FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 25 de março de 2011

A ÚLTIMA GRANDE DIVA!

ELIZABETH TAYLOR

A grande diva do cinema dos anos 50/60 do Sec. XX, faleceu nos Estados Unidos, no passado dia 23 de Março, com 79 anos de idade. O seu filho Michael fez em poucas palavras um eloquente elogio que define o perfil desta maravilhosa actriz: “Era uma mulher extraordinária que viveu a vida ao máximo, com muita paixão, humor e amor”.
Liz Taylor, fez parte dos meus ídolos de juventude, igualando em talento e beleza outras estrelas do cinema, como Greta Garbo, Ava Gardner, Marlene Dietrich, Ingrid Bergman, Rita Hayworth e Brigitte Bardot.
Em Hollywood vivia-se o tempo das grandes produções e o cinema, atingia o expoente máximo do apogeu, arrastando multidões que enchiam as enormes salas de todo o mundo. Era o tempo em que os actores e actrizes eram adorados como deuses e as pessoas seguiam àvidamente não só a forma como interpretavam as suas personagens, mas também a sua vida pessoal que era habilmente explorada pelos meios de comunicação.
Liz Taylor foi sem dúvida alguma uma das estrelas incandescentes que aliava a sua beleza deslumbrante a um enorme talento, com interpretações inesquecíveis de personagens dramáticas e por vezes bastante controversas.

“Um Lugar ao Sol” foi um dos seus primeiros êxitos, ao lado de Montgomery Clif, pouco depois surge em “A Última Vez Que Vi Paris” com uma grande interpretação e vislumbrando-se já o seu génio e talento que se confirmou com “Gata em Telhado de Zinco Quente”, superando o seu parceiro Paul Newman ainda não totalmente reconhecido como grande actor.
“Bruscamente no Verão Passado” foi um dos Filmes que me deixaram vivamente impressionado, pelo tema e pela coragem da sua extraordinária interpretação de uma mulher desamparada psicologicamente pela família que se agarra com toda a paixão a outro personagem controverso e fragilizado, interpretado magistralmente por Montgomery Clif, que foi também um dos grandes amores da sua vida. Com este Filme ganhou o seu primeiro Óscar da Academia.
No Filme, “Cleópatra”, dirigido por Joseph Mankiewicz em 1963, Liz Taylor representa uma figura histórica polémica e com um argumento com grandes lacunas nos factos reais. Mas mais polémico ainda foi a sua tórrida paixão por Richard Burton que se prolongaria por muitos anos, intervalados de enormes brigas, casamento, divórcio e de novo casamento.
A seguir, Liz consegue a representação mais corajosa da sua longa carreira, arriscando a alteração completa da sua imagem, no papel de Martha, no Filme de Mick Nicols “ Quem Tem Medo de Virgínia Woolf”, baseado na obra de Edward Albee, tendo novamente como parceiro, Richard Burton. Com esta fabulosa interpretação, Lis Taylor ganha o seu segundo Óscar, como melhor actriz, nesse ano de 1966.

Liz Taylor fez a sua estreia aos 14 anos, com “A Coragem de Lassie” um filme para crianças e terminou com o Filme “Reflexos Num Olho Dourado” em 1967, o último em termos de grandes interpretações, mas pelo meio ficaram-nos muitas dezenas de outros títulos, entre os quais “O Gigante” em que contracenou com Rock Hudson e James Dean, que merecem um estudo mais aprofundado da sua brilhante carreira.
Neste artigo que pretende apenas ser uma modesta homenagem de alguém que viveu na sua época e seguiu com grande respeito e admiração a sua carreira como artista e ao mesmo tempo como mulher que como disse o seu filho na hora da despedida, amou a Vida com grande paixão, alegria e sofrimento.

Na sua vida há ainda a registar o seu profundo sentimento de amor e amizade que sempre a ligou a colegas da sua profissão, como foi o caso de Montgomery Clif que viria a falecer ainda bastante jovem, Richard Burton, Rock Hudson e mais recentemente com o músico Michael Jackson, todos eles vítimas de doenças que continuam a ser um autêntico flagelo mundial, como é o caso da Sida. Lis Taylor assumiu-se corajosamente como defensora do bom nome dos seus amigos, tendo inclusive em seu nome criado e ajudado a criar institutos e hospitais que se dedicam à pesquisa para a cura destas doenças e denunciando todos aqueles que cinicamente instrumentalizam a sociedade com preconceitos e falsidades.
A crítica assegura que “faleceu uma das mais lendárias actrizes da história do cinema” eu apenas acrescentaria que se apagou uma das mais brilhantes estrelas do meu firmamento e ao mesmo tempo uma mulher inteira nas suas convicções de grande humanismo e afectividade.
Citando o belíssimo texto de Mário Jorge Torres no “Público” terminarei com estas suas palavras: “A Taylor ficará para a eternidade como um milagre de luz e sombras, de cor e carne virtual, captado em celulóide e projectado num ecrã, bela e perturbante…”

ATÉ SEMPRE!
CV-24.03.2011
Martins Raposo
NOTAS: Jornal “Publico” e Wiquipédia.

terça-feira, 22 de março de 2011

SEMANA DE CASTELO DE VIDE NA CASA DO ALENTEJO

UMA INCIATIVA DE GRANDE SIGNIFICADO CULTURAL!

