi-se o canto do trabalho
O formigueiro da mina
Só o silêncio quedou...

A. Busca
18Jan2001
Foi sem dúvida o Poema “Hino ao Pomarão” do meu amigo, António Manuel Pacheco Busca, que me levou a escolher o livro “MINAS DE SÃO FRANCISCO” de Fernando Namora, para reler em Agosto (Agora ando numa de reler livros antigos!), na mira de descobrir alguma semelhança entre o Poema e o Livro e confesso que não fiquei defraudado. O Escritor e o Poeta aproximam-se cada um à sua maneira na descrição do sofrimento desumano que este trabalho exigia dos operários.
“As Minas de São Francisco”, também conhecidas como as “Minas da Panasqueira”, estavam localizadas na aldeia com mesmo nome, uma Freguesia do Concelho da Covilhã, que fica nas faldas Serra da Estrela, perto do Rio Zêzere. A exploração do Volfrâmio começou nos finais do Sec. XIX, tendo os seus momentos altos, durante as duas guerras mundiais. A partir de 1911 a exploração ficou a cargo de uma grande empresa estrangeira e chegar a ter mais de 800 trabalhadores. A Aldeia de São Francisco tinha em 1960, 2508 habitantes. Em 2001 só contava com 692 residentes.
As Minas de São Domingos, datam do ano de 1855, altura em que iniciaram as extracções das “Pirites Alentejanas”, perto de Mértola e junto ao Rio Guadiana, na aldeia do Pomarão que nasceu em 1859, com a vinda dos Mineiros e desapareceu na década de 60 quando a mina foi desactivada e reduziu a população de Mértola a menos de metade.
Fernando Namora exerceu a profissão de médico, na aldeia de Tinalha , próxima das minas de São Francisco e conseguiu com o seu Romance recriar um quadro vivo e realista de como viviam os mineiros, explorados de forma desumana e arriscando a vida em cada momento pela precárias condições em que eram obrigados a trabalhar, sem a devida remuneração e a assistência medica e social necessária.
A figura central do Romance é o mineiro, no seu colectivo, com os seus dramas, as doenças, os suicídios e a desilusão dos dias repetidos, sem esperança. Braços fundamentais numa máquina de exploração desenfreada e desumana. A mina sugava-lhes o sangue e a alma, despersonalizando-os como seres, reduzindo-os a simples farrapos humanos com os gazes e a “silicose” a desfazer-lhes os corpos.
O escritor, descreve ainda o meio social envolvente, com outras figuras menores a manobrar oportunistamente para sugar ainda mais os trabalhadores, desde o comerciante ganancioso, aos capatazes que faziam o jogo duplo de exercer o mando sobre os trabalhadores com uma crueldade superior ao que lhes era ordenado pelos superiores, escondendo cobardemente os riscos que os trabalhadores corriam com a falta de segurança.
Os “Engenheiros” beneficiando de um estatuto especial, os únicos “senhores” visíveis nesta trama, entregavam o tratamento mais odioso aos chefes, mas também nada faziam por minorar o sofrimento dos operários, um deles que nos parecia ser o mais brando, valendo-se do seu cargo, acabou desgraçando uma ingénua e indefesa rapariga.
Neste Romance, são desmistificadas as “lendas” dos mineiros ganharem rios de dinheiro com o contrabando do minério que escondiam dos seus superiores. A verdade é que só muito poucos conseguiam iludir a apertada vigilância dos capatazes e aqueles que se atreviam, eram facilmente descobertos sofrendo duras represálias, prendiam-nos e nunca mais podiam voltar à mina e nem mesmo noutros serviços eram aceites.
Os poucos que conseguiam ter artes para enganar os chefes, também pouco gozavam com a aventura, sendo que o produto do desvio ficava todo nas mãos dos merceeiros e dos taberneiros. A Família nunca ficava beneficiada e nem os aventureiros marginais ao sistema conseguiam escapar, todos ficavam apanhados na rede apertada pelos que controlavam a exploração.
A Mina, era como um gigantesco polvo que asfixiava e matava tudo em redor, destruindo os campos e as hortas outrora férteis deixando o ventre da terra cheio de buracos e valas, onde o cascalho substituía as plantas. Nem o pobre do Ti Cardo, o velho herói que a tudo resistiu, defendendo o seu pedaço de terra, foi traído por um filho desnorteado e cego pela ambição.
O romance acaba em tragédia, sem esperança nem glória, prenunciando um fim próximo, tal como veio a acontecer anos mais tarde. O leitor fecha os olhos e revê outras Minas, outros lugares, com os mesmos dramas humanos e agradece em espírito a esse grande escritor chamado FERNANDO NAMORA que teve a coragem de denunciar as crueldade com que “Wolfram Mining and Smelting Company Lda”. exploravam os operários das “Minas de S. Francisco”.
O escritor fez parte dessa plêiade de Grandes Escritores, entre os quais se encontravam os nomes Soeiro Pereira Gomes, Carlos de Oliveira, Alves Redol, Ferreira de Castro, Manuel da Fonseca, José Rodrigues Migueis, e muitos outros, integrados na escola do Neo-Realismo, que entendia a arte como interventiva na transformação da sociedade, mais justa, digna e humana. O Neo-Realismo, foi uma literatura de resistência ao fascismo salazarista e talvez por isso mesmo, é ainda hoje, a Escola Literária mais atacada pelos “Modernistas”, pelos “pensadores” e críticos engajados no sistema liberal e neo-capitalista, que tudo fazem para ocultar as suas obras, denegrindo-as e menosprezando o seu valor.
Esta minha apreciação, não quer de forma alguma criticar todos os escritores honestos e sem compromissos com “o sistema”, mesmo que bastante afastados das minhas ideias, têm obras de grande qualidade, algumas bastante críticas em relação à sociedade actual.
Infelizmente, outros que no início da sua vida literária, escreveram obras de grande alcance social, optaram por escolher outros estilos e conseguiram impor-se com grande sucesso como foi o caso do Prémio Nobel, José Saramago. Muito embora continue a gostar de algumas das suas obras mais recentes, continuo a ter uma grande saudade dos tempos em que escreveu o Livro “Levantado do Chão” esse Livro que o escritor disse ter sido um sonho que o deixa-se dizer no final: “Isto é o Alentejo”.
Mas, voltando a Fernando Namora, que nasceu em Condeixa-a-Nova, a 15 de Abril de 1915 e faleceu em Lisboa no dia 31 de Janeiro de 1989, legou-nos uma vasta obra com livros que marcaram toda uma geração, entre os quais destaco apenas os mais conhecidos e quase todos lidos – Retalhos da Vida de Um Médico, A Noite e a Madrugada, O Trigo e o Joio, Domingo à Tarde, O Homem Disfarçado, Rio Triste e o Livro de Poesia Mar de Sargaços.
Alguns dos seus livros foram adaptados ao Cinema – Domingo à Tarde por António de Macedo e Retalhos da Vida de Um Médico, pelo cineasta, Jorge Brum do Canto que obtiveram assinalável êxito.
E a finalizar gostaria de publicar neste texto, o belíssimo Poema de António Pacheco Busca, o que só farei com a devida autorização do autor que espero me ansiosamente, acompanhado das suas criteriosas e justas críticas (que são muito importantes para os meus pobres escritos) com sou sempre bafejado.
Até já Amigo!
CV-Setembro 2009
Martins Raposo
In: Wikipédia, Jornal do Fundão, CM da Covilhã.
PS: O Poema “Hino ao Pomarão” se for autorizado, ser incluído no princípio ou a seguir à frase : E a finalizar…
O que achas?
Manda notícias. Obrigado.
FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO

