FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!
TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
terça-feira, 23 de outubro de 2012
HERMÍNIA
SILVA O
GÉNIO E O TALENTO EM ESTADO PURO!
Hermínia Silva, nasceu a 23 de Outubro de 1913, na cidade de Lisboa. Começou muito jovem a cantar nos velhos retiros do fado e logo se fez notar com a sua voz alegre e bem timbrada. Em poucos anos confirmou o seu talento de artista e cantadeira, tendo sido uma das primeiras vozes fadistas a entrar nos palcos da Revista, aumentando a sua popularidade junto de um vasto público que adorava o seu estilo.
Não
tardou que o cinema se interessasse pela jovem azougada e divertida que
mostrava uma outra forma de interpretar o fado, com temas variados que podiam
ser de raiz popular, satíricos e mordazes ou então românticos, amorosos e
cheios de saudade.
No
Teatro de Revista e no Cinema o seu nome brilhou com o fulgor de uma verdadeira
artista de corpo inteiro, alcançando momentos de grande sucesso. Os espectáculos
onde entrava eram êxitos garantidos, pelo saber encantar com profissionalismo e
a escolha de um repertório diversificado.
Hermínia
foi das primeiras fadistas a procurar a colaboração de maestros consagradospara compor a suas canções, mesmo quando
estes trabalhavam em áreas e estilos diferentes. Foi o caso de Raul Ferrão e de
Jaime Mendes. Apesar
de ter alcançado por mérito o estatuto de uma verdadeira vedeta do espectáculo,
Hermínia voltava sempre ao seu "Retiro", o Solar da Hermínia, que a artista tinha criado e no qual cantou até
quase ao fim dos seus dias. Não
é demais de referir o facto da Artista ter o talento de adaptar a sua voz ao
tom e ao ritmo de cada canção que se poderia apresentar alegre e folgazão no
"Fado Mal Falado", Vamos Dar de Beber à Alegria","A Desfolhada" e a
"Tendinha", como expressar sentimento e emoção em, "Lugar
Vazio","Maria Sozinha",
Fado do Retiro" e "Rosa Enjeitada". Tudo lhe ficava bem,
"benza a deus"!
O
país soube (o que tem sido raro), reconhecer ainda em vida da Artista, o seu talento,
distinguindo-a com valiosos prémios e condecorações, confirmando com toda a
justiça o seu lugar entre as melhores fadistas de todos os tempos. Hermínia
era uma artista genuinamente popular, sem ares de vedeta que se impunha naturalmente
pelo seu encanto e profissionalismo exemplar. Tinha um enorme respeito pelos
músicos e compositores com quem trabalhava e pelos seus colegas, ajudando os
mais novos com o seu saber e experiência. Sabia ser acarinhada pelo povo que via nela
uma Artista muito próxima dos seus problemas e dificuldades.
Soube
viver a vida, cantando sempre até ao fim dos seus dias. CV-
23.10.2012 Martins
Raposo http://youtu.be/h6_OH9gSxzM
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
RITA HAYWORTH
UMA ESTRELA DE PRIMEIRA
GRANDEZA!
Rita Hayworth faz parte de
uma galeria deestrelas que fui
colocando no meu álbum de memórias, quase todas se evidenciaram pelo desempenho
de personagens que de uma maneira ou de outra marcaram uma época e outras ainda
ganharam o sublime estatuto da imortalidade. Rita ascendeu por mérito próprio a
este mais alto graude reconhecimento. Rita Hayworth que nasceu
em Nova Iorque a 17 de Outubro de 1918, com o nome de Margarita Cansione, era
filha de artistas ligadas às danças e ao bailado flamengo. Foi com o seu tio
Angel Cansino que teve as primeiras aulas de bailado no Carnegie Hall e foi
como bailarino que entrou nos seus primeiros filmes. A actriz não teve uma vida
fácil nos seus primeiros anos em Hollywood e só em 1941, quando foi convidada
como segunda figura no Filme, "Uma Loira com Açúcar"de Raul Walsh que se tornou definitivamente
uma estrela de cinema, cobiçada pelos melhores realizadores daquela época.
Em "Sangue e
Areia", Rita Hayworth conquista definitivamente o seu estatuto de "Símbolo
Sexual", o Filme foi um grande sucesso de
bilheteira. A primeira vez que me
encontrei com a Rita, foinuma sala de
cinema, onde a sua fulgurante figura enchia por completo a tela, com a sua beleza
estonteante e avassaladora. Gilda assimse chamava o Filme de Charles Vidor, um drama passional, mil vezes
repetido que a actriz transformou num dos seus maiores êxitos.
O tema do filme é ultrapassado pela fantástica
interpretação de Rita que contracena com o Glen Ford que sendo um grande actor, submerge perante
uma actriz que está no auge da sua beleza e se afirma com o seu talento fogoso
e sensual que incendiava os corações milhares de fãs em todo o mundo.
A vida pessoal de Rita Hayworth
foi pontuada por momentos de grande euforia, seguida de problemas sentimentais.
