FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















quinta-feira, 17 de março de 2011

JOLY BRAGA SANTOS

UM GRANDE COMPOSITOR

Compositor, Director de Orquestras, Crítico e Professor de Música, José Manuel Joly Braga Santos, nasceu em Lisboa no dia 14 de Março de 1924.Músico de génio precoce que o Maestro e Compositor Luís de Freitas Branco, elogia e incentiva a continuar os estudos musicais. É precisamente este seu Professor que influencia grande parte da sua obra, notando-se com grande evidência em “Nocturnos em Mi” e no “Soneto de Camões”, duas sinfonias de grande qualidade.

Joly Braga Santos, acompanhado dos seus Amigos, Maria Helena de Freitas e Luís de Freitas Branco.
O contacto com outros compositores e Maestros teve especial importância na mudança da temática musical moderna que aponta para o universalismo que os seus trabalhos vão ter neste segundo ciclo da sua obra. Destacam-se entre outros o Maestro Herman Scherch que foi seu professor em Veneza, no Curso Internacional de Regência que Joly Braga Santos frequentou.

Quando regressa empenha-se com todo o seu saber adquirido na formação da "Juventude Musical Portuguesa", uma autêntica escola de formação de muitos jovens músicos. A sua "4ª. Sinfonia" é precisamente a obra que o Maestro dedica à juventude portuguesa.
Em atenção ao seu trabalho e ao reconhecimento que o país lhe dedica, é nomeado Director da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional que graças ao esforço do seu Maestro e dos seus bons intérpretes, granjeou na década de 50 um enorme prestígio.
Das influências já mencionadas registem-se ainda os nomes de Pendereck, William Walton, Vaughan Williams, Compositores modernistas que contribuíram para a renovação do estilo musical de Joly Braga Santos, notando-se o emprego da dissonância e do cromatismo musical, numa dimensão não apenas colorística mas também estrutural. São desta época as obras "Concerto para Viola"," Esboços Sinfónicos", "Sinfonieta" e a" Sinfonia nº. 5", escrita em 1966. Esta última obra tem influências da música tradicional Moçambicana (Zavala), tendo obtido enorme êxito e com a qual foi galardoado com o Prémio de Composição-UNESCO.

O Compositor acaba numa última fase por utilizar alguns temas da música popular das regiões do Alentejo, Beira e Trás-os-Montes, para compor “Três Esboços Sinfónicos”, tentando com a sua música alargar-se a um público mais vasto e diversificado. A arte de comunicar foi uma das suas grandes preocupações, tendo em parte conseguido obter algum sucesso com as suas últimas composições, nas quais utilizou temas sobre os clássicos da nossa Literatura, como foi o caso da "Ópera Mérope" (texto de Almeida Garrett), da "Trilogia das Barcas" (baseada em Gil Vicente).
Registem-se ainda as composições dedicadas a outros músicos e compositores, como a "Elegia a Viana da Mota"," Requiem à memória de Pedro Freitas Branco" e a ópera "Viver ou Morrer" (texto de João de Freitas Branco).
Joly Braga Santos foi de facto, um dos mais talentosos compositores da sua geração, tendo recebido das mãos do Presidente da República Ramalho Eanes, em 1981, a Ordem de Santiago e Espada – Por Mérito Artístico.
Faleceu em Lisboa, no ano de1988, com 64 anos de idade, deixando-nos uma Obra de grande mérito, que infelizmente não tem sido utilizada na actualidade pelos Maestros de Bandas de Música e Grupos Musicais com algum prestígio, que não sendo muitas ainda temos algumas, felizmente. Em vez disso somos muitas vezes enganados com Concertos  com programas musicais intragáveis misturando o clássico com composições “travestidas” com arranjos popularuchos, sem valor e sem sentido.
Nunca será demais, relevar os verdadeiros e autênticos valores da nossa música, Joly Braga Santos é um dos melhores.
CV-14 de Março de 2011
Martins Raposo
NOTAS: Texto apoiado na Obra de Salwa Castelo-Branco; Wiquipédia e Internet (Fotos).

sexta-feira, 4 de março de 2011

UMA VOZ DO POVO

                                   ISABEL SILVESTRE


Primeiro foi a Voz de Manhouce que se ouvia no Rancho Regional de Manhouce e desde logo conquistou a simpatia de todos nós que numa determinada altura os meios de comunicação ainda davam alguma importância a este tipo de intervenção artística.
Foi o início de uma carreira que já leva mais de cinquenta anos e que se norteou por um aturado trabalho de pesquisa das músicas e canções tradicionais portuguesas com mais incidência no rico património da sua região.

 Desde 1979 que Isabel Silvestre é solista do Grupo Etnográfico de Cantares e Trajes de Manhouce, mantendo inalterável a sua postura na defesa do folclore e da música etnográfica obedecendo integralmente aos requisitos necessários para dar autenticidade natural e simples desta verdadeira arte popular.
O seu primeiro Álbum, “A Portuguesa” revela em toda a sua grandeza o seu estilo pessoal, com uma escolha criteriosa que dá a importância e o valor da recolha que efectuou ao longo de anos, nos quais se conta também a colaboração que teve de outros músicos e compositores, como foi o caso de João Gil que tem sido o produtor dos seus discos, com a participação do guitarrista Mário Delgado.
O segundo Álbum, “Eu” segue o mesmo estilo no qual são reproduzidos os temas tradicionais cantados no lugar onde viveu toda sua vida e que desde a infância influenciaram o seu modo de interpretar. No entanto, neste disco nota-se já um trabalho com cunho próprio, moldando ligeiramente “com uma nova roupa” a que não foram alheios a colaboração musical de Mário Delgado e João Nuno Represas. Note-se que este Álbum teve a participação de Rão Kyao na faixa “Senhora da Saúde”.
A partir da participação no Álbum dos GNR no “Rock In Rio Douro” em “Pronúncia do Norte”, que teve enorme sucesso, o seu nome alcançou enorme prestígio a nível nacional. Teve igual importância a sua participação na homenagem efectuada a António Variações ao lado de nomes como Sérgio Godinho, Delfins e Madredeus.
Registe-se ainda, a sua colaboração no Disco, “Uma Escola Para Timor”. Este trabalho foi efectuado em conjunto com Pedro Barroso e Vitorino, no sentido de ajudar o povo timorense a reconstruir o sistema educativo,
Um dos seus últimos trabalhos em colaboração com a Banda Futrica, ouvimo-la, numa bonita versão do “Menino do Bairro Negro”, incluída no Álbum “Com Zeca no Coração”
Foi agraciada com a Ordem do Infante, no dia 10 de Junho de 2005.
Simplicidade, Naturalidade e Autenticidade, têm sido as palavras que os críticos têm definido o importante trabalho desta extraordinária intérprete da música etnográfica portuguesa, mas que infelizmente é mais um caso em que os meios de comunicação e os responsáveis pela Cultura deste País, não têm dado o valor e importância que merecem.
Isabel Silvestre, nasceu em Manhouce, S. Pedro do Sul, no dia 04 de Março de 1941.
Parabéns Isabel! Deves continuar o teu trabalho, um dia quem sabe…
CV – 04.03.2011


