FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ESTRELAS DE SEMPRE

                                  MOZART  - DE MENINO PRODÍGIO,

                      A COMPOSITOR GENIAL
Não é fácil escrever sobre uma figura tão carismática e ao mesmo tempo tão festejada por instituições públicas e privadas, como tem sido Mozart. Quase toda a gente conhece a biografia e uma grande parte das obras deste genial compositor. Os livros e o cinema têm se encarregue de publicitar a sua obra e de descrever alguns dos factos mais marcantes de uma personalidade verdadeiramente popular, com dotes excepcionais na arte de executante e de compositor.
Aproveitando a passagem de mais um aniversário do seu nascimento que se deu a 27 de Janeiro de 1756 na cidade de Salzburgo, proponho-me humildemente a escrever sobre algumas das suas obras que mais admiro e mesmo assim condicionando o seu número porque na verdade é um dos compositores de que mais gosto de ouvir e que escreveu sempre com inegável qualidade.
                                      
Vários estudos apontam para mais 600 as obras que Wolfgand Amadeus Mozart compôs na sua breve passagem por este mundo. É verdade que foi um menino prodígio, com três anos de idade já deslumbrava os ouvintes com músicas difíceis que tocava ao piano e escreveu a sua primeira sinfonia apenas com 9 anos de idade. Até falecer compôs obras em vários estilos e temas com uma velocidade impressionante que deixava os amigos deslumbrados com a facilidade e rapidez de escrever obras originais.
Muitos dos seus companheiros testemunharam a disposição sempre alegre e divertida com que trabalhava. Podia estar a compor uma sinfonia ou uma sonata e ao mesmo tempo a conversar animadamente sobre os temas mais diversos.
Tinha uma enorme capacidade de aprendizagem e as numerosas viagens que fez por toda a Europa aumentaram o seu saber na convivência fácil que desenvolvia com outros músicos. Entre muitos outros, Mozart recolheu importantes conhecimentos musicais ministrados por Johan Christian Bach que lhe deu também a conhecer a melodia e o ritmo harmonioso das Óperas Italianas.
Outra das suas grandes amizades foi o compositor Joseph Haydn que influenciou o compositor nas suas primeiras sinfonias, sem desvirtuar as características pessoais que Mozart soube sempre imprimir nas suas composições com uma originalidade inconfundível.
Uma boa parte das suas obras foram encomendadas por personalidades de grande relevo, nos quais se contam soberanos e príncipes que possuíam muito dinheiro e influências. A todos o compositor tentou corresponder sempre com a máxima honestidade. Para Mozart o verdadeiro interesse era poder compor a sua música e apesar de ter passado por grandes dificuldades económicas ao constituír família, nunca deu grande importância ao dinheiro.
Constança
Mozart compôs em quase todos os estilos musicais conhecidos na época, desde Concertos para Instrumentos, Serenatas, Sinfonias, Minuetes e Música sacra. Das inúmeras sinfonias que escreveu, a minha preferência vai para a Sinfonia nº. 40, escrita em 1788 que Mozart escreveu após o falecimento prematuro de sua filha Theresia. É uma obra de grande melancolia dramática.

As “Bodas de Fígaro” quando foi apresentada em Viena, não recebeu o melhor acolhimento por um público sempre muito exigente. Foi em Praga que esta obra alcançou de imediato os favores do público e dos críticos, de tal forma que o compositor entusiasmado se comprometeu a escrever o “Don Giovanni” apresentado no ano a seguir, com grande êxito nesta mesma cidade.
Sem desmerecer o valor e a qualidade destas duas obras as minhas preferências vão para a “Flauta Mágica” que alguns críticos da arte têm assinalado como uma das melhores óperas a nível mundial. Esta obra foi estreada em Viena no ano de 1791 e reproduz uma história de amor integrada num ambiente favorecido pela filosofia iluminista em ruptura radical com o mundo antigo, defendendo os valores da liberdade, da justiça e da igualdade entre os homens.

O êxito alcançado com esta obra, veio a reanimar o estado de desânimo e de debilidade física que Mozart então estava vivendo. Com mais de 200 anos após a sua apresentação a Flauta Mágica continua a encantar os amantes de boa música influenciando artistas de variados ramos da cultura, como o cinema, o teatro e a literatura em geral.
Infelizmente a saúde do compositor foi-se agravando paulatinamente com a agravante de se sentir desamparado e desprotegido, passando os últimos anos da sua vida com grandes dificuldades económicas.
A sua última obra “O Requiem” é sem dúvida o prenúncio fatal de um génio que sentia aproximar-se o seu fim, convencendo-se que estava a escrever a sua música fúnebre. Não conseguiu terminar esta obra e os compassos de “Lacrimosa” foram ditados ao seu aluno Sussmayer no seu leito de morte. A sua esposa incumbiu este seu aluno e amigo de terminar o Requiem.
Ele que tinha dominado com a sua arte os salões mais ricos e famosos da Europa, faleceu numa situação de lamentável indiferença e abandono acompanhado apenas por sua esposa foi enterrado numa vala comum. A ingratidão dos homens para com aqueles “que por obras valorosas, se vão da lei da morte libertando” é a marca da distinção entre os que se elevaram com o seu génio à dignidade dos deuses e a profunda e mesquinha inveja que rói a as entranhas dos incapazes e dos inúteis.

Mozart faleceu no dia 05 de Dezembro de 1791. O seu génio como compositor ainda foi reconhecido em vida, mas o tempo tem consolidado e valorizado a sua obra como um dos expoentes máximos da música de todos os tempos.
CV – 27.01.2012
http://www.youtube.com/watch?v=nE7SbiKzDzE

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

ESTRELAS NA 7ª. ARTE

                                            PAUL NEWMAN UM GRANDEE ACTOR!
Paul Newman, nasceu em 26 de Janeiro de 1925. Depois de se ter formado no Kenyon College, decidiu entrar para o Actors Studio dirigido por Lee Strasberg, tendo sido companheiro de outros nomes famosos como Marlon Brando, Al Pacino, Gene Hackman, Jack Nicolson e James Dean, isto para só falar de actores.