 Acabo de receber o Convite. Os objectivos principais, são de grande significado e importância para todos os Castelovidenses e Amigos. Não sendo por princípio favorável a fazer qualquer tipo de publicidade,  creio que se justifica plenamente abrir esta excepção, para dar a conhecer esta iniciativa que a Câmara Municipal de Castelo de Vide, em parceria com o GACV, Alentejo Turismo e Casa do Alentejo, em boa hora decidiu organizar. Assim é com todo o prazer que reformulo o apelo lançado pela Organização: ESPERAMOS POR SI. TRAGA A FAMÍLIA E OS AMIGOS.


Semana de Castelo de Vide em Lisboa
Começa na sexta-feira na Casa do Alentejo
Realiza-se a partir do próximo dia 26 de Março (sexta-feira) a 3 de Abril próximo, na Casa do Alentejo, a Semana de Castelo de Vide em Lisboa.
O programa e o respectivo cartaz devem ser conhecidos a qualquer momento
O evento, cujo programa detalhado e o respectivo cartaz devem ser conhecidos a qualquer momento, é organizado pela Câmara Municipal em colaboração com o Grupo de Amigos e nele está já assegurada a participação dos Ranchos Folclóricos de Castelo de Vide e de Póvoa e Meadas, da Banda União Artística, empresários do sector da restauração e hotelaria, agentes culturais e associativos locais.
Como convidados especiais destaca-se a presença activa do Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, através do seu Grupo de Coral e do Grupo “Canto da Memória”.
Para o vice-presidente da Câmara Municipal, António Pita, o objectivo principal desta iniciativa, para além do “fomento do convívio entre Castelo-videnses” residentes na zona da capital, é o da “promoção e divulgação turística da Páscoa e da Feira Medieval”.
Como objectivos secundários o autarca refere também a “promoção e divulgação das potencialidades, recursos e serviços que o concelho oferece na sua globalidade, com especial ênfase para os valores patrimoniais, a gastronomia e a doçaria”.
A oportunidade será ainda aproveitada para fazer a “apresentação dos projectos emergentes a nível turístico” e de outras “actividades artísticas de Castelo de Vide”, bem como das “mais recentes obras publicadas”. © NCV
IN: BLOGUE : "NOTÍCIASDECASTELODEVIDE" - PUBLICADO POR REDACÇÃO ÀS 12:06 AM

quinta-feira, 17 de março de 2011

JOLY BRAGA SANTOS

UM GRANDE COMPOSITOR

Compositor, Director de Orquestras, Crítico e Professor de Música, José Manuel Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa no dia 14 de Março de 1924.Músico de génio precoce que o Maestro e Compositor Luís de Freitas Branco, elogia e incentiva a continuar os estudos musicais. É precisamente este seu Professor que influencia grande parte da sua obra, notando-se com grande evidência em “Nocturnos em Mi” e no “Soneto de Camões”, duas sinfonias de grande qualidade.

Joly Braga Santos, acompanhado dos seus Amigos, Maria Helena de Freitas e Luís de Freitas Branco.
O contacto com outros compositores e Maestros teve especial importância na mudança da temática musical moderna que aponta para o universalismo que os seus trabalhos vão ter neste segundo ciclo da sua obra. Destacam-se entre outros o Maestro Herman Scherch que foi seu professor em Veneza, no Curso Internacional de Regência que Joly Braga Santos frequentou.

Quando regressa empenha-se com todo o seu saber adquirido na formação da "Juventude Musical Portuguesa", uma autêntica escola de formação de muitos jovens músicos. A sua "4ª. Sinfonia" é precisamente a obra que o Maestro dedica à juventude portuguesa.
Em atenção ao seu trabalho e ao reconhecimento que o país lhe dedica, é nomeado Director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional que graças ao esforço do seu Maestro e dos seus bons intérpretes, granjeou na década de 50 um enorme prestígio.
Das influências já mencionadas registem-se ainda os nomes de Pendereck, William Walton, Vaughan Williams, Compositores modernistas que contribuíram para a renovação do estilo musical de Joly Braga Santos, notando-se o emprego da dissonância e do cromatismo musical, numa dimensão não apenas colorística mas também estrutural. São desta época as obras "Concerto para Viola"," Esboços Sinfónicos", "Sinfonieta" e a" Sinfonia nº. 5", escrita em 1966. Esta última obra tem influências da música tradicional Moçambicana (Zavala), tendo obtido enorme êxito e com a qual foi galardoado com o Prémio de Composição-UNESCO.