Já há muitos anos que durante o mês de Agosto a Câmara Municipal vinha organizando com algum êxito, as Festividades que em 1970 tomaram o nome de FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO, na altura com a participação da Paróquia. Mas estas Festas tinham há muitos séculos conquistado grande prestígio junto dos Castelovidenses de todos os visitantes nacionais e estrangeiros.
Nesse ano de 1970 as Festas apresentaram-se com um novo figurino e tiveram pela primeira vez, lugar a espectáculos e cerimónias de grande relevo. Houve uma enorme afluência de público aos Espectáculos que contou com um numerosa presença dos nossos vizinhos espanhóis.
Não resisto a transcrever a “Justificação e Desejo” do Presidente da Câmara em Exercício nessa altura, Sr. Engº. Malato Beliz:
Ao programar as Festas de Santa Maria de Agosto, o Pároco, a Comissão Municipal de Turismo e a Câmara Municipal pretenderam fazer reviver algumas das mais tradicionais festividades religiosas e populares do Concelho, certos de que elas vão directas ao coração do bom Povo de Castelo de Vide, o qual através dos séculos, sempre as viveu com a sã alegria e a abertura de espírito que tão belamente o caracterizam.
Que elas possam corresponder ao humaníssimo desejo de conviver, de sorrir e de distribuir por quantos nestes dias se reúnam à sua volta, familiares, amigos ou meros visitantes, os tão ancestrais e sempre renovados dotes de Povo hospitaleiro que são seu apanágio.
Que elas possam constituir, ainda, um verdadeiro cartaz turístico para a nossa tão bela região.
E, enfim, que todos aqueles que nos visitem, durante estes dias, estrangeiros e nacionais, se sintam em sua casa e, ao partir, levem consigo a mais grata recordação de Castelo de Vide e da sua boa Gente.
O Programa desse ano, contemplava:
Os Festejos começaram no dia 02 de Agosto com a Banda União Artística a cumprimentar a população, a que se seguiram durante dias, os Concertos de Música pela Banda União Artística, Exposições, Festa em honra de Nª. Sª. Da Penha, Teatro Infantil, Jogos, Gincanas e Corridas. Homenagem aos ilustres Castelovidenses – Garcia d’Orta e Dr. Morato Roma, com Exposição Bibliográfica e Conferência.
No último dia das Festas, a 15 de Agosto, deu-se grande relevo à visita de autoridades autárquicas da nossa vizinha Espanha que terminou com um grande festival de folclore Luso-Espanhol. Houve ainda neste dia um desfile etnográfico e um cortejo de açafates.

Ressalvando as devidas distâncias no tempo e na circunstâncias de cada momento, quem é que não concorda com os princípios enunciados nesta “Justificação”? A verdade é que mesmo nos últimos anos e já com a crise a castigar duramente as nossas vidas, os Castelovidenses continuaram a considerar as Festas de Santa Maria como o segundo grande momento de visitar a Família e os Amigos ( o primeiro é sem dúvida a Páscoa). Entretanto, o modelo das Festas foi-se alterando, deixou de haver o Cortejo do Traje e as Touradas no Largo de S. Roque que deram lugar à Feira de Artesanato e aos Espectáculos Musicais.
Nos últimos anos procurou-se, implementar a semana da gastronomia, sem os resultados que seriam de esperar, mas que seria importante implementar com outro formato que poderá vir a dar excelentes resultados.
Este ano a Câmara Municipal resolveu alterar por completo o figurino dos últimos anos e as Festas de Santa Maria de Agosto, ficaram reduzidas em termos de Espectáculos, acabou-se com a Feira de Artesanato e centralizaram as inciativas para os arrabaldes da Vila, num Parque Chamado de Engº. Malato Beliz, junto à Ribeira de São João. O Programa foi curto e pobre, salvando-se apenas o Festival de Folclore, o Concerto da BUA e pouco mais.
Com a excepção de alguns jovens que na sua imensa generosidade, acabam por aceitar “boa a música” que lhe dão; todas as pessoas com quem falei se mostraram profundamente desiludidas e defraudadas com esta mudança tão radical que transformaram as Festas de Santa Maria, como uma pequena festa de fim-de-semana, sem interesse para a maioria da população.
Note-se, que não pretendo criticar a Associação da Juventude Local (Ekosiuvenis), nem tão pouco o Rancho Folclórico ou a Banda de Música, que tentaram com os parcos meios de que dispunham dar uma certa dignidade aos festejos e às actuações respectivas e julgo até que em anos futuros terão que ser estas e as outras Associações do Concelho a tomar a seu cargo a responsabilidade de organizar as Festas de Santa Maria, pois só assim teremos a garantia destas não acabarem de vez e de terem o relevo e a importância que os Castelovidenses merecem.
É lógico e compreensível se façam alterações ao formato e modelo seguido durante bastante tempo, mas neste caso particular, penso que seria útil a Autarquia ter apresentado o seu “novo” Programa às forças vivas do município, respeitando a tradição de um evento que tem na história local uma importância de grande relevo cultural e social.
Estou entre aqueles que defendem uma programação e calendarização de iniciativas, ao longo do ano, estimulando e apoiando as Associações na sua realização, respeitando no geral uma Agenda Cultural, Desportiva e de Lazer, que deve ser aprovada no final de cada ano pelos interessados directos.
Por isso mesmo, dou os parabéns pela Autarquia levar a efeito uma grande inciativa de âmbito cultural a que deu o nome de “Viver a História” e que vai ter lugar no próximo fim-de-semana (4,5,6 e 7 de Setembro) e que tanto sucesso tem tido noutras terras. No entanto e dando voz aos numerosos comentários que criticaram a “alteração ao formato” das Festas de Santa Maria, alerto para o bom senso das entidades responsáveis, que sempre tem havido até agora nestas questões cruciais, no sentido de que no próximo ano estas voltem de novo a ter o brilho e a importância que os Castelovidenses merecem.
Não resisto a incluir neste apontamento, o artigo inscrito no Programa das Festas de Santa Maria de Agosto, no ano de 1972:
“FESTAS
Está cheio delas o calendário.
Não há cidade, vila ou aldeia que não tenha as suas.
Festas como as nossas, diz o Povo, não as há em terra alguma.
As comunidades, que a busca do pão parece desfazer, refazem-se e encontram-se nas Festas.
No geral, andem por onde andarem os filhos da terra, as festas que o povo celebrar à volta da sua igreja ou de alguma capela, em louvor de Nossa Senhora, de Santa Margarida ou de Santo António ou de outro Santo, à sua casa os faz voltar.
Querem matar as saudades!
Querem ver as pessoas de família que ficaram, os amigos de infância, as ruas e caminhos.
Querem… sabe-se lá tantas vezes o quê!
Querem voltar.
Festas de Santa Maria de Agosto!
Festas de Castelo de Vide!
Hora alta de comunhão humana e cristã.
Saltando por cima de tudo quanto possa separar, é altura de nos darmos as mãos, de aproveitar ao máximo a graça do encontro, dos filhos com os pais, com os irmãos e companheiros de escola, com a Senhora da Penha, com…
Como é bom, diz a sagrada Escritura, o encontro dos familiares e amigos!
E quem não fica com mais coragem para retomar o trabalho que tantas vezes separa, sabendo que, passado um ano, voltará e terá de novo a graça do encontro?
E que neste encontro matará as saudades que não morrem e fará crescer o amor que as gera?
Festas!
Oxalá não falte quem as faça, embora com sacrifício.
Bendito !
que tanto bem faz e tantos frutos produz!
O PÁROCO ALBANO
E com esta bonita prelecção termino, com os sinceros desejos de que para o ano as FESTAS DE SANTA MARIA DE AGOSTO, sejam melhores do que foram este ano.
CV- Agosto de 2009
JMartins Raposo
DO TEATRO