Esteve casada cinco vezes e de todas as vezes se divorciou em litigio com os
consortes. Um deles foi o príncipe Ally Khan que fez com que a actriz fosse a
primeira princesa do cinema, outro não menos famoso, foi Orson Welles, um grande actor e realizador.
Rita na altura já era famosa com o seu nome associado aos grandes êxitos do
cinema. O grande Mestreobrigou -a a
entrar no seu filme "A Dama de Shangai" que acabou por ser um
desastre de bilheteira e ainda hoje nos fica a ideia de que terá sido este o
filme que marcao princípio do declínio
da grande estrela.
Rita Hayworth costumava
desabafar sobre os insucessos com os homens, dizendo - A maioria dos homens se
apaixona por Gilda, mas acorda comigo". A sua carreira continuou com muito
trabalho, entrando em bastantes filmes, mas os grandes êxitos não se repetiram.
Terminou a sua carreira com o filme "A Ira Divina" ao lado de Robert
Mitchum no ano de 1972.
A belíssima actriz faleceu
em 14 de Maio de 1987, vítima da doença de Alzheimer, tardiamente diagnosticada
e que lhe provocou muitos anos de sofrimento. Para a eternidade ficam os seus filmes
e um muito especial, "GILDA", que será sempre um dos melhores filmes
de sempre, graças a Rita Hayworth. CV - 17.10.12 Martins Rapospo http://youtu.be/4rWpND28Jos
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
LUCIANO PAVAROTTI UM GIGANTE
NO MUNDO DA ÓPERA
Luciano Pavarotti, nasceu em
12 de Outubro de 1935, na cidade de Modena em Itália. Inspirado pelo amor que
seu Pai dedicava à música, o jovem Luciano começou a estudar o" bel canto",
com o maestro Arrigo Pola, estreando-se
em 1955 no coral masculino de Modena, mas foi em 1961, no Teatro Municipalle de
Reggio Emília que Luciano alcançou o seu maior sucesso até então, interpretando
o papel de Rodolfo, da Ópera La Bohème, de Puccini.
Depois, durante largos
anos,o cantor não mais parou de
acumular êxitos retumbantes, ao longo de uma carreira fantástica. Pavarotti foi
considerado o melhor tenor das Óperas de Verdi e de Giacomo Puccini. Em 1985,
na interpretação de Radamés, no Scala de Milão, alcançouum extrondo êxito que elevou o seu nome aos pícaros da
fama, contribuindo um maior conhecimento do seu talento escolhido pelos grandes
maestros para interpretar com os melhores nomes femininos do bel canto as suas
Óperas.
A canção, "Nessun
Dorma" da Ópera Turandot de Puccini foi durante largos anos classificada
com a sua melhor interpretação de sempre
e foi distinguida como tema de abertura da Copa do Mundo em 1990. De salientar a sua amizade com
muitos dos seus colegas cantores, sobressaindo naturalmentea que o ligou a Plácido Domingo e José
Carreiras que constituíram o grupo "Os Três Tenores" que percorreram
o mundo com espectáculos de grande qualidade artística.
Pavarotti foi sempre um
artista que dedicou grande parte do seu trabalho, em prol de causas
humanitárias, a favor dos pobres, dos desprotegidos e das crianças vítimas das
guerras. Amigo de Diana a Princesa de Galles, o cantor, contribui voluntariamente
nas suas campanhas com o fimde acabar
com as minas terrestres que deixou milhares de inocentes incapacitados para a
vida inteira.
Em 1998 foi indicado pelas Nações
Unidas, como Mensageiro da Paz, tendo sido agraciado com numerosas condecorações
de Organizações Mundiais. A sua carreira foi também premiada por muitas instituições
públicas e governamentais que distinguiu o seu trabalho e as colectâneas que
editou não só em música clássica, mas também em música popular e até em música
ligeira.
Pavarottifaleceu em 06 de Setembro de 2007, vítima de
doença cancerosa. No seu funeral em Modena, juntaram-se à enorme multidão,
alguns nomes famosos que eram seus amigos, como Andrea Bocelli, José Carreiras,
Bono Vox, Romano Prodi e Kofi Annan. O Juventus Futebol Club de que Pavarotti
era um dos melhores fãs, colocou no seu site como homenagem a seguinte legenda:
Pavarotti, coração negro e branco. E nós simples mortais temos a obrigação em
sua memória de o ouvir sempre e divulgar o enorme repertório que nos deixou.
CV-12.10.12 Martins Raposo
terça-feira, 9 de outubro de 2012
VIOLETA PARRA
A MÃE DA MÚSICA DE INTERVENÇÃO
Violeta Parra, compositora e cantora chilena, nasceu em São Carlos, a 04 de Outubro de 1917. Iniciou a sua carreira de cantora muito jovem, actuando com os seus irmãos nos mais variados sítios, aperfeiçoando-se profissionalmente de forma autodidacta. Do seu primeiro casamento teve dois filhos que escolheram a música como profissão.