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ALFREDO MARCENEIRO


O Mestre Carlos de Oliveira (músico), costumava ensinar que a música se impõe e perdura nos tempos, pela sua qualidade, independente dos diferentes estilos de cada época. O Fado nunca foi o estilo de minhas preferências, mas guardo com carinho na minha colecção, alguns dos seus melhores intérpretes que ouço com grande prazer.
É o caso de Alfredo Marceneiro que nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1891. Alfredo Rodrigo Duarte, recebeu de seus Pais o gosto pelo canto e começou muito jovem a cantar em festas populares, distinguindo-se pela sua forma original como interpretava as suas canções.

Em 1924 ganhou uma Medalha de Ouro, num concurso de fados organizado pelo Poeta António Boto. Foi consagrado o Rei do Fado em 1948 no Café Luso.
Despediu-se da vida de artista no ano de 1963 com uma grande Festa no Teatro São Luiz, mas a verdade é que continuou a cantar ainda durante 20 anos.
Alfredo era um fadista castiço – afirmou Amália – porque era verdadeiro...
A Casa da Mariquinhas, Amor de Mãe, Despedida, Fado Bailado, O Marceneiro, o Remorso e a Tricana foram alguns dos muitos êxitos que obteve com a sua longa carreira de Fadista.
Alfredo Duarte, vinha de gente muito humilde e passou grande parte da sua vida a trabalhar na sua profissão de marceneiro que acabou por juntar ao seu nome porque ficou conhecido. Ainda tentou criar um estabelecimento próprio a que deu o nome de “Solar do Marceneiro” que não teve qualquer êxito. Ele próprio dizia que não gostava de cantar por obrigação.
Da sua personalidade e rectidão com que encarava a própria vida ficou-nos o exemplo de solidariedade para com os seus companheiros de trabalho nos estaleiros do Alfeite, que lutavam pelas 8 horas de trabalho (na altura os Operários trabalhavam 12 horas) entraram em Greve Geral a que ele aderiu também. Foi preso e maltratado, pelo que se demitiu do emprego e a partir daí dedicou-se inteiramente ao fado.

Faleceu em Lisboa a 26 de Junho de 1982. Dois anos depois o Presidente da República, General Ramalho Eanes, condecorou este grande artista, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Foi pena ele já não estar físicamente entre nós.
Ao Alfredo vaidoso e namoradeiro! Ao “Alfredo Lulu”, alcunha carinhosa que os amigos lhe atribuíram! Acima de tudo ao Alfredo Marceneiro, verdadeiro ícone do Fado, a minha singela homenagem.

CV- 25 de Fevereiro de 2011

Martins Raposo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
                     EM CASTELO DE VIDE

O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, realizou no passado dia 22 de Janeiro, a inauguração da Exposição; “Mousinho da Silveira – Pensar Portugal”, tendo convidado por intermédio do Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Fernando Emílio Soares, o Professor Catedrático Dr. Diogo Freitas do Amaral que foi recebido à sua chegada a Castelo de Vide, por alguns elementos da Direcção e pelo Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide que convidou o ilustre visitante a assinar o Livro de Honra da Câmara Municipal no Salão Nobre.
A exposição foi inaugurada às 16:00 Horas, no Centro Municipal de Cultura, já com imensa gente que seguiu atentamente as explicações que o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, foi fazendo sobre os documentos expostos, tendo os presentes tecido rasgados elogios sobre o valor desta importante exposição.

Logo de seguida deu-se início à sessão com o Auditório completamente cheio e com algumas dezenas de pessoas de pé, sem lugar para estarem sentadas.
O Dr. Freitas do Amaral, contemplou os presentes com uma magistral lição de história, enaltecendo a figura de Mouzinho da Silveira e referindo-se à sua obra legislativa como sendo um dos marcos mais importantes da nossa história. A Conferência apresentada de forma brilhante, empregando termos simples e expondo factos históricos importantes relacionados com a Revolução Liberal, prendeu atentamente a assistência durante mais de hora e meia que brindou o orador com uma longa salva de palmas.
Entre os convidados registámos a presença do Sr. Governador Civil do Distrito de Portalegre, do Sr. Deputado da Assembleia da República, Dr. Victor Crespo, do Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Castelo de Vide, dos Presidentes de Câmara de Castelo de Vide, Marvão e Sousel, do Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, Sr. Vereador Fernando Tacão Valhelhas, de alguns Deputados da Assembleia Municipal, de outros Autarcas, do Sr. Provedor da Santa Casa da Misericórdia e de vários representantes de Associações Culturais e Desportivas do nosso Concelho.
Foi uma Sessão extraordinária e muitos dos presentes, para além de enalteceram o ilustre conferencista, foram dar os parabéns à Direcção do GACV, por esta iniciativa.
Castelo de Vide, 22 de Janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