O seu primeiro papel de destaque foi no Filme de Robert Wise, interpretando a figura do lendário pugilista Kocky Graziano. Como nota à margem diga-se que este papel estava para ser interpretado por James Dean que a morte inesperada impediu de o fazer. Paul saiu-se muito beme apartir daí deu-se início à sua brilhante carreira, conseguindo-se impor com  talento à altura dos mais famosos da 7ª. Arte e a partir dos anos 50, o seu nome figurou como actor principal em filmes de grande sucesso, como “ Gata em Telhado de Zinco Quente, Paixões Desenfreadas; O Prémio, A Cortina Rasgada, A Cor do Dinheiro, Raquel Raquel, e muitos outros. Hud (O Mais Selvagem Entre Mil) foi o primeiro Filme que vi de Paul Newman, onde ele contracenavam com uma bonita actriz Patrícia Neal. 
                                                      
Praticamente trabalhou até falecer de doença cancerosa em 2008. Um dos seus últimos êxitos chama-se “Indomável - Assim é a Minha Vida” com o qual alcançou o Prémio o Urso de Prata como o melhor actor, no Festival de Berlim de 1995.Emparceirou algumas vezes com a Elisabeth Taylor do qual nos deixou essa magnífica interpretação de Gata em Telhado de Zinco Quente.
Aqui fica a minha modesta homenagem a esse grande actor de cinema que recriou com o seu enorme talento figuras inesquecíveis em filmes que aconselho vivamente a revisitar.

sábado, 21 de janeiro de 2012

ESTRELAS DE SEMPRE

                                   PLÁCIDO DOMINGO
                                   UM TENOR DE OIRO!

Plácido Domingo, nasceu em Madrid, no dia 21 de Janeiro de 1941. Seus Pais trabalharam no Teatro e influenciaram o jovem Plácido, no ensino música que começou com aulas de piano. Aos 16 anos fez a sua estreia como cantor de zarzuelas, mas só em 1961, com a sua fabulosa interpretação de “Alfredo” na Traviata é que fez a sua entrada como cantor de ópera onde alcançou de imediato enormes sucessos que o levariam o público e a crítica considera-lo um dos melhores tenores de todos os tempos.
Plácido Domingo pode orgulhar-se de ter actuado nas mais famosas Óperas do Mundo e ao mesmo tempo de com as suas geniais interpretações ter contribuído para reforçar a notoriedade dos compositores, dando a conhecer ao grande público as suas obras. Trabalhou com os melhores maestros e teve a seu lado as melhores cantoras líricas do seu tempo, entre as quais se destacam Victoria de los Angeles, Teresa Berganza, Montesserrat Caballe e Renata Tebaldi, entre muitas outras.
Num determinado momento, o mundo teve o privilégio de contar com a amizade que se estabeleceu entre os três mais famosos cantores de ópera, Luciano Pavaroti, José Carreras e o Próprio Plácidoi Domingo que constituiram o grupo dos "Três Famosos Tenores", encantando as plateias de todo o mundo, com espectaculos que ficaram memoráveis.
                                  
A sua estreia oficial no Metropolitan Ópera House de Nova Iorque, deu-se no ano de 1968, tendo participado em 21 aberturas de temporadas do “Met”, superando o recorde que pertencia a Enriço Caruso.
A sua carreira triunfal tem sido justamente premiada com os melhores prémios musicais e as distinções mais honrosas entre as quais destacamos os sete Prémios Grammys e os três Emmys. Em 1991 foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias e em 2002 foi condecorado com a Grã Cruz da Ordem de Mérito Civil, mas são muito mais os Prémios, as distinções e condecorações que Plácido Domingo tem ganho um pouco por todo o mundo.
José Plácido Domingo Embil, ainda não terminou a sua carreira, mas por tudo aquilo que já nos deu com o seu talento e a sua maravilhosa voz, coloca-o em evidência como umas estrelas mais brilhantes do firmamento musical.
                                  
Quase todos os grandes artistas e criadores se evidenciam nas relações humanas e por terem uma visão humanística mais apurada em relação aos problemas que nos afligem, Plácido Domingo é nesse campo um bom exemplo de solidariedade e de apoio a causas sociais. É graças ao seu nobre carácter (e de outros como ele) e à sua intervenção cívica que continuo a manter a minha empedernida crença na humanidade, nos valores e na força que a arte tem de produzir os sonhos de um mundo melhor.
Hasta Siempre e obrigado Plácido Domingo.
CV- 21.01.2012

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                               JOAN MANUEL SERRAT

Nasceu em Barcelona em 27 de Dezembro de 1943. Poderia ter sido um bom Engenheiro, mas felizmente para todos os que amamos a música, ele tornou-se num dos melhores Compositores e intérpretes da nova canção espanhola. Foi mesmo um dos fundadores do movimento “Nova Canção” apresentando temas como “Agora Tenho Vinte Anos”, “Palavras de Amor” e “Como Faz o Vento.
Com o álbum “Mediterrâneo” atinge um dos maiores êxitos da sua carreira. O Cantor inspirou-se nos poemas de António Machado. Anos mais tarde editou o Álbum “El Sur También Existe”, compondo as suas músicas com poemas de Mário Benedetti.
Joan Manuel Serrat esteve exilado durante a ditadura de Franco, mas hoje o seu país reconhece-lhe o seu enorme talento com prémios e várias distinções honrosas.
São muitos os milhares de fãns espalhados por todo o mundo e a França atribuiu-lhe a Legião de Honra, o mais alto galardão daquele país.
Como cidadão são conhecidas as suas posições na defesa das causas humanísticas que ultrapassam as fronteiras do seu país.

