FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















terça-feira, 26 de outubro de 2010

JOSÉ CARRILHO GANHA 1º. PRÉMIO

NOS JOGOS FLORAIS DA ALMA ALENTEJANA
José Carrilho obteve o 1º. Prémio com o seu Conto intitulado “FUTURO GERÓNIMO, OU O IDEÁRIO PERPETUADO”, nos X JOGOS FLORAIS – realizados pela Associação ALMA ALENTEJANA, com Sede em Almada.

A cerimónia realizou-se no Auditório Romeu Correia dirigida pelo Presidente da Direcção Sr. António Oliveira que iniciou os trabalhos com palavras de louvor e agradecimento ao patrono destes Jogos Florais, Dr. Simas Abrantes (o 1º. Presidente da Direcção desta Instituição) e logo de seguida procedeu à entrega dos Prémios de Poesia e do Conto, começando naturalmente pelas menções honrosas e finalmente chamando o José Francisco Carrilho, natural de Castelo de Vide, para lhe entregar o 1º. Prémio, conseguido com o seu maravilhoso Conto “Futuro Jerónimo ou o Ideário Perpetuado”.

Este Conto, é uma bela narrativa de alguns episódios que se passaram com a implantação da República tendo como personagem um filho de gente abastada do Alentejo que influenciado por um familiar, aderiu de corpo e alma aos ideais defendidos por alguns dos republicanos do 5 de Outubro e  de certo modo os aplicou pela vida fora, auxiliando os mais desprotegidos e apadrinhando muitas crianças filhas dos camponeses da sua terra.
Seguindo de forma breve as atribulações do novo regime que não só traiu as esperanças dos trabalhadores, como acabou cedendo o lugar à ditadura de Salazar. O autor, eleva a personagem principal como um dos muitos resistentes que nunca desistiram de defender os ideais humanistas da Revolução de Outubro e acreditaram num futuro melhor.

Aos seus afilhados João Marcelino, assim se chama o herói desta brilhante narrativa, apenas exigia que tivessem como nome próprio as palavras Liberdade e Fraternidade e ao último atribuiu o nome de Futuro, querendo perpetuar no nome dos seus afilhados, o seu ideário republicano.
Aos leitores deste pequeno apontamento, aconselho vivamente a leitura da versão integral deste belo conto, inserido no “Blogue Ribeiro da Fonte”, no qual o premiado evoca o nome de Isabel Diniz (Avó dos seus Filhos), contadora de lindas histórias que lhe terá servido de inspiração para este seu trabalho.
O Prémio dedicou-o José Carrilho aos seus Familiares e Amigos e às gentes da sua Terra, num gesto muito bonito e muito aplaudido pela numerosa assistência que enchia por completo o Auditório Romeu Correia.

Está de parabéns o nosso conterrâneo, pelo prémio alcançado com o seu excelente trabalho. Ficamos a aguardar com renovado interesse os seus trabalhos literários.
Resta-me terminar com uma palavra de apreço pela distinta simplicidade como decorreu a cerimónia da entrega dos prémios, na qual participaram para além do Patrono destes Jogos Florais, o Presidente da Associação, todos os elementos do Júri que foram distinguidos com palavras elogiosas dos presentes.
Do Programa fez parte ainda um Grupo de Jovens Violonistas que presenteou o público com bonitos e variados trechos musicais. A terminar tivemos o grato prazer de assistir à actuação de Francisco Naia e dos seus acompanhantes que deliciou a assistência com a sua voz extraordinária e algumas das canções do seu vasto e importante repertório.
Martins Raposo
CV-25.10.10

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SAUDADES DO ADRIANO

ONDE ESTÃO TEUS COMPANHEIROS?


Por princípio, gosto mais de glorificar a data de nascimento das pessoas a que me refiro nos meus escritos, mas por vezes sinto a necessidade de assinalar a data do seu desaparecimento tão grande é a mágoa e a falta que certas pessoas nos fazem nos tristes dias que estamos a passar no nosso país.
Adriano foi um dos mais activos e corajosos intérpretes da “Canção de Protesto que começou a ter grande importância em meados dos anos 60 e da qual fizeram parte Zeca Afonso, Manuel Freire Luís Cília, entre outros. Eles foram os obreiros que revolucionaram uma nova forma de cantar em português. Intérpretes dos nossos melhores Poetas, entre os quais António Gedeão, Manuel Alegre, Manuel da Fonseca, Reinaldo Ferreira, e da música de verdadeiros génios na arte de compor e de tocar, como foram Rui Pato, António Portugal, António Menano, Machado Soares e José Niza.