WALDEMAR BASTOS


Músico e intérprete Angolano, faz hoje 57 anos. Nasceu em Mbanza Congo, no dia 04 de Janeiro de 1954. Fez parte de vários Conjuntos Musicais, entre os quais; o The Kings, Quarta Dimensão e Orquestra do Ferrovia, em colectivo ou a solo, alcançou numerosos êxitos de que salientamos as canções, Velha Chica, Mungungo, Muxima, Pôr do Sol e Aurora. O seu primeiro Álbum “Estamos Juntos”, gravado em 1982, teve a colaboração de Chico Buarque, João Vale e Martinho da Vila. Tendo passado por diferentes estilos musicais, da world music, ao soul music, e aos blues, é no merengue e na rumba que a sua voz adquire um timbre especial que o eleva como referência no espaço da música popular angolana.
Seu pai, enfermeiro, era uma excelente organista e transmitiu ao filho o gosto pela música, mas Waldemar Bastos recebeu influências de vários artistas e Conjuntos Musicais americanos, como os Jacksons Five, The Shadows, Nat King Cole e Otis Reding, que aplicou nos nas letras e canções que interpretou nos seus Grupos Musicais.
Aos 16 anos, quando estudava para Engenharia Electrontecnica, foi preso pela Pide, por seu considerado subversivo pelo regime.
Após a independência de Angola, segue uma carreira a solo, com temas e ritmos ligados à música popular angolana que o CD “Cânticos da Minha Alma” e o album já citado, “Estamos Juntos”, confirmam com êxito o seu ambicioso projecto de fazer renascer as raízes do velho cancioneiro angolano.
A sua experiência com o músico David Byrne que apoiou Waldemar na edição do álbum “Pretaçuz, editado em 1998, não teve o sucesso que esperava.
Conheci o Waldemar Bastos em Luanda e alguns dos músicos que o acompanhavam, mas foi com muita emoção que assisti à sua célebre actuação no grande palco da Expo/98 e tenho acompanhado com admiração o seu percurso que continua a afirmar-se a nível internacional.
O seu maior prémio foi o AWARD conquistado em Outubro de 2010, na cidade de Liverpool, nos EUA, como o melhor artista africano.
Martins Raposo
O4.01.11
NOTAS: Agradecimentos  à Autora do Livro "Enciclopédia da Música  em Portugal no Séc. XX"; Google e Youtube

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O GRUPO DE AMIGOS DEDICOU ESTE ANO A MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA
– PENSAR PORTUGAL
EM MARVÃO

Prosseguindo o Calendário que o Grupo de Amigos de Castelo de Vide, tinha estabelecido, com o apoio da Câmara Municipal de Marvão, procedeu-se no passado dia 11 de Dezembro, no Salão Nobre da Autarquia, ao início das cerimónias deste evento com o Sr. Eng.º. Vítor Manuel Frutuoso, agradecendo e dando as boas vindas aos presentes, realçando a iniciativa do GACV, pela Exposição sobre uma figura de grande importância na história do Concelho, como foi Mouzinho da Silveira, que exerceu pela primeira vez nesta Vila, o cargo de Juiz de Fora.

O Presidente da Direcção do GACV, agradecendo todos os apoios que receberam da parte da Câmara Municipal de Marvão, na pessoa do Exmo. Senhor Engenheiro Manuel Frutuoso, e do Dr. José Manuel Ramilo Pires, respectivamente Presidente e Vereador da Cultura desta Autarquia, que desde o início dos contactos nos deram com todo o entusiasmo,  os apoios necessários para que se concretizá-se com êxito esta importante iniciativa.
Agradecendo a presença de todas as individualidades públicas e convidados presentes, José Raposo, teceu algumas considerações sobre a forma como têm decorrido todas as cerimónias das Comemorações dos 230 anos de Mouzinho da Silveira, que têm superado as nossas melhores expectativas e que tiveram o seu início no dia 19 de Junho, com uma animada Sessão Livre, na Sociedade Recreativa 1º. De Dezembro, seguida de uma  grande Romagem à Freguesia de Margem no dia 17 de Julho que contou com largas dezenas de Castelovidenses, Amigos da Associação e alguns residentes desta Freguesia.

Continuando a evocação das iniciativas, o Presidente da Direcção do GACV, evidenciou a cerimónia realizada,  em 23 de Novembro, na Freguesia de Margem, onde foi inagurada pela primeira vez a Exposição Bibliográfica e Documentaria, da autoria do Professor Augusto Raínho, sobre a Vida e Obra de Mouzinho da Silveira e na qual esteve presente, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, reconhecida autoridade no conhecimento e divulgação histórica da época em que viveu o ilustre jurisconsulto. A  brilhante Conferência que proferiu foi atentamente escutada por todos que enchiam por completo o Salão da Junta de Freguesia.

Com o apoio da Câmara Municipal de Marvão e da colaboração prestada pela D. Celeste Palmeiro, podemos hoje, contar com honrosa presença do Exmo. Senhor Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Bernardo Sá Nogueira que desde já agradecemos a forma muito simpática aceitou o nosso convite.
O Presidente da Direcção, finalizou a sua breve alocução, informando que está previsto para o próximo dia 22 de Janeiro, a inauguração em Castelo de Vide, desta Exposição sobre Mouzinho da Silveira que vai terminar em Portalegre na Escola Secundária que tem o nome do nosso ilustre conterrâneo.

O Sr. Juiz Conselheiro com grande simplicidade, mas de forma viva e agradável surpreendeu a assistência com alguns episódios inéditos mas marcantes na vida do histórico jurista Mouzinho da Silveira, enaltecendo a enorme energia e força de vontade com que se dedicou à sua monumental obra legislativa que revolucionou uma época, terminando de vez com o antigo e caduco regime.
Nem todas as suas leis foram integralmente aplicadas – explicou - muitas delas caíram no esquecimento, mas o que ficou foi extraordinariamente importante para o futuro do País e algumas ainda hoje servem de base às Leis em vigor.
Mouzinho viveu em tempos de grandes conflitos. O País estava envolvido numa guerra civil em que o mundo antigo resistia com violência extrema às mudanças que em outros países já tinham sido aplicadas com sucesso.
Mouzinho, só se afastou  da política, desgostoso com a adulteração de algumas das suas Leis e por causa do seu estado de saúde que com a idade o deixaram mais frágil na sua luta constante em defesa da liberdade e dos princípios a que se manteve sempre fiel e solidário”.


No final o Senhor Juiz Conselheiro, foi muito aplaudido pela assistência na qual se encontravam muitos Castelovidenses que tinham vindo de propósito para ouvir as suas palavras.

Logo de seguida, foi inaugurada no Centro de Cultura, antiga Câmara de Marvão, a Exposição, com uma introdução explicativa, feita em pormenor pelo Sr. Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, que acedeu ainda a todas as perguntas dos presentes, como habitualmente de forma muito clara e objectiva, chamando a atenção para os Livros e Documentos expostos.
Assim terminou esta cerimónia desta Exposição que vai ficar patente ao público até ao dia 09 de Janeiro de 2011.
Martins Raposo
CV – 15.12.2010
NOTAS: Para mais informação sobre este evento podem consultar o Jornais “O Alto Alentejo” e “Notícias de Castelo de Vide” e o Blogue: “www.notíciasdecastelodevide.blogstpot.com”