Já há muito tempo que não íamos ao Teatro e aparentemente já não ligávamos muito, por isso quando a “Lurdinhas” nos disse que tinha bilhetes para irmos ver uma peça de Teatro, não respondemos com a rapidez que ela esperava, mas nós precisávamos mesmo de sair, para aliviar a tensão a que a “Daia” esteve submetida durante o dia, com uma série de fios ligados ao corpo e uma maquineta de medir a tensão ao minuto.
Foi com agradável surpresa que entrámos no espaçoso foyer do novo Teatro Aberto (muito diferente do seu antigo e velho barracão). Soubemos então que íamos ver “ O Deus da Matança” da Escritora, Yasmina Reza, com Paulo Pires, Joana Seixas, Sofia de Portugal e Sérgio Praia, como intérpretes e encenação de João Lourenço.
Sentámo-nos comodamente na bonita “sala azul” prontos a assistir ao que no princípio nos pareceu trivial e simples comédia de costumes, com duas famílias apresentando as suas razões na defesa dos seus filhos que se tinham envolvido numa luta de miúdos. Todos se esforçavam por ser simpáticos, delicados e compreensivos, mas a pouco e pouco os ânimos foram azedando e o falso verniz estalou com estampido. O cenário transformou-se numa batalha campal, com agressões físicas e verbais.
A imagem publicitária do programa retrata as personagens no auge da contenda mais parecendo (com o devido respeito pelos autores) quatro Rottwellers, esganando-se uns aos outros numa raiva incontida e degradante.
As interpretações estiveram na perfeição cada um desempenhando o seu papel com intensa expressão dramática. Estão todos de parabéns, actores e encenador.
Saímos todos “ muito pacificamente” e bem dispostos. Temos que vir mais vezes ao Teatro.
UM HERÓI DO MEU TEMPO!

Para falar verdade, como agora se diz no politicamente correcto, até nem será contraditório falar deste nosso herói do 25 de Abril que foi o “Capitão de Abril” Fernando Salgueiro Maia.
A nossa história é fértil em figuras que se destacaram pela sua coragem e valentia mas a que eu nunca dei a devida atenção. No entanto, li com muito entusiasmo as façanhas de Robim dos Bosques, Zorro, Cisco Kid, Roy Rogers, O Príncipe Valente e muitos mais que a Banda Desenhada fazia as delícias da minha juventude.
Com o tempo e outras leituras fui tendo um conhecimento mais profundo da História e verifiquei que a heroicidade era muitas das vezes sobrevalorizadas e indevidamente enaltecida, menosprezando o papel das forças colectivas, esses sim, determinantes no rumo dos acontecimentos.
Alexandre Magno, Júlio César, Napoleão e o nosso Nuno Álvares Pereira, são contudo exemplos de grandes líderes e comandantes com a capacidade invulgar de vencerem muitas batalhas. Mas nenhum deles, mesmo tendo em consideração a audácia e a inteligência com que definiam a sua estratégia militar, nunca poderiam ter alcançado as suas vitórias, sem a abnegada e corajosa participação dos seus companheiros de armas.
É dado assente que os “ventos da história” só mudam efectivamente com a participação dos povos.

Voltando a Salgueiro Maia, temos que ser justos e prestar as devidas honras de glória, àquele que num acto de grande coragem e determinação, conseguiu obter a rendição, primeiro do Brigadeiro, Comandante do Regimento de Cavalaria 7 e depois do próprio Primeiro Ministro, Marcelo Caetano que se tinha refugiado no Quartel da GNR, no Carmo. Ou seja, conseguiu em ambos os momentos, com a serenidade e o sentido das responsabilidades, cumprir a missão de que estava incumbido – Derrubar a Ditadura!
É hoje, consensual para todos aqueles que viveram nos negros tempos da ditadura fascista e que depois assistiram à vitória da Revolução dos Cravos, que o “Capitão de Abril”, Tenente-Coronel Salgueiro Maia é o mais alto e digno representante do espírito do 25 de Abril.
A este herói do meu tempo eu presto a minha modesta mas sincera e sentida homenagem e dizer bem alto, que sinto muito orgulho em ter nascido na mesma terra, Castelo de Vide, onde nasceu um dos maiores defensores da Liberdade conquistada com o 25 de Abril.
A Evocação do 45º. Aniversário do Nascimento de Fernando Salgueiro Maia, organizada pelo GACV, no dia 01 de Julho, foi uma cerimónia de grande significado evocativo e que contou com a presença, da Drª. Natércia Salgueiro Maia, Familiares, Amigos e Companheiros de Armas do malogrado herói que faleceu no dia 04 de Abril de 1992. Os objectivos consignados nesta evocação, visam enaltecer o líder e Comandante que se destacou com grande nobreza revolucionária em todas as missões e as cumpriu com grande saber e dignidade, contribuindo decisivamente para a implantação da Democracia em Portugal.
A Sessão Solene, teve momentos de grande emoção e sempre que o nome de Salgueiro Maia era evocado, todos os presentes prestavam calorosas e sentidas ovações, com o Auditório do Centro Municipal completamente cheio, viveu-se ali, uma das noites mais emocionantes a que foi dado assistir.
Honra e Glória a Salgueiro Maia, um verdadeiro Herói do meu tempo!
CV- 04 de Julho de 2009
José Martins Raposo
UM SONHO DESFEITO !