Tem actuado algumas vezes em Portugal onde também existem muitos admiradores da sua imensa obra musical.
Aqui fica a minha pequena homenagem pelo seu enorme talento e também pela sua coragem e coerência nos temas das suas bonitas canções.
Hasta Siempre Companhero!
CV-27.12.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=FOLV1tVErDQ

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                       CARLOS DO CARMO

O Povo costuma dizer que “filho de peixe sabe nadar”. A sua Mãe, Lucília do Carmo foi uma cantora do fado que teve uma carreira fulgurante. Carlos do Carmo, nasceu em Lisboa, no dia 21 de Dezembro no ano de 1939, iniciando em 1963, a sua carreira com a canção “Loucura” que fazia parte do repertório de sua Mãe e que foi bem aceite pela crítica. A partir de então nunca mais parou até hoje, imprimindo desde o princípio um estilo muito pessoal, adoptando novos ritmos e composições musicais que exigiam a participação de novos instrumentos musicais.
Para além das influências que naturalmente adquiriu de sua Mãe, não deixam de ser importantes outras figuras que foram determinantes na sua carreira, tais como Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Maria Teresa de Noronha. Musicalmente, na bossa nova com João Gilberto, Tom Jobim e Ellis Regina nos blues americanos com Frank Sinatra e na canção francesa com o Jacques Brell e nos músicos portugueses, José Luís Tinoco, António Vitorino, Raul Nery e o Zeca, exerceram grande fascínio no jovem Artista que rapidamente granjeou as simpatias de um vasto público que se manteve fiel ao longo de toda a sua carreira.
Os temas escolhidos por Carlos do Carmo, apoiam-se em cenas e figuras populares da Lisboa dos Sec. Passado mas que ainda perduram em alguns bairros típicos da nossa Capital. Por outro lado não se inibe de dar voz aos nossos Poetas mais queridos. Os músicos que acompanham são de primeira água e alguns como o José Maria da Nóbrega já há mais de trinta anos que trabalham juntos.
Algumas das suas canções com as quais já percorreu o mundo inteiro, tornaram-se famosas na sua voz sensível e envolvente, como são o caso de “Um Homem na Cidade”, “Mais do que Amor é Amar”,”Por Morrer Uma Andorinha, “Lisboa Menina e Moça”, “Canoas do Tejo”, “Os Putos”, “O Homem das Castanhas” e muitas, muitas mais. O seu trabalho tem sido premiado a nível nacional e internacional, sendo o Prémio José Afonso, O Globo de Ouro de Mérito e Excelência, O Prémio de Consagração da Carreira, a Ordem do Infante D. Henrique e o Prémio Goya, apenas alguns dos muitos que ao longo da sua carreira já recebeu.
Participou no Filme “Fados” de Carlos Saura e no “Douro Filme Harvest”. Neste último fez questão de dedicar algumas das canções à mítica estrela do cinema Sophia Loren.
Carlos do Carmo tem manifestado ao longo da sua carreira uma constante atitude de solidariedade para com todos os Artistas, Poetas e Compositores que com ele têm trabalhado ou que simplesmente têm participado nos seus espectáculos e colaborado com a sua obra. São numerosos os testemunhos dessa generosa acção de que destaco o Concerto de Homenagem a José Carlos Ary dos Santos.
Sem menosprezar o valor dos outros intervenientes, registe-se o importante papel que Carlos do Carmo. Desempenhou na Equipa Coordenadora que lançou e conquistou para o Fado, o mais alto galardão mundial, passando este estilo musical a fazer parte do Património Imaterial da Humanidade.
Esta nossa Estrela do Fado, nasceu em Lisboa, faz hoje dia 21 de Dezembro, 72 Anos. Ele tem sido considerado uma das maiores referências do fado, com reconhecimento a nível nacional e internacional. Quem o conhece afirma que vamos ouvi-lo durante muito anos. É esse o meu desejo neste dia do seu Aniversário. Bons êxitos Amigo Carlos!
CV – 21.12-2011
Martins Raposo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O MAIOR ENTRE OS MAIORES...

O NOSSO PRÉMIO NOBEL NASCEU HÁ 89 ANOS!

JOSÉ SARAMAGO, Prémio Nobel da Literatura, nasceu na Freguesia da Azinhaga, no ano de 1922 a 16 de Novembro. Filho de gente pobre mas inconformada veio com dois anos para Lisboa, onde estudou no Técnico e foi operário de uma oficina de serralharia. Mais tarde entra para o funcionalismo público e desde muito jovem, dedica todo os seus tempos livres à leitura dos escritores mais conhecidos na época. Tem apenas 25 anos quando escreve o seu primeiro livro “A Viúva” e um ano depois escreve “Clarabóia”.
Depois há um longo interregno inexplicável porque a crítica até nem tinha sido muito severa com a sua estreia.
Só em 1966 aparece com o livro “Os Poemas Possíveis”, seguindo-se, “Provavelmente Alegria”, não parando mais na sua escrita de Poesia, Romances e Ensaios diversos.
José Saramago deixou-nos uma imensa obra, com romances de inigualável beleza. Alguns bastante polémicos, mas é difícil ficar indiferente, mesmo que se não concorde de forma igual, com todos os temas, não há nenhum livro de Saramago que não nos faça pensar e questionar os desafios que o escritor nos lança e ao mesmo tempo nos adverte sobre os dramas de uma sociedade injusta, com inusitada coragem e ao mesmo tempo de uma “fé” inquebrantável, na transformação de uma sociedade mais humana e mais justa.
Levantado do Chão, o Memorial do Convento, A Jangada de Pedra, o Ensaio Sobre a Cegueira, A caverna e a Viagem do Elefante, são apenas alguns dos livros da sua grandiosa obra que foi distinguida com o mais alto galardão a nível mundial – O Prémio Nobel da Literatura, atribuído ao autor em 1998.
A obra de José Saramago não é de fácil leitura, assim como não foram as obras de Joyce, de Kafka, de Becket, Thomas Man e até as de Sartre, Pablo Neruda ou as de Gabriel Garcia Marques. O nosso Prémio Nobel conquistou com o seu génio literário um lugar entre os seus pares com saber e dignidade, mantendo em toda a sua vida uma coerência inabalável com os ideais que sempre defendeu.

