FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 23 de setembro de 2010

JOSÉ SARAMAGO
O ESCRITOR A OBRA E O HOMEM























"O escritor é um Homem como todos os outros.
Sonha"
Já passaram dois meses desde o falecimento de um dos maiores escritores da Literatura portuguesa e já quase toda a gente escreveu sobre a Obra e a Vida de José Saramago. Belos e extensos textos sobre a sua biografia e imensos escritos laudatórios sobre os seus livros. Desde o mais alto magistrado da nação ao mais simples cidadão, com particular relevância para o mundo dos intelectuais, escritores e jornalistas de todo o mundo, enviaram palavras de grande elogio sobre a sua obra, sobre o humanismo e a verticalidade do homem e do escritor.
Também eu gostaria de escrever qualquer coisa que transmitisse o meu pensamento sobre este escritor que mereceu a minha atenção como simples leitor da sua obra e a admiração sincera da sua postura como cidadão impoluto, defensor dos mais fracos, defensor da liberdade e de um mundo melhor pelo que lutou toda a vida, intervindo onde se praticavam injustiças sociais e políticas.
Gostaria de saber transmitir o que realmente senti com a sua morte que entristeceu uma grande parte das gentes do meu país. Muitos dos seus livros tinham uma componente política e denunciadora das políticas neo-liberais que têm causado os maiores crimes contra a humanidade, abrindo cada vez mais o fosso entre os que possuem todas as benesses e as riquezas dos países e aqueles que nada têm para além dos seus braços para trabalhar a quem tudo lhes é negado, muitas vezes até o trabalho necessário para seu sustento e da família.
Mas escrever para quê e para quem? O que posso dizer que não tenha já sido dito, nestes dois últimos meses? No entanto, o meu atrevimento já me levou a “escrevinhar” sobre outros escritores, alguns dos quais de muito menor importância que o nosso Prémio Nobel. Saramago que eu conheci pessoalmente e que tenho quase toda a sua obra, com alguns livros autografados pelo autor, certamente desculparia as referências que recolhi em vários Jornais e Revistas, testemunhos de grandes escritores, jornalistas e políticos que deixaram a sua mensagem de mágoa e tristeza após o seu falecimento.
José Saramago, faleceu na sua casa em Lanzarote, no, dia 18 de Junho de 2010, tendo de acordo com o seu testamento, sido transferido para Lisboa. O Governo decretou dois dias de luto nacional e a Câmara Municipal de Lisboa realizou uma Cerimónia Oficial com intervenções de António Costa, Jerónimo de Sousa, Carlos Reis, Mª. Teresa Fernandez de la Veja (Vice-primeira ministro do Governo Espanhol) e Gabriela Canavilhas.
O Funeral realizou-se no Cemitério do Alto de S. João, com a presença de muitas centenas de pessoas vindas de todo o país.

José Saramago, contava 87 anos e nascera na Vila de Azinhaga, Concelho da Golegã, em 16 de Novembro de 1922. Filho de camponeses que a falta de recursos obrigaram a sair da sua terra para Lisboa. Estudou na Escola Industrial Afonso Domingues e exerceu durante algum tempo a profissão de Serralheiro Mecânico. Mais tarde passou a trabalhar nos Hospitais Civis de Lisboa. Em 1946 casou com Ilda Reis de quem se separa em 1970.Em 1947 publica o seu primeiro livro; Terra do Pecado obra menor que não recebeu os favores do público e em 1966 Os Poemas Possíveis também sem grande eco. Depois de 1970, mantém durante 20 anos, um relacionamento amoroso com a escritora, Isabel da Nóbrega. Dá início à sua actividade jornalística e finalmente depois de ter escrito vários livros em prosa e poesia acabou por se dedicar exclusivamente à escrita, deixando-nos livros como, Levantado do Chão, Memorial do Convento, A Jangada de Pedra, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio Sobre a Cegueira, A Caverna, O Homem Duplicado, Viagem de Elefante e Caim que foi a sua derradeira obra. Para além dos livros mencionados, escreveu muitos outros Romances, Poesia, Cadernos e Crónicas sobre vários assuntos.

Em 1986, Saramago conheceu a jornalista espanhola, Pilar del Rio de quem afirmou –“Se tivesse morrido aos 63 anos, antes de conhecer Pilar, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”. Foi Pilar que esteve sempre ao lado do escritor durante os 24 anos que lhe restou de vida.
 O Escritor foi galardoado com muitos prémios atribuídos em Portugal, Espanha, Itália e Inglaterra, destacando-se entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela APE, em 1992, o Prémio de Consagração de Carreira, pela SPA em 1995 e no mesmo ano o Prémio Camões e finalmente em 1998 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura.







Personalidade impar da nossa Literatura, deixou-nos algumas frases que definem o escritor e a obra, entre as quais se destacam: Se podes olhar, vê./ Se podes ver, repara./ Tal como o fosso entre os ricos e os pobres se torna cada vez mais profundo, também o fosso entre os que sabem e os que não sabem está a tornar-se vertiginoso. Essa é outra cegueira da razão./ Sou de onde nasci, sou da terra que me criou./ Tu estavas e agora já não estás. Isso é a morte./ Deus é o silêncio do universos e o ser humano o grito que dá sentido. Deus não é mais que um nome./ É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já.



Do muito que escreveram sobre José Saramago transcrevi algumas frases que me parecerem as mais apropriadas em definir a sua Vida e a sua Obra, aqui ficam os testemunhos por ordem alfabética de:
Fernando Gómez AguileraTrabalhador das Letras, príncipe da Literatura. A Vida de José Saramago está marcada pelo trabalho, pela coerência e pelo compromisso de uma literatura livre, fundada na imaginação e na consciência; Filipa Melo – Filho de gente pobre e quase analfabeta, fez-se sozinho para existir com uma ideia do mundo. Tornou-se escritor, um homem com convicções inabaláveis, mas também de escondidas fragilidades. Este é o retrato do primeiro português a receber o Prémio Nobel da Literatura; Gabriela Canavilhas – Foi uma referência luminosa de dignidade e grandeza à escala Universal; Jerónimo de Sousa – A sua dimensão intelectual, artística, humana e cívica, fazem dele uma figura maior da nossa história; Harold Bloom – A Literatura vai sentir a sua falta, do mais talentoso romancista contemporâneo; Hélia Correia -Era uma personalidade impressionante pelo talento, pela verticalidade e pela coragem; José Luís Peixoto – Ele construiu um mundo que no futuro vai estender o seu eco; José Luís Zapatero – Os espanhóis choram Saramago como um dos nossos; José Sócrates – Foi um dos grandes vultos da nossa cultura e o seu desaparecimento, torna a nossa cultura mais pobre; Lídia Jorge – Morreu um escritor genial; Manuel Queiroz – Para se amar a escrita de Saramago não é precisoconcordar em tudo com Saramago. Porque tinha um talento divino; Mário de Carvalho – Era um daqueles escritores tocados pela Graça. Esta Graça encontro-a em todas as suas páginas; Pedro Dias de Almeida – Enquanto jornalista, escritor; militante político e cidadão empenhado, José Saramago travou várias batalhas e alimentou algumas polémicas. Arma favorita: a palavra, sem hesitações; valter hugo mãe – Fica-nos o que fez, o que nos deixou, seguramente erguido diante do tempo como uma muralha.
Como já disse, muitas outras personalidades, pessoas ligadas às artes; escritores, políticos, jornalistas e pessoas simples do povo, se referiram a Saramago, com palavras de elogio e de pesar. Só não as transcrevo por falta de espaço, numa crónica que não devo alongar demasiado Muito poucas pessoas levantaram a sua voz contra o escritor, foram os mesmos que em vida o caluniaram levantaram entraves aos seus livros, mesmo sem os ler, apenas por motivos políticos, mentalidade retrógrada e inquisidora.
Aqui deixo a minha singela homenagem, ao Homem e à Obra de José Saramago que considero a par de Camões, Gil Vicente, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa. Maior, entre os maiores, Saramago será sempre um dos melhores escritores da Literatura Portuguesa.
“Só não subiu ao céu, porque à terra pertencia!”
Martins Raposo
CV- Setembro de 2010
DADOS RECOLHIDOS IN: JL, Visão, Expresso, O Público, DN e Jornal I.