Neste triste caso, o Poeta não acertou com a rima e o sonho descomandou a vida, ardeu desfeito em cinzas de fel e amargura.
Belgais fechou as suas portas e uns homens de negro vestidos, quais vampiros sequiosos de sangue e de vinganças, tudo levaram, pianos e muitos outros instrumentos, desapareceram mediante um papel passado por um qualquer magistrado que obedeceu apenas à imposição de uma suposta legalidade e sem que um só dedo se levantasse em defesa do que restava de um grandioso projecto de cultura.
O Ministério da Educação, diz que o arresto do património da Associação Belgais, não implica o fecho da Escola da Mata (?), mas se escorraçaram a autora do projecto obrigando a mesma a “exilar-se” no Brasil, que hipocrisia é esta e com que fins se faz uma declaração destas?
“Julgo que vim para a Baia, para me salvar um pouco dos malefícios que sofri. Vim respirar porque estava a ser vítima de uma verdadeira tortura”, explicou à Imprensa, Maria João Pires.
A magistral intérprete de Chopin, Mozart, Beethoven e Shubert, vencedora em 1986, do Primeiro Prémio do Concurso do Bicentenário de Beethoven, detentora de numerosos prémios nacionais e internacionais. Reconhecida internacionalmente como uma das melhores pianistas do mundo, com uma carreira recheada de êxitos, emparceirando de igual com os nomes cimeiros da música clássica e de câmara, um dia parou algures num lugar ermo, longe das multidões e arriscou tudo o que tinha num projecto de formação artística e musical.
O Centro Belgais, nasceu de um sonho muitas vezes idealizado e que esteve muito perto de se concretizar num enorme sucesso inovador, para o qual a artista deu tudo o que possuía em conhecimento e meios financeiros, conseguindo apoios de grandes mestres internacionais que se prontificaram a trabalharam, alguns de forma gratuita ensinaram durante anos, as crianças na artes, dando luz a um sistema inovador e vanguardista.
O lugar que Maria João Pires escolheu para o Centro, ficava longe da capital e dos grandes meios citadinos, perto de Castelo Branco, próximo da Aldeia da Mata. O sítio isolado, parecia ser um aliado, para o sucesso da obra, mas os lobos esfaimados de sangue e vinganças mesquinhas, corroídos pela inveja, não a deixaram em paz e desde o princípio, tudo fizeram para destruir o projecto e consequentemente a sua autora.
Foram poucos os tempos de euforia, uma mistura de muitas esperanças, alguns êxitos e muita luta contra os seus inimigos, chegou a ser galardoada com o Prémio Unesco, para a Defesa dos Direitos Humanos, mas tudo foi em vão. Maria João Pires não resistiu, a falta dos apoios necessários para desenvolver a sua obra, as dívidas foram-se acumulando e a falência acabou por determinar este vergonhoso processo, sem que ninguém responsável na área da cultura tivesse corajosamente defendido o projecto.
Recentemente, acometida de doença grave, teve que entregar a administração à sua filha, Joana Pires.
Do Brasil, País governado por um Presidente que foi Operário, veio o honroso convite para que Maria João Pires prossiga o seu sonho, é uma desfeita aos doutores e engenheiros que detêm desastradamente o poder em Portugal. Rogo aos Deuses para que a Artista tenha o maior sucesso.
Da Venezuela, vem um exemplo muito semelhante nas suas origens, ao ser criada a Orquestra Simon Bolívar, sob a regência de Gustavo Dudamel desenvolvendo um projecto social, conseguiu reintegrar na sociedade milhares de crianças, em pólos do ensino musical espalhados pelo país governado por Hugo Chaves. Não é que eu não tenha algumas críticas a fazer a este polémico governante, mas na verdade, nas questões sociais, tem sido um bom revolucionário e o apoio que tem dado ao genial Maestro e Compositor é uma prova em evidência que é justo realçar.
Lula da Silva, um pouco menos arrojado do que o seu vizinho, também tem dado alguns passos muito positivos, só espero que Maria João Pires seja devidamente recompensada e ressarcida de todos os prejuízos causados no seu País. Infelizmente não foi a primeira vez que um génio foi maltratado na sua terra e como os criminosos continuam impunes, não será a última certamente.
Até quando!
CV - Junho-09
JMartins Raposo

PINA BAUSCH


Nasceu em 27 de Julho de 1940 em Wuppertal na Alemanha e foi sem dúvida alguma uma das figuras mais importantes da dança contemporânea que revolucionou a arte do movimento corporal, impregnando as suas peças com uma vertente psicológica, fazendo com que os intérpretes passassem eles mesmos a ser co-autores das suas obras. Deixaram de representar como meros autómatos, seguidores cegos dos coreógrafos. Pina Bausch acabou com as hierarquias no palco, invertendo o sentido da comunicação e da cumplicidade com o público.
“A dança de Pina Baús era uma dança maior que a própria dança”!
Pina Bausch veio várias vezes a Portugal com as suas peças nas quais realçava com um realismo cáustico a sociedade sem artifícios, sem falsas moralidades e felicidades mentirosas. A sua inspiração assentava no verdadeiro sentido da vida actual, com os seus intérpretes representando pessoas comuns e reais, com dimensão humana, no seu desespero pelo trágico, no desespero perante a morte e o absurdo irreal de todas as vidas.
Não precisamos de muito para conhecermos a obra de Pina Bausch, basta rever os seus espectáculos, e as imagens que nos ficaram de cenas espectaculares e de representações inigualáveis.
Pina Bausch saiu de cena, do dia 30 de Junho, silenciosamente e rápida, sem quase darmos por ela, como que confirmar a sua forma de estar na vida, gostando mais de falar através das palavras dos outros, resguardando-se pessoalmente das luzes feéricas dos mídia, sabendo que o seu génio será confirmado eternamente.
Adeus minha querida bailarina!
Martins Raposo
CV-Julho 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