E assim se fizeram canções imortais como "Menina dos Olhos Tristes, Trova do Vento que Passa, Tão Forte Sopra o Vento, História do Quadrilheiro, Pedro Soldado, Fala do Homem Nascido,Homem Nascido, Tejo que Lavas o Rio",  e tantas outras que a sua voz maravilhosa tornou célebres, nos fez pensar e nos encantou.
Foi ele que cantou: “Ninguém pode calar/ A voz da Liberdade”; “Mesmo na noite mais triste/ E em tempo de solidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não”;” Ó Alentejo dos pobres/ Reino da desolação/ Não sirvas quem te despreza”.
Adriano, tinha a firme convicção de que as letras e as músicas das suas canções revolucionárias podiam influenciar as mentalidades e modificar a postura de muitos portugueses que o ouviam e seguiam a sua carreira com atenção.Ele conseguiu manter sempre a mesma postura corajosa, na defesa dos seus ideais bem expressa neste poema: “Venho dizer-vos que não tenho medo/ A verdade é mais forte que as algemas”.
 Era assim o Adriano! Um bom gigante que erguia bem alto a sua VOZ! Aquela voz que tanto podia ser grave, forte e possessiva, como podia ser insinuante e colorida como um manto de preciosidades raras da natureza. O seu longo repertório, incluía para além das canções de intervenção, muitas canções populares que o nosso povo tem guardado desde os tempos mais antigos dos trovadores de gesta. Teve grandes êxitos e muita juventude o seguiu como um ídolo antes e depois do 25 de Abril até à derrocada do 25 de Novembro de 1975, em que os vencedores iniciaram os ataques a todas as conquistas conseguidas com a Revolução dos cravos.
O  conceito de cultura popular foi de certo modo adulterado, numa visão distorcida das realidades  do nosso povo, manipulando a juventude, moldando-a em conformidade com os principios do neoliberalismo e de uma pretensa aldeia global no qual o economicismo elimina toda a filosofia de ideais progressistas e humanistas. A obra de Adriano e de muitos dos seus companheiros foi a partir de então, relegada para o fundo das gavetas dos novos senhores do poder.
É um  facto comprovado que a participação de Adriano na acção cívica e  revolucionária através da canção, levou a que os meios de comunicação tenham feito tudo para fazer desaparecer o seu trabalho de artista, intérprete e compositor. Aliás, toda essa gente com responsabilidades nas direcções de informação, ainda em vida do grande intérprete o tinham emparedado nos muros do silêncio, com rancor e raiva. Tinham e ainda têm,  pavor das palavras das suas canções que lhes queimam as más consciências.
Hoje, está tudo muito pior, vinte e oito anos passados após o seu desaparecimento físico, pouco resta da sua memória, e muito menos de quem queira  falar do seu nome e da sua obra. Os tempos voltam a estar ameaçadoramente sombrios, na eminência de uma catástrofe que nos envolve a todos, mas ataca muito em especial a classe trabalhadora, por quem Adriano generosamente tanto se bateu em sua defesa.
Para agravar esta tristeza, regista-se o facto dos seus companheiros de luta terem desaparecido quase todos.Uns porque faleceram, outros porque se cansaram e acomodaram. Outros ainda, no pior sentido, já se passaram para o outro lado da barricada sem pudor e sem vergonha.
Restam muito poucos dos teus Companheiros! E mesmo esses poucos, desapareceram de circulação. Não se ouvem. Não aparecem. Esconderam-nos!
Eu bem digo para ouvirem a tua VOZ! Mas as pessoas têm pressa, estão cheias de preocupações.São as prestações do carro e da casa. São os filhos no desemprego. É o futuro hipotecado. Todos correm sem tino e sem tempo de ouvir.
É pena, mas vou continuar a gritar. É preciso ouvir o ADRIANO!
Que saudades temos de ti Adriano! Que falta nos fazes!
Martins Raposo
CV-16 de Outubro de 2010
NOTAS:  Texto apoiado no Livro " Adriano Correia de Oliveira - Vida e Obra, de Mário Correia.
Fotos extraídas da Net.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

EM MEMÓRIA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

ROMAGEM À FREGUESIA DE MARGEM
Concelho do Gavião
No seguimento do artigo sobre a Homenagem que os Castelovidenses efectuaram no dia 17 de Julho, na Freguesia de Margem, onde se encontra o busto e os restos mortais do ínsigne estadista Mouzinho da Silveira, natural desta nossa querida terra, vimos colocar mais algumas fotos deste importante evento cultural, levado a efeito pelo Grupo de Amigos de Castelo de Vide.



 J. Canário e A. Manso distribuem os "Diplomas" .

 O Alcino a Esposa  e o Julio bem dispostos.

O Sr. Governador Cilvil despede-se dos presentes.


Um dos presentes já pensa no seu Restaurante.


Dois Jovens e mais gente muito simpática.



O Zé Carrilho, o Zé Raposo e a Cidália.
Alice, Rui, Serpa, Hilário e Romero.

O Celestino comanda a marcha para... o almoço

Cecília, Marido e Filhos com Dr. Calha e D. Olívia.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

EM MEMÓRIA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

ROMAGEM À FREGUESIA DE MARGEM 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide organizou uma Romagem ao busto de Mouzinho da Silveira que se encontra na Freguesia de Margem, Concelho de Gavião, no passado dia 17 de Julho de 2010.
Estiveram presentes algumas dezenas de pessoas (cerca de 100 pessoas), sendo na sua grande maioria Castelovidenses que se fizeram transportar em dois autocarros cedidos pela Câmara Municipal de Castelo de Vide e em viatura própria. Da Freguesia de Margem havia pouco mais de uma dezena de pessoas.
Esta iniciativa teve o apoio das Câmaras Municipais de Castelo de Vide e de Gavião e da já referida Freguesia de Margem, representadas respectivamente, pelo Vice-Presidente da CMCV, Sr. António Pita, Presidente CMG, Professor Jorge Martins e Presidente da F.M, Sr. José Praia Neves. Ente outras entidades Públicas convidadas, estavam o Presidente da Assembleia Municipal de Castelo de Vide, Dr. António José Miranda e o Governador Civil do Distrito de Portalegre, o Sr. Jaime Estorninho.
 
 O Presidente da Direcção do GACV, José Raposo, deu início à cerimónia definindo os objectivos propostos de rever Obra de Mouzinho e de reavivar, nestes tempos de crise em que vivemos, o nobre exemplo de patriota, de lutador pelas causas justas da Liberdade e da Justiça
 Não me cabe a mim - disse - a evocação dos feitos que elevaram por mérito próprio a figura de Mouzinho da Silveira, como um dos Estadistas e Legisladores mais importantes da história do nosso país, outros o podem fazer com mais conhecimentos e autoridade no saber… falarei da pessoa em si, do elevado carácter de firmeza e de isenção, pelo sentido de estado e pelo amor à Pátria, pelo qual muitas vezes, sacrificou a própria família e a sua vida pessoal.

 A forma como generosamente praticou e demonstrou o conceito que tinha de amizade e de solidariedade para com todos os que tiveram o privilégio de privar mais de perto com a sua pessoa. … a coragem e o estoicismo com que enfrentou as traições e as adversidades e acima de tudo na forma magnânima e tolerante com que julgou e tratou os seus inimigos, defendendo sempre uma linha moderada, sem o extremo radicalismo defendido por alguns dos seus amigos.
…pelo desapego que tinha pelo poder e pelas mordomias, bem se podiam aplicar a este nosso ilustre conterrâneo, os versos de Sá de Miranda, quando na sua carta/poema a D. João III, disse ser: Homem de só parecer/De um só rosto, uma só fé/D’antes quebrar que torcer, /Ele tudo pode ser, / Mas de corte homem não é.”
O Presidente da Direcção finalizou, agradecendo a todos a sua presença, os apoio recebidos e um agradecimento muito especial para todos os habitantes do Vale de Gaviões, dignos descendentes que se atreverem em tempos adversos, a defender a honra e a vida de Mouzinho da Silveira, lugar que ele próprio escolheu para ser sepultado.
 Antes das intervenções das entidades oficiais, foi depositado um ramo de flores junto ao busto de Mouzinho. A seguir o Presidente da Freguesia de Margem, Sr. José Praia Neves, usou da palavra agradecendo a iniciativa do GACV e a presença dos numerosos Castelovidenses, mostrando-se grato por poder associar-se a esta nobre iniciativa.
   De seguida falou o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, lendo um extenso documento de pesquisa que ele próprio efectuou através das Actas da Câmara Municipal, onde é referida a Homenagem efectuada em 16 de Maio de 1910, por ocasião do 130º. Aniversário do nascimento de Mouzinho da Silveira, tendo na altura sido atribuído o nome do ilustre Castelovidense, à Rua até então conhecida por Arco da Barreira e no edifício que fica junto ao arco foi colocado um brasão da família Mouzinho  foi também colocado o seu retrato na sala de sessões da Câmara.