Que pena já não poder ouvir a tua voz sábia, arrastada mas sempre de uma lucidez fantástica. A tua obra é para ler e reler e em cada dia que passa vemos com mais clareza a crítica certeira sobre um mundo que há muito nos prevenistes que estava a apodrecer.
Até sempre meu bom amigo!
CV-16.11.11
Martins Raposo

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ERSTRELAS DE SEMPRE - MÚSICA

                                  BRUCE SPRINGSTEEN
Compositor, cantor, violinista e guitarrista são os atributos consignados a um dos melhores intérpretes da música R&B de todo o mundo. No entanto os média raramente se referem aos numerosos êxitos de Bruce Springsteen. Ele de facto não se atira para a frente dos holofotes, não gosta dos paparazzi e não tem grande simpatia pelas habituais festas espampanantes das estrelas.
Depois existem outros anticorpos, que os patrões dos média não gostam mesmo nada, a começar pela sua música de intervenção com canções de crítica político-social e de defesa da classe trabalhadora. Nos EU como aqui em Portugal a indústria da informação é controlada pelos tubarões ligados aos grandes interesses económicos.
Bruce nasceu em Long Branch a 23 de Setembro, e, iniciou a sua carreira em 1965 com a formação da banda “The Cartiles” a que se seguiram outras pequenas bandas. Os seus primeiros álbuns não tiveram boa recepção do público e só em 1975 com “Born To Run” conseguiu o seu primeiro êxito.
Por esta altura constituiu o grupo “E Street Banda” e os êxitos repetiram-se com “Darkness On The Edge Of Town”, “The River” e “Nebraska”.
The River consolidou as suas opções de classe, na defesa dos valores e ideais por um mundo melhor sem explorados nem exploradores. Musicalmente o seu estilo aproximou-se mais da Pop-Rock e os críticos renderam-se finalmente ao valor incontestável da sua obra.
Born In The U.S.A., não teve de início o êxito comercial que merecia, mas insistência de Bruce em apresentar esta canção em todos os seus espectáculos, acabaram por surtir o efeito desejado. A crítica desta vez não podia alterar os dados. Os 15 milhões de discos vendidos acabaram por ajudar a catalogar legitimamente esta canção como uma das melhores de sempre.
Depois de participar activamente em vários movimentos de contestação musical, foi convidado a colaborar no disco “We Are The World” e no movimento “Human Right Now”, o primeiro a favor dos africanos desprotegidos e o segundo como uma valiosa ajuda à Amnistia Internacional.
Após o seu casamento com Pati Scialfa em 1991, Bruce mudou-se para a Califórnia e a sua actividade musical foi diminuindo. Em 1992 produziu o álbum “Human Touch e Lucky Town” e em 1994 compôs a música para o extraordinário Filme “Philadelfhia” de Joathan Demme que teve em Tom Hanks e Denzel Washington os principais actores, ambos com excelentes interpretações.
Bruce foi distinguido com numerosos prémios e a sua Obra valoriza e dignifica o imenso património histórico da música.
Mas hoje é o dia do 62º. Aniversário de Bruce Springsteen é de bom tom que não nos afastemos da razão fundamental deste texto que tem como objectivo o de relembrar aos meus amigos que não podemos esquecer o genial intérprete de “Born to Run”, de n the Edge of Town”, “ Hungry Heart” , “Glory Days” e “Born in the U.S.A.”. Vale a pena ouvi-lo e informar os nossos filhos que cada vez têm menos tempo para se interessarem por música autêntica com valor e substância.
É bom enaltecer a sua coragem, neste mundo em que muitos se escondem cobardemente, fechando os olhos aos problemas que nos cercam.
Por tudo quanto este magnífico músico tem feito, aqui fica a minha modesta homenagem.
Longa Vida e Bons êxitos!
CV- 23.09.11
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=129kuDCQtHs

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O LIVRO DO MÊS

                                                    À BEIRA DO ABISMO
Li à dias este livro extraordinário de Raymond Chandler, considerado um dos melhores escritores de romances policiais que já com mais de quarenta anos iniciou a sua obra precisamente com este livro que se tornou um marco neste estilo literário que nem sempre a crítica aceitou o seu verdadeiro valor.
É um livro fantástico, com um enredo muito bem estruturado com a sua principal personagem a encarnar a figura do célebre detective particular Philipe Marlowe que faria parte de outros romances, com o seu porte romântico, temperado com algum cinismo e desapego pela vida, mas obedecendo a uma ética particular, no qual a justiça praticada individualmente se regia pela honestidade imparcial.
Raymond Chandler nasceu em Chicago no ano de 1888 e durante grande parte da sua vida sofreu sérias adversidades que o levaram a procurar no álcool o refúgio dos seu dramas profissionais e familiares.
O seu primeiro livro lançou-o definitivamente como escritor de referência, servindo de modelo a muitos outros escritores deste género. O escritor teve a sorte de ver parte da sua obra adaptada ao cinema como foi o caso de “À Beira do Abismo”, realizado em 1946 por Howard Hanks e com Humphrey Bogart e Lauren Bacall como principais protagonistas.
                                                    
O Filme já o vi várias vezes porque adoro ver a representação fantástica de Humphrey Bogart que considero um dos melhores actores de sempre, mas que hoje não vou dedicar mais tempo, até porque que é a sua parceira e Lauren Bacall que faz hoje anos e que por isso, merece mais umas palavras de atenção.