terça-feira, 13 de julho de 2010

ROMAGEM Á FREGUESIA DE MARGEM DIA 17 DE JULHO

HOMENAGEM A MOUZINHO DA SILVEIRA
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide,  está a promover durante todo este ano, algumas iniciativas em Homenagem ao grande Estadista e Legislador Mouzinho da Silveira que nasceu em Castelo de Vide, no dia 12 de Julho de 1780.
Depois da Sessão efectuada no dia 19 de Junho na Sociedade Recreativa 1º. de Dezembro, em Castelo de Vide que decorreu com bastante público  e com importantes intervenções, que em breve darei conhecimento neste Blogue.
Nessa Sessão, os presentes confirmaram com entusiasmo a proposta do GACV, em fazer uma visita à Freguesia de Margem, Concelho de Gavião, para prestar uma homenagem junto ao busto que está erguido naquela Freguesia. Assim decidiu-se enviar um CONVITE, a todos os Orgãos Autárquicos, Associações, Fundações e outras Entidades Públicas, a estarem presentes na cerimónia de Homenagem a Mouzinho da Silveira e que vai ter lugar no próximo dia 17 de Julho (Sábado), conforme cópia do ofício que transcrevemos, juntando também o Programa para todos aqueles que por algum motivo ainda não tiverem conhecimento desta iniciativa ainda poderem inscrever-se através dos contactos assinalados.
A Direcção do GACV agradece!
CV - 10.07.10



GRUPO DE AMIGOS DE CASTELO DE VIDE
Exmo. (s) Senhor (s)
Órgãos Autárquicos
Associações e Fundações
Outras Entidades Públicas
ASSUNTO: CONVITE
Exmo. Senhor
O GACV, tem a honra e o prazer de convidar V. Exa. a estar presente na Cerimónia de Homenagem a Mouzinho da Silveira que vai ter lugar no próximo dia 17 de Julho, com saída de Castelo de Vide, pelas 09H30, num Autocarro gentilmente cedido pela Câmara Municipal. A chegada à Freguesia de Margem está prevista para as 10H30, iniciando-se de imediato as cerimónias com a colocação de um Ramo de Flores, junto ao Busto do Homenageado.
Em anexo, juntamos o Programa completo do evento, que termina com um Almoço-Convívio na Quinta do Barata e para o qual contamos com a presença de V. Exa. e sua Exma. Família.
Agradecendo desde já a presença de V. Exas., enviamos,
Os nossos mais respeitosos cumprimentos,
De V. Exa.
Atenciosamente
O Presidente da Direcção do GACV


Aqui fica o Convite e o Programa para todos os que nos queiram dar a honra da sua presença. Obrigado!
CV-10.07.10
Martins Raposo

sexta-feira, 11 de junho de 2010

GRUPO DE AMIGOS DE CASTELO DE VIDE PRESTA HOMENAGEM A MOUZINHO DA SILVEIRA

O GACV elegeu este ano, como uma das principais iniciativas, a homenagem a Mouzinho da Silveira, eminente estadista e notável legislador, nascido em Castelo de Vide, a 07 de Julho de 1780.
Mouzinho da Silveira, foi a figura de maior projecção do liberalismo, “o Machado da Reforma” que nas palavras de Almeida Garrett, com as suas Leis contribuiu para a demolição do mundo antigo, apontando com uma visão estratégica, clara e objectiva a criação de uma nova Sociedade Liberal e Moderna.
A Direcção do GACV, pretende que todas as incitativas que está a programar sobre este ilustre Castelovidense, tenham a franca colaboração da Câmara Municipal de Castelo de Vide e da Câmara Municipal do Gavião, assim como dos Agrupamentos Escolares destes Concelhos, das Associações, Colectividades e todas as personalidades que possam dar o seu contributo a fim de todos poderem contribuir para se ficar a conhecer melhor a Vida e a Obra de Mouzinho da Silveira
Ao que nos foi dado conhecimento o GACV recebeu formalmente a resposta positiva das referidas Autarquias e a Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, fez uma proposta para realizarem uma Sessão Evocativa de Mouzinho da Silveira, marcada para o próximo dia 19 de Junho, conforme Convite que junto anexamos.
Para além desta iniciativa está já em preparação uma Romagem dos Castelovidenses e Amigos, à Freguesia de Margem, Concelho do Gavião, no próximo dia 17 de Julho, com Programa específico a tornar público muito em breve.
Em colaboração com os dois citados Órgãos Autárquicos, o GACV, está a efectuar os necessários contactos e a preparação de todos os meios a fim de realizar em Novembro próximo, uma Exposição Documental e Bibliográfica, sobre Mouzinho da Silveira. Esta data tem como finalidade, a participação e colaboração dos alunos dos Agrupamentos Escolares de Castelo de Vide e do Gavião.
O Caleidoscópio do Sul, vai colaborar na divulgação desta importante iniciativa, que esperamos venha a ter a receptividade e participação do maior número possível dos munícipes dos Concelhos visados.
CV – Junho de 2010
Martins Raposo
Amexo:

PARTICIPE E COLABORE!


domingo, 30 de maio de 2010

VITTORIO DE SICA
Um dos Maiores Realizadores de Sempre!

Vittório de Sica nasceu em Soria, a 07 de Julho de 1901 e faleceu em Paris em 13 de Novembro de 1974. Descendente de uma família da classe média, viveu grande parte da sua juventude na cidade de Nápoles. A carreira das artes que escolheu foi estimulada pelo pai, iniciando-se como actor de Teatro chegando a participar na Companhia de Tatiana Pavlova. A sua estreia no cinema deu-se com um pequeno papel no filme “ Il Processo Clémenceau” em 1917. Mais tarde atingiu grande popularidade como galã em Filmes de Camerini e de Gli Uonimi.
A sua carreira como realizador começou e 1939, com o Filme, “Rosas Escarlates” a que se seguiram mais de três dezenas de Filmes, alguns dos quais com a estreita colaboração do roteirista Cesare Zavattini.
Das suas Obras mais célebres, contam-se “Vitimas da Tormenta”,Ladrões de Bicicletas”, “La Ciociara”,Boccaio70”,UmbertoD”,Um Lugar para os Amantes” e”Jardim dos Finzi-Contini”.

Ladrões de Bicicletas, realizado em 1948, com argumento de Cesare Zavanttini, é sem dúvida o Filme mais célebre deste grande Realizador, alcançando um enorme sucesso em todo o mundo, sendo considerado como um dos marcos mais importantes da escola neo-realista italiana, um autêntico grito de revolta contra a desumana exploração dos trabalhadores.

Todos aqueles que tiveram o privilégio de ver este filme se comoveram intensamente com o drama de António Ricci, o personagem principal (muito bem interpretado por Lamberto Maggiorani), que para conseguir o emprego numa empresa de distribuição, tem que ter uma bicicleta e que para a poder comprar teve que vender os parcos haveres de sua casa.
A tragédia adensa-se quando lhe é roubada a bicicleta que acabou de comprar com venda de roupas de sua mulher. As peripécias por que tem de passar à procura do único meio para salvar a família do desemprego e da fome, são as mais incríveis e desventuradas.
Pai e Filho percorrem Roma por todos os lugares e em quase todos são confrontados com a miséria que se espalhava por toda a cidade. Ninguém os pode socorrer, todas as portas lhe são fechadas e quando ele no limite do desespero, tenta vingar-se roubando também uma bicicleta é imediatamente apanhado e só a imagem aflita do filho comovem as testemunhas que o libertam por dó e piedade.
Esta obra foi premiada como o Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento do ano de 1948 e recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Locarno em 1949 e o Prémio Bodil em 1951.
Toda a sua Obra assenta nos princípios da nova escola do Neo-Realismo, que se caracteriza pelos temas sociais da época, durante e a seguir à 2ª. Grande Guerra a que se seguiu a implantação do capitalismo selvagem e desumano que a burguesia, a única classe que lucrou com o conflito mundial. Vittorio de Sica, toma corajosamente a defesa dos deserdados e das classes mais desfavorecidas, acusando com desassombro os vampiros de uma sociedade decadente, sem escrúpulos e sem moral.