NAQUELES ANOS 60


Naqueles tempos que os “kotas” de hoje gostam de relembrar como os anos dourados da sua juventude, passaram-se coisas fascinantes que deslumbraram e incentivaram a nossas frescas e revoltosas imaginações.Parecia que todo o Mundo se transformava aos seus olhos com uma rapidez nunca antes alcançada. A Ciência e os avanços da Tecnologia, estimulavam os seus ideais de uma utopia humanista, em que a Paz e o Amor Universal seriam as ideologias dominantes.As viagens espaciais foram uma das fortes componentes que alimentaram os seus sonhos visionários.
“Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigante para a humanidade”! Foi com estas palavras que Neil Armstrong anunciou ao Mundo a chegada do Homem à Lua. Os seus passos e os do seu companheiro, Edwin Aldrin, abriram uma das mais belas páginas da Humanidade.Luanda, ainda não tinha Televisão, naquele ano de 1969, as pessoas seguiram esta extraordinária aventura, através da rádio, pelas vozes de Sebastião Coelho e do celebre cientista Bettencourt Faria que do seu estúdio instalado no Centro Espacial da Mulemba, seguia passo a passo, o voo do Columbia que levou o modulo Eagle a alunar no nosso Planeta no dia 20 de Julho.Todo o mundo se maravilhou com mais esta enorme conquista do espaço. A juventude, acompanhava com particular atenção, todas as descobertas que os cientistas russos e americanos desenvolveram a partir dos meados dos anos 50 e que se intensificaram na década seguinte, numa disputa servida pelo móbil da guerra fria que atravessava a sua fase mais crítica de sempre.
Já naquela altura as pessoas se dividiam nas suas preferências entre os que apoiavam tudo o que era realizado pelos USA e outros em menor número que exultavam com os avanços tecnológicos da URSS que nos primórdios dos anos 60 averbaram grandes vitórias, com Yuri Gagarine a ser o primeiro humano, em 12 de Abril de 1961, a fazer uma orbita completa em redor da Terra, a bordo da Vostok I. Em Junho de 1963 Valentina Tereshkova tornava-se na primeira mulher a viajar no espaço. Os anos 60 foram férteis em extraordinários avanços da ciência e das artes, deram lugar a grandes movimentos sociais e culturais, entre os quais sobressaiu o Maio de 68, que trazia na sua génese uma nova forma de encarar o mundo. A juventude e os intelectuais da altura de entre os quais se destacavam os escritores existencialistas, Sartre, Beauvoir, Camus, tentaram acabar com os velhos tabus da sociedade e incrementar uma nova era em que imperasse o sempre sonhado “Homem Novo”.
Foi assim em Paris, e de certo modo em Woodstock, nos USA, nesse extraordinário Festival de Música, onde músicos como Joan Baez, Santana, Janis Joplin, Joe Cocker e Jimi Hendrix , abrilhantaram os três dias com um reportório de músicas fantásticas que ficarão para sempre na nossa memória. Este gigantesco encontro de jovens foi também o vértice do movimento Hippie que tinha como divisa a célebre frase “Peace and Love” opondo-se declaradamente contra a guerra do Vietname.Os USA debatiam-se com a firme oposição da sua Juventude que se rebelavam contra uma guerra injusta, praticada lá para os confins de um País do Oriente, que nada dizia ao povo americano, a não ser aos velhos xenófobos que acirradamente combatiam tudo o que cheirasse a socialismo. Tiveram que engolir o desastroso fracasso da Baía dos Porcos, um atentado falhado contra a jovem Cuba, libertada recentemente de uma Ditadura. Os Americanos lutavam em todas as frentes à procura de alguma vitória que lhes confirmasse a sua supremacia.O êxito conseguido com a Apolo 11 e os seus três astronautas, Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin “Buz” Aldrin, cada qual com uma função específica que foi cumprida na sua totalidade e com sucesso, veio dar uma lufada de esperança na desmedida ambição de quererem a todo o custo dominar o mundo.Infelizmente, os seus planos foram quase na sua totalidade alcançados, os USA não só têm dominado o mundo em termos económicos, como politicamente a suas ideias neocapitalistas, ganharam uma força determinante no ocidente. A derrocada dos países do leste contribuíram decisivamente para que se autoproclamassem os senhores absolutos de todos os povos, com algumas honrosas excepções como é óbvio.Assim a grande vitória alcançada naquele dia 20 de Julho de 1969 que deveria ter sido o começo de uma nova era em que a tecnologia científica ajudasse todas as outras ciências sociais e políticas a caminhar num sentido mais justo e humano, não passou de mais uma vitória dos políticos ultraconservadores Americanos, que serviu apenas os seus intentos maquiavélicos de dominar tudo e todos, dos quais o Presidente Reagan com a sua “Guerra das Estrelas”foi um dos expoentes máximos da teoria imperialista. Portugal vivia nessa época, os anos terríficos da ditadura salazarista, com os portugueses amordaçados por uma política fascista dominada pelo medo e pela repressão da PIDE e das Corporações patronais que agiam a seu belo prazer na exploração dos trabalhadores.Por outro lado, os anos 60, foram marcados pela vontade dos povos Africanos se libertarem do colonialismo. Este movimento alastrou-se às chamadas Províncias Ultramarinas de Angola, Moçambique e Guiné Bissau. O Salazarismo do “orgulhosamente sós” negando-se a negociar pacificamente, contrariando a oposição democrática, impôs aos jovens portugueses uma guerra injusta e inútil, que levou à perda de muitas vidas e causou enorme sofrimento aos povos envolvidos no conflito.À margem dos acontecimentos, Angola aparentemente, ganhou uma imagem de desenvolvimento económico que já vinha dos anos 50, beneficiando de um grande aumento da população branca vinda da Metrópole, de algumas Empresas Industriais e Comerciais e dos Bancos que investiram os seus capitais, na chamada “Jóia da Coroa do Império”. No entanto, a maioria do povo continuou a viver mal, com uma desigualdade social e económica muito grande, com os autóctones a sofreram de descriminação racial e os intelectuais mais activos a serem perseguidos e presos.Não cabe neste apontamento, desenvolver o tema sobre a justa luta dos povos pela liberdade e pela sua autodeterminação, noutros artigos e sempre que julgar oportuno, poderei pronunciar-me e desenvolver com mais dados esta delicada matéria. O mesmo poderei dizer em relação aos “anos dourados” sobre os quais certamente voltarei a escrever.
Por hoje, gostaria apenas de salientar que todos os movimentos iniciados na década 50 e 60 foram determinantes nas vitórias dos povos de vários países pela sua autodeterminação, pela libertação das “Províncias Ultramarinas” do jugo do colonialismo e pela liberdade do povo português conquistada com o 25 de Abril, foram estes sem dúvida dos momentos mais importantes, vividos pelos jovens da minha geração.Em jeito de conclusão, digamos que foi bom ter vivido esse tempo mágico e louco, de tantas correrias e ilusões. Em relação à Ciência com a qual comecei esta crónica, apenas duas curtíssimas notas (em Dó Sustenido Grave) – a primeira refere-se a esse sábio engenhoso que foi Bettencourt Faria, criador do melhor Centro Espacial em toda a África nos anos 60, reconhecido pela NASA, que chegou a utilizar os seus conhecimentos e pesquisas. A sua obra foi destruída em 1977, no momento em que foi barbaramente assassinado mesmo em frente à sua casa. Infelizmente, esse hediondo crime continua impune até hoje, sem o julgamento dos culpados.
A outra nota, vai para esse extraordinário jornalista que foi Sebastião Coelho, autor do célebre programa de rádio “O Café da Noite” que após o 25 de Abril foi forçado a viver no Brasil, num exílio de amargura e tristeza, vindo a falecer em 2000, sem nunca lhe terem sido reconhecidos os seus verdadeiros méritos, como profissional e cidadão exemplar que muito contribuiu para o enriquecimento cultural da juventude Angolana.Só mais uma nota, mas esta em "Mi Bemol", registando a minha sentida mágoa por não ter sido possível que Galileu tenha visto com os seus olhos, este lindo Planeta Azul, tal como aconteceu com Yuri Gagarine!Apesar de tudo, como diria Gedeão…O Mundo Pula e Avança!Martins Raposo
Publicada por Martins Raposo em 13:06