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO EM CASTELO DE VIDE

1ª. CONFERÊNCIA INTERNACIONAL
SOBRE OS B’NEI ANUSSIM

EM CASTELO DE VIDE


Foi sem dúvida alguma um acontecimento de grande relevância histórica a realização em Castelo de Vide, da 1ª. Conferência Internacional sobre os B’Anussim –“Restaurando a Herança Perdida” que teve lugar no Cineteatro Mouzinho da Silveira, nos dias 3 a 5 de Dezembro de 2010.
A organização deste evento esteve a cargo da Câmara Municipal de Castelo de Vide, com os apoios do E.R.T – Alentejo, do Netivyah (Israel) e Abradjin (Brasil) e contou com a participação de dezenas de Conferencistas e de altas individualidades civis e religiosas de vários países.
Para além de Portugal, Israel e do Brasil, que apresentaram o maior número de conferencistas, estiveram representados vários países de todo o mundo, como o Japão, a Coreia do Sul, China, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Espanha e Holanda,

O primeiro dia, foi especialmente dedicado às apresentações e agradecimentos recíprocos dos Organizadores, iniciados os trabalhos com o discurso do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Vide, seguindo-se as intervenções de Joseph Shulam, Presidente do Netivyah, ambos destacando o papel do acolhimento histórico que os Castelovidenses, tiveram para com os judeus expulsos de Espanha.
Seguiram-se as intervenções de Marcelo Miranda Guimarães, Fundador e Presidente da Abradjin, do Dr. Cristóvão Crespo, Deputado da Assembleia Nacional, do Sr. João Leite, Deputado do Estado de Minas Gerais, do Dr. José Oulman Carp, Presidente da Comunidade Judaica de Lisboa, do Sr. Ceia da Silva, Presidente da E.R.T. Alentejo e de outros convidados especiais dos EUA, Japão, Coreia do Sul e China.

Tivemos ainda o prazer de ouvir o hino “Kablat Shabat” , apresentação musical com o acender das luzes de Hanukan. A encerrar este primeiro dia da Conferência ouvimos o Sr. Joseph Shulam explicar os objectivos traçados no projecto “Restaurando a Herança Perdida”.
No segundo dia o maior realce vai para a cerimónia do lançamento do Livro “ Grácia Nasi”, escrito por Esther Mucznik, famosa pelos seus estudos publicados, sobre as questões judaicas, que numa linguagem acessível e envolvente, nos descreveu em síntese o percurso da corajosa e humanista heroína que dá o nome ao seu livro.
Foi muito importante o discurso do Sr. Carolino Tapadejo, que em linhas gerais da fez um brilhante
resumo da história da Comunidade Judaica em Castelo de Vide que se implantou a partir do Sec. XIV, aumentando a sua população com a perseguição movida pelos Reis Católicos de Espanha.



Castelo de Vide – disse - "foi sempre uma terra de tolerância que ao mesmo tempo beneficiou com o saber e as artes praticadas pela comunidade judaica que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento económico local. Aqui nasceram nomes de grande importância na ciência e nas letras, tendo como expoente máximo, a figura do grande Cientista, Garcia d’Orta".
Carolino Tapadejo, prestou ainda, uma sentida homenagem a Aristides de Sousa Mendes pedindo a presença no palco do seu neto, António de Sousa Mendes que continua lutar pelos ideais que o seu avô sempre pugnou, em defesa do povo judaico.


O Padre Vítor Milícias, reforçou as palavras de Carolino Tapadejo, pelo que conhece da história desta linda terra, que à muito tempo o cativou, pelo seu importante património religioso e no bem receber das suas gentes. Falou ainda da Igreja Católica e na política que tem vindo a ser seguida, de grande tolerância para com todos os credos e religiões, com destaque especial para as Encíclicas dos últimos Papas e a intervenção de outras personalidades da Igreja que têm feito um grande esforço  de aproximação e reconciliação.



O último dia, estava reservado para os Conferencistas e Convidados visitarem a Judiaria e a Sinagoga, mesmo o mau tempo que se fazia sentir, não impediu a alegria e boa disposição de todos que se despediram muito sensibilizados pelo acolhimento simpático com que foram recebidos.
Durante três dias Castelo de Vide, foi a “Capital”, dos B’NEI ANUSSIM (FILHOS FORÇADOS OU MARRANOS), com intervenções de grande importância, relatando os aspectos mais importantes da sua história. É justo salientar o empenho e o esforço que a Câmara Municipal de Castelo de Vide, efectuou e a excelente organização deste evento que decorreu na perfeição e com o agrado de todos os intervenientes.
Para além do Sr. Presidente da Câmara, Dr. António Ribeiro que deu todo o apoio e entusiasmo a este evento, registe-se para além das já citadas intervenções do Sr. António Nobre Pita, Vice-Presidente da Câmara Municipal e do Senhor Carolino Tapadejo, a presença constante com que acompanharam os altos dignitários da Família Judaica Internacional, os Convidados e os Conferencistas, em todos os momentos da sua estadia.
Castelo de Vide pode orgulhar-se de ter contribuído para que fique registado na história dos B’nei Anussim, um dos momentos mais importantes da nossa época, neste encontro de Associações judaicas de todo o mundo que comungam do mesmo espírito religioso.
Para terminar, e, sem desmerecimento da Organização, apenas uma nota de surpresa pela  ausência dos Castelovidenses que por razões que não compreendo, não compareceram com o número suficientemente digno, que esta iniciativa obrigava. O tempo se encarregará de esclarecer este aparente desprendimento, por esta Conferência que dizia respeito a muitos de nós, descendentes legítimos da comunidade judaica da nossa terra.
CV-18.12.2010
Martins Raposo
NOTAS: Retiradas da própria Conferência e das Informações entregues aos convidados.