 A lado de De Sica, se destacam outros Realizadores Italianos que seguem os mesmos ideais e usam técnicas semelhantes nos seus filmes, são eles Roberto Rossellini que nos legou o extraordinário Filme de Roma, Cidade Aberta, com a interpretação fabulosa de Anna Magnani. Luchino Visconti, com os seus Filmes, “Rocco e seus Irmãos”,Morte em Veneza” e o “O Leopardo”, retrato impiedoso da sociedade decadente, com interpretações notáveis de Burt Lancaster, Cláudia Cardinale e Alain Delon.

 Podemos ainda integrar nesta mesma Escola, os nomes de Giuseppe De Santis com o Filme, “Arroz Amargo”, cuja interpretação de Silvana Mangano conseguiu alcançar enorme êxito em 1948 e Marco Bellochio que inicia a sua carreira com “I Pugni in Tasca”,La Cina à Vicina” e nos acaba de brindar aos 70 anos com o Filme, Vencer, uma biografia ousada e crítica do fascista Mussolini, o que levou já alguns críticos a verem semelhanças com o execrável Sílvio Berlosconi que tem conseguido manipular o povo Italiano de uma forma absurda e louca, fazendo-nos recordar os anos negros e nefastos do Ditador.
Não queria deixar de referir que este movimento cultural do Neo-Realismo Italiano, teve o seu início em França após a vitória da Frente Popular em 1936, com o chamado Realismo Poético Francês dos quais se destacaram os Realizadores, Jean Vigo e o seu Filme “O Atalante”; Jean Renoir, com “A Grande Ilusão” e a “Regra do Jogo” e Marcel Carné, com “Cais de Sombras” e “Trágico Amanhecer”. Alguns destes Filmes foram escritos por outra grande figura do cinema Jacques Prévert.


Para terminar esta minha pequena homenagem ao Realizador Vittorio de Sica, feita após a crónica sobre o Livro de Altertto Morávia, La Ciociara, aproveitei para ao mesmo tempo mencionar os nomes de outros Grandes Realizadores da época, não posso deixar de confessar que quase todos estes filmes que mencionei, os vi muito mais tarde, até porque alguns foram realizados antes de ter nascido e que a minha juventude foi até aos 17 anos, marcada pelos Filmes de Aventuras do “Far - west Americano", dos Piratas Famosos, do Robim dos Bosques, Do Sinal do Zorro e outros semelhantes.
A Escola Secundária reiniciada em Tomar e a leitura de bons livros, levaram-me a descobrir outro cinema com uma realidade muito próxima daquilo que a minha Família tinha vivido e continuou a viver por muitos anos.
Estávamos ainda muito longe do 25 de Abril.

CV- Maio de 2010

Martins Raposo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

LENA HORN
"O ADEUS DE UMA GRANDE SENHORA DO JAZ"


Lena Horn, nasceu em Nova Iorque, no dia 30 de Junho de 1917 e faleceu na sua cidade no passado dia 09 de Maio.Grande intérprete do Jaz, iniciou a sua carreira no mítico Cotton Club e como bailarina chegou a actuar na Broadway ainda muito jovem. Foi convidada a actuar em algumas peças musicais mas muito cedo se destacou com a sua voz maviosa e sensual à frente de das grandes orquestras da época. Canções como “Stormy Weather”, “At Long Last Love”, “My Heart Belongs to Dady”, “It’s a Rainy Day” e “Moon River”, obtiveram grande sucesso junto do público cada vez mais numeroso deste género de música.
Tal como muitas outras artistas, Lena Horn sofreu com o facto de para além de ser uma mulher negra, professar claramente ideias progressistas e ser uma acérrima defensora dos direitos humanos, tendo participado activamente na célebre “Marcha Sobre Washington” ao lado de Martin Luther King.
A sua amizade com o activista Paul Robeson trouxe-lhe sérios dissabores com o McCarthismo que tentou prejudicar a sua carreira de artista.
Lena Horn, era uma mulher muito bonita de uma elegância natural que despertou numerosas paixões em toda a sua vida, casando duas vezes, uma delas com dezanove anos, manteve sempre orgulhosamente os seus princípios, defendendo a sua raça e recusando papeis como criada ou prostituta que eram geralmente oferecidos a actrizes negras.
A propósito, ficou célebre a sua atitude corajosa quando tendo sido convidada a actuar para as forças militares, durante a guerra, ao verificar que os soldados negros estavam apartados dos brancos que ocupavam as primeiras filas, abandonou intempestivamente o palco recusando actuar no espectáculo. O Pentágono cortou imediatamente o seu nome dos artistas convidados.
Lena Horn, actuou ao longo da sua carreira com as melhores Orquestras de Jaz e fez parceria com grandes artistas deste genro musical, no entanto foi com a grande Orquestra de Duke Helington que mais tempo trabalhou.
Dos muitos Filmes para que foi convidada destaca-se “Tempestade Musical” do Realizador Andrew Stone, no qual contracenou com Bill Robison e Cab Calloway e onde interpretou “StormY Wather” que obteve enorme sucesso. Trabalhou também com Louis Armstrong, no Filme “Um Lugar No Céu”, do Realizador Vicente Minelli.
Apesar de pessoalmente reconhecer as diferentes características vocais que Ella Fitzgerald e Billie Holiday possuíam, no meu modesto entender, Lena Horn, tem o lugar bem merecido de figurar neste trio extraordinário que foram no seu tempo as melhores intérpretes do Jaz a nível mundial.
Embora continuasse a actuar e a gravar as suas canções até aos 90 Anos, esta “Grande Senhora do Jaz”, disse-nos adeus com a certeza de ter contribuído com a sua obra e com a sua forma de viver, para um mundo inter-racial muito melhor. Teve ainda a felicidade de assistir pela primeira vez no seu país, à eleição do Presidente Obama descendente de negros africanos.
Convido portanto os meus queridos amigos, a ouvir as suas canções.
Gratos e em Paz com a sua memória!


Martins Raposo, CV Maio 2010
DADOS RECOLHIDOS: Wiquipédia, Google, Expresso, The Jaz Selection.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

LA CIOCIARA
O MEU LIVRO DE ABRIL
La Ciociara é um dos romances mais importantes que no estilo neo-realista, Alberto Morávia escreveu em 1957, numa altura que o autor, já era considerado um dos melhores escritores contemporâneos e após ter escrito os “Indiferentes”, o “Conformista” e o “Desprezo”. Considerava-no muito próximo de escritores como Elio Vittorini e Pavese, embora alguns críticos lhe encontrassem algumas afinidades com o existencialismo de Sartre, e com obra de Albert Camus.
La Ciociara (A Camponesa) é um romance extraordinário que relata a odisseia de Césira, uma camponesa que casa com um pequeno comerciante que vive em Roma e a deixa viúva ainda bastante jovem com uma filha.
Estávamos no início dos anos 40, a guerra alastrava por todo o mundo. A pequena mercearia de Césira a princípio beneficiou com a situação, até que o Governo Fascista de Mussolini e os Alemães se instalaram em Roma e no Sul da Itália.
Os bens de consumo começaram a faltar e a cidade tornou-se perigosa com o aumento da criminalidade, da opressão e do medo generalizado que os nazis e os fascistas impunham aos mais fracos, atingindo severamente as crianças, os idosos e as mulheres.
Césira foge de Roma, para proteger a sua filha Rosetta dos desmandos da ocupação, procurando no campo a segurança e tranquilidade.
Os obstáculos que encontra pelo caminho, espreitam em todos os lugares, mesmo naqueles onde tem pessoas conhecidas, as dificuldades económicas em que vivem as famílias faz aumentar o oportunismo e o banditismo nas aldeias e vilas campesinas.
Césira é uma mulher corajosa e persistente. Com algum dinheiro que conseguiu ganhar com o comércio, consegue de forma inteligente, escapar a todas as ciladas que os escroques tentam encurralar Mãe e Filha, que decidem fugir para as montanhas, por intermédio de um velho amigo.
Santa Eufémia, assim se chamava o lugarejo onde conseguiram ser aceites, depois de vencerem a hostilidade e desconfiança dos montanheses que lhes cedem uma cabana com o chão térreo, sem qualquer comodidade.
Neste meio claustrofóbico, triste e miserável, apenas se destaca o jovem Michelle, filho de uma das famílias remediadas e que tinha feito estudos superiores na cidade, sendo respeitado pela população, pela sua honestidade e o seu carácter bondoso para com os mais fracos. Odiava a guerra e tinha uma especial aversão aos fascistas, nazis e em geral a todos os corruptos e oportunistas que nestes tempos de morte e destruição apareciam como cogumelos em todos lugares, até mesmo em Santa Eufémia, corajoso afirmava que “não há amigos em tempo de guerra, nem homens, nem dinheiro, nem nada". Michelle, torna-se o anjo da guarda destas duas mulheres desamparadas, num meio hostil e com a guerra a invadir todos os lugares, os refugiados aumentam e ao mesmo tempo fogem para mais longe porque a aldeia já não oferecia segurança.
Com o conflito quase a terminar, os destroços deixados pelos inimigos em fuga, continuaram a aumentar as dificuldades e as agressões não vinham só dos alemães. Os fascistas de Mussolini não lhes ficavam atrás na maldade e nos meios que utilizavam.
Mas foi um alemão que utilizando a sua arma obrigou Michelle a indicar-lhe o caminho a norte das montanhas.