UM ESPECTACULO FABULOSO
COM JOSÉ CARRERAS
A velha parada da EPC, recentemente desactivada e transformada na Praça Fundação da Liberdade, em homenagem ao Capitão de Abril, Salgueiro Maia, estava completamente cheia para ouvir um dos melhores Tenores do Mundo, numa iniciativa organizada e promovida pela Câmara Municipal de Santarém.
José Carreiras convidou para o acompanhar, a cantora lírica, Isabel Alcobia e a Orquestra Filarmónica das Beiras, sob a regência do Maestro David Gimenês.
José Carreras, abriu o espectáculo com L’Árlesienne de Georges Bizet, com uma notável interpretação que recolheu do público fartos aplausos, que se repetiram entusiasticamente ao longo deste extraordinário Concerto e no qual se incluíam obras de Charles Gounod, Gaetano Lama, Evemero Nardella, Léo Delibes, Josep Ribas, Salvatore Gambardela.
Interpretou em conjunto com Isabel Alcobia, o Die Lustigue Witwe de Franz Léhar e El Duo de la Africana de Manuel Cabalero. Por sua vez a cantora interpretou a solo,Die Flkedermaus de Johan Strauss e a Canção do Mar de Frederico de Brito e Ferrer Trindade.
No final e depois de um naturalíssimo encore com Isabel Alcobia, foi obrigado pelo Público a brindar-nos com mais três excelentes interpretações. Visivelmente emocionado despediu- se finalmente do público com a famosa Granada de Augustin Lara.
A Orquestra das Beiras, fundada em 1996, com a sua Sede na cidade de Aveiro, esteve sempre muito bem e brindou o público com duas excelentes interpretações, a Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni e do “La Bodas de Luís Alonso” de Jerónimo Gimenez.
José Carreras, nasceu em Barcelona, a 05 de Dezembro de 1946, começou muito jovem a interessar-se pela música clássica e diz-se ter ficado fascinado quando pela primeira vez ouviu Mário Lanza em The Great Caruso. Apoiado pela Família, ingressou no Conservatório Municipal de Barcelona e teve aulas com Francisco Puig e Juan Ruax o qual considera o seu “pai artístico”. A sua estreia foi na sua cidade natal, em 1970, no Gran Teatre del Liceu, interpretando a ópera Nabucco de Verdi.
Os seus enormes dotes vocais levam-no aos melhores Teatros de Ópera do Mundo, acompanhado pelas melhores Orquestras, dirigidas por famosos Maestros, como Von Karajan e Leonard Bernstein, entre outros.
A década de 80, foi particularmente difícil para Carreras acometido por uma Leucemia Linfóide de que conseguiu sobreviver depois de um severo tratamento que o obrigou durante algum tempo a suspender as suas actuações. Gradualmente retornou à Ópera em 1988 já estava de novo numa tournê
.
Mais tarde faz parte do Projecto “ Os Três Tenores” com Plácido Domingo e Luciano Pavarotti que alcançaram enorme sucesso em todo o mundo. Particularmente conhecido pelas suas performances nas obras de Verdi e Puccini, não enjeita dar a sua magnífica voz a outras obras clássicas como foi o caso de Cármen de Bizet e L’elisir d’Amore de Donizette, deste último compositor interpretou em parceria com Monteserrat Caballé a ópera Lucrezia Borgia.
José Carreras foi agraciado com numerosos prémios e distinções pelas suas interpretações a nível mundial e também pelas suas intervenção social humanística. Registe-se que das três vezes que esteve em Portugal, da primeira esteve no Espectáculo das 7 Maravilhas do Mundo, que se realizou em Lisboa e em 2009, ofereceu-se para actuar na Gala dos 50 Anos do Hospital de S. João do Porto.
Desta vez veio a Santarém a convite do Presidente da Câmara Municipal, Sr.Franscisco Moita Flores, para a inauguração da Fundação da Liberdade e todos os que tivemos o privilégio de assistir a este memorável espectáculo, estamos para sempre rendidos ao seu extraordinário talento, à sua voz divina e à sua simplicidade em palco e no convívio que teve com todos os que o acompanharam.
Há muito que desejava ouvir e ver pessoalmente José Carreras. Ter a sua obra quase completa não é o mesmo que ouvi-lo directamente. O mesmo se passava com a “Daia” que tem Carre(i)ras no nome e é natural de Santarém, duas boas razões para termos ido a este “Histórico Concerto” em Santarém.
Se alguém achar estranho (devido às minhas opções políticas) a clara indicação do nome do Presidente da Câmara que promoveu este Espectaculo, direi que o fiz de propósito. Não o conheço pessoalmente, mas as cerimónias do 10 de Junho e o relevo que deu à figura de Salgueiro Maia, nessa data e nos 35 anos do 25 de Abril deste ano, levam-me pessoalmente a considerar de excepcional importância este seu trabalho e “simbolicamente” atribuir-lhe uma nota de exemplar distinção.
Mas é com José Carreras que pretendo finalizar, para afirmar com toda a sinceridade que este foi sem dúvida o melhor Concerto (no género), que ouvi em toda a minha já longa vida.
Obrigado José!
Julho2009
DOS LIVROS
O que mais gostei em Julho!

A bem dizer, tratou-se de reler um Livro que marcou as minhas primeiras leituras em Angola, de autores que só se encontravam nas mãos de poucas pessoas, conseguidos clandestinamente na Lello e na ABC. Terra Morta do escritor Castro Soromenho, foi publicada no Brasil em 1949, numa altura em que o autor residia em Portugal.
Castro Soromenho nasceu em Moçambique, no Chinde, a 31 de Janeiro de 1910 e faleceu 18 de Junho de 1968 em São Paulo, no Brasil.
Foi Jornalista, etnólogo e ficcionista, integarndo o movimento neo-realista, seguindo um estilo literário, muito próximo de Alves Redol.
Neste Livro, Castro Soromenho, descreve a vida numa vila do interior de Angola, na qual os Comerciantes, o Chefe de Posto e os Fazendeiros, usam e abusam da sua superioridade social, tratando os negros de forma racista como seres inferiores. O retrato impiedoso, denúncia o colonialismo como uma prepotência racial, com todos os horrores praticados em populações indefesas e duramente submetidas.
A Vila do Camaxilo, ficava na Lunda, tinha conhecido os tempos áureos da borracha e do negócio do marfim, chegando a haver mais de cinquenta lojas e os comerciantes encheram-se de dinheiro e os negros das senzalas tinham muito trabalho com que pagam os seus panos. Na época em que o autor descreve a sua narrativa tudo tinha mudado a vila estava empobrecida e o negócio era o de arregimentar os nativos para a Companhia dos Diamantes do Nordeste.
Castro Soromenho relata o drama desta gente, sem direitos, tratados quase como os escravos do antigamente, onde um ou outro consegue escapar, integrando-se na Administração do Posto, como Cipaios.
O Escritor fala ainda da mestiçagem, fenómeno tipicamente português, e da sua integração com os povos onde vive, foi assim no Brasil, em Moçambique, Angola, Cabo Verde e Guiné.
Nem todos eram colonos racistas! No meio em que viviam, uns de forma paternalista, outros porque eram puros e humanos. A personagem central do romance, Joaquim Américo é isso mesmo, um puro humanista, com ideais, ainda um pouco confusos, mas já numa perspectiva de mudança radical com o poder instituído. Tal como Soromenho, também ele esteve no Brasil e veio para Angola servir na Administração, numa terra do interior.
Ainda faltavam muitos anos para que as ideias de Castro Soromenho, vincadamente socialistas, tivessem a possibilidade de serem difundidas em liberdade, mas a coragem do escritor é de grande importância, embora tenha pago caro a sua ousadia.
A seguir a Terra Morta, Soromenho, escreveu Viragem e A Chaga, para além de Contos, Novelas e narrativas.
Foi um prazer reler esta Obra!