Foi nos anos 50 que Violeta iniciou as suas pesquisas sobre a música popular chilena, aproveitando essesconhecimentos para fazer as suas composições musicais que muito em breve a tornariam famosa. Criou o seu programa de rádio o que ajudou a difundir o seu trabalho que ia aumentando o repertório com um talento e qualidade invulgar.
Em meados da década de 50 viajou pela Europa, tendo gravado em Londres na BBC e em Paris, nos Chant du Monde.
Voltou a Santiago do Chile
em 1957, percorrendo o país, dando espectáculos e ao mesmo tempo recolhendo músicas
nos locais por onde passava.
O seu enorme talento musical
aliado a uma forte personalidade imprimiram nas suas composições uma forte
componente política e social, declaradamente de esquerda vertical e coerente,
na defesa dos mais desfavorecidos. As letras dos seus poemas que não são só de
natureza panfletária estão imbuídos de um lirismo simplista e popular.
Obrigada a refugiar-se na Argentina,
teve a sorte de ver o seu trabalho apreciado por multidões que assistiam aos
seus espectáculos, obtendo sucessos memoráveis.
Só regressou ao seu País em
1965, trazendo na bagagem um projecto de grande alcance cultural. Violeta
propunha-se criar um lugar que se convertesse num centro de referência para a
cultura folclórica do Chile. Neste projecto magnífico, trabalharam os seus
filhos do primeiro e do segundo matrimónio. A sua dedicação e o apaixonado
empenho com quem trabalhou para concretizar este sonho, acabaram por lhe
prejudicar a saúde que piorou ao verificar o seu insucesso.
Sabemos hoje que este
fracasso acumulado com uma recente desilusão amorosa a atingiu emocionalmente
de forma dramática e que terão sido estas as causas da sua morte. Violeta Parra
suicidou-se a 05 de Fevereiro de 1967. Violeta Parra, deixou-nos
uma obra fantástica, com canções que se tornaram imortais e muitas outras que
ficaram como hinos de revolta e de solidariedade para com os mais fracos.
Muitos foram os músicos que deram e continuam a dar seguimento à sua obra e em
todo o mundo onde houve injustiças a sua voz foi lembradae repetida, servindo de inspiração a outros
grandes músicos. Lembremos apenas algumas como "La Carta",
"Volver a los 17", "Que Pena Siente El Alma", "Paloma
Ausente", "Hace Falta UnGuerrillero"
e "Yo Canto a la Diferencia".
No seu país os ,mais
próximos foram Vítor Jara e Mercedes de Sosa. Mas na mesma data ou em datas
precedentes, apareceram as vozes de Milton Nascimento, Chico Buarque, Ellis
Regina, Bob Dylan, Joan Baez, Serge Regginani, Jaques Brell, Léo Ferré,
Juan Manuell Serrat, Paco de Lúcia, Patxi Andion, Zeca Afonso, Adriano, Luís Cília, Ellias Diá Kimuenzo, Carlos Vieira Dias, etc.etc.etc.
Foram duros anos de luta,
contra as ditaduras militares, o franquismo, o salazarismo e o nazismo.Mas
nesses tempos os homens grandes se levantavam firmes e corajosos, colocando o
seu talentoao serviço da resistência em prol dos mais desfavorecidos. Os
tempos eram de sombras e traições,muitos perderam a vida na sua luta, mas logo
eram substituídos por outros que com a mesma valentia davam seguimento à luta
pela liberdade e pela democracia.
Chegados ao nosso tempo,
verificamos que a terra volta de novo a ser ensombrada por monstruosas
criaturas que tudo têm feito para destruir o que foi feito de bom ao longo dos
séculos, e tentam aprisionar o povo, impondo medidas cada vez mais injustas,
tentando aniquilar de vez a liberdade e a democracia. No meio desta guerra de
autodestruição o medo lança as suas garras destruindo a moral e a força
necessária para fazer frente a estes novos "neofascismos". Não
tardará que comecem as perseguições às instituições e pessoas que ainda vão
lutando com as suas parcas forças.
Noutros tempos, havia escritores, poetas e artistas que se rebelavam declaradamente contra a repressão das ditaduras fascistas, contra o nazismo, contra todas as injustiças, mas agora muitas dessas pessoas preferem digladiar-se por coisas fúteis e mesquinhas do que aliarem-se em volta dos ideais democráticos que fingem defender, colocando o seu talento ao serviço da liberdade que nos querem roubar. Por isso é que me parece importante que relembremos o Zeca, o Vítor Jara, o Chico, o Paco, a Mercedes, o Dylan e sempre, sempre a Grande VIOLETA PARRA! HASTA SIEMPRE!
CV - 04-10-2012 Martins Raposo
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
LOUIS ARMSTRONG,
UM DOS MAIS FAMOSOS JAZZEMAN DO MUNDO
Este músico e compositor, nasceu no início do Sec. XX, mais precisamente a 04 de Agosto de 1901 e com ele nascia um novo estilo musical que ficaria conhecido como o Jaz. Ao contrário de muitos outros estilos e ritmos, este continua bem vivo ainda hoje.