Todas aquelas as cerimónias - disse António Pita – se revestiram de grande solenidade e tiveram grande participação do povo, terminando por reconhecer que ao se manifestar a vontade testamentária de Mouzinho, que após a sua morte fosse enterrado na Freguesia de Margem, cercado de gente boa e agradecida, ficou bem claro que o eminente estadista, não perdoou “esta fatalidade histórica com que o povo português estima os seus filhos ilustres”.

O Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, teceu palavras de grande elogio a esta iniciativa do GACV, reconhecendo que o seu município não terá feito no passado tudo o que o insigne estadista merece. Agora estamos determinados em apoiar esta Associação no seu programa de homenagens, entre as quais a Exposição que teremos muito gosto em que seja inaugurada neste Concelho, a 23 de Novembro.
 
No final desta sessão, interveio o Sr. Governador Civil que se referiu a Mouzinho da Silveira, como uma das figuras maiores da nossa história, fazendo referência à sua obra de legislador no qual foi também um dos maiores da Nação Portuguesa. Um Homem, frisou, para quem os valores eram tudo. Até na sua grande  simplicidade de viver e de se apresentar em público se destacava. Conta-se quando D.Pedro certa vez lhe fez uma observação sobre a falta das insígnias a que tinha direito de usar, Mouzinho lhe terá respondido – Deixai-me viver assim, Senhor, que eu sou um homem de Castelo de Vide.
 E a terminar disse – Os grandes reformadores são devorados e caem em desgraça. É sempre de emendar os erros e o GACV está de parabéns e estão a dar uma lição ao virem homenagear Mouzinho e agradecer à população que o acolheu nos maus momentos. A gratidão é uma virtude que nem todos têm o dom de possuir, é um valor maior

A seguir a esta cerimónia e tal como estava programado, os presentes vindos de Castelo de Vide e alguns convidados, dirigiram-se para a Quinta do Barata, onde foi servida uma excelente refeição que se reflectiu na boa disposição que se estabeleceu num agradável convívio a que não faltou as habituais saudações em verso e como sempre se distinguiu o nosso ilustre convidado, Sr. Eduardo Valhelhas.

 Durante a refeição, foi distribuído a todos os convidados um “Diploma” de presença nesta iniciativa para que mais tarde possam recordar este belo dia.  
Foram muitas as pessoas que se dirigiram aos Directores presentes com largos elogios da forma como correu esta iniciativa, desejando que se façam mais actividades deste género que são sempre bem acolhidas e têm muita participação como hoje  ficou bem demonstrado.
Para além do Presidente da Direcção, estavam presentes, o Vice-Presidente, Sr. Joaquim Pinto Ferreira Canário, o Tesoureiro, Sr. Augusto Manso, o Vogal, Sr. António José  Miranda e o 1º. Secretário da Assembleia, Sr. José Francisco Carrilho,sendo bem visível no final a satisfação por tudo ter corrido da melhor forma.
  













Martins Raposo
CV- Julho de 2010
  Nota explicativa: Sobre esta grande iniciativa do GACV, já todos os Jornais da região, incluindo o Jornal “Notícias de Castelo de Vide”, relataram nas suas páginas a forma como decorreu esta Romagem. Poderia muito bem copiar para o meu blogue, o excelente artigo editado pelo Jornal “Alto Alentejo” da autoria do nosso amigo,
Manuel Isaac, que ficaria completa e muito bem descrita. No entanto e sem qualquer desprimor para todos os que se dignarem a escrever sobre este evento, achei que deveria fazer um texto para editar “apenas no meu Blogue, em que ficasse o meu ponto de vista, tentando apresentar sucintamente o discurso dos intervenientes sem alterar na substância as ideias apresentadas. Aqui fica portanto a minha visão desta importante iniciativa que se deve acima de tudo ao esforço de toda a Direcção do GACV, tendo a maior parte do trabalho recaído por razões de maior disponibilidade, nos Directores que estiveram na cerimónia acima descrita.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

JOSÉ SARAMAGO
O ESCRITOR A OBRA E O HOMEM























"O escritor é um Homem como todos os outros.
Sonha"
Já passaram dois meses desde o falecimento de um dos maiores escritores da Literatura portuguesa e já quase toda a gente escreveu sobre a Obra e a Vida de José Saramago. Belos e extensos textos sobre a sua biografia e imensos escritos laudatórios sobre os seus livros. Desde o mais alto magistrado da nação ao mais simples cidadão, com particular relevância para o mundo dos intelectuais, escritores e jornalistas de todo o mundo, enviaram palavras de grande elogio sobre a sua obra, sobre o humanismo e a verticalidade do homem e do escritor.
Também eu gostaria de escrever qualquer coisa que transmitisse o meu pensamento sobre este escritor que mereceu a minha atenção como simples leitor da sua obra e a admiração sincera da sua postura como cidadão impoluto, defensor dos mais fracos, defensor da liberdade e de um mundo melhor pelo que lutou toda a vida, intervindo onde se praticavam injustiças sociais e políticas.
Gostaria de saber transmitir o que realmente senti com a sua morte que entristeceu uma grande parte das gentes do meu país. Muitos dos seus livros tinham uma componente política e denunciadora das políticas neo-liberais que têm causado os maiores crimes contra a humanidade, abrindo cada vez mais o fosso entre os que possuem todas as benesses e as riquezas dos países e aqueles que nada têm para além dos seus braços para trabalhar a quem tudo lhes é negado, muitas vezes até o trabalho necessário para seu sustento e da família.
Mas escrever para quê e para quem? O que posso dizer que não tenha já sido dito, nestes dois últimos meses? No entanto, o meu atrevimento já me levou a “escrevinhar” sobre outros escritores, alguns dos quais de muito menor importância que o nosso Prémio Nobel. Saramago que eu conheci pessoalmente e que tenho quase toda a sua obra, com alguns livros autografados pelo autor, certamente desculparia as referências que recolhi em vários Jornais e Revistas, testemunhos de grandes escritores, jornalistas e políticos que deixaram a sua mensagem de mágoa e tristeza após o seu falecimento.
José Saramago, faleceu na sua casa em Lanzarote, no, dia 18 de Junho de 2010, tendo de acordo com o seu testamento, sido transferido para Lisboa. O Governo decretou dois dias de luto nacional e a Câmara Municipal de Lisboa realizou uma Cerimónia Oficial com intervenções de António Costa, Jerónimo de Sousa, Carlos Reis, Mª. Teresa Fernandez de la Veja (Vice-primeira ministro do Governo Espanhol) e Gabriela Canavilhas.
O Funeral realizou-se no Cemitério do Alto de S. João, com a presença de muitas centenas de pessoas vindas de todo o país.