O Compositor acaba numa última fase por utilizar alguns temas da música popular das regiões do Alentejo, Beira e Trás-os-Montes, para compor “Três Esboços Sinfónicos”, tentando com a sua música alargar-se a um público mais vasto e diversificado. A arte de comunicar foi uma das suas grandes preocupações, tendo em parte conseguido obter algum sucesso com as suas últimas composições, nas quais utilizou temas sobre os clássicos da nossa Literatura, como foi o caso da "Ópera Mérope" (texto de Almeida Garrett), da "Trilogia das Barcas" (baseada em Gil Vicente).
Registem-se ainda as composições dedicadas a outros músicos e compositores, como a "Elegia a Viana da Mota"," Requiem à memória de Pedro Freitas Branco" e a ópera "Viver ou Morrer" (texto de João de Freitas Branco).
Joly Braga Santos foi de facto, um dos mais talentosos compositores da sua geração, tendo recebido das mãos do Presidente da República Ramalho Eanes, em 1981, a Ordem de Santiago e Espada – Por Mérito Artístico.
Faleceu em Lisboa, no ano de1988, com 64 anos de idade, deixando-nos uma Obra de grande mérito, que infelizmente não tem sido utilizada na actualidade pelos Maestros de Bandas de Música e Grupos Musicais com algum prestígio, que não sendo muitas ainda temos algumas, felizmente. Em vez disso somos muitas vezes enganados com Concertos  com programas musicais intragáveis misturando o clássico com composições “travestidas” com arranjos popularuchos, sem valor e sem sentido.
Nunca será demais, relevar os verdadeiros e autênticos valores da nossa música, Joly Braga Santos é um dos melhores.
CV-14 de Março de 2011
Martins Raposo
NOTAS: Texto apoiado na Obra de Salwa Castelo-Branco; Wiquipédia e Internet (Fotos).

sexta-feira, 4 de março de 2011

UMA VOZ DO POVO

                                   ISABEL SILVESTRE


Primeiro foi a Voz de Manhouce que se ouvia no Rancho Regional de Manhouce e desde logo conquistou a simpatia de todos nós que numa determinada altura os meios de comunicação ainda davam alguma importância a este tipo de intervenção artística.
Foi o início de uma carreira que já leva mais de cinquenta anos e que se norteou por um aturado trabalho de pesquisa das músicas e canções tradicionais portuguesas com mais incidência no rico património da sua região.

 Desde 1979 que Isabel Silvestre é solista do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce, mantendo inalterável a sua postura na defesa do folclore e da música etnográfica obedecendo integralmente aos requisitos necessários para dar autenticidade natural e simples desta verdadeira arte popular.
O seu primeiro Álbum, “A Portuguesa” revela em toda a sua grandeza o seu estilo pessoal, com uma escolha criteriosa que dá a importância e o valor da recolha que efectuou ao longo de anos, nos quais se conta também a colaboração que teve de outros músicos e compositores, como foi o caso de João Gil que tem sido o produtor dos seus discos, com a participação do guitarrista Mário Delgado.
O segundo Álbum, “Eu” segue o mesmo estilo no qual são reproduzidos os temas tradicionais cantados no lugar onde viveu toda sua vida e que desde a infância influenciaram o seu modo de interpretar. No entanto, neste disco nota-se já um trabalho com cunho próprio, moldando ligeiramente “com uma nova roupa” a que não foram alheios a colaboração musical de Mário Delgado e João Nuno Represas. Note-se que este Álbum teve a participação de Rão Kyao na faixa “Senhora da Saúde”.
A partir da participação no Álbum dos GNR no “Rock In Rio Douro” em “Pronúncia do Norte”, que teve enorme sucesso, o seu nome alcançou enorme prestígio a nível nacional. Teve igual importância a sua participação na homenagem efectuada a António Variações ao lado de nomes como Sérgio Godinho, Delfins e Madredeus.
Registe-se ainda, a sua colaboração no Disco, “Uma Escola Para Timor”. Este trabalho foi efectuado em conjunto com Pedro Barroso e Vitorino, no sentido de ajudar o povo timorense a reconstruir o sistema educativo,
Um dos seus últimos trabalhos em colaboração com a Banda Futrica, ouvimo-la, numa bonita versão do “Menino do Bairro Negro”, incluída no Álbum “Com Zeca no Coração”
Foi agraciada com a Ordem do Infante, no dia 10 de Junho de 2005.
Simplicidade, Naturalidade e Autenticidade, têm sido as palavras que os críticos têm definido o importante trabalho desta extraordinária intérprete da música etnográfica portuguesa, mas que infelizmente é mais um caso em que os meios de comunicação e os responsáveis pela Cultura deste País, não têm dado o valor e importância que merecem.
Isabel Silvestre, nasceu em Manhouce, S. Pedro do Sul, no dia 04 de Março de 1941.
Parabéns Isabel! Deves continuar o teu trabalho, um dia quem sabe…
CV – 04.03.2011


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALFREDO MARCENEIRO


O Mestre Carlos de Oliveira (músico), costumava ensinar que a música se impõe e perdura nos tempos, pela sua qualidade, independente dos diferentes estilos de cada época. O Fado nunca foi o estilo de minhas preferências, mas guardo com carinho na minha colecção, alguns dos seus melhores intérpretes que ouço com grande prazer.
É o caso de Alfredo Marceneiro que nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1891. Alfredo Rodrigo Duarte, recebeu de seus Pais o gosto pelo canto e começou muito jovem a cantar em festas populares, distinguindo-se pela sua forma original como interpretava as suas canções.