Louis, nasceu em Nova Orleans, no seio de uma família muito pobre e a sua primeira Trompete, foi comprada com dinheiro emprestado por uma família amiga. Para ajudar a família, trabalhava como ardina e como sapateiro, mas à noite ia para os bares ouvir música e aos 11 anos formou com outros jovens, um quarteto que actuava nas ruas.
Aos 13 anos já se fazia notar com os seus solos de trompete e pouco a pouco ouvindo os músicos mais velhos e principalmente o Joe “King” Oliver que se assumiu como professor e mentor do jovem Louis que em 1922, acabou por integrar a “Creole Jaz Band” que pertencia àquele músico.
Louis Armstrong tocou nas melhores orquestras e com os melhores músicos do seu tempo, actuando nas cidades de Nova Orleans, Chicago e Nova Iorque que naquele tempo acolhiam este novo estilo musical com grande entusiasmo. Ele próprio constituiu algumas bandas de Jaz, como os “Hot Five e Hot Seven” e os “All Stars”, nas quais participaram músicos muito bons. Nas suas canções mais famosas, Hello Dolly, What a Wonderful World, Stardust, Basin Street Blues, Wen Saint In Marchin, ele tocava e cantava, com a sua voz rouca com um timbre muito especial.
Louis Armstrong entrou em muitos filmes, na sua maioria filmes musicais e nos quais interpretava as suas melhores canções.
Para além de ter tocado com as orquestras e músicos mais famosos da sua época, Louis Armstrong teve ao seu lado as grandes vozes femininas do Jaz, Bessie Smith, Ella Ftzgerald, Billie Holiday, são algumas das grandes divas que com ele partilharam os seus melhores êxitos.
A vida sentimental deste grande músico foi muito acidentada, vivendo e provocando enormes paixões. Casou quatro vezes e com excepção da primeira mulher, todas as outras o ajudaram na sua carreira musical.
Como cidadão e apesar de ter sofrido injustamente algumas críticas de sectores radicais, o facto é que muitas das suas composições tiveram forte influência da filosofia política de Martins Luther King.
Depois de Louis Armstrong, muitos outros músicos atingiram a mesma fama e o sucesso no jaz, mas ele teve a glória de ter sido um dos primeiros que ajudou com o seu enorme talento a valorizar este novo estilo musical. Ainda hoje serve de exemplo e referência para todos os jovens que se iniciam nesta arte.
Louis Armstrong esteve sempre muito ligado à sua terra. Nova Orleans foi uma das primeiras cidades que pelas características especiais, pelos seus habitantes e pela sua cultura, ajudou a implantar o Jaz nos seus bares e clubs. Daí que Louis tenha dito que “Todas as vezes que eu fecho os meus olhos tocando aquele meu trompete, eu olho logo no coração da boa velha Nova Orleans… Ela deu-me algo pelo que viver.”
O grande Satchmo, faleceu em 06 de Julho de 1971, alguns meses após ter tocado o seu último solo na Sala Imperial do Waldorf- Astoria. Eu tive o meu trompete, uma vida linda, uma família, o Jazz. Agora estou completo. Estas foram as últimas palavras de Louis Armstrong. Um dos mais famosos Jazzmen de todos os tempos e um dos meus músicos favoritos.
Martins Raposo
CV – 04.08.2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
RUI VELOSO UM GRANDE MÚSICO
Rui Veloso nasceu em Lisboa no dia 30 de Julho de 1957, mas logo aos três meses a sua família mudou-se para o Porto que o músico adoptou como sendo a sua terra. Sempre apoiado pela sua família, começou muito jovem a tocar, primeiro harmónica e logo a seguir a guitarra eléctrica, tendo constituído com outros jovens o grupo, “Magara Blues Band”. Nesta altura as suas maiores influências musicais provinham do famoso B.B. King com o qual se identificavam as suas composições de blues.
Outro famoso que Rui seguiu muito de perto, foi o célebre guitarrista Eric Clapton, tendo dado origem a que Rui Veloso fizesse algumas das composições com o ritmo frenético do rock´n´roll, no entanto a sua abordagem neste estilo, teve o apoio de Carlos Tê que como letrista de grande valor, contribuiu para que pela primeira vez se cantasse com grande êxito o rock em português.
Chico Fininho, Sei de Uma Camponesa e Rapariguinha do Shopping, foram duas das canções, do Álbum “Ar de Rock”, que alcançaram enorme sucesso no nosso país. Estava lançada a sua carreira, mas Rui Veloso não ficou amarrado apenas a um estilo, muito embora o “ritmo do blues”, tenha acompanhado até hoje as suas composições musicais.