José Saramago, contava 87 anos e nascera na Vila de Azinhaga, Concelho da Golegã, em 16 de Novembro de 1922. Filho de camponeses que a falta de recursos obrigaram a sair da sua terra para Lisboa. Estudou na Escola Industrial Afonso Domingues e exerceu durante algum tempo a profissão de Serralheiro Mecânico. Mais tarde passou a trabalhar nos Hospitais Civis de Lisboa. Em 1946 casou com Ilda Reis de quem se separa em 1970.Em 1947 publica o seu primeiro livro; Terra do Pecado obra menor que não recebeu os favores do público e em 1966 Os Poemas Possíveis também sem grande eco. Depois de 1970, mantém durante 20 anos, um relacionamento amoroso com a escritora, Isabel da Nóbrega. Dá início à sua actividade jornalística e finalmente depois de ter escrito vários livros em prosa e poesia acabou por se dedicar exclusivamente à escrita, deixando-nos livros como, Levantado do Chão, Memorial do Convento, A Jangada de Pedra, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio Sobre a Cegueira, A Caverna, O Homem Duplicado, Viagem de Elefante e Caim que foi a sua derradeira obra. Para além dos livros mencionados, escreveu muitos outros Romances, Poesia, Cadernos e Crónicas sobre vários assuntos.

Em 1986, Saramago conheceu a jornalista espanhola, Pilar del Rio de quem afirmou –“Se tivesse morrido aos 63 anos, antes de conhecer Pilar, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora”. Foi Pilar que esteve sempre ao lado do escritor durante os 24 anos que lhe restou de vida.
 O Escritor foi galardoado com muitos prémios atribuídos em Portugal, Espanha, Itália e Inglaterra, destacando-se entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela, atribuído pela APE, em 1992, o Prémio de Consagração de Carreira, pela SPA em 1995 e no mesmo ano o Prémio Camões e finalmente em 1998 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura.







Personalidade impar da nossa Literatura, deixou-nos algumas frases que definem o escritor e a obra, entre as quais se destacam: Se podes olhar, vê./ Se podes ver, repara./ Tal como o fosso entre os ricos e os pobres se torna cada vez mais profundo, também o fosso entre os que sabem e os que não sabem está a tornar-se vertiginoso. Essa é outra cegueira da razão./ Sou de onde nasci, sou da terra que me criou./ Tu estavas e agora já não estás. Isso é a morte./ Deus é o silêncio do universos e o ser humano o grito que dá sentido. Deus não é mais que um nome./ É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já.



Do muito que escreveram sobre José Saramago transcrevi algumas frases que me parecerem as mais apropriadas em definir a sua Vida e a sua Obra, aqui ficam os testemunhos por ordem alfabética de:
Fernando Gómez AguileraTrabalhador das Letras, príncipe da Literatura. A Vida de José Saramago está marcada pelo trabalho, pela coerência e pelo compromisso de uma literatura livre, fundada na imaginação e na consciência; Filipa Melo – Filho de gente pobre e quase analfabeta, fez-se sozinho para existir com uma ideia do mundo. Tornou-se escritor, um homem com convicções inabaláveis, mas também de escondidas fragilidades. Este é o retrato do primeiro português a receber o Prémio Nobel da Literatura; Gabriela Canavilhas – Foi uma referência luminosa de dignidade e grandeza à escala Universal; Jerónimo de Sousa – A sua dimensão intelectual, artística, humana e cívica, fazem dele uma figura maior da nossa história; Harold Bloom – A Literatura vai sentir a sua falta, do mais talentoso romancista contemporâneo; Hélia Correia -Era uma personalidade impressionante pelo talento, pela verticalidade e pela coragem; José Luís Peixoto – Ele construiu um mundo que no futuro vai estender o seu eco; José Luís Zapatero – Os espanhóis choram Saramago como um dos nossos; José Sócrates – Foi um dos grandes vultos da nossa cultura e o seu desaparecimento, torna a nossa cultura mais pobre; Lídia Jorge – Morreu um escritor genial; Manuel Queiroz – Para se amar a escrita de Saramago não é precisoconcordar em tudo com Saramago. Porque tinha um talento divino; Mário de Carvalho – Era um daqueles escritores tocados pela Graça. Esta Graça encontro-a em todas as suas páginas; Pedro Dias de Almeida – Enquanto jornalista, escritor; militante político e cidadão empenhado, José Saramago travou várias batalhas e alimentou algumas polémicas. Arma favorita: a palavra, sem hesitações; valter hugo mãe – Fica-nos o que fez, o que nos deixou, seguramente erguido diante do tempo como uma muralha.
Como já disse, muitas outras personalidades, pessoas ligadas às artes; escritores, políticos, jornalistas e pessoas simples do povo, se referiram a Saramago, com palavras de elogio e de pesar. Só não as transcrevo por falta de espaço, numa crónica que não devo alongar demasiado Muito poucas pessoas levantaram a sua voz contra o escritor, foram os mesmos que em vida o caluniaram levantaram entraves aos seus livros, mesmo sem os ler, apenas por motivos políticos, mentalidade retrógrada e inquisidora.
Aqui deixo a minha singela homenagem, ao Homem e à Obra de José Saramago que considero a par de Camões, Gil Vicente, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa. Maior, entre os maiores, Saramago será sempre um dos melhores escritores da Literatura Portuguesa.
“Só não subiu ao céu, porque à terra pertencia!”
Martins Raposo
CV- Setembro de 2010
DADOS RECOLHIDOS IN: JL, Visão, Expresso, O Público, DN e Jornal I.