domingo, 19 de dezembro de 2010

MOUZINHO DA SILVEIRA

EXPOSIÇÃO MOUZINHO DA SILVEIRA - PENSAR PORTUGAL

NO CONCELHO DE GAVIÃO – FREGUESIA DE MARGEM


O Grupo de Amigos de Castelo de Vide em parceria com a Câmara Municipal de Gavião e a Junta de Freguesia de Margem, escolheram o dia 23 de Novembro, data em que o Concelho comemora os 491 anos da sua fundação, para num conjunto de outras iniciativas procederem à inauguração Bibliográfica da Vida e da Obra de Mouzinho da Silveira, para a qual convidaram Representantes de Entidades Públicas e Privadas do Distrito de Portalegre e como convidada especial, a Professora Catedrática Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira, para proferir uma Conferência sobre o célebre Jurista.
O Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, pronunciou um importante discurso, começando por registar o facto de este aniversário ter sido marcado pela descentralização, cabendo essa honra à Freguesia de Margem, elogiando o trabalho dos autarcas e dos habitantes desta região do Concelho que têm sabiamente defendido as suas tradições no campo da agricultura e ao mesmo tempo aderido com entusiasmo à inovação de culturas, aproveitando o Projecto Regadio Tradicional que tem estado a recolher os melhores resultados. Depois de mais alguns considerandos em que se afirmou como um convicto defensor do Poder Local, destacando o papel das Autarquias no Desenvolvimento de Regiões que sem o seu apoio teriam muito mais dificuldades nestes tempos em que a crise atingiu todos os sectores de actividade.
Reafirmando o relevante papel da sua Autarquia no Desporto, na Educação e na Cultura e chegado a este ponto teceu largos elogios à figura do eminente estadista Mouzinho da Silveira, que no seu tempo encontrou aqui nesta Freguesia verdadeiros amigos que nos tempos difíceis em que foi perseguido aqui encontrou abrigo. Foi tão grande essa troca de afectos que levou esse incansável lutador da liberdade a inscrever no seu testamento a vontade de ficar para sempre após a sua morte aqui nesta Freguesia.
Jorge Martins referiu ainda a louvável iniciativa do Jornal “ O Comércio” que fez o apelo a uma subscrição pública para que aqui fosse erguido um monumento a Mouzinho da Silveira, o que veio a acontecer pouco tempo de pois pelas mãos do artista italiano Camels. Não esqueceu o Autarca de referir como foi agradável a parceria da Câmara Municipal com Direcção do Grupo de Amigos de Castelo de Vide para que se fizesse em 17 de Julho uma importante Romagem e de logo em seguida se dispusesse a colaborar na planificação e execução da Exposição que em breve vamos ter o prazer de inaugurar.

O Presidente da Direcção do GACV, manifestou em seu nome pessoal e da Associação que representa, a sentida gratidão pelo facto do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gavião, Professor Jorge Martins, ter tão prontamente e de forma eficaz cumprido a promessa de apoiar logísticamente e financeiramente a Exposição sobre Mouzinho da Silveira e ao mesmo tempo elogiar a escolha do dia do Município para proceder à sua inauguração associando o nome do nosso ilustre conterrâneo à data mais importante do Concelho. É um gesto que muito nos honra e dignifica mais uma vez as gentes de Margem.
Ao proceder-se à cerimónia da inauguração da Exposição, o Professor Joaquim Pinto Ferreira Canário, Vice-Presidente do GACV, fez uma breve explanação sobre o roteiro dos Painéis e Vitrinas, realçando as obras e os documentos expostos pela primeira vez em público, desejando a atenção dos presentes e convidando os responsáveis pelas Escolas para trazerem os seus alunos para conhecerem algo mais sobre Mouzinho da Silveira.
Realizou-se de seguida a importante Conferencia proferida pela Dra. Miriam Halpern Pereira, que se referiu com pormenor sobre o seu trabalho de pesquisa que teve alguns episódios interessantes, com documentos importantes que estavam esquecidos e abandonados sem qualquer catalogação. A Professora considerada uma das mais prestigiadas biógrafas da obra do grande estadista e da de toda a época em que Mouzinho viveu, fez com simplicidade o percurso do histórico jurisconsulto, prendendo a vasta audiência que no final prestou uma prolongada e efusiva ovação. Foi
uma lição importante lição, lida com a naturalidade e a sabedoria dos grandes mestres de história.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Grupo de Amigos de Castelo de Vide, agradece à Professora Catedrática e Emérita, Dra. Miriam Halpern Pereira e oferece dois livros sobre Castelo de Vide: No Alto Alentejo - Crónicas e Narrativas, de João António Gordo e Efemérides de Diogo Cordeiro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NA RUA DA SAUDADE COM O ARY

ARY DOS SANTOS


José Carlos Pereira Ary dos Santos, nasceu em Lisboa no dia 07 de Dezembro de 1936 e faleceu apenas com 48 anos, a 18 de Janeiro de 1984. Poeta, declamador e actor de Teatro e Revista, escreveu mais de 600 Canções e algumas delas tornaram-se famosas por terem ganho o primeiro lugar nos Festivais da Canção, promovidos pela RTP, a começar pela Desfolhada”, interpretada por Simone de Oliveira em 1969, seguindo-se a “Menina do Alto da Serra”, interpretada por Tonicha em 1971. Fernando Tordo em 1973 arrebata o 1º. Prémio com “Tourada” e em 1977, Os Amigos, são os vencedores do Festival com“Portugal no Coração"                                                          
Considerado por alguns críticos como um dos mais talentosos poetas da sua geração, de linguagem irreverente, por vezes caustica, mas a que não faltava sentimento e emoção, estreou-se com o Livro de Poemas “A Liturgia do Sangue” a que se seguiram, “Tempo da Lenda das Amendoeiras”, “As Portas que Abril Abriu”, “ O Sangue das Palavras” e muitos outros que contribuíram para um renovado e criativo estilo poético centrados nas “temáticas da emoção, de ter, sentir e possuir”. Foi essencialmente um Poeta do Amor, que amava

Lisboa e as suas gentes, abordando temas sociais como o trabalho e a justiça, mas também da grande solidão que nunca o abandonou após a morte de sua mãe que muito amou.
Amigo e solidário, trabalhou com músicos e intérpretes de várias gerações e sensibilidades, entre os quais, Vitorino de Almeida, Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Teresa Tarouca, Paulo de Carvalho, Nuno Nazaré Fernandes, Fernando Tordo, Serge Reggiani, Chico Buarque, Tonicha, Hugo Maia Loureiro, José Mário Branco, Carlos Paredes, Zeca Afonso, Carlos do Carmo e muitos outros imortalizaram a sua obra com interpretações inesquecíveis e composições musicais de grande qualidade.
A sua voz grave e poderosa aumentava a mensagem forte dos seus versos. Ficaram célebres alguns poemas que declamou com grande emoção, como foi o caso do Poema “Poeta Castrado, Não” – “Serei tudo o que disserem/por inveja ou negação:/cabeçudo dromedário/fogueira de exibição/teorema corolário/poema de mão em mão/ lãzudo publicitário/ malabarista cabrão. /Serei tudo o que disserem: Poeta castrado, não"! E esse enorme Poema, “As Portas que Abril Abriu” que por ser muito longo não posso transcrever mas que aconselho a todos os que gostam de Poesia de Intervenção a lerem com atenção esse autêntico manifesto de revolta e de libertação.