Nos anos 80, editou o Álbum “Guardador de Rebanhos” com a colaboração do grande compositor, António Pinho Vargas, tendo ainda lançado o Álbum “Fora de Moda”. Nestes Álbuns nota-se um aumento significativo na qualidade das suas interpretações.
A amizade com Carlos Tê, tem-se mantido em todos estes anos, até à actualidade e esta dupla de músico e letrista têm dado os melhores frutos para a carreira de ambos. Porto Covo e Porto Sentido marcam definitivamente o seu estilo pessoal, dentro dos blues, mas mais lento e com música e letra muito acessível mas sempre com grande qualidade.
Os anos 80 são os tempos dos grandes concertos e das digressões por todo o país que confirmam o seu talento e lhe dão os melhores prémios e sucessos da sua carreira.
No início da década seguinte com a edição do duplo álbum “Mingos& Samurais” Rui Veloso vou o seu trabalho premiado com o Disco de Platina, tendo as vendas ultrapassado as 100.000 unidades.
B.B. King veio a Portugal dar um concerto no Coliseu do Porto e outro no Casino do Estoril em Lisboa, convidando o Rui a acompanhá-lo nesses concertos. Mais tarde em 1996 o famoso guitarrista de blues veio ao Coliseu dos Recreios em Lisboa, repetindo-se a colaboração com o nosso músico. Tive a felicidade de assistir a este memorável espectáculo com a ajuda de um amigo, o Carlos Marques, que conseguiu ultrapassar as dificuldades em arranjar bilhetes. Foi fantástico!
Rui Veloso participou na primeira parte do concerto que Paul Simon deu no estádio José de Alvalade, na presença de mais de 50.000 espectadores.
Em 1991, lançou o álbum “Auto da Pimenta” e em 1995 o “Lado Lunar” que alcançaram um enorme êxito a juntar a tantos outros que tem alcançado ao longo da sua carreira. Também estes trabalhos tiveram a participação de Carlos Tê que tem sido um amigo e colaborador inestimável.
Rui Veloso esteve envolvido em projectos musicais com outros músicos. Entre muitos outros o destaque para a sua participação no grupo “Rio Grande”, nos quais estiveram presentes, Vitorino, Jorge Palma, o Tim e o João Gil.
São numerosos os prémios alcançados com o seu trabalho. Para além do já mencionado Disco de Platina, registe-se ainda, uma Medalha de Mérito da Cidade do Porto e o Globo de Ouro com que foi premiado em 1999.
Estes são sucintamente alguns dados sobre a vida artística de Rui Veloso, compositor e intérprete de grande mérito. Ele foi um dos protagonistas da música rock e dos blues em português, o que na verdade não tem sido possível de prosseguir e tão pouco de igualar com o talento e capacidade artística de Rui Veloso.
Muito ainda temos a esperar de Rui Veloso mas é justo salientar desde já o valor insuperável da sua obra. Parabéns e felicidades!
CV-30.07.2012
Martins Raposo
segunda-feira, 23 de julho de 2012
MARIA JOÃO PIRES
UMA DAS MELHORES PIANISTAS PORTUGUESAS
Maria João Pires nasceu em Lisboa, no dia 23 de Julho de 1944. Menina-prodígio com uma inclinação musical fora do vulgar, começou a tocar com cinco anos e deu o seu primeiro concerto aos sete com uma peça de Mozart. Este compositor seria aliás um dos seus preferidos durante a sua longa carreira que entretanto foi aumentando os seus conhecimentos musicais, nos melhores Conservatórios da Europa. Em Portugal estudou com os Professores Campos Coelho e Francine Benoit
Em 1970, ganhou o 1º. Prémio do Concurso do Bicentenário de Beethoven, realizado em Bruxelas, o que lhe valeu o reconhecimento internacional como pianista de grande mérito.
Seguiram-se os espectáculos por todo o mundo, actuando a solo, ou acompanhando grandes orquestras sob a batuta de famosos maestros e compositores. O seu repertório criteriosamente escolhido em obras de Mozart, Beethoven, Schuman, Schubert e Chopin, aumentou o enorme prestígio junto de um vasto mas exigente público que continua a preferir os grandes clássicos.
Maria João Pires foi uma das intérpretes seleccionadas para integrar a colecção discográfica, “Great Pianists Of The 20th Century” editada no ano 2000 pela Philips.
Com uma carreira fulgurante recheada de enormes êxitos, a pianista que entretanto tinha alcançado o mais cume da fama, viu-se rodeada de muitos amigos que professavam a mesma paixão pela música. Uns como intérpretes, outros como professores, incentivaram a nossa pianista na criação pessoal de um enorme projecto de ensino da música e do bailado, a que deu o nome de Centro Para o Estudo das Artes em Belgais – Castelo Branco”.
Chegados aqui, permitam-me o desabafo – Os responsáveis políticos e governamentais do nosso país, não têm uma relação saudável com as artes e os seus criadores. São inúmeros os exemplos de incompreensão e por vezes até de perseguição a que escritores e artistas de grande mérito têm sido confrontados. A perversa tacanhez, ignorância, inveja, e a maldade de certos responsáveis pela cultura, têm dado azo a que a maior parte dos nossos geniais intérpretes, compositores e escritores, tenham que emigrar para sobreviver.