terça-feira, 13 de julho de 2010

ROMAGEM Á FREGUESIA DE MARGEM DIA 17 DE JULHO

HOMENAGEM A MOUZINHO DA SILVEIRA
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide,  está a promover durante todo este ano, algumas iniciativas em Homenagem ao grande Estadista e Legislador Mouzinho da Silveira que nasceu em Castelo de Vide, no dia 12 de Julho de 1780.
Depois da Sessão efectuada no dia 19 de Junho na Sociedade Recreativa 1º. de Dezembro, em Castelo de Vide que decorreu com bastante público  e com importantes intervenções, que em breve darei conhecimento neste Blogue.
Nessa Sessão, os presentes confirmaram com entusiasmo a proposta do GACV, em fazer uma visita à Freguesia de Margem, Concelho de Gavião, para prestar uma homenagem junto ao busto que está erguido naquela Freguesia. Assim decidiu-se enviar um CONVITE, a todos os Orgãos Autárquicos, Associações, Fundações e outras Entidades Públicas, a estarem presentes na cerimónia de Homenagem a Mouzinho da Silveira e que vai ter lugar no próximo dia 17 de Julho (Sábado), conforme cópia do ofício que transcrevemos, juntando também o Programa para todos aqueles que por algum motivo ainda não tiverem conhecimento desta iniciativa ainda poderem inscrever-se através dos contactos assinalados.
A Direcção do GACV agradece!
CV - 10.07.10



GRUPO DE AMIGOS DE CASTELO DE VIDE
Exmo. (s) Senhor (s)
Órgãos Autárquicos
Associações e Fundações
Outras Entidades Públicas
ASSUNTO: CONVITE
Exmo. Senhor
O GACV, tem a honra e o prazer de convidar V. Exa. a estar presente na Cerimónia de Homenagem a Mouzinho da Silveira que vai ter lugar no próximo dia 17 de Julho, com saída de Castelo de Vide, pelas 09H30, num Autocarro gentilmente cedido pela Câmara Municipal. A chegada à Freguesia de Margem está prevista para as 10H30, iniciando-se de imediato as cerimónias com a colocação de um Ramo de Flores, junto ao Busto do Homenageado.
Em anexo, juntamos o Programa completo do evento, que termina com um Almoço-Convívio na Quinta do Barata e para o qual contamos com a presença de V. Exa. e sua Exma. Família.
Agradecendo desde já a presença de V. Exas., enviamos,
Os nossos mais respeitosos cumprimentos,
De V. Exa.
Atenciosamente
O Presidente da Direcção do GACV


Aqui fica o Convite e o Programa para todos os que nos queiram dar a honra da sua presença. Obrigado!
CV-10.07.10
Martins Raposo

sexta-feira, 11 de junho de 2010

GRUPO DE AMIGOS DE CASTELO DE VIDE PRESTA HOMENAGEM A MOUZINHO DA SILVEIRA

O GACV elegeu este ano, como uma das principais iniciativas, a homenagem a Mouzinho da Silveira, eminente estadista e notável legislador, nascido em Castelo de Vide, a 07 de Julho de 1780.
Mouzinho da Silveira, foi a figura de maior projecção do liberalismo, “o Machado da Reforma” que nas palavras de Almeida Garrett, com as suas Leis contribuiu para a demolição do mundo antigo, apontando com uma visão estratégica, clara e objectiva a criação de uma nova Sociedade Liberal e Moderna.
A Direcção do GACV, pretende que todas as incitativas que está a programar sobre este ilustre Castelovidense, tenham a franca colaboração da Câmara Municipal de Castelo de Vide e da Câmara Municipal do Gavião, assim como dos Agrupamentos Escolares destes Concelhos, das Associações, Colectividades e todas as personalidades que possam dar o seu contributo a fim de todos poderem contribuir para se ficar a conhecer melhor a Vida e a Obra de Mouzinho da Silveira
Ao que nos foi dado conhecimento o GACV recebeu formalmente a resposta positiva das referidas Autarquias e a Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, fez uma proposta para realizarem uma Sessão Evocativa de Mouzinho da Silveira, marcada para o próximo dia 19 de Junho, conforme Convite que junto anexamos.
Para além desta iniciativa está já em preparação uma Romagem dos Castelovidenses e Amigos, à Freguesia de Margem, Concelho do Gavião, no próximo dia 17 de Julho, com Programa específico a tornar público muito em breve.
Em colaboração com os dois citados Órgãos Autárquicos, o GACV, está a efectuar os necessários contactos e a preparação de todos os meios a fim de realizar em Novembro próximo, uma Exposição Documental e Bibliográfica, sobre Mouzinho da Silveira. Esta data tem como finalidade, a participação e colaboração dos alunos dos Agrupamentos Escolares de Castelo de Vide e do Gavião.
O Caleidoscópio do Sul, vai colaborar na divulgação desta importante iniciativa, que esperamos venha a ter a receptividade e participação do maior número possível dos munícipes dos Concelhos visados.
CV – Junho de 2010
Martins Raposo
Amexo:

PARTICIPE E COLABORE!


domingo, 30 de maio de 2010

VITTORIO DE SICA
Um dos Maiores Realizadores de Sempre!

Vittório de Sica nasceu em Soria, a 07 de Julho de 1901 e faleceu em Paris em 13 de Novembro de 1974. Descendente de uma família da classe média, viveu grande parte da sua juventude na cidade de Nápoles. A carreira das artes que escolheu foi estimulada pelo pai, iniciando-se como actor de Teatro chegando a participar na Companhia de Tatiana Pavlova. A sua estreia no cinema deu-se com um pequeno papel no filme “ Il Processo Clémenceau” em 1917. Mais tarde atingiu grande popularidade como galã em Filmes de Camerini e de Gli Uonimi.
A sua carreira como realizador começou e 1939, com o Filme, “Rosas Escarlates” a que se seguiram mais de três dezenas de Filmes, alguns dos quais com a estreita colaboração do roteirista Cesare Zavattini.
Das suas Obras mais célebres, contam-se “Vitimas da Tormenta”,Ladrões de Bicicletas”, “La Ciociara”,Boccaio70”,UmbertoD”,Um Lugar para os Amantes” e”Jardim dos Finzi-Contini”.