César Príncipe escreveu como ninguém uma belíssima crónica sobre Ary dos Santos, que ele diz - "ter sido mais chegado aos Demónios e ser considerado um Anjo Rebelde que nunca tresmalhou, nem consentiu que se iludissem a seu respeito, nas trincheiras de Abril e do Socialismo”. E o brilhante Escritor e Jornalista recorda o Poeta com saudade e tristeza – Ary faz notória falta, porque o país está cheio de patetas e poetas “castrados”…
Mas deixemos o Poeta falar para melhor o compreendermos: “A poesia é, em primeiro lugar, a maneira que eu tenho de falar com o meu povo. Depois, é por causa desse povo, a própria razão da minha vida. É pesquisa, luta, trabalho e força. Ser poeta é escolher as palavras que o povo merece (…) O que é certo é que nunca abandonei nenhuma das três linhas que fazem parte do todo da minha poesia: a lírica, a satírica e de intervenção”.

O seu carácter excessivo e apaixonado, marcaram uma época. A sua morte prematura impediu que a sua obra se consolidasse ainda mais, mas o seu nome deve constar na literatura, com o mesmo relevo que têm dado à sua amiga Natália Correia que o apelidou de Poeta Romântico, “sem as névoas físicas da germanidade. Muito à portuguesa tendo em seu baptismo garrettiano dado romanceiro e liberalismo”. E também até certo ponto do Manuel Alegre dos ano 60 quando escreveu a Praça da Canção e o Canto e as Armas.
A terminar deixo aos meus queridos amigos os últimos versos do Poema “Meu Amor, Meu Amor” – Meu amor, meu amor/meu nó de sofrimento/minha mó de ternura/minha nau de tormento/ este mar não tem cura/ este céu não tem ar/nós parámos o vento/ não sabemos nadar/ e morremos, morremos/devagar, devagar.
 E aos novos, mesmo aqueles aquém as musas fadaram para a Poesia, eu os convido a ler a sua Obra. Façam-no com a mente aberta e livre de preconceitos e tenho a certeza que ficarão agradavelmente surpreendidos. Leiam a Balada Para os Nossos Filhos, um hino de ternura e emoção que começa dizendo: Um filho é como um ramo despontado/do tronco já maduro que sou eu/um filho é como um pássaro deitado/no ninho da mulher que me escolheu.
O Ary é um Poeta do povo que nos oferece o Fado da Lezíria, do Fado do Trigo e até do Fado Burrico. Quem não se lembra de “ Os Putos” na voz inconfundível de Carlos do Carmo. Fala-nos do Cacilheiro, do Cauteleiro, das Varinas, do Homem das Castanhas, da Feira da Ladra e dessa Lisboa Menina e Moça que ele amou até morrer.
E agora que estamos perto de mais um Natal, que a fúria consumista desumaniza e aviltesse com actos de grande cinismo e hipocrisia, relembremos o Poeta que nos diz: “Natal é em Dezembro/ mas em Maio pode ser. / Natal é em Setembro/ é quando um homem quiser. / Natal é quando nasce uma vida a amanhecer. / Natal é sempre o fruto/que há no ventre da mulher.”
Até sempre companheiro Ary dos Santos!
Martins Raposo
CV – 07 de Dezembro de 2010
Notas: com a devida vénia, Enciclopédia da Música em Portugal no Sec. XX, de Salwa Castelo Branco,As Palavras das Cantigas, do Ary dos Santos,Internet. Obrigado!

domingo, 28 de novembro de 2010

PEDRO BARROSO

UM ARTISTA EM GRANDE!

Não sendo Pedro Barroso o Músico do Mês, decidi fazer notícia no Facebook, para assinalar o seu 61º. Aniversário, porque este grande "Trovador da Música Portuguesa", nasceu em Lisboa no dia 28 de Novembro de 1950. Como naquele Site Social não podemos (ou não devemos), fazer textos muito grandes, daí a razão de fazer esta pequena crónica mais pormenorizada.
Pedro Barroso é conhecido pelo sua   generosa capacidade com que se entrega à arte de bem interpretar os seus Poemas e o de Poetas consagrados da nossa Literatura, como foi o caso da Pedra Filosofal, um dos seus maiores êxitos, da autoria do Poeta António Gedeão e Afrodite de um Poema de José Saramago.
Cantor, poeta, autor de letras e compositor, com influências de grandes intérpretes franceses, como Gilbert Bécaud, Charles Aznavour, Adamo, Georges Brassens, Léo Ferré, Edith Piaf, Pedro Barroso estreou-se no famoso programa de Televisão "Zip-Zip" em 1969, acompanhado por Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral. As suas primeiras canções integram críticas ao Governo fascizante. Após o 25 de Abril envolveu-se com grande entusiasmo nas Campanhas de Dinamização Cultural do MFA. Editou o primeiro disco "Trovador-dor em 1970 e desenvolve actividades artísticas no TEC.
Lutas Velhas Canto Novo, foi o seu primeiro LP, seguindo-se Agua Mole em Pedra Dura, Quem Canta Seus Males Espanta, para além de numerosos CD's entre os quais destaco; Navegador do Futuro e Antologia. A partir do seu segundo LP, começou a compor algumas das suas canções no estilo da música erudita e do pop-rock, de que se destaca "Canção para a Amizade e Afrodite.
Tem composto muitas músicas para outros artistas e trabalhou em conjunto com Janita Salomé e Manuel Freire no CD, Cantos d'Oxalá.
É autor dos seguintes Livros: Cantos Falados, Das Mulheres e do Mundo e a história maravilhosa do país bimbo.
Pedro Barroso recebeu até hoje numerosos  prémios  em Portugal e no estrangeiro e actuou com grande sucesso em muitos países da Europa, EUA, Brasil, Canadá e China.Infelizmente e tal como acontece com outros "Trovadores" do seu tempo, raramente aparece como convidado na Rádio e na Televisão, notando-se um lamentável esquecimento por parte dos responsáveis pelos média que se alastra à imprensa.
Tive a felicidade de o conhecer pessoalmente e contribuir para o Convite que lhe foi feito pela Autarquia de Sesimbra, em meados dos anos 80, e ouvir a sua voz num grande espectáculo.
Parabéns e Felicidades Amigo Pedro Barroso! A "Pedra" continua rolando. Quem sabe se um dia o Sonho não será finalmente a  realidade que todos desejamos.
CV.28.11.2011

sábado, 13 de novembro de 2010

DA MÚSICA,COM AMOR!