Com Maria João Pires foi o que aconteceu, perante um projecto que em qualquer parte do mundo seria apoiado e acarinhado (até da Venezuela nos vem o exemplo do extraordinário trabalho nesta área), aqui o que a pianista recebeu foi uma constante obstrução por parte de pessoas altamente responsáveis que tudo fizeram para destruir o Centro de Artes de Belgais. Não há talento por mais força e arte que tenha que consiga sair vitorioso contra a ignorância, e a estupidez arrogante dos poderosos.
Maria João Pires que para além de ser uma genial pianista, tem valiosos conhecimentos musicais e estava acompanhada por amigos com prestígio que estavam empenhados em ajudar no bom funcionamento do Centro. O país só tinha a ganhar. Com o fim deste projecto o país ficou mais pobre.
A sua desistência do projecto deve ter sido muito traumática para a artista. Por isso não me surpreende que a sua mágoa a tenha levado para outras terras. Quem sabe, talvez nesses lugares consiga alcançar o objectivo que sonhou realizar em Portugal.
Não é difícil gostarmos de Maria João Pires, como intérprete e como pessoa. Lutadora pelos seus ideais, vertical e humanista, merecia ter vencido, aqui onde nasceu.
Neste dia do seu 68º. Aniversário aqui fica a minha modesta mas sentida homenagem e a solidariedade de um seu admirador, eternamente grato pelo que conseguiu fazer, na divulgação e no ensino musical.
Parabéns e obrigado Maria João Pires!
Martins Raposo
CV-23,07.2012 http://youtu.be/srfbdxAYIZ4
sábado, 21 de julho de 2012
ERNEST HEMINGWAY UM DOS MELHORES ESCRITORES AMERICANOS
Hemingway, é um dos grandes escritores americanos por quem nutro uma profunda admiração e respeito pela sua obra de incomensurável valor. Já em tempos escrevi sobre o seu livro “O Velho e o Mar” que na altura associei a uma grande figura de quem fui amigo e que morreu em circunstâncias trágicas na Foz do Rio Kwanza, em Angola. Mas hoje não se trata de falar do António Luís, foi um dos melhores pescadores de espadarte em toda a África Austral. Morreu tentando salvar o Pai, na rebentação do Rio.
O “Papa Hemingway” viveu furiosamente, ardendo de paixões desenfreadas por belíssimas mulheres. As suas aventuras ficaram inscritas nos seus livros que são ao mesmo tempo um documento fantástico sobre uma época e sobre os acontecimentos mais marcantes do Sec. XX, como foi a Guerra Civil Espanhola que registou no livro “Por quem os Sinos Dobram” e da IIª. Grande Guerra, com o livro, “O Adeus às Armas”. Em Espanha apaixonou-se pela tauromaquia e conviveu de perto com os mais famosos toureiros. Desta sua experiência resultou o livro “O Sol também se Levanta”. Gostava de pescar e de caçar, o seu livro “As Verdes Colinas de África”, reproduzem cenas de caça inigualáveis.
Ernest Hemingway foi um escritor que abraçou causas nobres tendo sofrido alguns reveses e perdido algumas amizades, pelas suas opções corajosas.
Hemingway, nasceu em Oak Park, no dia 21 de Julho de 1899 e suicidou-se no ano de 1961, no dia 02 de Julho. Tal como a maioria dos seus personagens o seu fim foi uma tragédia pessoal e uma grande perda para a literatura.
Aqui fica o registo e o apreço pelo escritor e pelo homem que se identificou no seu tempo com povos cujos dramas conheci de perto, embora em contextos diferentes.
Martins Raposo
CV-21.07.2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA
“UMA ESTRELA GIGANTE”
Foi um “GIGANTE DA CULTURA POPULAR PORTUGUESA” com talento, grande generosidade e uma paixão determinada na defesa dos valores da nossa cultura popular, servindo-se da sua belíssima voz para divulgar os melhores poetas portugueses, escolhendo naturalmente todos aqueles que de acordo com os seus ideais defendiam a conquista da Liberdade, numa altura em que as “hienas” ao serviço da ditadura salazarenta perseguiam todos os que se erguiam em defesa dos valores Democráticos e Progressistas. “O que pretendo fazer – afirmou Adriano nos inícios da sua carreira – é, honestamente, renovar a música portuguesa, tentando um caminho que não seja o único, dizendo às pessoas algo mais do que as chachadas”alienatórias que por aí se cantam”.
Quando Adriano chega a Coimbra em 1959, segue na esteira de Edmundo Bettecourt, Artur Paredes, Fernando Machado Soares e do Zeca Afonso, dando o seu melhor para a criação do movimento da balada que apostava fortemente na mudança de novos ritmos e letras que se inseriam na nova cação de resistência.