Em 1924 ganhou uma Medalha de Ouro, num concurso de fados organizado pelo Poeta António Boto. Foi consagrado o Rei do Fado em 1948 no Café Luso.
Despediu-se da vida de artista no ano de 1963 com uma grande Festa no Teatro São Luiz, mas a verdade é que continuou a cantar ainda durante 20 anos.
Alfredo era um fadista castiço – afirmou Amália – porque era verdadeiro...
A Casa da Mariquinhas, Amor de Mãe, Despedida, Fado Bailado, O Marceneiro, o Remorso e a Tricana foram alguns dos muitos êxitos que obteve com a sua longa carreira de Fadista.
Alfredo Duarte, vinha de gente muito humilde e passou grande parte da sua vida a trabalhar na sua profissão de marceneiro que acabou por juntar ao seu nome porque ficou conhecido. Ainda tentou criar um estabelecimento próprio a que deu o nome de “Solar do Marceneiro” que não teve qualquer êxito. Ele próprio dizia que não gostava de cantar por obrigação.
Da sua personalidade e rectidão com que encarava a própria vida ficou-nos o exemplo de solidariedade para com os seus companheiros de trabalho nos estaleiros do Alfeite, que lutavam pelas 8 horas de trabalho (na altura os Operários trabalhavam 12 horas) entraram em Greve Geral a que ele aderiu também. Foi preso e maltratado, pelo que se demitiu do emprego e a partir daí dedicou-se inteiramente ao fado.

Faleceu em Lisboa a 26 de Junho de 1982. Dois anos depois o Presidente da República, General Ramalho Eanes, condecorou este grande artista, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi pena ele já não estar físicamente entre nós.
Ao Alfredo vaidoso e namoradeiro! Ao “Alfredo Lulu”, alcunha carinhosa que os amigos lhe atribuíram! Acima de tudo ao Alfredo Marceneiro, verdadeiro ícone do Fado, a minha singela homenagem.

CV- 25 de Fevereiro de 2011

Martins Raposo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
                     EM CASTELO DE VIDE

O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, realizou no passado dia 22 de Janeiro, a inauguração da Exposição; “Mousinho da Silveira – Pensar Portugal”, tendo convidado por intermédio do Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Fernando Emílio Soares, o Professor Catedrático Dr. Diogo Freitas do Amaral que foi recebido à sua chegada a Castelo de Vide, por alguns elementos da Direcção e pelo Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide que convidou o ilustre visitante a assinar o Livro de Honra da Câmara Municipal no Salão Nobre.
A exposição foi inaugurada às 16:00 Horas, no Centro Municipal de Cultura, já com imensa gente que seguiu atentamente as explicações que o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, foi fazendo sobre os documentos expostos, tendo os presentes tecido rasgados elogios sobre o valor desta importante exposição.

Logo de seguida deu-se início à sessão com o Auditório completamente cheio e com algumas dezenas de pessoas de pé, sem lugar para estarem sentadas.
O Dr. Freitas do Amaral, contemplou os presentes com uma magistral lição de história, enaltecendo a figura de Mouzinho da Silveira e referindo-se à sua obra legislativa como sendo um dos marcos mais importantes da nossa história. A Conferência apresentada de forma brilhante, empregando termos simples e expondo factos históricos importantes relacionados com a Revolução Liberal, prendeu atentamente a assistência durante mais de hora e meia que brindou o orador com uma longa salva de palmas.
Entre os convidados registámos a presença do Sr. Governador Civil do Distrito de Portalegre, do Sr. Deputado da Assembleia da República, Dr. Victor Crespo, do Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Castelo de Vide, dos Presidentes de Câmara de Castelo de Vide, Marvão e Sousel, do Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, Sr. Vereador Fernando Tacão Valhelhas, de alguns Deputados da Assembleia Municipal, de outros Autarcas, do Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia e de vários representantes de Associações Culturais e Desportivas do nosso Concelho.
Foi uma Sessão extraordinária e muitos dos presentes, para além de enalteceram o ilustre conferencista, foram dar os parabéns à Direcção do GACV, por esta iniciativa.
Castelo de Vide, 22 de Janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

WALDEMAR BASTOS


Músico e intérprete Angolano, faz hoje 57 anos. Nasceu em Mbanza Congo, no dia 04 de Janeiro de 1954. Fez parte de vários Conjuntos Musicais, entre os quais; o The Kings, Quarta Dimensão e Orquestra do Ferrovia, em colectivo ou a solo, alcançou numerosos êxitos de que salientamos as canções, Velha Chica, Mungungo, Muxima, Pôr do Sol e Aurora. O seu primeiro Álbum “Estamos Juntos”, gravado em 1982, teve a colaboração de Chico Buarque, João Vale e Martinho da Vila. Tendo passado por diferentes estilos musicais, da world music, ao soul music, e aos blues, é no merengue e na rumba que a sua voz adquire um timbre especial que o eleva como referência no espaço da música popular angolana.
Seu pai, enfermeiro, era uma excelente organista e transmitiu ao filho o gosto pela música, mas Waldemar Bastos recebeu influências de vários artistas e Conjuntos Musicais americanos, como os Jacksons Five, The Shadows, Nat King Cole e Otis Reding, que aplicou nos nas letras e canções que interpretou nos seus Grupos Musicais.
Aos 16 anos, quando estudava para Engenharia Electrontecnica, foi preso pela Pide, por seu considerado subversivo pelo regime.
Após a independência de Angola, segue uma carreira a solo, com temas e ritmos ligados à música popular angolana que o CD “Cânticos da Minha Alma” e o album já citado, “Estamos Juntos”, confirmam com êxito o seu ambicioso projecto de fazer renascer as raízes do velho cancioneiro angolano.
A sua experiência com o músico David Byrne que apoiou Waldemar na edição do álbum “Pretaçuz, editado em 1998, não teve o sucesso que esperava.
Conheci o Waldemar Bastos em Luanda e alguns dos músicos que o acompanhavam, mas foi com muita emoção que assisti à sua célebre actuação no grande palco da Expo/98 e tenho acompanhado com admiração o seu percurso que continua a afirmar-se a nível internacional.
O seu maior prémio foi o AWARD conquistado em Outubro de 2010, na cidade de Liverpool, nos EUA, como o melhor artista africano.
Martins Raposo
O4.01.11
NOTAS: Agradecimentos  à Autora do Livro "Enciclopédia da Música  em Portugal no Séc. XX"; Google e Youtube