Ladrões de Bicicletas, realizado em 1948, com argumento de Cesare Zavanttini, é sem dúvida o Filme mais célebre deste grande Realizador, alcançando um enorme sucesso em todo o mundo, sendo considerado como um dos marcos mais importantes da escola neo-realista italiana, um autêntico grito de revolta contra a desumana exploração dos trabalhadores.

Todos aqueles que tiveram o privilégio de ver este filme se comoveram intensamente com o drama de António Ricci, o personagem principal (muito bem interpretado por Lamberto Maggiorani), que para conseguir o emprego numa empresa de distribuição, tem que ter uma bicicleta e que para a poder comprar teve que vender os parcos haveres de sua casa.
A tragédia adensa-se quando lhe é roubada a bicicleta que acabou de comprar com venda de roupas de sua mulher. As peripécias por que tem de passar à procura do único meio para salvar a família do desemprego e da fome, são as mais incríveis e desventuradas.
Pai e Filho percorrem Roma por todos os lugares e em quase todos são confrontados com a miséria que se espalhava por toda a cidade. Ninguém os pode socorrer, todas as portas lhe são fechadas e quando ele no limite do desespero, tenta vingar-se roubando também uma bicicleta é imediatamente apanhado e só a imagem aflita do filho comovem as testemunhas que o libertam por dó e piedade.
Esta obra foi premiada como o Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento do ano de 1948 e recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Locarno em 1949 e o Prémio Bodil em 1951.
Toda a sua Obra assenta nos princípios da nova escola do Neo-Realismo, que se caracteriza pelos temas sociais da época, durante e a seguir à 2ª. Grande Guerra a que se seguiu a implantação do capitalismo selvagem e desumano que a burguesia, a única classe que lucrou com o conflito mundial. Vittorio de Sica, toma corajosamente a defesa dos deserdados e das classes mais desfavorecidas, acusando com desassombro os vampiros de uma sociedade decadente, sem escrúpulos e sem moral.

 A lado de De Sica, se destacam outros Realizadores Italianos que seguem os mesmos ideais e usam técnicas semelhantes nos seus filmes, são eles Roberto Rossellini que nos legou o extraordinário Filme de Roma, Cidade Aberta, com a interpretação fabulosa de Anna Magnani. Luchino Visconti, com os seus Filmes, “Rocco e seus Irmãos”,Morte em Veneza” e o “O Leopardo”, retrato impiedoso da sociedade decadente, com interpretações notáveis de Burt Lancaster, Cláudia Cardinale e Alain Delon.

 Podemos ainda integrar nesta mesma Escola, os nomes de Giuseppe De Santis com o Filme, “Arroz Amargo”, cuja interpretação de Silvana Mangano conseguiu alcançar enorme êxito em 1948 e Marco Bellochio que inicia a sua carreira com “I Pugni in Tasca”,La Cina à Vicina” e nos acaba de brindar aos 70 anos com o Filme, Vencer, uma biografia ousada e crítica do fascista Mussolini, o que levou já alguns críticos a verem semelhanças com o execrável Sílvio Berlosconi que tem conseguido manipular o povo Italiano de uma forma absurda e louca, fazendo-nos recordar os anos negros e nefastos do Ditador.
Não queria deixar de referir que este movimento cultural do Neo-Realismo Italiano, teve o seu início em França após a vitória da Frente Popular em 1936, com o chamado Realismo Poético Francês dos quais se destacaram os Realizadores, Jean Vigo e o seu Filme “O Atalante”; Jean Renoir, com “A Grande Ilusão” e a “Regra do Jogo” e Marcel Carné, com “Cais de Sombras” e “Trágico Amanhecer”. Alguns destes Filmes foram escritos por outra grande figura do cinema Jacques Prévert.


Para terminar esta minha pequena homenagem ao Realizador Vittorio de Sica, feita após a crónica sobre o Livro de Altertto Morávia, La Ciociara, aproveitei para ao mesmo tempo mencionar os nomes de outros Grandes Realizadores da época, não posso deixar de confessar que quase todos estes filmes que mencionei, os vi muito mais tarde, até porque alguns foram realizados antes de ter nascido e que a minha juventude foi até aos 17 anos, marcada pelos Filmes de Aventuras do “Far - west Americano", dos Piratas Famosos, do Robim dos Bosques, Do Sinal do Zorro e outros semelhantes.
A Escola Secundária reiniciada em Tomar e a leitura de bons livros, levaram-me a descobrir outro cinema com uma realidade muito próxima daquilo que a minha Família tinha vivido e continuou a viver por muitos anos.
Estávamos ainda muito longe do 25 de Abril.

CV- Maio de 2010

Martins Raposo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

LENA HORN
"O ADEUS DE UMA GRANDE SENHORA DO JAZ"