Sem a protecção de Michelle, o ambiente em Santa Eufémia, tornava-se perigoso para as duas mulheres que resolveram sair de surpresa para o vale onde se dizia os aliados tinham derrotado os alemães. A desolação que encontraram nas aldeias destruídas sem ninguém conhecido, obrigou-as a tomarem a resolução de voltar para Roma. No seu íntimo, Césira, tinha esperanças que aqueles americanos, seriam amigos do povo e as ajudariam a chegar a casa sãs e salvas dos imensos perigos que tinham vivido.
Quando julgavam estar próximo dos seus objectivos, aconteceu-lhes o mais trágico imprevisto de todos os maus tempos porque passaram. As sementes da guerra provocam em todos os seres, alterações de personalidade e de caracter, fazendo-as praticar os mais hediondos crimes, sejam eles de um lado ou do outro.
Por absurdo que pareça, a inocência de Rosetta que sua Mãe tão resolutamente tinha defendido, foi violada precisamente por soldados Marroquinos ao serviço dos Aliados quando as duas mulheres já quase tinham alcançado os seus objectivos.
Foram os dias mais terríveis para Césira, pela humilhação sofrida, por não ter conseguido salvaguardar a honra de sua filha, e por ter que se rebaixar a pedir o apoio dos “falsos amigos” que tinham sido uns escroques no princípio da sua fuga.
A guerra para Césira continuava, desmedidamente cruel e dolorosa., agravando-se com a notícia do assassinato de Michelle pelos alemães. Perdera definitivamente o seu melhor amigo que ela amava como se fosse seu filho, o que a levou a desabafar – “que a guerra atinge justamente os melhores, porque são os mais corajosos, os mais altruístas, os mais honestos; uns morrem como o pobre Michelle, outros ficam estropiados por toda a vida, como a minha Rosetta”.
O seu desespero atingiu o cúmulo que a levou quase ao suicídio, perdendo definitivamente a esperança de chegar a casa. Como sempre esta enorme mulher, de uma coragem sem igual, mais uma vez se levanta enfrentando os infortúnios e os azares da vida provocados pela guerra e de cara bem levantada segue em frente até chegar ao seu lar querido e acolhedor.
A guerra tinha acabado, fazendo-lhes renascer nas duas mulheres a esperança de terem conquistado o direito de voltar a viver em paz.
Esta obra monumental, que segue nos seus traços gerais a denúncia do flagelo das guerras que castigam cruelmente os mais desprotegidos, a Mãe Coragem” de Berthold Brecht, prende o leitor da primeira à última página, com uma escrita despojada de artifícios e fantasias. Esta era uma das regras dos neo-realistas que nos quiseram mostrar a miséria de uma sociedade em decadência nos seus valores, agravados por guerras cruéis e injustas. Num tempo em que muitos escritores actuais tecem as piores críticas a este estilo que marcou o Sec. XX, o neo-realismo continua sendo a “escola” que denunciou desassombradamente todas as calamidades provocadas pela burguesia gananciosa, defensoras do capitalismo selvagem e posteriormente do neo-liberalismo que continua nos dias de hoje a ser o mais nefasto inimigo dos trabalhadores de todo o mundo.
Após ter escrito este romance, Albert Morávia foi nomeado para receber o Prémio Nobel da Literatura, mas à última da hora por imposição da CIA, a Academia viu-se obrigada a atribuir a Boris Pasternack o mais alto galardão da Literatura.
La Ciociara foi adaptada ao cinema pelo argumentista, Cesare Zavattini e realização Vitorio de Sica que escolheu Sophia Loren para interpretar a corajosa figura de Césira.
Martins Raposo - Abril 2010
DADOS: Extractos do próprio Livro de Morávia; Wiquipédia; Google;Site Literatura. A última imagem sobre o momento em que Berlim é conquistada, é uma simples homenagem aos heróis que há 65 anos conseguiram derrotar o nazismo.
JMR

quarta-feira, 5 de maio de 2010

COMEMORAÇÕES POPULARES
DO 25 DE ABRIL EM CASTELO DE VIDE
Pode-se dizer que o dia maravilhoso deste Domingo que assinalou o 36º. Aniversário do 25 de Abril, foi um perfeito aliado que beneficiou positivamente o encontro de largas dezenas de pessoas, que corresponderam ao apelo formulado pelo Convite elaborado por um grupo de pessoas de várias tendências políticas, na qualidade de cidadãos, empenhados em mobilizar os Castelovidenses para festejarem o 36º. Aniversário do 25 de Abril, de forma espontânea e popular.


Por uma feliz coincidência, estavam presentes por iniciativa da OCRE, um numeroso grupo de cidadãos dos PALOP (s), São Tomé, Guiné e Cabo Verde, que quiseram de forma voluntária associar-se a esta iniciativa. Tal como o Convite enunciava houve muita música, comida e bebida à descrição, num ambiente de saudável convívio e aberto a todas as pessoas que quisessem intervir, o fizessem em inteira liberdade sobre o tema do 25 de Abril.


E foi assim que ouvimos o Professor Joaquim Canário, relembrar o papel importante que teve o nosso conterrâneo Tenente Coronel Fernando Salgueiro Maia, nesse dia glorioso da “Revolução dos Cravos” e ao mesmo tempo advertir contra os perigos do neoliberalismo que contribuiu para a crise existente e também para a existência de injustiças sociais que se têm vindo a agravar, desvirtuando os ideais pelos quais se bateram os “Capitães de Abril”.


Falaram também os responsáveis pelos jovens de São Tomé, Guiné e Cabo Verde e todos foram unânimes em concordar que o 25 de Abril abriu as portas da Liberdade ao Povo Português e aos Povos dos seus países.
No final das intervenções cantou-se a Grândola Vila Morena, o Hino da Revolução.



Seguiu-se uma Romagem ao cemitério onde foram colocados cravos vermelhos na campa de Salgueiro Maia, e se teceram algumas palavras alusivas a verticalidade moral e cívica deste nosso herói.

A Festa que começara logo de manhã, terminava com muitas pessoas a comentar alegremente o ambiente caloroso e popular desta forma de comemorar o 25 de Abril e já a pensar que para o ano se pode envolver muito mais gente, muito em especial a juventude. Serpa Soares informou da vontade manifestada de envolver a comunidade escolar, para que os jovens estejam em maior número e todos podermos com mais força e confiança dizer: VINTE E CINCO DE ABRIL SEMPRE!