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O GRUPO DE AMIGOS DEDICOU ESTE ANO A MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
– PENSAR PORTUGAL
EM MARVÃO

Prosseguindo o Calendário que o Grupo de Amigos de Castelo de Vide, tinha estabelecido, com o apoio da Câmara Municipal de Marvão, procedeu-se no passado dia 11 de Dezembro, no Salão Nobre da Autarquia, ao início das cerimónias deste evento com o Sr. Eng.º. Vítor Manuel Frutuoso, agradecendo e dando as boas vindas aos presentes, realçando a iniciativa do GACV, pela Exposição sobre uma figura de grande importância na história do Concelho, como foi Mouzinho da Silveira, que exerceu pela primeira vez nesta Vila, o cargo de Juiz de Fora.

O Presidente da Direcção do GACV, agradecendo todos os apoios que receberam da parte da Câmara Municipal de Marvão, na pessoa do Exmo. Senhor Engenheiro Manuel Frutuoso, e do Dr. José Manuel Ramilo Pires, respectivamente Presidente e Vereador da Cultura desta Autarquia, que desde o início dos contactos nos deram com todo o entusiasmo,  os apoios necessários para que se concretizá-se com êxito esta importante iniciativa.
Agradecendo a presença de todas as individualidades públicas e convidados presentes, José Raposo, teceu algumas considerações sobre a forma como têm decorrido todas as cerimónias das Comemorações dos 230 anos de Mouzinho da Silveira, que têm superado as nossas melhores expectativas e que tiveram o seu início no dia 19 de Junho, com uma animada Sessão Livre, na Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, seguida de uma  grande Romagem à Freguesia de Margem no dia 17 de Julho que contou com largas dezenas de Castelovidenses, Amigos da Associação e alguns residentes desta Freguesia.

Continuando a evocação das iniciativas, o Presidente da Direcção do GACV, evidenciou a cerimónia realizada,  em 23 de Novembro, na Freguesia de Margem, onde foi inagurada pela primeira vez a Exposição Bibliográfica e Documentaria, da autoria do Professor Augusto Raínho, sobre a Vida e Obra de Mouzinho da Silveira e na qual esteve presente, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, reconhecida autoridade no conhecimento e divulgação histórica da época em que viveu o ilustre jurisconsulto. A  brilhante Conferência que proferiu foi atentamente escutada por todos que enchiam por completo o Salão da Junta de Freguesia.

Com o apoio da Câmara Municipal de Marvão e da colaboração prestada pela D. Celeste Palmeiro, podemos hoje, contar com honrosa presença do Exmo. Senhor Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Bernardo Sá Nogueira que desde já agradecemos a forma muito simpática aceitou o nosso convite.
O Presidente da Direcção, finalizou a sua breve alocução, informando que está previsto para o próximo dia 22 de Janeiro, a inauguração em Castelo de Vide, desta Exposição sobre Mouzinho da Silveira que vai terminar em Portalegre na Escola Secundária que tem o nome do nosso ilustre conterrâneo.

O Sr. Juiz Conselheiro com grande simplicidade, mas de forma viva e agradável surpreendeu a assistência com alguns episódios inéditos mas marcantes na vida do histórico jurista Mouzinho da Silveira, enaltecendo a enorme energia e força de vontade com que se dedicou à sua monumental obra legislativa que revolucionou uma época, terminando de vez com o antigo e caduco regime.
Nem todas as suas leis foram integralmente aplicadas – explicou - muitas delas caíram no esquecimento, mas o que ficou foi extraordinariamente importante para o futuro do País e algumas ainda hoje servem de base às Leis em vigor.
Mouzinho viveu em tempos de grandes conflitos. O País estava envolvido numa guerra civil em que o mundo antigo resistia com violência extrema às mudanças que em outros países já tinham sido aplicadas com sucesso.
Mouzinho, só se afastou  da política, desgostoso com a adulteração de algumas das suas Leis e por causa do seu estado de saúde que com a idade o deixaram mais frágil na sua luta constante em defesa da liberdade e dos princípios a que se manteve sempre fiel e solidário”.


No final o Senhor Juiz Conselheiro, foi muito aplaudido pela assistência na qual se encontravam muitos Castelovidenses que tinham vindo de propósito para ouvir as suas palavras.

