FOI PRECISO AO HOMEM MUITO TEMPO PARA SE ELEVAR ACIMA DA NATUREZA!

TODA A ARTE É CONDICIONADA PELA SUA ÉPOCA... De Ernst Fischer
















sexta-feira, 24 de outubro de 2014

                           VILA DE OLHÃO DA RESTAURAÇÃO
                           Um Breve Olhar...
O nome de Olhão terá derivado da palavra árabe "Al-Main" que  significa fonte nascente. Dos árabes ou simplesmente da tradição popular que diziam que o nome derivava de uma nascente a que deram o nome de "Olho de Água",  não difere muito do termo  histórico inicial.
Nos tempos modernos, sabemos que o lugar foi  habitado por pescadores que saíram de Faro e arredores e que  foi aumentando graças às condições naturais de abrigo das suas embarcações e reunir as condições ideais para sair da barra sem o controlo das autoridades daquela cidade.
Estes pescadores construíram as suas casas de modo tosco e artesanal, mais parecidas com cabanas vulgares. Isto aconteceu em meados do Sec. XVII.
Com o desenvolvimento económico e o aumento da população Olhão obteve o estatuto de Freguesia e a partir do Séc. XVIII, os Olhanenses foram autorizados a construir as suas moradias em pedra e alvenaria. O edifício mais importante desta época foi a Igreja de Nª.Sª. do Rosário que funcionava como a igreja matriz.
Em 1765 o Rei D. José, atendendo ao pedido dos Olhanenses, concedeu-lhes o "Compromisso Marítimo" que lhes outorgava a autonomia em relação a Faro.
A 16 de Junho de 1808 a população revoltou-se contra a ocupação francesa que resultou num movimento de contestação   em toda a região, resultando daí a expulsão dos franceses do Algarve. A seguir Olhão decidiu enviar uma embarcação  ao Brasil onde se encontrava a corte do Rei D. João VI informando-o do grande feito. O Rei condecorou os valentes marinheiros que atravessaram o Atlântico num pequeno "Caíque" chamado  "Bom Sucesso". Existe uma cópia do referido caíque atracado ao pé do Mercado.
No dia 15 de Novembro de 1808 o monarca através de um alvará concedeu a Olhão o nobre título de "Vila de Olhão da Restauração". A partir desta data o desenvolvimento económico com as pescas e Empresas de Conservas, cresceu a um ritmo extraordinário, aumentado enormemente a sua população até ao Sec. XXI.
A primeira vez que visitei esta cidade foi em 1968 quando vindo da então chamada "Província de Angola" de férias à Metrópole resolvemos eu e o Renato passar pelo Algarve, aproveitando a viagem para visitar um amigo que tinha andado a estudar na Escola Comercial e Industrial Júlio das Neves na mesma turma que eu frequentava na cidade de Tomar.
Tratava-se do José António Rodrigues de Campos que nesta altura morava em Ferreiras, próximo de Albufeira.
O Amigo José António e a Família recebeu-nos com toda a simpatia e carinho, deu-nos comida e dormida  que aproveitámos para visitar Albufeira e Quarteira onde acabámos por acampar no Parque da Orbitur. Daqui partimos para Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Stº. António.
Olhão, era nos anos sessenta, uma Vila em grande expansão urbanística, mas o seu casario despertava-nos enorme curiosidade pela simetria rectangular das  casas com os seus terraços uniformes,  as bonitas e decorativas chaminés, as varandas e os azulejos que predominavam nas casas apalaçadas. As ruas eram muito estreitas tendo uma avenida bastante larga e comprida que parecia dividir a Vila em duas partes distintas, sendo que um dos lados era a chamada zona histórica que ia até junto do Porto de Pesca. Já havia os dois mercados, um do peixe e outro de hortaliças que nos deixaram espantados pela quantidade e boa qualidade do pescado.
Os pescadores são por natureza muito religiosos e aqui se ergueram para além da igreja de Nª. Sª: do Rosário e de Nª. Sª. da Soledade que formam com a Capela do Senhor dos Aflitos o conjunto monumental  e religioso da cidade.
Para além de serem muito ciosos das suas tradições mantêm um tendência natural para contarem histórias muitas delas vividas no mar. Guardam na memória as lendas antigas que seus ancestrais foram passando de geração em geração. Como exemplo temos a lenda da Moura Floripes.