Lena Horn, nasceu em Nova Iorque, no dia 30 de Junho de 1917 e faleceu na sua cidade no passado dia 09 de Maio.Grande intérprete do Jaz, iniciou a sua carreira no mítico Cotton Club e como bailarina chegou a actuar na Broadway ainda muito jovem. Foi convidada a actuar em algumas peças musicais mas muito cedo se destacou com a sua voz maviosa e sensual à frente de das grandes orquestras da época. Canções como “Stormy Weather”, “At Long Last Love”, “My Heart Belongs to Dady”, “It’s a Rainy Day” e “Moon River”, obtiveram grande sucesso junto do público cada vez mais numeroso deste género de música.
Tal como muitas outras artistas, Lena Horn sofreu com o facto de para além de ser uma mulher negra, professar claramente ideias progressistas e ser uma acérrima defensora dos direitos humanos, tendo participado activamente na célebre “Marcha Sobre Washington” ao lado de Martin Luther King.
A sua amizade com o activista Paul Robeson trouxe-lhe sérios dissabores com o McCarthismo que tentou prejudicar a sua carreira de artista.
Lena Horn, era uma mulher muito bonita de uma elegância natural que despertou numerosas paixões em toda a sua vida, casando duas vezes, uma delas com dezanove anos, manteve sempre orgulhosamente os seus princípios, defendendo a sua raça e recusando papeis como criada ou prostituta que eram geralmente oferecidos a actrizes negras.
A propósito, ficou célebre a sua atitude corajosa quando tendo sido convidada a actuar para as forças militares, durante a guerra, ao verificar que os soldados negros estavam apartados dos brancos que ocupavam as primeiras filas, abandonou intempestivamente o palco recusando actuar no espectáculo. O Pentágono cortou imediatamente o seu nome dos artistas convidados.
Lena Horn, actuou ao longo da sua carreira com as melhores Orquestras de Jaz e fez parceria com grandes artistas deste genro musical, no entanto foi com a grande Orquestra de Duke Helington que mais tempo trabalhou.
Dos muitos Filmes para que foi convidada destaca-se “Tempestade Musical” do Realizador Andrew Stone, no qual contracenou com Bill Robison e Cab Calloway e onde interpretou “StormY Wather” que obteve enorme sucesso. Trabalhou também com Louis Armstrong, no Filme “Um Lugar No Céu”, do Realizador Vicente Minelli.
Apesar de pessoalmente reconhecer as diferentes características vocais que Ella Fitzgerald e Billie Holiday possuíam, no meu modesto entender, Lena Horn, tem o lugar bem merecido de figurar neste trio extraordinário que foram no seu tempo as melhores intérpretes do Jaz a nível mundial.
Embora continuasse a actuar e a gravar as suas canções até aos 90 Anos, esta “Grande Senhora do Jaz”, disse-nos adeus com a certeza de ter contribuído com a sua obra e com a sua forma de viver, para um mundo inter-racial muito melhor. Teve ainda a felicidade de assistir pela primeira vez no seu país, à eleição do Presidente Obama descendente de negros africanos.
Convido portanto os meus queridos amigos, a ouvir as suas canções.
Gratos e em Paz com a sua memória!


Martins Raposo, CV Maio 2010
DADOS RECOLHIDOS: Wiquipédia, Google, Expresso, The Jaz Selection.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

LA CIOCIARA
O MEU LIVRO DE ABRIL
La Ciociara é um dos romances mais importantes que no estilo neo-realista, Alberto Morávia escreveu em 1957, numa altura que o autor, já era considerado um dos melhores escritores contemporâneos e após ter escrito os “Indiferentes”, o “Conformista” e o “Desprezo”. Considerava-no muito próximo de escritores como Elio Vittorini e Pavese, embora alguns críticos lhe encontrassem algumas afinidades com o existencialismo de Sartre, e com obra de Albert Camus.
La Ciociara (A Camponesa) é um romance extraordinário que relata a odisseia de Césira, uma camponesa que casa com um pequeno comerciante que vive em Roma e a deixa viúva ainda bastante jovem com uma filha.
Estávamos no início dos anos 40, a guerra alastrava por todo o mundo. A pequena mercearia de Césira a princípio beneficiou com a situação, até que o Governo Fascista de Mussolini e os Alemães se instalaram em Roma e no Sul da Itália.
Os bens de consumo começaram a faltar e a cidade tornou-se perigosa com o aumento da criminalidade, da opressão e do medo generalizado que os nazis e os fascistas impunham aos mais fracos, atingindo severamente as crianças, os idosos e as mulheres.
Césira foge de Roma, para proteger a sua filha Rosetta dos desmandos da ocupação, procurando no campo a segurança e tranquilidade.
Os obstáculos que encontra pelo caminho, espreitam em todos os lugares, mesmo naqueles onde tem pessoas conhecidas, as dificuldades económicas em que vivem as famílias faz aumentar o oportunismo e o banditismo nas aldeias e vilas campesinas.
Césira é uma mulher corajosa e persistente. Com algum dinheiro que conseguiu ganhar com o comércio, consegue de forma inteligente, escapar a todas as ciladas que os escroques tentam encurralar Mãe e Filha, que decidem fugir para as montanhas, por intermédio de um velho amigo.
Santa Eufémia, assim se chamava o lugarejo onde conseguiram ser aceites, depois de vencerem a hostilidade e desconfiança dos montanheses que lhes cedem uma cabana com o chão térreo, sem qualquer comodidade.
Neste meio claustrofóbico, triste e miserável, apenas se destaca o jovem Michelle, filho de uma das famílias remediadas e que tinha feito estudos superiores na cidade, sendo respeitado pela população, pela sua honestidade e o seu carácter bondoso para com os mais fracos. Odiava a guerra e tinha uma especial aversão aos fascistas, nazis e em geral a todos os corruptos e oportunistas que nestes tempos de morte e destruição apareciam como cogumelos em todos lugares, até mesmo em Santa Eufémia, corajoso afirmava que “não há amigos em tempo de guerra, nem homens, nem dinheiro, nem nada". Michelle, torna-se o anjo da guarda destas duas mulheres desamparadas, num meio hostil e com a guerra a invadir todos os lugares, os refugiados aumentam e ao mesmo tempo fogem para mais longe porque a aldeia já não oferecia segurança.
Com o conflito quase a terminar, os destroços deixados pelos inimigos em fuga, continuaram a aumentar as dificuldades e as agressões não vinham só dos alemães. Os fascistas de Mussolini não lhes ficavam atrás na maldade e nos meios que utilizavam.
Mas foi um alemão que utilizando a sua arma obrigou Michelle a indicar-lhe o caminho a norte das montanhas.