Logo de seguida, foi inaugurada no Centro de Cultura, antiga Câmara de Marvão, a Exposição, com uma introdução explicativa, feita em pormenor pelo Sr. Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, que acedeu ainda a todas as perguntas dos presentes, como habitualmente de forma muito clara e objectiva, chamando a atenção para os Livros e Documentos expostos.
Assim terminou esta cerimónia desta Exposição que vai ficar patente ao público até ao dia 09 de Janeiro de 2011.
Martins Raposo
CV – 15.12.2010
NOTAS: Para mais informação sobre este evento podem consultar o Jornais “O Alto Alentejo” e “Notícias de Castelo de Vide” e o Blogue: “www.notíciasdecastelodevide.blogstpot.com”

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO EM CASTELO DE VIDE

1ª. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
SOBRE OS B’NEI ANUSSIM

EM CASTELO DE VIDE


Foi sem dúvida alguma um acontecimento de grande relevância histórica a realização em Castelo de Vide, da 1ª. Conferência Internacional sobre os B’Anussim –“Restaurando a Herança Perdida” que teve lugar no Cineteatro Mouzinho da Silveira, nos dias 3 a 5 de Dezembro de 2010.
A organização deste evento esteve a cargo da Câmara Municipal de Castelo de Vide, com os apoios do E.R.T – Alentejo, do Netivyah (Israel) e Abradjin (Brasil) e contou com a participação de dezenas de Conferencistas e de altas individualidades civis e religiosas de vários países.
Para além de Portugal, Israel e do Brasil, que apresentaram o maior número de conferencistas, estiveram representados vários países de todo o mundo, como o Japão, a Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Espanha e Holanda,

O primeiro dia, foi especialmente dedicado às apresentações e agradecimentos recíprocos dos Organizadores, iniciados os trabalhos com o discurso do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, seguindo-se as intervenções de Joseph Shulam, Presidente do Netivyah, ambos destacando o papel do acolhimento histórico que os Castelovidenses, tiveram para com os judeus expulsos de Espanha.
Seguiram-se as intervenções de Marcelo Miranda Guimarães, Fundador e Presidente da Abradjin, do Dr. Cristóvão Crespo, Deputado da Assembleia Nacional, do Sr. João Leite, Deputado do Estado de Minas Gerais, do Dr. José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, do Sr. Ceia da Silva, Presidente da E.R.T. Alentejo e de outros convidados especiais dos EUA, Japão, Coreia do Sul e China.

Tivemos ainda o prazer de ouvir o hino “Kablat Shabat” , apresentação musical com o acender das luzes de Hanukan. A encerrar este primeiro dia da Conferência ouvimos o Sr. Joseph Shulam explicar os objectivos traçados no projecto “Restaurando a Herança Perdida”.
No segundo dia o maior realce vai para a cerimónia do lançamento do Livro “ Grácia Nasi”, escrito por Esther Mucznik, famosa pelos seus estudos publicados, sobre as questões judaicas, que numa linguagem acessível e envolvente, nos descreveu em síntese o percurso da corajosa e humanista heroína que dá o nome ao seu livro.
Foi muito importante o discurso do Sr. Carolino Tapadejo, que em linhas gerais da fez um brilhante
resumo da história da Comunidade Judaica em Castelo de Vide que se implantou a partir do Sec. XIV, aumentando a sua população com a perseguição movida pelos Reis Católicos de Espanha.



Castelo de Vide – disse - "foi sempre uma terra de tolerância que ao mesmo tempo beneficiou com o saber e as artes praticadas pela comunidade judaica que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento económico local. Aqui nasceram nomes de grande importância na ciência e nas letras, tendo como expoente máximo, a figura do grande Cientista, Garcia d’Orta".
Carolino Tapadejo, prestou ainda, uma sentida homenagem a Aristides de Sousa Mendes pedindo a presença no palco do seu neto, António de Sousa Mendes que continua lutar pelos ideais que o seu avô sempre pugnou, em defesa do povo judaico.


O Padre Vítor Milícias, reforçou as palavras de Carolino Tapadejo, pelo que conhece da história desta linda terra, que à muito tempo o cativou, pelo seu importante património religioso e no bem receber das suas gentes. Falou ainda da Igreja Católica e na política que tem vindo a ser seguida, de grande tolerância para com todos os credos e religiões, com destaque especial para as Encíclicas dos últimos Papas e a intervenção de outras personalidades da Igreja que têm feito um grande esforço  de aproximação e reconciliação.



O último dia, estava reservado para os Conferencistas e Convidados visitarem a Judiaria e a Sinagoga, mesmo o mau tempo que se fazia sentir, não impediu a alegria e boa disposição de todos que se despediram muito sensibilizados pelo acolhimento simpático com que foram recebidos.
Durante três dias Castelo de Vide, foi a “Capital”, dos B’NEI ANUSSIM (FILHOS FORÇADOS OU MARRANOS), com intervenções de grande importância, relatando os aspectos mais importantes da sua história. É justo salientar o empenho e o esforço que a Câmara Municipal de Castelo de Vide, efectuou e a excelente organização deste evento que decorreu na perfeição e com o agrado de todos os intervenientes.
Para além do Sr. Presidente da Câmara, Dr. António Ribeiro que deu todo o apoio e entusiasmo a este evento, registe-se para além das já citadas intervenções do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal e do Senhor Carolino Tapadejo, a presença constante com que acompanharam os altos dignitários da Família Judaica Internacional, os Convidados e os Conferencistas, em todos os momentos da sua estadia.
Castelo de Vide pode orgulhar-se de ter contribuído para que fique registado na história dos B’nei Anussim, um dos momentos mais importantes da nossa época, neste encontro de Associações judaicas de todo o mundo que comungam do mesmo espírito religioso.
Para terminar, e, sem desmerecimento da Organização, apenas uma nota de surpresa pela  ausência dos Castelovidenses que por razões que não compreendo, não compareceram com o número suficientemente digno, que esta iniciativa obrigava. O tempo se encarregará de esclarecer este aparente desprendimento, por esta Conferência que dizia respeito a muitos de nós, descendentes legítimos da comunidade judaica da nossa terra.
CV-18.12.2010
Martins Raposo
NOTAS: Retiradas da própria Conferência e das Informações entregues aos convidados.