                                                       Vaso grego, em cerâmica 450 AC
A partir desta data e enquanto as “forças” o permitirem, vou escrever sobre o tema “Da Música, com Amor”, apresentando neste Blogue, pessoas ligadas ao mundo da música portuguesa, sejam compositores, autores de letras, e intérpretes que se tenham distinguido pelo valor do seu trabalho. Neste projecto estão contemplados todos os géneros e estilos musicais.
Por princípio será apresentado apenas um Artista por mês e o critério tem por base a data do seu nascimento, começando pelos mais antigos, sem contudo ser esta uma regra inflexível, podendo eventualmente haver alterações que tenham a ver com comemorações importantes ou com dados que possuo em cada momento.
Os “artigos” são de responsabilidade pessoal, mas abertos a sugestões e críticas construtivas que podem ser corrigidas e publicadas conforme a sua importância.
Impõe-se um esclarecimento prévio - Este trabalho não tem qualquer intenção de se apresentar como crítica ou de promover a defesa deste ou aquele género musical e muito menos individualizar este ou aquele artista.
Esta coluna pretende ser o mais imparcial possível, independente das minhas preferências pessoais que poderei apresentar em textos separados deste tema.
A Figura deste mês de Outubro recaiu sobre:


LUÍS DE FREITAS BRANCO
Luís Maria da Costa de Freitas Branco, nasceu em Lisboa no dia 12 de Outubro de 1890 e faleceu nessa mesma cidade em 27 de Novembro de 1955, Foi criado no seio de uma família madeirense de tradições intelectuais e artísticas, influenciando os seus gostos juvenis para a aprendizagem da música. Seu Tio paterno, João de Freitas Branco foi o mais entusiasta e que mais apoiou Luís e seu irmão Pedro que também foi Director e Compositor de grande mérito.
Teve excelentes professores alguns dos quais Mestres já consagrados em toda a Europa, entre os quais destacam-se: Augusto Machado, Adrés Goni, Tomás Borba, Luigi Mancinelli, Desiré Pâque e Vicent D'Índy, Gabriel Grovlez. Para complementar a sua aprendizagem, viajou pela Europa, ouvindo os Concertos dos grandes Mestres e Compositores daquela época, entre os quais se destaca, Debussy com quem terá estado várias vezes em Paris.
Esta Família faz-me lembrar, com a s devidas distâncias do país e da época, os BACH, que maravilharam o mundo com as suas obras, de Pais para Filhos, mas Sebastião Bach sobressaiu agigantando-se com uma obra ímpar que o elevou ao mais alto patamar da consagração e da fama.
Na Família de Freitas Branco, é o Luís que sobressai naturalmente pela importância e pelo valor das suas composições que abarcam estilos e géneros tão diferentes como as simples Canções musicadas e com inspiração forte dos grandes Poetas Portugueses, entre os quais se contam, Luís de Camões, Antero de Quental, F. Fernando Pessoa, António Boto e José Gomes Ferreira, entre outros.
O Compositor tem grandes peças para Música de Câmara, entre as quais se encontram as célebres Sonatas, os prelúdios e os Quartetos de cordas.
Na Música para Orquestra, nos quais é incluída a “Morte de Manfredo” e as “Suites Alentejanas nºs. 1 e 2; as Sinfonias. Compôs para o Cinema banda sonora dos Filmes; Gado Bravo de Lopes Ribeiro; Douro, faina fluvial de Manuel de Oliveira; Vendaval maravilhoso de Leitão de Barros e Algarve além-mar de Lopes Ribeiro.
Para a Música Coral, compôs muitos temas também inspirados em Poemas dos nossos Poetas; Auto da Primavera, Dez madrigais camonianos, Hino a Santa Teresinha, Lembras-me (João de Deus), Canção do Pastor, Canção da Pedra (Afonso Duarte), Só te canta a Ti (José Gomes Ferreira.
Não cabe nesta pequena crónica enumerar a extensão de toda a sua Obra que teve reconhecimento a nível mundial, tendo sido executas por grandes Orquestras Europeias e algumas delas foram dirigidas pelo seu Irmão Pedro de Freitas Branco.
A sua obra didáctica foi de uma extrema importância pelo sentido de renovação que imprimiu aos seus escritos, e às propostas efectuadas para a remodelação do ensino musical no Conservatório Nacional, advogava a obrigatoriedade do ensino a nível da Escola, desde o Ensino Elementar até à Universidade e propunha para o efeito um projecto de grande importância.
Neste trabalho de renovação teve a colaboração e o apoio do Grande Mestre Viana da Mota que infelizmente viria a falecer ainda antes das suas propostas serem recusadas pelas mentes retrógradas e anti-culturais dos responsáveis governamentais. Apesar desses contratempos ainda foi nomeado membro do Conselho Disciplinar do Ministério de Instrução e Vogal do Instituto para a Alta Cultura (?) e Professor do Curso Superior de Composição no Conservatório.
È desta altura que se conta um episódio lamentável que ocorreu com o seu discípulo Fernando Lopes Graça. Quando este, estava fazer o seu Exame para Piano, no Conservatório, a PIDE apareceu para o prender, tendo de imediato o Júri de que fazia parte Luís de Freitas Branco, protestado e imposto que o aluno acabasse a sua prova que terminou em primeiro lugar com 18 valores., mas acabou sendo levado para a prisão.
Mais tarde, Luís de Freitas Branco, comentava este triste episódio – “O meu discípulo Fernando Graça continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua picarça, pode ter do valor de Shakespeare”.
Esta sua atitude marca a nobreza de cidadão, de civismo e moral engrandecida pelo conhecimento, pela experiência e pelos valores humanistas que se revelam na sua imensa Obra Musical. É verdade que nos seus tempos de juventude terá tido algumas simpatias pela causa monárquica e mais tarde chegou a ter algumas ligações com os integralistas António Sardinha e Alberto Monsaraz, mas o tempo e a amizade que encontrou em pessoas como António Arroio, Bento de Jesus Caraça, Lopes Graça, com quem chegou a colaborar na Biblioteca Cosmos, levaram o compositor a ligar-se aos numerosos Escritores e Músicos que se opunham ao regime.
Esta postura de cidadão e de interveniente por causas justas contribuíram para a sua demissão de todos os cargos públicos que teve como Professor e como Mestre. Foi um das primeiras vítimas das “depurações” efectuadas pelo Fascismo no Conservatório Nacional, no qual terá lamentavelmente colaborado um dos seus companheiros, o Mestre Ivo Cruz, que foi nomeado para o seu lugar.
Foi expulso do programa que tinha na Emissora Nacional porque segundo dizia o Director, Luís de Freitas Branco se apresentou no programa com uma gravata avermelhada, no próprio dia em que teria falecido o Chefe de Estado, Marechal Carmona.
Luís de Freitas Branco esteve sempre acima das traições e ameaças que os esbirros a mando do fascismo lhe fizeram em toda a sua vida, chegando a proibir a apresentação pública de algumas das suas obras, mas nada disso foi suficiente para abafar o prestígio e a fama alcançada por um dos maiores compositores de sempre da música portuguesa.
A sua Obra aí está para testemunhar o seu valor incontestável e só é de lamentar que a mesma não seja conhecida da grande maioria dos jovens músicos portugueses, não só porque os média, se desinteressam na sua divulgação e as próprias Bandas de Música, o tenham afastado das estantes o seu vasto repertório.
Felizmente que ainda tive o privilégio de conhecer parte da sua obra, por intermédio do Major Silvério Campos que foi Maestro da Banda Militar do R.I. 15 de do RIL (Luanda), que foi um dos melhores Mestres que tive como músico militar, pelas suas qualidades técnicas e pelo seu profundo humanismo. O então Alferes Silvério Campos, apresentava frequentemente obras do grande compositor, entre as quais se contavam as Suites Alentejanas.
Para terminar proponho a audição do 1º. Suite Alentejana (a mesma que serviu de música de fundo, na inauguração da Exposição sobre o Centenário da República em Castelo de Vide (Outubro/2010).
Mas por favor não fiquem por aqui, sempre que estejam tristes ouçam, Luís de Freitas Branco! A sua música deixa Portugal mais lindo, menos cinzento, mais azul!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010
Bibliografia in: Enciclopédia da Música em Portugal, de Salwa Castelo-Branco;História da Música Ocidental, de Donald  J. Grout e Claude V. Palisca, do Google e do Youtube - Clip a Música e Imagens Fabulosas do nosso quarido Alentejo. Parabéns jpmrp.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A ORQUESTRA DE PINK MARTINI