DO ALENTEJO!
Hoje não vou falar do Alentejo cinzento, árido e seco. Não vou falar das aldeias quase despovoadas, dos campos abandonados, de cercaduras de arame onde os pequenos rebanhos de olhar triste e faminto, passam o tempo sem um pastor por perto.
Do Alentejo sem trigo ou qualquer outro tipo de cereais que dizem estar “em queda livre”. Os poucos agricultores queixam-se do Ministro. Falta-nos apoios! Falam em milhões do quadro comunitário que não chegaram a ser entregues. São quatro mil os agricultores que ainda não receberam as verbas a que tinham direito do ano de 2008, afirma o Presidente da CAP.
Já chega! Hoje não quero falar de coisas feias e tristes!
Hoje vou falar de lugares aprazíveis, da costa alentejana, com dezenas e dezenas de quilómetros de areia fina e branca, do azul do mar e de pequenas baías como a de Almograve e Zambujeira, verdadeiros paraísos para os veraneantes, ombreando com as melhores praias do Algarve.
Com aldeias como Porto Covo, Almograve e Zambujeira do Mar, onde a traça tradicional mantém a sua beleza original, oferecendo ao mesmo tempo os sabores requintados da sua gastronomia e responde em qualidade com bons e diversificados alojamentos, desde os Hotéis mais caros, ao Turismo Rural e aos Parques de Campismo.
O mar e a natureza se interligam sem grandes distorções urbanísticas, respeitando os planos gizados pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina com mais de 100 Kms. de extensão. As arribas são resguardadas conforme as normas, os acessos e a vigilância muito bem organizada, dão-nos a segurança necessária, para gozarmos sem preocupações os aprazíveis areais e águas límpidas e sossegadas.
Tudo lhe confere uma distinção particular que concorre para manter um elevado nível do Turismo da Costa Alentejana cada vez mais procurada por nacionais e estrangeiros.
Este ano tivemos a feliz oportunidade com alojamento oferecido pelos nossos queridos Amigos António Manuel e Maria de Alegria, de visitar toda esta zona e muito em particular o Concelho de Odemira que ficámos a conhecer muito melhor. Esta Vila, debruçada airosamente sobre o Rio Mira, está implantada nas pequenas serras da Cabeça Gorda e dos Pinheiros e fica a 20 Kms. do mar. Com algumas igrejas
e casas senhoriais, com destaque para o imponente edifício da Câmara Municipal. Alguns parques e o passeio reconstruído junto ao Rio, tornam este lugar apetecível e de grande tranquilidade.
Vila Nova de Mil Fontes, na foz do Rio Mira foi uma antiquíssima Vila piscatória que os tempos modernos transformaram num dos lugares mais cosmopolitas da Costa Alentejana, tornando-se a preferência de milhares de turistas na época balnear. O mesmo se poderá dizer das freguesias do Almograve e da Zambujeira do Mar, mais pequenas mas beneficiando das suas baías fantásticas, pelas suas imponentes arribas, a extensão de areia e as suas águas calmas.
Foram oito belos dias de sol e mar, com rápidas surtidas por outros lugares fantásticos, como o já citado Porto Covo, a Ilha do Pessegueiro (vista de perto) que nos deram muito prazer e momentos de sonho e beleza.
Ou é impressão minha, ou de facto estes lugares que acabei de visitar não são devidamente divulgados pela nossa Imprensa, grande parte da qual está em mãos de senhores sobejamente conhecidos pela sua aversão a tudo que lhe “cheire” ser do Alentejo. Vejam bem! Eu até tenho algumas dúvidas se isto não resultará em benefício e salvaguarda do Litoral Alentejano, que até possui uma cidade (com mais de 12.000 Ha) que não está registada em muitos mapas e que as pessoas que atravessam pela estrada que a divide, sem darem pela sua existência. Vila Nova de Santo André, única em Portugal!
Aos meus Amigos espalhados um pouco por todo o lado, lanço este desafio! – Venham ver este lado do Alentejo, diferente, alegre e acolhedor!
Pela nossa parte, está prometido o regresso em breve…
Martins Raposo
Agosto de 2009


DO ALENTEJO!




Hoje não vou falar do Alentejo cinzento, árido e seco. Não vou falar das aldeias quase despovoadas, dos campos abandonados, de cercaduras de arame onde os pequenos rebanhos de olhar triste e faminto, passam o tempo sem um pastor por perto.
Do Alentejo sem trigo ou qualquer outro tipo de cereais que dizem estar “em queda livre”. Os poucos agricultores queixam-se do Ministro. Falta-nos apoios! Falam em milhões do quadro comunitário que não chegaram a ser entregues. São quatro mil os agricultores que ainda não receberam as verbas a que tinham direito do ano de 2008, afirma o Presidente da CAP.
Já chega! Hoje não quero falar de coisas feias e tristes!
Hoje vou falar de lugares aprazíveis, da costa alentejana, com dezenas e dezenas de quilómetros de areia fina e branca, do azul do mar e de pequenas baías como a de Almograve e Zambujeira, verdadeiros paraísos para os veraneantes, ombreando com as melhores praias do Algarve.
Com aldeias como Porto Covo, Almograve e Zambujeira do Mar, onde a traça tradicional mantém a sua beleza original, oferecendo ao mesmo tempo os sabores requintados da sua gastronomia e responde em qualidade com bons e diversificados alojamentos, desde os Hotéis mais caros, ao Turismo Rural e aos Parques de Campismo.
O mar e a natureza se interligam sem grandes distorções urbanísticas, respeitando os planos gizados pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina com mais de 100 Kms. de extensão. As arribas são resguardadas conforme as normas, os acessos e a vigilância muito bem organizada, dão-nos a segurança necessária, para gozarmos sem preocupações os aprazíveis areais e águas límpidas e sossegadas.
Tudo lhe confere uma distinção particular que concorre para manter um elevado nível do Turismo da Costa Alentejana cada vez mais procurada por nacionais e estrangeiros.
Este ano tivemos a feliz oportunidade com alojamento oferecido pelos nossos queridos Amigos António Manuel e Maria de Alegria, de visitar toda esta zona e muito em particular o Concelho de Odemira que ficámos a conhecer muito melhor. Esta Vila, debruçada airosamente sobre o Rio Mira, está implantada nas pequenas serras da Cabeça Gorda e dos Pinheiros e fica a 20 Kms. do mar. Com algumas igrejas



e casas senhoriais, com destaque para o imponente edifício da Câmara Municipal. Alguns parques e o passeio reconstruído junto ao Rio, tornam este lugar apetecível e de grande tranquilidade.
Vila Nova de Mil Fontes, na foz do Rio Mira foi uma antiquíssima Vila piscatória que os tempos modernos transformaram num dos lugares mais cosmopolitas da Costa Alentejana, tornando-se a preferência de milhares de turistas na época balnear. O mesmo se poderá dizer das freguesias do Almograve e da Zambujeira do Mar, mais pequenas mas beneficiando das suas baías fantásticas, pelas suas imponentes arribas, a extensão de areia e as suas águas calmas.

Foram oito belos dias de sol e mar, com rápidas surtidas por outros lugares fantásticos, como o já citado Porto Covo, a Ilha do Pessegueiro (vista de perto) que nos deram muito prazer e momentos de sonho e beleza.
Ou é impressão minha, ou de facto estes lugares que acabei de visitar não são devidamente divulgados pela nossa Imprensa, grande parte da qual está em mãos de senhores sobejamente conhecidos pela sua aversão a tudo que lhe “cheire” ser do Alentejo. Vejam bem! Eu até tenho algumas dúvidas se isto não resultará em benefício e salvaguarda do Litoral Alentejano, que até possui uma cidade (com mais de 12.000 Ha) que não está registada em muitos mapas e que as pessoas que atravessam pela estrada que a divide, sem darem pela sua existência. Vila Nova de Santo André, única em Portugal!
Aos meus Amigos espalhados um pouco por todo o lado, lanço este desafio! – Venham ver este lado do Alentejo, diferente, alegre e acolhedor!
Pela nossa parte, está prometido o regresso em breve…
Martins Raposo
Agosto de 2009
A MÃE, A TRAVE MESTRA DA FAMÍLIA!