domingo, 19 de dezembro de 2010

MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA - PENSAR PORTUGAL

NO CONCELHO DE GAVIÃO – FREGUESIA DE MARGEM


O Grupo de Amigos de Castelo de Vide em parceria com a Câmara Municipal de Gavião e a Junta de Freguesia de Margem, escolheram o dia 23 de Novembro, data em que o Concelho comemora os 491 anos da sua fundação, para num conjunto de outras iniciativas procederem à inauguração Bibliográfica da Vida e da Obra de Mouzinho da Silveira, para a qual convidaram Representantes de Entidades Públicas e Privadas do Distrito de Portalegre e como convidada especial, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, para proferir uma Conferência sobre o célebre Jurista.
O Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, pronunciou um importante discurso, começando por registar o facto de este aniversário ter sido marcado pela descentralização, cabendo essa honra à Freguesia de Margem, elogiando o trabalho dos autarcas e dos habitantes desta região do Concelho que têm sabiamente defendido as suas tradições no campo da agricultura e ao mesmo tempo aderido com entusiasmo à inovação de culturas, aproveitando o Projecto Regadio Tradicional que tem estado a recolher os melhores resultados. Depois de mais alguns considerandos em que se afirmou como um convicto defensor do Poder Local, destacando o papel das Autarquias no Desenvolvimento de Regiões que sem o seu apoio teriam muito mais dificuldades nestes tempos em que a crise atingiu todos os sectores de actividade.
Reafirmando o relevante papel da sua Autarquia no Desporto, na Educação e na Cultura e chegado a este ponto teceu largos elogios à figura do eminente estadista Mouzinho da Silveira, que no seu tempo encontrou aqui nesta Freguesia verdadeiros amigos que nos tempos difíceis em que foi perseguido aqui encontrou abrigo. Foi tão grande essa troca de afectos que levou esse incansável lutador da liberdade a inscrever no seu testamento a vontade de ficar para sempre após a sua morte aqui nesta Freguesia.
Jorge Martins referiu ainda a louvável iniciativa do Jornal “ O Comércio” que fez o apelo a uma subscrição pública para que aqui fosse erguido um monumento a Mouzinho da Silveira, o que veio a acontecer pouco tempo de pois pelas mãos do artista italiano Camels. Não esqueceu o Autarca de referir como foi agradável a parceria da Câmara Municipal com Direcção do Grupo de Amigos de Castelo de Vide para que se fizesse em 17 de Julho uma importante Romagem e de logo em seguida se dispusesse a colaborar na planificação e execução da Exposição que em breve vamos ter o prazer de inaugurar.

O Presidente da Direcção do GACV, manifestou em seu nome pessoal e da Associação que representa, a sentida gratidão pelo facto do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, ter tão prontamente e de forma eficaz cumprido a promessa de apoiar logísticamente e financeiramente a Exposição sobre Mouzinho da Silveira e ao mesmo tempo elogiar a escolha do dia do Município para proceder à sua inauguração associando o nome do nosso ilustre conterrâneo à data mais importante do Concelho. É um gesto que muito nos honra e dignifica mais uma vez as gentes de Margem.
Ao proceder-se à cerimónia da inauguração da Exposição, o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, fez uma breve explanação sobre o roteiro dos Painéis e Vitrinas, realçando as obras e os documentos expostos pela primeira vez em público, desejando a atenção dos presentes e convidando os responsáveis pelas Escolas para trazerem os seus alunos para conhecerem algo mais sobre Mouzinho da Silveira.
Realizou-se de seguida a importante Conferencia proferida pela Dra. Miriam Halpern Pereira, que se referiu com pormenor sobre o seu trabalho de pesquisa que teve alguns episódios interessantes, com documentos importantes que estavam esquecidos e abandonados sem qualquer catalogação. A Professora considerada uma das mais prestigiadas biógrafas da obra do grande estadista e da de toda a época em que Mouzinho viveu, fez com simplicidade o percurso do histórico jurisconsulto, prendendo a vasta audiência que no final prestou uma prolongada e efusiva ovação. Foi
uma lição importante lição, lida com a naturalidade e a sabedoria dos grandes mestres de história.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, agradece à Professora Catedrática e Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira e oferece dois livros sobre Castelo de Vide: No Alto Alentejo - Crónicas e Narrativas, de João António Gordo e Efemérides de Diogo Cordeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NA RUA DA SAUDADE COM O ARY

ARY DOS SANTOS


José Carlos Pereira Ary dos Santos, nasceu em Lisboa no dia 07 de Dezembro de 1936 e faleceu apenas com 48 anos, a 18 de Janeiro de 1984. Poeta, declamador e actor de Teatro e Revista, escreveu mais de 600 Canções e algumas delas tornaram-se famosas por terem ganho o primeiro lugar nos Festivais da Canção, promovidos pela RTP, a começar pela Desfolhada”, interpretada por Simone de Oliveira em 1969, seguindo-se a “Menina do Alto da Serra”, interpretada por Tonicha em 1971. Fernando Tordo em 1973 arrebata o 1º. Prémio com “Tourada” e em 1977, Os Amigos, são os vencedores do Festival com“Portugal no Coração"                                                          
Considerado por alguns críticos como um dos mais talentosos poetas da sua geração, de linguagem irreverente, por vezes caustica, mas a que não faltava sentimento e emoção, estreou-se com o Livro de Poemas “A Liturgia do Sangue” a que se seguiram, “Tempo da Lenda das Amendoeiras”, “As Portas que Abril Abriu”, “ O Sangue das Palavras” e muitos outros que contribuíram para um renovado e criativo estilo poético centrados nas “temáticas da emoção, de ter, sentir e possuir”. Foi essencialmente um Poeta do Amor, que amava