  E CHINA FORBES
A Orquestra de Pink Martini, foi constituída por Thomas Lauderdale, pianista talentoso que em 1994 com um bom grupo de 12 músicos resolveu criar uma Banda que interpreta-se músicas de diferentes estilos, abrangendo os ritmos quentes das Caraíbas e do Sul da Europa, com incursões no Word Music, nos Blues e no próprio Jaz.
A Banda no entanto só atingiu os primeiros sucessos com a entrada de China Forbes como principal vocalista do Grupo.
A empatia que se gerou entre Thomas Lauderdale e China Forbes, contribuiu para que se estabelecesse uma parceria de grande qualidade em termos de composições musicais, que levaram a Orquestra a ser contratada por séries de Televisão de grande sucesso. As suas composições serviram de Banda Sonora em Filmes como “O Sr. & Sra. Smith”, “Em Carne Viva” e muitos outros.
Esta pequena introdução não foi mais do que o pretexto para falar dessa magnífica intérprete conhecida como China Forbes  possuidora de uma voz extraordinária
Que empresta às suas canções uma envolvência sensual que nos seduz e nos cativa.


China Forbes nasceu a 29 de Abril de 1970, na cidade de Cambridge e licenciou-se em artes visuais na Universidade de Harvard, ligando-se desde muito jovem ao mundo da música, chegando a actuar como actriz na Broadway, em Nova York conquistando alguns êxitos com algumas das suas interpretações.
Após alguma insistência, começou a trabalhar com Lauderdale em 1998 na cidade de Portland., alterando por completo a carreira do Grupo que conheceu a partir daí grandes êxitos com os álbuns criados com a sua participação como compositora e como intéprete.

Algumas das suas canções percorreram o mundo em tournées de grande sucesso, destacando-se entre outras; “Uma Noite em Nápoles”; “Donde Estas Yolanda”, “Hey Eugene”; “LillY”; “ Sympathique” “Que Será, Será”; Let´s Never Stop Falling in Love” e muitas outras.

China Forbes no auge da sua carreira não hesitou em arriscar em “colar” a sua voz cálida e melodiosa, aos Clipes desse fabuloso Filme, Gilda, ajustando-se com perfeição ao ritmo diabólico e sensual dessa extraordinária e belíssima actriz chamada Rita Hayworth que tem no Filme realizado em 1945, por Charles Vidor, uma das suas melhores interpretações ao lado desse grande actor de nome Glen Ford.
E é assim que ouvimos extasiados; “Tempo Perdido”; “Amado Mio” “Put Blame on Mame” ao som da voz de China Forbes e ao ritmo de uma sensualidade erótica jamais vista no cinema naqueles tempos e que eu recordo com imensa nostalgia. Podemos dizer sem exageros que a Voz de Forbes se iguala aos dotes de grande bailarina que sempre foi a sedutora e grande actriz Rita Hayworth de quem mais cedo ou mais tarde falarei da sua história fantástica que viveu no cinema e na vida.
Mas hoje, gostaria de chamar a atenção dos melómanos que como eu gostam de viajar pelos sons independentemente do estilo, do ritmo, da origem e da data da sua criação, para que procurem no Youtube essa jovem que nos envolve na doce teia da sua magnífica voz e nos ajuda a alimentar o sonho de que “há mesmo estrelas no céu” que nos vão ajudando a caminhar no espinhoso negrume destes dias sombrios.


Foto tirada mesmo junto à cratera do Vesúvio. O grande Vulcãoque no ano 79DC soterrou as cidades de Pompeia e Herculano, tem tido ao longo várias erupções a última das quais foi em 1944.



 A fotografia a seguir  mostra a Cidália a subir com dificuldade a escarpada encosta com a ajuda de dois varapaus para subir a montanha.
  
  
 Confesso ainda mais… quando estou mesmo triste de verdade, procuro a China Forbes a cantar “Uma Noite em Nápoles”, vou chamar a Cidália e revivemos à nossa maneira, ao som dessa grande Orquestra, os belos momentos que vivemos nessa bela cidade do sul da Itália, que tem uma baía encantadora e o seu centro histórico foi declarado património mundial pela

 UNESCO. É importante que se diga que o excelente pianista e Director da Orquestra, Thomas Lauderdale tem para além de China Forbes  mais dez grandes músicos, cujas interpretações de grande qualidade, ajudaram a conquistar os êxitos alcançados em todo o mundo.
Como empedernido romântico que sou, talvez esteja inadvertidamente a exagerar, mas não custa nada experimentar.
Vão até lá, e depois, podemos conversar!
Martins Raposo
CV – Outubro 2010