A Mãe era a trave da Família. Dirigia a casa, cuidava dos filhos, fazia os gastos domésticos e orientava as relações com os outros familiares e com a vizinhança. Para além disso, ainda trabalhava para ajudar a economia caseira. A educação dos filhos estava à sua responsabilidade, quando sabia ler, ensinava-lhes as primeiras letras, em muitos casos as únicas que eles viam pela vida fora.
Ao filho a Mãe, cuidava do seu comportamento e ensinava-lhe a moral e os deveres filiais que nas famílias pobres, queria dizer que tinha que arranjar trabalho logo que acabasse a 4ª. Classe, quando não era antes por necessidade de sobrevivência.
Era muito comuns verem-se garotos com pouco mais de seis anos a guardar gado como ajudante do pastor ou do boieiro, por esses campos fora, sujeito como os adultos às intempéries dos invernos e à torreira do sol nos verões.
A pequena mesada, um pouco mais do que o caldo, vinha para casa e as famílias com muitos filhos, conseguiam assim minorar as enormes dificuldades.
O Pai, esse tinha que topar a tudo, trabalho no campo, nas estradas, nos caminhos de ferro, nada se podia desaproveitar, até porque a mão de obra era maior que a procura o que levava os homens à Praça de Jornas, para de uma forma humilhante serem avaliados pelos capatazes e feitores que defendiam os interesses dos Patrões com o maior rigor, mesmo que fosse de forma desumana.
Havia Famílias onde durante a semana, só a Mãe, regressava a Casa todos os dias e comia sozinha o pão amargo com um bocado de toucinho, queijo ou algumas azeitonas.
O dia maior era o Sábado à noite, quando todos se juntavam à mesa, a comer uma boa sopa de feijão com couves, um bocado de toucinho com ferva e por vezes, queijo e um copo de vinho para o Pai.
A Mãe, qual abelha-mestra, era a última a sentar-se à mesa, sorrindo, olhando para o marido com o olhar limpo das amarguras. Estar com o seu Homem, era na maior parte das vezes a sua maior alegria e os momentos eram só aqueles.
Depois o Pai, saia até à taberna mais próxima, para falar com os amigos e beber uns copos, não era raro regressar a casa a já tarde e com os sentidos nublados pelo álcool. A Mãe velava à lareira, pacientemente, mexendo as brasas, aquecendo a cafeteira do café. Quem sabe o seu homem, ainda viesse bem disposto para beber com ela um bom café, antes de se deitar e fazer amor. Nessas alturas, a Mãe, descobria sempre uma velha garrafa de aguardente eu servia de prelúdio à conversação e aos afectos.
No Domingo, o Pai ia até ao quintal, arranjar lenha, acomodar as capoeiras, ver o porco, quando havia essas posses e preparava-se para mais uma jornada, o lugar do trabalho obrigava-os a abalar nesse dia à tarde, na segunda-feira tinham que pegar ao trabalho antes do nascer do Sol. A Mãe dava os últimos pontos na camisa e nas calças, inspeccionava as meias e as botas e preparava os avios para mais uma semana, quando não eram duas sem intervalos.
Nas tardes de Domingo, vinha até à porta e sentada no poial, conversava com as vizinhas, comentando as novidades que circulavam de rua em rua.
Era assim todos os dias e todos os anos! A Família e a casa estava bem assente na sua trave mestra.
Maio de 2009
JAMR
VIVER A HISTÓRIA
MERCADO MEDIEVAL EM CASTELO DE VIDE

Começo por saudar a Câmara Municipal e dar-lhe os parabéns, por ter organizado pela primeira vez na nossa Terra um evento a que deu como título de “VIVER A HISTÓRIA”., servindo-se de uma Empresa Nacional muito credenciada e que tem ao seu serviço actores de grande experiência neste tipo de actuações.Dizer também que gostei no seu conjunto da forma como decorreram todas as actividades a que pude assistir, com especial relevo para a “cena” em que se representaram alguns acontecimentos históricos, dando relevo aos numerosos conflitos com os nossos vizinhos espanhóis que durante séculos instigados mais por interesses económicos do que políticos resolviam quase todos os seus problemas em escaramuças e pequenas batalhas.A melhor de todas as “Cenas” foi sob o meu modesto entender, o Torneio de Armas a Cavalo” realizado na noite do dia 06 de Setembro em que se digladiaram os Cavaleiros e os Guerreiros que os acompanhavam.Da mesma forma, julgo que o “Assédio e Assalto ao Castelo pelas Tropas Castelhanas, foi a “Cena” menos conseguida como quadro histórico, representado num local (A Igreja) nada apropriado com uma encenação muito pobre e desequilibrada, por falta de luz e de som que nos impediram de ouvir os diálogos e as movimentações apresentadas de uma forma um pouco trapalhona e jocosa, com os assaltantes mais interessados no vinho e na libertinagem do que no eventual assalto ao castelo.Como disse do que vi, em termos de organização pareceu bastante bem, com a presença de grupos de bailado e músicas da época, assim como as tendas que representavam os diferentes grupos étnicos, os utensílios usados e algum artesanato.Mereceu bastantes elogios o mercado dos produtos hortícolas da responsabilidade do Rancho Folclórico de Nª. Sª. de Alegria quer pelos produtos apresentados com muitos géneros com qualidade e frescura, aliás já demonstrada num evento há poucos meses, com os seus elementos vestidos como os camponeses da época.As tabernas e a “Cena” do Javali assado no espeto por pessoa experiente e servido aos numerosos comensais contribuíram para alegrar os espectadores e aqueceram o ambiente festivo que se viveram nestes dias.
As pessoas que se prestaram a vestir os trajes da época, representando classes sociais diferentes, mas muito bem conseguidos. Sem desprimor para ninguém, mas se a Rainha Santa Isabel, fosse tão bonita e popular como a “nossa” teremos que dar razão ao Senhor seu esposo, D. Dinis, por se sentir orgulhoso e muito ufano dos dotes naturais da sua real esposa.Um pequeno senão, apenas para o desfasamento que se reflectiu na inclusão de alguns Stands com artesanato e bugigangas que nada têm a ver
com a época que se pretendeu recriar, destoando com as bonitas
tendas que a meu ver deveriam ter ficado num local mais em evidência. Mas este pequeno senão sob o meu ponto de vista, a Festa não perdeu o seu fulgor e a importância de grande acontecimento cultural que contou com a adesão de todos os Castelovidenses e a visita de numerosas pessoas que vieram dos Concelhos vizinhos, incluindo naturalmente das simpáticas gentes de Valência de Alcântara e das localidades espanholas mais próximas.Em jeito de conclusão poderia afirmar que este “Viver da História” em Castelo de Vide, foi um sucesso que conquistou logo na sua primeira edição as simpatias da população, por isso é natural que este tipo de eventos se volte a repetir, embora muito pessoalmente não se justifique fazê-lo anualmente, até pelos elevados custos que um evento desta natureza acarreta para o Município cujas finanças não se perspectivam venham a melhorar num futuro próximo.CV – Setembro 2009JAM































CV-Setembro de 2009
Martins Raposo