NOTAS: Esta iniciativa que se realizou pela primeira vez em Castelo de Vide, teve a sua origem num grupo de cidadãos que na sua maioria teve o privilégio de viver e participar no 25 de Abril e que sem querer entrar em conflito com as cerimónias públicas levadas a efeito pela Autarquia, decidiram promover este encontro festivo e popular com um significado mais de acordo com os ideais da Revolução dos Cravos.
Sem esquecer todas as pessoas que quizeram associar-se à "Festa do Parque 25 de Abril", registamos por ordem alfabética os nomes dos primeiros responsáveis pela organização: Alcino Maniés, Amândio Patacas, António Barrocas, Francisco Carapeto, Francisco Hilário, João Carrilho, Joaquim Canário,José Raposo, Julio Ribeiro, Romero Palmeiro, Serpa Soares e Tiago Malato.
CV – Abril 2010
Martins Raposo
AGRUPAMENTO ESCOLAR DE CASTELO DE VIDE

PROMOVE SESSÃO SOBRE O 25 DE ABRIL
A Direcção do Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide, em conjunto com um grupo de Professores, Auxiliares e Alunos, inaugurou no passado dia 21 de Abril uma Exposição sobre o Poeta Ary dos Santos, com Fotografias, Enxertos de alguns Poemas. No mesmo dia realizou uma Sessão de Esclarecimento para os alunos do 6º. Ano, sobre essa data histórica para a qual convidou a Direcção do Núcleo da Associação 25 de Abril do Norte Alentejano que se fez representar pelo seu Presidente, Tenente Coronel Francisco Matos Serra, o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário e José A. Martins Raposo.
O orador principal foi o Tenente-Coronel Matos Serra que fez uma breve síntese sobre os acontecimentos antes que deram origem à “Revolução dos Cravos”, assim como a forma como os militares se organizaram para derrubar o antigo regime e de como obtiveram uma vitória “sem guerra” ao qual se juntou o Povo com alegria empunhando o célebre cravo vermelho, que ficou para sempre como um símbolo do 25 de Abril.
A seguir falou o Sr. Professor Joaquim Canário que recordou algumas das regras injustas a que os alunos eram expostos, assim como do sistema anti-democrático que submetia o povo pelo medo e pela opressão e enviando os jovens para as colónias numa guerra injusta e inglória.
Alguns alunos e professores colocaram à mesa algumas perguntas, entre elas qual tinha sido a razão do cravo vermelho ter sido considerado um ícone da Revolução que ainda hoje perdura nas Comemorações.
Há mais do que uma versão sobre o aparecimento dos cravos nos canos das espingardas e nas mãos dos populares, uma delas regista a coincidência de um Restaurante que festejava o seu aniversário ter pedido um grande ramo de cravos vermelhos, como o mesmo teve que fechar, a senhora que ia fazer a entrega acabou por dar os mesmos aos soldados e populares que lhe pediam. Outra aponta para o facto de na Praça do Rossio, haver naquela altura alguns quiosques com venda de flores dos quais os cravos eram os mais abundantes, com um ambiente de festa pela vitória pacífica dos Capitães de Abril sobre o antigo regime, torna-se fácil compreender a oferta de flores pelas próprias vendedoras.
Assim acabou esta Sessão de Esclarecimento junto dos alunos que tem sempre a máxima importância para que a memória do 25 de Abril e dos seus ideais, continue presente junto dos jovens. É de saudar esta iniciativa da Direcção deste Agrupamento Escolar.
CV – Abril de 2010
Martins Raposo
NÚCLEO DO NORTE ALEJANO DA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
ELEIÇÃO DOS CORPOS SOCIAIS
Realizou-se no dia 31 de Janeiro de 2010, Freguesia do Assumar, uma Assembleia Geral, para eleição dos Corpos Sociais, do Núcleo do Norte Alentejano e que por unanimidade ficou assim constituída:
Mesa da Assembleia Geral
Presidente, Joaquim Pinto Ferreira Canário; 1º. Secretário – José J. Pinheiro; 2º. Secretário – António Jacinto Pascoal.
Direcção
Presidente – Francisco Manuel Matos Serra; Secretário – José A. Martins Raposo; Tesoureiro – Joaquim Gabriel L. Martins.
A não existência do Conselho Fiscal, deve-se a que o Núcleo apresenta as suas contas à Delegação do Alentejo.
Logo a seguir realizou-se no Centro Desportivo e Cultural do Assumar, gentilmente cedida pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia, uma outra Assembleia Geral, com a presença de muitos associados de diversas localidades do Alentejo que de acordo com a Convocatória, procederam à Eleição para os Corpos Sociais da Delegação do Alentejo, da Associação 25 de Abril, sediada em Grândola.















Foi apresentada uma única Lista que foi eleita por unanimidade e que fica assim constituída:

Mesa da Assembleia Geral
Presidente – José Catalino dos Santos; Vice-Presidente – Aníbal M. Guerreiro Cordeiro; Secretário – Rafael Francisco L. Rodrigues.
Direcção
Presidente – José Manuel Nunes Fernandes; Vice-Presidente – Joaquim Gabriel L. Martins; Vice-Presidente – José Joaquim C. Baguinho; Secretário – António Lacerda; Tesoureiro – Mariano Pacheco R. Paixão; Vogais – João Manuel Oliveira, António José Mourinho, Ana Luísa Pinto Soares e José Saldanha Correia Matias.
Após as eleições dos referidos órgãos, usaram da palavra o Presidente eleito da Delegação do Alentejo que se referiu à Proposta Eleitoral, consignados num vasto Programa de muitas iniciativas, entre as quais salientou o compromisso da criação dos Núcleos Locais de Évora, Santiago do Cacem e Alcácer do Sal. Fomentar o recrutamento de novos sócios, procurando sobretudo junto das camadas mais jovens. Proceder à recolha para acervo de poesia popular alentejana, relativa ao 25 de Abril. Realizar mais Exposições itinerantes e participar nas feiras e eventos do Alentejo. Organizar de novo as Tertúlias do Fim do Mundo; promover um espectáculo com artistas sócios e amigos da Associação. Colaborar com a AJA nas comemorações do 80º. Aniversário do Nascimento do Zeca A fonso; relançar novamente o projecto “Espaço Abril Liberdade; promover um Encontro de Corais Alentejanos. Dar o contributo para se associar a algumas Efemérides relativas a figuras proeminentes da Revolução de Abril, nomeadamente as de Vasco Gonçalves e Melo Antunes.Organizar uma viagem-excursão à República de Cuba.
De seguida o Presidente do Núcleo Alentejano, Francisco Matos Serra, falou sobre os principais objectivos a que se propõem e que têm no recrutamento a sua tarefa principal. Reforçando as palavras do anterior orador, referiu a necessidade de angariar mais jovens para a Associação e de continuar o trabalho que todos os anos temos realizado com sucesso, junto das Escolas, em colaboração com os seus Executivos e com as Associações de Pais, por ocasião das Comemorações do 25 de Abril.


 
Vamos privilegiar a colaboração com as Autarquias e outras Associações do Distrito de Portalegre, na realização de Exposições Temáticas sobre o 25 de Abril e a participar em eventos culturais que promovam o encontro de associados e amigos em convívios e festas populares.
Finalmente, em nome da Direcção Nacional da Associação 25 de Abril, falou o Comandante Martins Guerreiro, que agradecendo o convite que lhe foi formulado, teceu algumas palavras de incentivo ao trabalho já efectuado pela Delegação e pelo Núcleo, salientando as propostas enunciadas como um bom instrumento de trabalho que a Sede Nacional dará todo o seu apoio.
Após as intervenções foi servido um almoço-convívio que teve a participação do Grupo Coral Etnográfico de Grândola que brindou os presentes com um reportório magnifico e que obteve calorosos aplausos, tendo sido brindados no final com alguns presentes, da Delegação e da Junta de Freguesia.
Assumar, Fevereiro de 2010
Martins Raposo



terça-feira, 20 de abril de 2010

EM VEZ DE UM LIVRO, UMA CANÇÃO!