Lauren Bacall não teve a grandeza mítica de Ava Gardner, Liz Taylor, ou mesmo de Ingrid Bergman, mas foi no seu tempo uma artista muito procurada pelo seu talento e pela sua beleza sensual a que a voz rouca dava um toque muito especial. Entrou em numerosos filmes e obteve prémios valiosos pelas suas brilhantes actuações em se destacam para além deste filme, Prisioneiro do Passado, O Espelho tem Duas Faces Paixões em Fúria e Uma Aventura na Martinica. Alguns destes Filmes teve a seu lado Humphrey Bogart a paixão maior da sua vida.
Lauren faz hoje 87 anos, pois nasceu a 16 de Setembro de 1924, na cidade de Nova Iorque e de vez em quando ainda aparece no Teatro onde desempenhou também grandes personagens. Parabéns Lauren!
Voltando ao Livro “ Beira do Abismo”, devo confessar que tal como no filme prendeu totalmente a minha atenção e li-o de fio a pavio e fico agradecido a Raymond Chandler por momentos de leitura inesquecíveis. Atrevo-me a confessar que ao ler esta magnífica obra se acentua ainda mais a minha descrença por alguns jovens escritores que no afã de produziram mecanicamente enormes calhamaços apoiados por incríveis campanhas de publicidade, deveria antes procurar entender porque escritores como Chandler continuam a refrescar-nos saudavelmente com boa literatura.
Este escritor que influenciou muitos outros escritores famosos, defendeu e honrou com grande dignidade o género policial que hoje tem imensos seguidores.
CV-16.09.2011
Martins Raposo

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE

                         SÉRGIO GODINHO
     Português, Artista e Cidadão do Mundo Exemplar!
O Sérgio faz parte da Geração de Ouro da música popular portuguesa, emparceirando com os nomes de Fausto, J. Mário Branco, Vitorino, Luís Cília, Pedro Barroso, Jorge Palma, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Paulo de Carvalho e outros que não relembro de momento, mas que souberam com grande mérito e dignidade, dar seguimento à Obra de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
As minhas referências neste estilo musical, visam apenas qualificar os intérpretes mais conhecidos da minha colectânea que como os meus amigos sabem é bastante diversificada e não contempla apenas este género musical.
Hoje importa falarmos de Sérgio Godinho, porque é o dia do seu 66º. Aniversário e acima de tudo porque é um músico que muito admiro e estimo.
A primeira vez que ouvi falar do seu Sérgio foi quando entrou na célebre peça musical “Hair”. Estávamos em 1969 e o nosso artista estava em França depois de se ter escapado ao serviço militar e de ter passado pela Suíça. É neste país que conhece Luís Cília e José Mário Branco, iniciando uma amizade e colaboração que ainda hoje perdura.
Colabora como músico e letrista no álbum “Mudam-se Os Tempos, Mudam-se as Vontades” de JMB em 1971 e nesse mesmo ano, edita o seu primeiro LP, “Romance de um dia de Estrada”.
No ano a seguir edita “Sobreviventes” que é muito bem aceite pela crítica e com o qual ganha o Prémio de Melhor Disco Português, atribuído pela Casa da Imprensa. Seguem-se “Pré-História” e “À Queima Roupa”, todos alcançam enorme sucesso
As suas deambulações continuam pela Holanda, Brasil e Canadá. Neste último país, junta-se ao teatro “Génesis” e casa-se com Shila em Montreal, no ano de 1972.
Volta a Portugal depois do 25 de Abril e participa em conjunto com José Mário Branco e Fausto, na banda sonora do Filme “A Confederação” de Luís Galvão Teles” e escreve a canção-tema do Filme “Os Demónios de Alcácer Quibir” de José Fonseca e Costa e escreve a música do Filme “Kilas o Mau da Fita” do mesmo Realizador.
Em 1978, edita “Nós Por Cá Todos Bem”, seguindo-se “Pano Cru” e Campolide, todos com êxito absoluto.
Em 1981, ganha o Disco de Prata, com o álbum “Canto da Boca”. É neste álbum que se encontram algumas das canções mais populares de Sérgio Godinho, entre as quais se distinguem, “Com um Brilhozinho nos Olhos”, “O Porto Aqui Tão Perto” e “É Terça Feira”. Recebe o Sete de Ouro de melhor cantor português do ano.
No ano a seguir volta ao Brasil e é preso injustamente acusado por possuir droga, quando na verdade, tudo se deveu às suas posições políticas que a ditadura militar quis castigar duramente. Só o protesto que se levantou na opinião pública, em sua defesa a nível mundial, conseguiu a sua libertação forçada. “Os Sobreviventes” é um álbum composto com letras que denunciam este difícil período vivido pelo artista.
Volta a participar no teatro, na peça “Um jeep em Segunda Mão” e edita “Salão de Festas” e “Na Vida Real” com algum sucesso.
Em 1989, ganha o Prémio José Afonso, com o LP “Aos Amores”, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora. Edita a seguir “Escritor de Canções” e compões musicas para curtas metragens. Pelo meio vai obtendo enormes sucessos com actuações no Coliseu dos Recreios e em digressões que faz pelo país. Participa como actor no teatro e em alguns filmes de valor reduzido.
Em 1993 edita o álbum, “Tinta Permanente” que conta com a colaboração de João Esteves Silva, nos arranjos e Teresa Salgueiro, Filipa Pais e Sandra Fidalgo como intérpretes. A seguir edita, “Domingo No Mundo” com poemas de Rimbaud, Alexandre O’Neill e José Afonso.
Em 2001, comemora com um espectáculo de grande êxito os 30 anos da sua extraordinária obra musical, nos quais apresenta uma Colectânea de Canções de Amor (Afinidades). Partilha ainda com grandes músicos da cena portuguesa, num noutro espectáculo belíssimo espectáculo.
O Sérgio, esteve em Castelo de Vide, em 2009, apresentando o seu último livro “Afrontamento”, na Biblioteca Municipal. Nessa ocasião tive o privilégio de falar com o artista, trocando impressões sobre a sua obra magnífica. Na altura recordei-lhe uma das cenas que presenciei num dos filmes que foi rodado em Castelo de Vide e de que nenhum de nós se lembra de o ter visto depois. Tratou-se segundo me disse de mais um dos muitos episódios da sua multifacetada vida artística.
                                                   
Mas é sem dúvida a música que comanda o primado das suas paixões e onde tem ganho projecção mundial como um dos compositores e músicos mais célebres da sua geração. Neste dia em festeja os seus 66 anos de idade, envio-lhe um abraço fraterno de amizade manifestando o desejo para que continue a dar-nos o seu melhor como Poeta, Músico e Compositor.
Parabéns e longa Vida!
De um amigo e admirador sincero,
José Martins Raposo
31.08.2011
http://youtu.be/aMKHMcS7X3g