Sem a protecção de Michelle, o ambiente em Santa Eufémia, tornava-se perigoso para as duas mulheres que resolveram sair de surpresa para o vale onde se dizia os aliados tinham derrotado os alemães. A desolação que encontraram nas aldeias destruídas sem ninguém conhecido, obrigou-as a tomarem a resolução de voltar para Roma. No seu íntimo, Césira, tinha esperanças que aqueles americanos, seriam amigos do povo e as ajudariam a chegar a casa sãs e salvas dos imensos perigos que tinham vivido.
Quando julgavam estar próximo dos seus objectivos, aconteceu-lhes o mais trágico imprevisto de todos os maus tempos porque passaram. As sementes da guerra provocam em todos os seres, alterações de personalidade e de caracter, fazendo-as praticar os mais hediondos crimes, sejam eles de um lado ou do outro.
Por absurdo que pareça, a inocência de Rosetta que sua Mãe tão resolutamente tinha defendido, foi violada precisamente por soldados Marroquinos ao serviço dos Aliados quando as duas mulheres já quase tinham alcançado os seus objectivos.
Foram os dias mais terríveis para Césira, pela humilhação sofrida, por não ter conseguido salvaguardar a honra de sua filha, e por ter que se rebaixar a pedir o apoio dos “falsos amigos” que tinham sido uns escroques no princípio da sua fuga.
A guerra para Césira continuava, desmedidamente cruel e dolorosa., agravando-se com a notícia do assassinato de Michelle pelos alemães. Perdera definitivamente o seu melhor amigo que ela amava como se fosse seu filho, o que a levou a desabafar – “que a guerra atinge justamente os melhores, porque são os mais corajosos, os mais altruístas, os mais honestos; uns morrem como o pobre Michelle, outros ficam estropiados por toda a vida, como a minha Rosetta”.
O seu desespero atingiu o cúmulo que a levou quase ao suicídio, perdendo definitivamente a esperança de chegar a casa. Como sempre esta enorme mulher, de uma coragem sem igual, mais uma vez se levanta enfrentando os infortúnios e os azares da vida provocados pela guerra e de cara bem levantada segue em frente até chegar ao seu lar querido e acolhedor.
A guerra tinha acabado, fazendo-lhes renascer nas duas mulheres a esperança de terem conquistado o direito de voltar a viver em paz.
Esta obra monumental, que segue nos seus traços gerais a denúncia do flagelo das guerras que castigam cruelmente os mais desprotegidos, a Mãe Coragem” de Berthold Brecht, prende o leitor da primeira à última página, com uma escrita despojada de artifícios e fantasias. Esta era uma das regras dos neo-realistas que nos quiseram mostrar a miséria de uma sociedade em decadência nos seus valores, agravados por guerras cruéis e injustas. Num tempo em que muitos escritores actuais tecem as piores críticas a este estilo que marcou o Sec. XX, o neo-realismo continua sendo a “escola” que denunciou desassombradamente todas as calamidades provocadas pela burguesia gananciosa, defensoras do capitalismo selvagem e posteriormente do neo-liberalismo que continua nos dias de hoje a ser o mais nefasto inimigo dos trabalhadores de todo o mundo.
Após ter escrito este romance, Albert Morávia foi nomeado para receber o Prémio Nobel da Literatura, mas à última da hora por imposição da CIA, a Academia viu-se obrigada a atribuir a Boris Pasternack o mais alto galardão da Literatura.
La Ciociara foi adaptada ao cinema pelo argumentista, Cesare Zavattini e realização Vitorio de Sica que escolheu Sophia Loren para interpretar a corajosa figura de Césira.
Martins Raposo - Abril 2010
DADOS: Extractos do próprio Livro de Morávia; Wiquipédia; Google;Site Literatura. A última imagem sobre o momento em que Berlim é conquistada, é uma simples homenagem aos heróis que há 65 anos conseguiram derrotar o nazismo.
JMR

quarta-feira, 5 de maio de 2010

COMEMORAÇÕES POPULARES
DO 25 DE ABRIL EM CASTELO DE VIDE
Pode-se dizer que o dia maravilhoso deste Domingo que assinalou o 36º. Aniversário do 25 de Abril, foi um perfeito aliado que beneficiou positivamente o encontro de largas dezenas de pessoas, que corresponderam ao apelo formulado pelo Convite elaborado por um grupo de pessoas de várias tendências políticas, na qualidade de cidadãos, empenhados em mobilizar os Castelovidenses para festejarem o 36º. Aniversário do 25 de Abril, de forma espontânea e popular.


Por uma feliz coincidência, estavam presentes por iniciativa da OCRE, um numeroso grupo de cidadãos dos PALOP (s), São Tomé, Guiné e Cabo Verde, que quiseram de forma voluntária associar-se a esta iniciativa. Tal como o Convite enunciava houve muita música, comida e bebida à descrição, num ambiente de saudável convívio e aberto a todas as pessoas que quisessem intervir, o fizessem em inteira liberdade sobre o tema do 25 de Abril.


E foi assim que ouvimos o Professor Joaquim Canário, relembrar o papel importante que teve o nosso conterrâneo Tenente Coronel Fernando Salgueiro Maia, nesse dia glorioso da “Revolução dos Cravos” e ao mesmo tempo advertir contra os perigos do neoliberalismo que contribuiu para a crise existente e também para a existência de injustiças sociais que se têm vindo a agravar, desvirtuando os ideais pelos quais se bateram os “Capitães de Abril”.


Falaram também os responsáveis pelos jovens de São Tomé, Guiné e Cabo Verde e todos foram unânimes em concordar que o 25 de Abril abriu as portas da Liberdade ao Povo Português e aos Povos dos seus países.
No final das intervenções cantou-se a Grândola Vila Morena, o Hino da Revolução.



Seguiu-se uma Romagem ao cemitério onde foram colocados cravos vermelhos na campa de Salgueiro Maia, e se teceram algumas palavras alusivas a verticalidade moral e cívica deste nosso herói.

A Festa que começara logo de manhã, terminava com muitas pessoas a comentar alegremente o ambiente caloroso e popular desta forma de comemorar o 25 de Abril e já a pensar que para o ano se pode envolver muito mais gente, muito em especial a juventude. Serpa Soares informou da vontade manifestada de envolver a comunidade escolar, para que os jovens estejam em maior número e todos podermos com mais força e confiança dizer: VINTE E CINCO DE ABRIL SEMPRE!

NOTAS: Esta iniciativa que se realizou pela primeira vez em Castelo de Vide, teve a sua origem num grupo de cidadãos que na sua maioria teve o privilégio de viver e participar no 25 de Abril e que sem querer entrar em conflito com as cerimónias públicas levadas a efeito pela Autarquia, decidiram promover este encontro festivo e popular com um significado mais de acordo com os ideais da Revolução dos Cravos.
Sem esquecer todas as pessoas que quizeram associar-se à "Festa do Parque 25 de Abril", registamos por ordem alfabética os nomes dos primeiros responsáveis pela organização: Alcino Maniés, Amândio Patacas, António Barrocas, Francisco Carapeto, Francisco Hilário, João Carrilho, Joaquim Canário,José Raposo, Julio Ribeiro, Romero Palmeiro, Serpa Soares e Tiago Malato.
CV – Abril 2010
Martins Raposo