Este “apontamento” era para falar de Alberto Morávia, um dos melhores escritores do Sec. XX de quem acabei de ler “A CIOCIARA”, um romance maravilhoso sobre a as injustiças e os crimes da II Grande Guerra e o extraordinário amor de Mãe para salvar a sua Filha do conflito. Mas desta vez, necessito de alguns momentos de reflexão, antes de escrever sobre este Livro que marca uma época de desesperança e de sofrimento por um povo, neste caso o italiano que foi espezinhado pelos fascistas a mando de Mussolini e pelos nazis de Hitler que enviaram os seus soldados para evitar o desembarque dos aliados no Sul da Itália.
LUZ CASAL
Enquanto lia o livro, ouvi uma extraordinária intérprete espanhola, chamada Luz Casal que nasceu em 11 de Novembro de 1958 na Galiza e se notabilizou no início da sua carreira como cantora pop-rock.
Em 2007, a cantora passou por momentos de grande sofrimento e de luta contra o cancro da mama que acabou vencendo com uma perseverança igual ao empenho com que sempre dedicou à sua carreira. Afectada espiritualmente com essa grande luta, acabou por lançar o Álbum “Vida Tóxica” que reflecte esses momentos de angústia e de esperança, numa dessas canções “Bajo tu abrazo” teve a parceria de Rui Veloso.
O seu último Álbum “La Pasión” aparece-nos com um espírito mais confiante, mas marcado com um romantismo fora de vulgar, escolhendo o velho estilo dos “Boleros”, que Tonia La Negra, Los Panchos, José Feliciano e Aldemar Dutra. A sua voz inconfundível, quente e sensual, dá a cada uma das suas interpretações uma emoção particular, mesmo que muitas das suas canções já tenham sido interpretadas por grandes artistas, ficamos sempre emocionados pelo calor da sua voz sensacional e apaixonada, em grandes temas como “Alma Mia”,Historia de Un Amor”,Un Ano de Amor”, “Piensa en Mi”. Esta última canção foi utilizada por Almodôvar no seu Filme “Saltos Altos”.
Luz Casal anda em digressão pela Europa com este último Álbum “La Pasión”, esperemos que venha a Portugal em breve para ao vivo no encantar com a paixão que dá voz aos “Boleros” que têm também a marca do compositor brasileiro, Eumir Deodato e o selo da Editora “Blue Note”.
Enquanto isso não acontece, fiquemos com a sua voz no Youtube.



CV – Abril 2010
Dados: Wikipédia, Youtube, Ípsilon.
Martins Raposo

quarta-feira, 24 de março de 2010

PEDRO ABRUNHOSA
UM DOS ÍCONES DA MÚSICA PORTUGUESA
A propósito de uma mensagem que o meu Amigo Álvaro Monteiro, bancário por acaso e necessidade, mas grande músico e invulgar intérprete de Jaz e de música portuguesa, actuando actualmente com o duo “Álvaro & Zé Victor", que tem merecido o aplauso dos numerosos admiradores que conquistaram com actuações memoráveis, em toda a zona de Sesimbra, Setúbal e outras localidades.
Como ia dizendo, hoje enviou-me um post, em que se vê o músico Pedro Abrunhosa, nos primórdios da sua carreira musical, integrando um grupo musical, ainda sem os famosos óculos que marcaram mais tarde o culto da sua personalidade. Aproveitei para dar uma espreitadela ao seu vasto currículo e aqui ficam alguns dados para os mais jovens que não conheceram este extraordinário intérprete de Jaz que tantos êxitos alcançou nos anos 80.
Pedro Machado Abrunhosa, nasceu no Porto, em 20 de Dezembro de 1960, descendente de músicos amadores que o incentivaram a seguir os estudos das artes musicais.
O seu primeiro instrumento foi o Contrabaixo de Cordas, integrando o Grupo de Música do Porto, dirigido pelo Maestro Cândido de Lima. Ao mesmo tempo iniciou as suas experiências na área do Jaz, seguindo de perto nomes como Billy Hart, David Liebman, Todd Coolman e outros. Neste período formou a Banda de Bolso e o Sexteto de Pedro Abrunhosa, tendo efectuado numerosas actuações com músicos internacionais e foi um dos co-fundadores da Escola de Jaz do Porto.
Já na década de 90 com a composição do Álbum Viagens, deu-se a grande viragem no estilo de composições musicais, aproximando-se musicalmente do “pop-rock”, reforçando a sua atitude de rebeldia e de contestação à situação política.
A sua nova imagem impõe-se com uma gestualidade provocatória, combinando o vestuário negro, com os célebres óculos escuros que jamais vai tirar nos seus espectáculos e no contacto com o público.
Os anos 90 são contemplados com grandes espectáculos e com grandes êxitos musicais, radicalizando o seu estilo musical com aproximações ao “funky e ao hip-hop”, utilizando técnicas de “sampling” com as suas interpretações que transitam invariavelmente do canto para a pura declamação. O Álbum “Silêncio” obtém enorme sucesso em todos os seus espectáculos.
A sua já longa carreira como intérprete e compositor afirmou-se como um dos grandes “ícones pop”da musica portuguesa contemporânea, reconhecido além fronteiras, muito em especial em Espanha e no Brasil onde famosos intérpretes como Elba Ramalho e Zeca Baleiro, têm utilizado as suas canções nos seus reportórios.
São muitos os Prémios que Abrunhosa já conquistou, entre os quais se contam dois Globos de Ouro, vários prémios da Revista Blitz, da Rádio Nova Era e ainda o Prémio da Melhor Banda Sonora em Espanha e o Prémio Melhor Compositor pela RCL.
Esta pequena súmula da bem sucedida vida deste extraordinário músico está naturalmente muito reduzida na verdadeira dimensão, que ainda muito recentemente nos surpreendeu com a criação de uma nova formação musical, “Comité Caviar”, confirmando a coragem de prosseguir com a sua irreverência e demonstrando que se pode ser “contestatário militante” sem perder a excelente qualidade que as suas composições sempre têm tido.
 
CV- 24.03.10
Martins Raposo
NOTAS: Dados recolhidos na Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, Wikipédia e Álvaro Monteiro, para o qual vai um  abraço amigo e o meu muito obrigado, pelas excelentes músicas que tem enviado.














O Duo "Alvaro& Zé Vitor"

segunda-feira, 22 de março de 2010


ISABEL FIGUEIRA
UMA ATLETA EXTRAORDINÁRIA



Isabel Maria Andrade Figueira, nasceu em 05 de NOvcembro de 1979, viveu uma parte da sua juventude em Castelo de Vide, onde teve os seus primeiros treinos de natação, modalidade em que se viria a notabilizar como mais adiante veremos pela excelente entrevista que concedeu a meu pedido, para ser publicada no Jornal NCV. Isabel Figueira, licenciou-se em Educação Física e Desporto, é Tecnica Superior de Desporto na Câmara Municipal de Faro e Treinadora no Clube de Natação de Faro.
JMR - Conte-nos um pouco como foi a sua infância.
IF - Tive uma infância normal como tantas outras crianças, com a particularidade de ter tido uns pais que me apoiaram e trilharam comigo os caminhos que decidi percorrer e um irmão que tem sido até hoje um alicerce na minha vida.
JMR – Onde iniciou os seus estudos? Como foi a sua iniciação desportiva?
IF - Fiz até ao 9º ano na Escola C+S de Castelo de Vide e o Secundário na Escola Secundária Mouzinho da Silveira em Portalegre.
Desde cedo que o meu pai me incutiu a mim e ao meu irmão (também ele atleta) o gosto pela prática desportiva. Foi nas aulas que o meu pai dava nas piscinas em Portalegre que aprendi a nadar e mais tarde passei para a associação desportiva de Castelo de Vide onde fui acompanhada pelo meu antigo treinador (João Augusto) até ao momento em que iniciei a minha vida académica em Faro.
JMR – Com que idade começou a praticar desporto de competição?
IF - Comecei a praticar desporto de competição com 6 anos.
JMR – O facto de o seu pai ser professor de E F e além disso se ter distinguido no atletismo, teve alguma influência na decisão?
IF - Possivelmente um pouco.

JMR – Nos campeonatos europeus, realizados em Cádiz, em 2009, a Isabel obteve três medalhas de ouro e dois recordes da Europa. Como viveu esses momentos? Foi a melhor época da sua carreira?
Os resultados que obtive em Cádiz foram fruto de muito trabalho ao longo da época e de um verão praticamente todo passado na piscina e no ginásio a treinar, fiquei por isso muito feliz com os resultados.
IF - Sim, esta foi uma das melhores épocas da minha carreira.
JMR – Quais as provas e os prémios mais importantes que alcançou. Pode-nos indicar o lugar onde decorreram as provas e o porquê da sua importância?
IF - A minha carreira é longa e já participei em inúmeros campeonatos, menciono por isso os últimos prémios mais importantes para além obviamente de Cádiz. A ascensão do meu actual clube (Clube de Natação de Faro) à 2ª divisão e o bronze obtido no meeting internacional da Póvoa de Varzim foram os últimos prémios de destaque.
JMR – Consegue dar-nos o número de provas e prémios que já consegui ganhar?
IF - Como referi anteriormente, a minha carreira é longa, já perdi a noção do número das provas e dos prémios que consegui ganhar.
JMR – Como vai ser o seu calendário de provas para esta época?