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ESTRELAS DO JAZ

                                                   CHARLIE PARKER
                                                 

Hoje é o dia do “BIRD” que se fosse vivo completaria 91 anos. A vida de Charlie Parker, foi uma constante tragédia emocional que terminou de forma turbulenta aos 34 anos, no entanto, o seu nome consta com o mesmo brilho ao lado de Louis Armstrong. A sua música genial conquistou o mais alto título de “o melhor saxofonista de todos os temos” e a crítica é unânime ao considerá-lo um dos melhores intérpretes do Jaz. O seu nome estará para sempre ligado ao cinema através de um belíssimo filme de Clint Eastwood, “The Bird” e nas Letras no Livro de Júlio Cortazar, “O Perseguidor”. Ouvir a sua música oferece-nos o condão de sair desta órbita terrestre e vaguear por entre o mundo estelar de brilho magico e incandescente.
                                               

Charlie foi ainda com Dizzie Gillespie o fundador do Bebop, estilo que marcou definitivamente uma nova era no Jaz, na sua forma, no ritmo e na harmonia musical.
Olhão, 29.08.11
NOTAS: Wikipédia e Youtube. A escrita vai a verde porque é assim que eu vejo todos os "pássaros do mundo"!
http://www.youtube.com/watch?v=j1bWqViY5F4

terça-feira, 16 de agosto de 2011

VOZES ROMÂNTICAS

                                    FRANCISCO JOSÉ

Este extraordinário artista, nasceu em Évora a 16 de Agosto de 1924. Nesta cidade, iniciou a sua brilhante carreira, notabilizando-se como intérprete de canções românticas. Olhos Castanhos, foi uma das canções mais célebres dos anos 50, numa altura em que o primado da voz se sobreponha aos instrumentos musicais.
Ainda nos anos 50, tentou a sua sorte no Brasil que soube valorizar a qualidade dos seus trabalhos. Como é Bom Gostar de Alguém, Maria Morena, Encontro às Dez e Estrela da Minha Vida, são algumas das canções mais conhecidas.

Em Portugal na década de 70, alcançou de novo enorme êxito com a canção, Guitarra Toca Baixinho que ainda hoje se ouve com emoção.

A última obra da sua notável carreira chama-se “ As Crianças Não Querem a Guerra” gravada em 1983.
Este notável alentejano, sofreu durante a sua vida algumas atribulações. Sentindo-se sempre mal amado na sua pátria, pelos meios televisivos e radiofónicos o que o terá levado em 1964, a assumir uma posição de denúncia na enorme diferença que a RTP fazia nos pagamentos de “cachets” entre os artistas estrangeiros e os portugueses do qual se dizia vítima. Isto feito em directo, resultou na imediata detenção pela PIDE e a interdição durante mais de 16 anos de actuar na Televisão Portuguesa.
Só a partir da década de 70 é que este notável representante do romantismo na música ligeira, conseguiu depois da canção já citada “Guitarra Toca Baixinho”, alcançar alguns êxitos colocando-o definitivamente ao lado de outros grandes intérpretes deste género musical, dos quais se destacam entre outros os nomes de Carlos Ramos, Alberto Ribeiro, Max, Tony de Matos e Luís Piçarra.
Independentemente dos juízos de valor que possam ser feitos sobre este estilo musical, não nos podemos esquecer da sua aceitação popular e que marcou uma época de que a minha geração ainda hoje se lembra com alguma saudade.
Recordemos então, meus bons velhos amigos!
Olhão, 16 de Agosto de 2011
Martins Raposo
Notas: Enciclopédia da Música Ligeira, de Luís Pinheiro de Almeida e João Pinheiro de Almeida; e Internet - Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=sFhJskkG4AU

sábado, 13 de agosto de 2011

NO CLUB DOS 27

NADA ESTÁ PROVADO!

MAS A AMY NÃO RESISTIU…
Nada está provado em relação às causas da morte de Amy Winehouse! Por enquanto o que se possa afirmar poderá não passar de pura especulação. O que todos já sabemos é como foi parte da sua vida que os “média” compuseram desde que se tornou famosa.
Em relação ao seu talento e à sua vertiginosa carreira, está provado que começou desde miúda a querer ser o que realmente foi: Uma Estrela de primeira grandeza!
Os Familiares terão ajudado Amy desde muito nova, a conseguir uma formação musical em Escolas e Orquestras Juvenis e aos 16 anos já se fazia notar como vocalista do grupo Bolsha Banda.
As suas influências musicais são bastante diversificadas e incluem vozes como as de Sara Vaughan e Ella Fitzgerald no Jaz e de Madona e Michael Jackson na Pop. O seu primeiro álbum “Frank” tem uma batida claramente jazística e foi sem dúvida importante para o início da sua brilhante carreira.
Ao êxito do seu primeiro álbum, seguem-se alguns prémios e espectáculos com grande sucesso que levaram as Editoras a disputar a primazia das suas actuações. Amy muda de estilo, abandona o Jaz e volta-se decididamente para a música Pop, mudando radicalmente o seu estilo de actuar e o seu repertório que se reflecte de forma espectacular no seu segundo álbum “Back To Black”.
Está também provado que a sua vida emocional está recheada de desenfreadas paixões nem sempre correspondidas e por vezes mesmo desencontradas. A sua inclinação para as drogas e para a bebida, tornaram-se numa dependência difícil de controlar.
Quanto mais se aproximava do apogeu da sua carreira, mais infernal se tornava o seu viver, com tentativas rustradas de recuperação em clínicas especializadas. Logo após ter vencido o prémio Prit “Melhor Artista” com a canção Rehab, foi detida na Noruega pela posse ilegal de marijuana.
É neste ponto que me leva a interrogar sobre as causas que terão levado Amy a deixar-se arrastar de forma tão degradante para o submundo do álcool e da droga, impedindo-a de cumprir contractos fabulosos e de interromper espectáculos por completa incapacidade física e mental.
As suas qualidades vocais e as suas interpretações foram apreciadas em todo o mundo, a sua ascensão vertiginosa foi aceite e compreendida como resultante do seu real talento e originalidade. Conquistou por mérito próprio um dos lugares cimeiros do estrelato musical e a sua personalidade vincada deve ter ajudado a impor-se no meio dos seus iguais.
No entanto, algo conseguiu vergar esta extraordinária vedeta, ou se quisermos ser mais exactos na aproximação da realidade, várias terão sido as causas que levaram Amy para o tristemente célebre Clube dos 27.
Há dias reli uma crónica de alguém que se referia às semelhanças que a vida atormentada e turbulenta de Amy teve com alguns dos famosos artistas falecidos de forma muito semelhante, entre elas a de Judy Garland, a menina prodígio, que sofreu às mãos de Empresários e Produtores gananciosos, as mais aviltantes e desumanas condições de trabalho.
No Clube dos 27 há histórias diversas, mas também existem factos que demonstram que alguns dos suicídios foram provocados pela pressão monstruosa que os “homens dos negócios” infligiram violentamente na vida dos artistas que caíram nas suas armadilhas mortais.
Nada está provado! Mas a Amy não resistiu…
Olhão, Agosto de 2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=w1evzhSast8