Nesta fase Adriano dá a sua voz a poemas de Reinaldo Ferreira, Manuel Alegre, Fiame Hasse Brandão, Urbano Tavares Rodrigues e Borges Coelho. Com músicas de José Afonso, Luís Cília, José Niza, António Portugal e Rui Pato. Ao mesmo tempo apresentava com sucesso as suas próprias composições. Vivia-se o tempo da Praça da Canção em Armas por um novo mundo.
Em 1963, grava o EP, “Trova do Vento Que Passa”, um Poema de Manuel Alegre, com António Portugal e Rui Pato a acompanhar a voz de Adriano que nos diz: “Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de Servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não.”. Esta canção torna-se de imediato um dos maiores hinos de resistência e de contestação ao regime ditatorial, a par dos “Vampiros” de Zeca Afonso, gravado no mesmo ano.
O “Canto e As Armas”n editado em 1969, com poemas de Manuel Alegre, marca uma data histórica na nova canção portuguesa, anunciando com coragem invulgar os ventos de mudança da História. Segue-se o álbum “Cantaremos” com Poemas de Rosália de Castro, Manuel Alegre, António Gedeão e Assis Pacheco, com o apoio musical de Rui Pato, José Niza e Carlos Alberto Moniz.
O Outono de 1971 marca de facto, o momento mais importante da mudança radical, imposto pelo movimento da “Nova Canção” com “Cantigas de Maio” de Zeca Afonso, “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, “Os Sobreviventes” de Sérgio Godinho e “Gente Daqui e de Agora” de Adriano Correia de Oliveira. Sobre este movimento recolhemos o depoimento de José Niza que nos dizia – “Foi esse Outono, um Outono musical histórico. O Outono de uma viragem decisiva na evolução da música popular portuguesa”.
O álbum “Gente Daqui e de Agora” é uma das obras imprescindíveis para compreendermos a evolução da MPP, seguindo rigorosamente os princípios enunciados por Adriano que nos diz – “A intenção é a de dar voz à poesia que tratem de temas que tenham a ver com a nova realidade social”. Na canção “E Alegre Se Fez Triste” Poema de Manuel Alegre, ouvimos a voz do Adriano – Aquela clara madrugada que/viu lágrimas correram no teu rosto/ e alegre se fez triste como se/ chovesse de repente em pleno Agosto…
Quando chegámos ao 25 de Abril, Adriano lançou o álbum “Que Nunca Mais” com poemas de Manuel da Fonseca que na altura a crítica considerou um dos melhores álbuns do cantor. Uma das canções mais famosas deste álbum, “Tejo Que Lavas No Rio” que muita gente desconhece ser daquele escritor Alentejano.
Os anos próximos são de grandes e pequenos espectáculos, percorrendo o País de lés a lés, passando por cidades e aldeias, levando a mensagem das suas canções de intervenção, junto de um povo que em muitos sítios nunca tinha ouvido a sua voz e a sua música. Fazia esse trabalho junto do povo, com imensa alegria, generosamente, não recebendo nada em troca, para além de um bom petisco e um bom vinho de que era apreciador.
Os anos passam e algumas situações políticas trazem-lhe o amargo da desilusão. Já então os “fariseus” da política portuguesa, se lançavam encarniçadamente contra os ideais do 25 de Abril, atacando as suas conquistas mais emblemáticas, como foi o caso da Reforma Agrária que começou logo no ano de 1975, no Governo de Mário Soares, com António Barreto, ambos servirem de carrascos destruidores de uma das mais belas conquistas da Revolução.
Adriano lança em 1978, “Notícias de Abril” que relatam a sua experiência em Trás-os-Montes, junto de um povo que ainda tinha muito por descobrir da sua música tradicional e popular. A canção “na Herdade dos Cortiços” põe nas palavras de um pastor essa frase de imenso significado –“Homem que manda no homem/como quem manda no gado/não cabe aqui entre a gente…”. É mais uma canção de denúncia, mas cheia de esperança.
Apesar das contrariedades, do silêncio a que parte da comunicação social ostensivamente o cercavam, Adriano continuava incansável a trabalhar em projectos musicais de grande qualidade, como foi o álbum “Cantigas Portuguesas” uma obra feita com o brilhante profissionalismo a que o artista já nos habituara., onde pontuam as canções: Lira, Canto dos Ceifeiros e Quando eu Chegar ao Barreiro e a Canção do Linho” que nos diz: “Já se vai tecendo no Norte/um linho novo/Já se vai mudando a sorte/da nossa gente/ do nosso povo…ou então este verso tão denso e esperançoso – “Eu canto o Alentejo novo e colectivo/ Como quem canta um amigo que parte/Ninguém pode vencer um povo que resiste/ E tem Catarina por estandarte”.
Adriano morre no dia 16 de Outubro de 1982, em Avintes, sua terra natal, tem apenas 40 Anos de idade e uma montanha de projectos por concretizar, alguns já quase em fase de conclusão e que serão postumamente editados.