IF - Os meus objectivos neste momento são a participação nos Campeonatos de Portugal e a preparação para o Mundial em Julho na Suécia.
JMR – Já participou em Castelo de Vide em alguma prova desportiva?
IF - Participei em muitas!!! Até aos 17 anos representei a Associação Desportiva de Castelo de Vide.
JMR – Qual ou quais os clubes em que já esteve inscrita? Actualmente qual o clube que representa?
IF - Representei o Clube de Natação de Portalegre, a Associação Desportiva de Castelo de Vide e quando vim para Faro para a Universidade, integrei o Louletano Desportos Clube, mais tarde a convite de um amigo, representei o Clube Futebol Benfica e actualmente estou no Clube de Natação de Faro.
JMR – Acha que Castelo de Vide tem condições para a prática da natação? Em sua opinião o que deve ser feito para que esta prática tenha mais adeptos e se possam realizar provas com regularidade?
IF - Castelo de Vide tem condições em termos de infra-estruturas, no entanto não existe uma escola de formação como em todos os clubes pelos quais já passei, e este aspecto é fulcral na criação de uma equipa de competição.
JMR – Quais os seus sonhos e a sua maior ambição em termos desportivos?
IF - O meu sonho neste momento é ser a mulher com 30 anos mais rápida do mundo aos 50 e 100 metros bruços, e a minha maior ambição é continuar com capacidade de lutar para me superar.
JMR – Quais as suas referências a nível desportivo? Tem algum(s) ídolo(s) desportivo(s)?
IF - Admiro o Phelps, e o nadador japonês Kosuke Kitajima.
JMR – Qual o seu hobby preferido?
IF -Tenho vários, praticar outros desportos, ir à praia, cinema…
JMR – Deseja deixar alguma mensagem aos castelovidenses e em particular aos jovens?
IF - Aproveito a oportunidade para deixar algumas mensagens:
Uma à autarquia da vila que me viu crescer, para que não se esqueça de valorizar e congratular os feitos que os castelovidenses vão conseguindo…
Outra de agradecimento ao meu antigo treinador João Augusto, porque muito do que sou como atleta a ele lho devo.
Aos meus pais, irmão e amigos, obrigada por estarem sempre!
E para os jovens de Castelo de Vide…
tem pelos vossos sonhos porque não há impossíveis!
NOTAS: Esta Entrevista já foi publicada no Jornal "Notícias de Castelo de Vide""  na sua Edição de Março. No entanto, trata-se de um projecto pessoal que a Direcção do NCV, teve a gentileza de publicar. A elaboração das perguntas e composição foram de minha autoria e as respostas estão na íntegra tal e qual a Isabel Figueira respondeu de forma muito objectiva, precisa e clara, realçando o valor incontestável da Entevista.A sua inserção neste Blogue corresponde sob o meu ponto de vista, ao interesse geral que a mesma possa ter para todas as pessoas que não tenham acesso ao Jornal. JMR







quinta-feira, 11 de março de 2010

MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA (PARTE II)

Para que os amigos e leitores tenham o prazer de conhecer melhor o nosso Poeta aqui fica um pouco da sua Poesia premiada. O primeiro Poema obteve o 1º. Prémio dos Jogos Florais de Outono XVII, realizados em Monforte no dia 21 de Outubro de 2009 e promovidos pela Autarquia Local.
O Júri do certame era composto pelo Professor António Matias, a Professora Maria das Dores e o Professor Jacques Songy, tendo como convidado de honra o Sr. Miguel Rasquinho, Presidente da Câmara Municipal que se congratulou com o sucesso deste evento que de ano para ano aumenta o número de concorrentes.
O auditório da Biblioteca Municipal estava completamente cheio, com a presença de numerosos concorrentes e convidados. De acordo com a informação do Júri, este ano foi difícil de selecionar os premiados, devido à superior qualidade dos trabalhos apresentados.
Este certame, muito semelhante ao que outras Autarquias do Alentejo vêm promovendo em prol da cultura popular, ganhou ao longo dos anos uma grande popularidade e os concorrentes vêm de todas as regiões do País, alguns dos quais são já caras bastante conhecidas nesta simpática Vila de Monforte, onde grangearam bastantes amigos.
Não é valida qualquer comparação com os Jogos Florais promovidos pela Câmara Muncipal de Castelo de Vide que decorreram pela 2ª. vez em Castelo de Vide, neste ano de 2009, quer em termos de experiência quer do número de participantes, muito embora se deva dizer que o trabalho coordenado pelo Sr.Major Carlos de Oliveira, foi muito importante e merece que a nossa Autarquia o continue a apoiar para que a obra não esmoreça. De qualquer modo, agrada-nos saber que há mais "Majores da Cultura" neste recanto do Alentejo.