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ESTRELAS DE SEMPRE!

RECORDAÇÕES, COM MÚSICA DO ZECA!
Neste dia em que o Zeca Afonso fazia 82 anos de idade, gostava de ter o “dom” de escrever algo de invulgar que não fosse o repetido refrão de frases bombásticas, onde falha a autenticidade do conhecimento pessoal, como é o meu caso que só muito fugazmente tive a felicidade de contactar com o nosso mais famoso intérprete da música de intervenção portuguesa.
Antes dos breves encontros pessoais, tive o privilégio de em Luanda, conhecer a sua obra nos finais dos anos 60, através do Jorge que tinha conhecimentos em Cabinda por onde entravam alguns livros e música que o poder não deixava circular livremente.
Este pequeno grupo a que demos o nome de “Germinal” em homenagem ao grande escritor Émile Zola, era composto por pessoas com os mais diversos gostos, desde o Teatro à Música de que alguns de nós fazíamos parte. Cada elemento trazia para a discussão o seu saber e as suas experiências, mas aos fins de semana os sons predominavam, tanto nas conversas como na acção. Alguns de nós tocavam num Conjunto Musical.
E foi assim que conheci as canções do Zeca, do Adriano, do Letria, do Fausto e de outros que abriam o caminho da música popular e de intervenção.
O Zeca Afonso era sem dúvida o guia principal que servia de exemplo para animar os serões sobre política que interessava à maioria dos elementos do grupo. Os “Vampiros”, o “Menino do Bairro Negro” a “Menina dos Olhos Tristes” e o “Canta Camarada” vieram antes da “Balada de Outono” e do “Menino de Ouro”. Era a juventude que predominava e os seus gostos, mesmo a nível da música local Angolana, inclinavam-se predominantemente para os temas de forte conotação social e política.
Pessoalmente, assisti a dois espectáculos do Zeca Afonso em Luanda onde se deslocou algumas vezes, acompanhado de outros artistas. O mais importante foi em 1975, no novo estádio de Futebol da Cidade que encheu por completo.
                                   
Mais tarde em 1984, tive a sorte de organizar um extraordinário espectáculo em Coruche com a figura do Zeca como cabeça do cartaz que incluía ainda o Janita Salomé, e o Júlio Pereira. Quando digo da “sorte”, refiro-me ao facto de após termos concluído o acordo para sua presença, ter acontecido um problema no Cinema da Vila, que impedia a realização de qualquer actividade pública. O Concerto acabou por se realizar no amplo auditório da paróquia, graças à boa vontade do Padre Silvestre.
O grande “Trovador” apesar de se encontrar já debilitado pela doença, conseguiu levar a assistência ao rubro com a qualidade do seu repertório e a colaboração dos excelentes músicos que o acompanhavam. Foi um dos melhores espectáculos de sempre que hoje ainda muitos Coruchenses se lembram com emoção.
Lá estava a assistir o nosso querido amigo José Labaredas, autor da fotografia que o Zeca tirou em Londres de boina preta e que fez questão de inserir na capa de um dos seus álbuns.
Foi também com o José Labaredas que no dia 23 de Fevereiro de 1987, fomos a Setúbal para o último adeus e caminhámos lado a lado com milhares de pessoas que percorreram o percurso da Escola Secundária de São Julião até ao Cemitério da Senhora da Piedade, a cantar as canções mais emblemáticas do Zeca Afonso.
Por muito que os fariseus palavrosos nos façam promessas com louvaninhas de cinismo,ao falar sobre o talento do Zeca, a verdade é que neste País ainda não houve vontade suficiente para fazer a homenagem digna que o Zeca merece. Enquanto isso não acontece devemos ajudar a divulgar a sua obra em acções que não desmereçam o valor e a dignidade deste grande génio da cultura popular.
Aos mais novos é bom que não esqueçam o Zeca e continuem a ouvi-lo, não só as canções que já citei mas todas as canções que prefiguram na sua obra monumental, de que acrescentarei apenas mais alguns títulos: A Morte saiu à Rua, Coro dos Caídos, Ronda dos Paisanos, Resineiro Engraçado, O Meu Menino é de Ouro, Venham Mais Cinco, A Morte saiu à Rua, Era Um Redondo Vocábulo, o Avô Cavernoso, Coro dos Tribunais, O Que faz Falta, Era de Noite e Levaram-no,Os Fantoches de Kissinguer, Teresa Torga, O Dia da Unidade, Como Se Faz Um Canalha, Quem Diz que é Pela Rainha, a mítica Grândola Vila Morena, etc. etc. etc.
Numa opinião muito pessoal e naturalmente pouco pacífica, julgo que a Grândola Vila Morena, apenas com ligeiríssimas alterações, poderia muito bem substituir, o nosso velho e desactualizado Hino.
O Zeca Afonso para além de intérprete invulgar, foi também um Poeta de grande sensibilidade, com letras de grande significado em termos populares e nos temas de intervenção. Foi compositor e acima de tudo soube acarinhar os seus amigos com solidariedade activa, recebendo em troca a colaboração de grandes músicos, compositores e poetas portugueses e também no estrangeiro, muito principalmente em Espanha, na Galiza onde ainda hoje se mantém uma grande comunidade de fervorosos fãs do nosso Artista.
Em Portugal foi sempre aplaudido e seguido com paixão por numerosos adeptos das suas canções. O Povo adorava-o! Do poder nunca quis receber coisa alguma e os prémios para que foi indicado por Ramalho Eanes, ainda em vida e por Mário Soares a título póstumo, foram recusados com serenidade mas com firmeza.
Aos poderes constituídos antes do 25 de Abril e a muitos outros que nos governaram depois de 75, nunca lhe agradaram a gigantesca figura de intelectual e o poder e influência que exerceu efectivamente junto de muitos jovens.
Como confessei logo de início, falta-me o engenho e a arte para expressar e descrever os meus sentimentos de emoção, de respeito e de gratidão por ter tido a felicidade de viver no seu tempo e ter em muitos dos meus actos individuais e colectivos ter levado as suas canções como símbolo e bandeira para dar mais força às manifestações onde muitas vezes estive integrado, na luta por um mundo melhor de que o Zeca foi um dos mais fieis protagonistas.
Assim deixo-vos com as palavras do Poeta Manuel Alegre – o Zeca foi um homem fraterno, despojado, por vezes até ao exagero. Mas era assim, um revolucionário franciscano…Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento. Por isso o Zeca foi tanta vez censurado. Por isso continua simultaneamente a encantar e a incomodar.
Até Sempre Zeca!
Olhão, 02.08.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=Io_RidA1mlI