Todos os Escritores, Poetas, Músicos e Compositores que trabalharam com o Adriano Correia de Oliveira ou que simplesmente tiveram o privilégio de o conhecer, são unânimes em lhe tecerem os maiores louvores, reconhecendo o seu génio como intérprete e compositor e ao mesmo tempo a verticalidade e coerência com que sempre defendeu o seu ideal humanista. Defensor acérrimo dos mais desfavorecidos, incansável lutador da liberdade, da fraternidade e da igualdade.
José Niza, caracteriza assim o Adriano –“ Porta-voz da juventude dos anos difíceis de 60, trovador da resistência ao fascismo e à guerra colonial, Adriano cantou os grandes poetas da sua geração. O que Manuel Alegre escrevia na clandestinidade, no exílio, na guerra, Adriano cantava. E, cantando, a poesia ganhava novas dimensões, andava de boca em boca, transformava-se em armas corrosivas do sistema, impossível de encarcerar – Não se pode cortar a raiz ao pensamento – como diz o Poeta”.
Manuel Alegre na hora da despedida do grande cantor, também não lhe poupou elogios: “Adriano Correia de Oliveira foi e é um dos grandes símbolos duma luta de uma geração. Uma geração marcada, que ao longo deste ano viu partir alguns dos seus. Ele foi o mais corajoso dos trovadores do seu tempo, o mais generoso. O que mais deu e o que menos quis para si”
Vou terminar esta pequena homenagem registando mais uma vez as palavras de um dos seus melhores amigos, que nunca o traiu, nem abandonou e que definiu quanto a mim de uma forma absolutamente genial o verdadeiro carácter e a personalidade de uma dos melhores cantores de todos os tempos. As palavras finais são de José Niza: “Disse há dias numa entrevista que o Adriano era o Salgueiro Maia da revolução dos cravos que as suas canções ajudaram a fazer. É que ele arrancou com elas como se fossem carros de combate que, naquela noite de Abril, saíram de Santarém. Sem medo, como Salgueiro Maia. Não quis benesses. Não quis coisa nenhuma, como Salgueiro Maia. Não tirou o lugar a ninguém. E assistiu paciente, à subida daqueles que trepavam nas suas costas. Sem sequer os sacudir. Morreu pobre, como sempre foi, não quis enriquecer, não quis servir-se do seu nome para ser vedeta. Não cedeu a ninguém, a nenhuma coisa. Não se vendeu por preço nenhum”.
O nosso país tem tido ao longo da sua história alguns heróis que lutaram pelas suas ideias até à morte. Grande parte foi deliberadamente esquecida com as habituais barras de silêncio impostas por pessoas que têm interesse em reescrever a história à sua maneira, servindo-se de todos os falsos pretextos para destruir os feitos e as obras, daqueles que se baterem pelos ideais da democracia e da liberdade.
Adriano Correia de Oliveira, tem sido vítima deste processo. Digamos o mesmo em relação a todos os seus companheiros de que relembrarei alguns dos nomes, como Carlos Paredes, Fausto, José Jorge Letria, Sérgio Godinho, Francisco Naia, Fernando Tordo, Luís Cília, Zeca Afonso, Vitorino, José Mário Branco, Luísa Basto, Samuel, Padre Fanhais, Pedro Barroso, Pedro Caldeira Cabral, José Barata Moura, Júlio Pereira, Maria Guinot, Rão Kyao, Carlos Mendes, Ermelinda Duarte, Janita Salomé, Manuel Freire e muitos, muitos outros.
A indicação destes nomes que alguns críticos podem acintosamente dizer que nem todos foram heróis da resistência e já não falo dos Grupos Musicais que os houve também de grande valor, eu direi apenas que nunca é demais lembrarmos as vítimas do ostracismo e do silêncio imposto para que os mais novos não cheguem a conhecer os nossos cantores mais emblemáticos na luta contra o fascismo. "A lavagem da história" continua e os seus hediondos autores continuam a sua obra destruidora e criminosa.
Recuso-me a assinalar os nomes com graus de distinção ilimitada. Quero dizer, tenho sérias dificuldades em dizer – este ou aquele é o maior de todos! Tenho uma grande admiração por todos que dentro das suas capacidades, conhecimentos e qualidades naturais souberam impor a sua obra, mas repugna-me ouvir gente de duvidosa estirpe, classificar hipocritamente como o maior, seja ele, cantor, músico, poeta ou escritor, como sendo o maior de todos, deixando muitos jovens na dúvida. Por isso considero que todos os nomes que mencionei tiveram e alguns felizmente ainda têm o direito de pertencer a essa grande plêiade de lutadores pela Democracia e pela Liberdade.
Adriano está entre os maiores cantores de todos os tempos! É sem dúvida um dos heróis do 25 de Abril.
VIVA O 25 DE ABRIL!
25 de Abril de 2012
NOTAS: In Livro "Adriano Correia de Oliveira -Vida e Obra por Mário Correia