CONSELHO AOS SENIORES
Inevitavelmente o tempo vai
A hora flui e urge o dia-a-dia…
Não penses muito nisso e abstrai,
Põe na vida a doçura da poesia.
Põe graça nas palavras e recria
O teu sonho de um dia que se esvai
Noutro sonho de amor e alegria
Que adoça a tua vida e descontrai.
E, revive o teu tempo de criança
Com prazer, alegria, sonho e graça
Olha o tempo que passa, não espera…
Abre-lhes as portas largas da bonança,
Convive sem espinhos nem mordaça
E faz do teu Outono a Primavera.
M.S.
PÁSSAROS DE FOGO
Em pássaros de fogo
chega o pelotão da morte
para impôr como jogo
a lei do mais forte.
Da orla da mata
parte fogo e metralha
e o terror se espalha
por cada cubata.
Morteiro a morteiro
há corpos caídos
em sangue esvaídos
no pó do terreiro
que serão consumidos
no horror do braseiro.
O menino escuro
indefeso chora
pretende ir-se embora
mas...treme inseguro,
ainda o vejo agora
tem as tripas de fora.
Ainda o vejo agora
mas tento esquecê-lo
ao menino que implora
num eterno apêlo.
Era terno e puro
mas... morreu p'lo futuro
já não pode tê-lo
é por isso que eu juro
que tento esquecê-lo.
Eu tento esquecê-lo...
mas a toda a hora
continuo a vê-lo...
 tem as tripas de fora
e num pranto sem fim
é dentro de mim
que o menino chora.
M.S.
COMENTÁRIO AO ADÁGIO POPULAR "BURRO MORTO, CEVADA AO RABO"
( Poesia picaresca)
Neste tão velho ditado
o rabo que vem descrito
tem sentido figurado, 
ele é, ao fim e ao cabo,
'ma outra forma de rabo...
não o propriamente dito;
dito não literalmente...
não é cauda propriamente
mas algo mais redondito
aquela forma inocente
que é, afinal, somente,
'ma espécie de buraquito,
que fica localizado
no ponto mais recuado
da 'strutura do burrito.
Dar de rabo na moral,
não sou eu a fazer tal.
Por isso, devo dizer:
O que houver para fazer,
não se guarde p'ró final
quando a pena já não vale.
Dizia certo poeta,
de forma muito concreta,
muito concreta e serena...
Para se atingir a meta
tudo vale sempre a pena
se a alma não é  pequena:::
Mas... eu, nem sou da poesia...
nem de grande pensamento...
nem me tenta a fantasia
de ir fazer filosofia
sobre o rabo de um jumento
que para além de figurado
é um burro já finado,
e por esse passamento
eu só não choro e lamento
por ser um burro inventado.
M.S.
DEMOCRACIA
(Crítica social)
Quando a coerência e a razão
puserem laivos de amor
em cada coração...
Nesse dia!...
será dia de mudança!
O Sol voltará a iluminar a esperança
e haverá de novo
flores na rua e risos de criança
paz e harmonia!
Quando a Justiça. enfim, tiver vencido,
o amor for um dado adquirido
houver solidariedade,
sem embuste
e com verdade...
e for a voz dos justos libertada...
reataremos a obra começada,
num Abril mais florido.
E ouviremos a música prometida...
e ver-se-á uma bandeira erguida
e desfraldada...
a hipocrisia voltará ao seu redil
e ver-se-á envergonhada
de tanto embuste e tanto ardil
e será de novo Abril
com cravos muitos mil
numa Pátria libertada.
Quando a mentira for banida
e da razão uma bandeira içada,
e a voz dos justos for ouvida
e não seja a verdade acorrentada
para que seja comedida e controlada
dos barões a gula desmedida...
A justiça reinará
e... nesse dia
diremos que haverá
enfim...DEMOCRACIA!...
Autor: Francisco Matos Serra
DADOS RECOLHIDOS: Matos Serra, O Distrito de Portalegre e Câmara Municipal de Monforte.
JMRaposo
MATOS SERRA, UM HOMEM QUE GOSTA DE POESIA!
Francisco Matos Serra nasceu em Monforte, no dia 26 de Março de 1937, filho de gente humilde, trabalhadores rurais que sofreram as agruras impostas aos trabalhadores pelo Estado Novo, mas sempre de cabeça levantada. Senhores do campo, vivendo uns no Assumar, outros em Monforte, gente rija e de numerosa prole.
Francisco, ainda sofreu na pele a dura lei do proletariado agrícola, passando a sua juventude, junto dos ganhões e dos pastores nas herdades dos agrários que nesta região detinham todos os poderes, sob o beneplácito de Salazar, o ditador. No seu tempo ainda apareciam os malteses, de duro traço e alma de aventureiros românticos que eram adorados pelos campesinos que ouviam as suas histórias rocambolescas, relatadas sempre com um humor por vezes cáustico, por vezes ingénuo, mas admiráveis no seu imaginário de raízes populares.
Apetrechado com estas ricas experiências, o descendente dos Serra, não se conformava com a rude vida que levava, rebelando-se com as injustiças sociais de que ainda foi vítima, saíu da sua terra, para outra vida e para outros muitos lugares que percorreu, com o seu porte altivo, de “guerreiro”, idealista e sonhador.
Matos Serra, é um dos amigos da nossa Terra, que há muitos anos nos honra não só com a sua amizade, mas também com uma colaboração prestigiada pela enorme simpatia de um comunicador por excelência, com saber e conhecimento pessoal dos actos que descreve com simplicidade e elegância.
Corria o ano de 2000, quando a Associação de Pais das Escolas de Castelo de Vide, o convidou para falar com os alunos, sobre os acontecimentos do 25 de Abril, vividos pelo anfitrião, como jovem oficial militar. Daí para cá, voltou várias vezes à Escola, sempre a convite da Associação de Pais.
Colaborou activamente com o GACV, na Sessão “Poetas de Abril”, realizado em 30 de Outubro de 2004, contactando com os Poetas Populares que participaram neste evento. Ajudou a realizar a “Exposição Revisitar Abril”, nas Comemorações do 30º. Aniversário da Revolução dos Cravos.

A mais recente colaboração foi a sua intervenção, na Evocação dos 65º. Aniversário do Capitão de Abril, Salgueiro Maia, dando-nos mais uma vez o testemunho da amizade que o ligava ao nosso herói conterrâneo, o respeito pela intérprete ousadia do jovem Capitão, ao mesmo tempo que manifestava a sua preocupação pelos tempos de crise e de desesperança em que vivemos.
Por estranho que pareça, este nosso Amigo é praticamente desconhecido da sua faceta extraordinária que o liga à Poesia Popular, e digo estranho por que o Matos Serra é na verdade um dos melhores Poetas Populares da nossa Região, com um palmarés de Prémios de grande mérito, os últimos dos quais tive o prazer de presenciar nos XVII JOGOS FLORAIS DO OUTONO DE 2009, realizados em Monforte, no dia 11 de Outubro e promovidos pela Câmara Municipal.
Matos Serra,  foi neste precioso evento, galardoado com o 1º. Prémio (ex-aequo) com o Poema “Conselho aos Seniores”, o 2º. Prémio, com a Poesia “Poesia é Vida Eterna, outro 2º. Prémio com o Soneto, “O Bosque em Alvoroço” e o 3º. Prémio no Tema Poesia a Mote, com a Poesia “Ir às Tertulhas (tertúlias), tendo ainda, sido distinguido com Sete Menções Honrosas.
Para não tornar este apontamento demasiado extenso, não posso por agora alongar-me muito mais nesta área da Poesia Popular, em que o nosso amigo já provou ser um dos mestres exímios, no jogo das palavras, com um sentindo romântico carregado de um lirismo sedutor, aliado a um fino sentido de humor onde não faltam as cenas picarescas tão usuais nos meios campestres e bucólicos, no chão do nosso Alentejo.
É mais do que uma certeza de que voltaremos a falar desta figura que se destaca agora no mundo da poesia, mas que tem ainda muito que nos contar da sua história como militar de Abril, interveniente e activo nos momentos mais quentes da Revolução dos Cravos. Homem Vertical, seguro e solidário nos momentos de crise, enfrentando com coragem e dignidade todas as adversidades impostas pelos “próceres” vencedores do 11 de Novembro.

Hoje, este nosso amigo, vive voluntariamente afastado das ondas palacianas que nunca o seduziram, numa Quinta junto às Termas de Cabeço de Vide que é um pequeno jardim, construído sobre ruínas de um velho casarão, pedra a pedra, árvore a árvore, pelas suas mãos. Neste retiro bonançoso, junto de sua dedicada esposa, Maria Antónia, vai dando largas à sua fértil imaginação poética. Escreve sempre em forma poética e a sua vasta produção, vai decerto transformar-se em livro que eu aguardo com a certeza de que terá enorme sucesso.
De vez em quando o Poeta, desce à cidade de “José Régio” (ele, que adora Pessoa), para participar em amenas tertúlias, aumentando em cada dia o enorme espólio de amizades que crescem espontaneamente em cada pessoa que vai conhecendo, com a mesma simplicidade com que dispõe os cravos e as gardénias do seu jardim.
CV - Novembro 2009
Martins Raposo
Nota: Seguem noutro texto os Poemas de Matos Serra

quarta-feira, 3 de março de 2010

UMA TRAGÉDIA MORTAL


Em vésperas de Natal



Paulo Jorge Samarra Trindade, nasceu em Lisboa no dia 29 de Março de 1969 e era filho dos Castelovidenses, Sr. Rogério Trindade e de D. Camila Samarra, já falecida.
O Paulo era neto da minha Tia Libânnia, irmã do meu Pai.
No dia 22 de Dezembro, este jovem apenas com quarenta anos de idade, foi mortalmente colhido por um automóvel desgovernado, com o seu condutor perdido de bêbado que veio embater violentamente na paragem do autocarro que o malogrado Paulo Jorge se preparava para tomar a caminho do emprego.
Paulo Jorge que nem sempre teve sorte nos seus empregos, encontrava-se agora com uma situação estável, nos serviços de segurança na Securitas, colocado na Carris, onde era estimado por superiores e companheiros.
A cerimónia do funeral acompanhada por muitos familiares e amigos, deu-se na Igreja da Charneca do Lumiar e o infeliz foi sepultado no Cemitério do Lumiar. Era bem visível a consternação por esta tragédia provocada por uma pessoa que já tem cadastro criminal e que cobardemente abandonou o carro e a vítima que teve morte imediata. Havia no local uma senhora e duas crianças que sofreram ligeiras escoriações.
Deixa a sua jovem viúva sem emprego e com uma doença incurável, sendo toda a sua família bastante pobre e carenciada, aquém apresentámos o nosso profundo pesar e solidariedade nesta hora de tragédia e de dor.
Ao Rogério Trindade, meu familiar e amigo, destroçado pela dor por ter perdido o único filho que tinha, eu lhe peço que tenha ânimo e coragem para enfrentar esta dolorosa perda.
CV - Dezembro de 2009
Martins Raposo