sábado, 9 de julho de 2011

ESTREALAS DE SEMPRE

                    MERCEDES SOSA – LA NEGRA


Mercedes Sosa teria hoje 76 anos e com toda a certeza continuaria a encantar-nos com a sua voz “caliente” e luminosa. Ela mesmo disse como seria a sua forma de viver: “até ao fim da minha vida, continuarei cantando como uma cigarra”.
Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tecuman, a 09 de Julho de 1935, no mesmo dia e na mesma cidade na qual foi assinada a declaração de Independência da Argentina no ano de 1816.
Durante a sua juventude viveu no meio musical onde se distinguiu aos 15 anos. Foi uma fervorosa seguidora da ala esquerda do peronismo ao qual se manteve fiel durante grande parte da sua vida. Mas mais do que no plano político, a sua intervenção caracterizou-se essencialmente pela defesa dos direitos sociais dos mais desprotegidos.

Mercedes Sosa iniciou a sua longa carreira com o lançamento do álbum “La Voz De La Zafra” e a partir daí nunca mais deixou de nos oferecer o melhor da música popular Argentina, com canções que se tornaram autênticos hinos, escritos pelos melhores poetas e pelos melhores compositores aos quais a voz inconfundível da artista contribuiu para a sua divulgação a nível mundial.
No álbum editado em 1965, “Canciones Com Fundamiento” que teve a colaboração do seu marido, Manuel Óscar Mateus, ficaram registadas algumas das canções mais importantes do cancioneiro Argentino. Esse trabalho foi enriquecido com os álbuns, “Cantata Sudamericana e Mujeres Argentinas” que teve para além do seu marido a colaboração dos Compositores Ariel Ramirez e Victor Heredia e do Poeta Feliz Luna. Todo este trabalho levou a que a Artista fosse considerada como um dos pilares mais importantes do “Movimiento del Nuevo Cancionero”.
Mercedes Sosa atingiu o auge da sua carreira, nos anos 70, com espectáculos realizados em todo o mundo. É desses anos a sua parceria com outros grandes músicos e intérpretes, entre os quais se contam os nomes de Chico Buarque, Joana Baez, Sting, Andreia Bocelli, Luciano Pavaroti, Pablo Milanês, Milton Nascimento, Gal Costa e Beth Carvalho.É também deste período a preocupação da intérprete dedicar a sua atenção ao trabalho de outros grandes músicos da América do Sul, com especial relevo para a música popular e de intervenção dos respectivos países. A Canção “Gracias à La Vida” escrita e interpretada por Violeta Parra é um dos muitos exemplos que seguiu nos anos seguintes.
Perseguida pela ditadura do General Jorge Videla a cantora teve que se exilar na Europa, continuando aí a sua actividade artística com grande sucesso.
Mercedes Sosa viu a sua obra ser premiada com três Gramy’s nos anos de 2000, 2003 e 2006, respectivamente com as canções; Misa Criola, Acústico e Corazon Libré o que por si só atesta a trabalho incansável que Mercedes Sosa, tinha nos anos mais recentes. Pela sua obra e pela e pela sua postura cívica, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade junto da UNESCO, para a América Latina e o Caribe.
Numa noite de Setembro, em 1979, Mercedes de Sosa iniciou o seu espectáculo com “Gracias à la Vida” a que seguiram algumas das suas melhores canções que tivemos a sorte de ouvir directamente no Alto da Ajuda. Os milhares de espectadores presentes, brindaram a sua actuação com calorosos e prolongados aplausos. Foi uma noite deslumbrante, animada pela presença de uma das estrelas mais brilhantes do firmamento musical.
A sua morte em 04 de Outubro de 2009, deixou consternados os milhares de amigos espalhados pelo mundo, tendo merecido da Jornalista da Reuter, Helen Poopper as seguintes palavras: Mercedes Sosa lutou contra os ditadores da América do Sul “com a sua voz e se tornou uma gigante da música latino americana. La Negra, saiu da vida para entrar na história como um verdadeiro mito”.
Hasta Siempre!
CV-09.07.2011
Martins Raposo
http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I