Lisboa e as suas gentes, abordando temas sociais como o trabalho e a justiça, mas também da grande solidão que nunca o abandonou após a morte de sua mãe que muito amou.
Amigo e solidário, trabalhou com músicos e intérpretes de várias gerações e sensibilidades, entre os quais, Vitorino de Almeida, Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Teresa Tarouca, Paulo de Carvalho, Nuno Nazaré Fernandes, Fernando Tordo, Serge Reggiani, Chico Buarque, Tonicha, Hugo Maia Loureiro, José Mário Branco, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Carlos do Carmo e muitos outros imortalizaram a sua obra com interpretações inesquecíveis e composições musicais de grande qualidade.
A sua voz grave e poderosa aumentava a mensagem forte dos seus versos. Ficaram célebres alguns poemas que declamou com grande emoção, como foi o caso do Poema “Poeta Castrado, Não” – “Serei tudo o que disserem/por inveja ou negação:/cabeçudo dromedário/fogueira de exibição/teorema corolário/poema de mão em mão/ lãzudo publicitário/ malabarista cabrão. /Serei tudo o que disserem: Poeta castrado, não"! E esse enorme Poema, “As Portas que Abril Abriu” que por ser muito longo não posso transcrever mas que aconselho a todos os que gostam de Poesia de Intervenção a lerem com atenção esse autêntico manifesto de revolta e de libertação.

César Príncipe escreveu como ninguém uma belíssima crónica sobre Ary dos Santos, que ele diz - "ter sido mais chegado aos Demónios e ser considerado um Anjo Rebelde que nunca tresmalhou, nem consentiu que se iludissem a seu respeito, nas trincheiras de Abril e do Socialismo”. E o brilhante Escritor e Jornalista recorda o Poeta com saudade e tristeza – Ary faz notória falta, porque o país está cheio de patetas e poetas “castrados”…
Mas deixemos o Poeta falar para melhor o compreendermos: “A poesia é, em primeiro lugar, a maneira que eu tenho de falar com o meu povo. Depois, é por causa desse povo, a própria razão da minha vida. É pesquisa, luta, trabalho e força. Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece (…) O que é certo é que nunca abandonei nenhuma das três linhas que fazem parte do todo da minha poesia: a lírica, a satírica e de intervenção”.

O seu carácter excessivo e apaixonado, marcaram uma época. A sua morte prematura impediu que a sua obra se consolidasse ainda mais, mas o seu nome deve constar na literatura, com o mesmo relevo que têm dado à sua amiga Natália Correia que o apelidou de Poeta Romântico, “sem as névoas físicas da germanidade. Muito à portuguesa tendo em seu baptismo garrettiano dado romanceiro e liberalismo”. E também até certo ponto do Manuel Alegre dos ano 60 quando escreveu a Praça da Canção e o Canto e as Armas.
A terminar deixo aos meus queridos amigos os últimos versos do Poema “Meu Amor, Meu Amor” – Meu amor, meu amor/meu nó de sofrimento/minha mó de ternura/minha nau de tormento/ este mar não tem cura/ este céu não tem ar/nós parámos o vento/ não sabemos nadar/ e morremos, morremos/devagar, devagar.
 E aos novos, mesmo aqueles aquém as musas fadaram para a Poesia, eu os convido a ler a sua Obra. Façam-no com a mente aberta e livre de preconceitos e tenho a certeza que ficarão agradavelmente surpreendidos. Leiam a Balada Para os Nossos Filhos, um hino de ternura e emoção que começa dizendo: Um filho é como um ramo despontado/do tronco já maduro que sou eu/um filho é como um pássaro deitado/no ninho da mulher que me escolheu.
O Ary é um Poeta do povo que nos oferece o Fado da Lezíria, do Fado do Trigo e até do Fado Burrico. Quem não se lembra de “ Os Putos” na voz inconfundível de Carlos do Carmo. Fala-nos do Cacilheiro, do Cauteleiro, das Varinas, do Homem das Castanhas, da Feira da Ladra e dessa Lisboa Menina e Moça que ele amou até morrer.
E agora que estamos perto de mais um Natal, que a fúria consumista desumaniza e aviltesse com actos de grande cinismo e hipocrisia, relembremos o Poeta que nos diz: “Natal é em Dezembro/ mas em Maio pode ser. / Natal é em Setembro/ é quando um homem quiser. / Natal é quando nasce uma vida a amanhecer. / Natal é sempre o fruto/que há no ventre da mulher.”
Até sempre companheiro Ary dos Santos!
Martins Raposo
CV – 07 de Dezembro de 2010
Notas: com a devida vénia, Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, de Salwa Castelo Branco,As Palavras das Cantigas, do Ary dos Santos,Internet. Obrigado!