Só voltei a Olhão nos anos 80, depois de ter conhecido quase todos os Parques de Campismo do Algarve. Acabámos por nos fixar no Parque do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas em Olhão, não só por ser o mais barato para nós, como o facto de estar junto à Cidade e também pelas boas infra-estruturas que incluem um Restaurante, um pequeno Super Mercado, duas piscinas de crianças e de adultos, bastantes casas de banho e sombras magníficas dos pinheiros mansos que faziam parte do famoso "Pinhal de Marim".
Naqueles vinte anos de ausência a Vila tinha-se transformado numa bela cidade, sem se descaracterizar na sua parte mais antiga, alargou-se para os campos com belas avenidas e prédios modernos, alguns exageradamente altos confrontando-se com a arquitectura tradicional, mas nada que se compare por exemplo com a Freguesia de Quarteira que ficou completamente ensombrada com imensos apartamentos alinhados uns aos outros abafando por completo o casario que nós admirávamos.
A cidade de Olhão alargou e embelezou o seu espaço de lazer prolongando os seus jardins de um lado e outro do bonito mercado  junto à Ria. Modernizou a sua Biblioteca,  construiu-se um elegante auditório municipal e um Centro de Saúde bem apetrechado a que não faltou a implantação da Ria Shoping com lojas comerciais, restauração, cinema e um supermercado.
Neste ano de 2014, o novo Presidente da Câmara resolveu melhorar alguns locais da cidade com os arranjos de alguns pátios com novos pavimentos e colocando no largo do Patrão Joaquim Lopes uma bonita estátua da moura "Floripes", ligada a uma história tradicional desta cidade e outra do "Menino dos Olhos Grandes".
Nestes anos fomos sempre que possível fazendo viagens ao estrangeiro, intercaladas com a frequência do Parque de Olhão que pouco a pouco têm tomado a primazia, principalmente nos últimos anos fustigados pela crise que atingiram todos os portugueses e que em nossa casa se fez ressentir com a diminuição dos vencimentos da reforma. O Governo de Passos Coelho tem sido  o carrasco das classes mais desfavorecidas aumentando os impostos de forma injusta.
A política do Governo de Passos Coelho com as implacáveis medidas de austeridade e à subida desmesurada dos impostos levou a que por todo o país fechassem milhares de lojas do pequeno e médio comércio. Também Olhão tem sofrido com estas inclementes e destrutivas práticas de governar e temos assistido de ano para ano ao fecho de lojas desde as mais antigas à mais modernas, infelizmente nada tem escapado.
Temos visitado muitas vezes o Casal José Campos e Arnalda que têm uma bonita casinha na Ilha de Armona, onde nos oferecem opíparos manjares e actualizamos as passagens mais significativas das nossas famílias.
Este ano soubemos que a sua Família aumentou e já têm três netos, dois do filho mais velho e um do mais novo. Nós aproveitámos para lhe apresentarmos a Susana e a sua filha, nossa neta e muito querida Margarida. Visitámos o filho mais velho, o Nuno que é gerente de das agências do BES em Olhão.
Este pequeno escrito, tem duas finalidades, primeiro recordar e registar uma amizade que tem mais de quarenta anos e em segundo lugar, prestar uma pequena homenagem à cidade e às suas gentes que se têm demonstrado sempre muito simpáticas.
Da visita em Agosto de 2014
Martins Raposo

quinta-feira, 19 de junho de 2014

                                           CHICO BUARQUE
                                               UM DOS MELHORES MÚSICOS  DO MUNDO
 
Francisco Buarque de Holanda, mais conhecido como Chico Buarque, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de Junho de 1944. Filho do historiador Sérgio Buarque de  Holanda e de Maria Amélia Cesário Alvim.
Chico Buarque se notabilizou como músico, compositor e escritor. Começou a sua carreira participando nos Festivais de Música Popular Brasileira e em 1966 ganhou o primeiro prémio com a canção "A Banda" que foi interpretada por Nara Leão. A partir de então jamais parou de compor, cantar e escrever.
 
O seu estilo inconfundível  integrou-se no ritmo da Bossa Nova revelou o enorme talento para a composição com temas de grande qualidade que são distinguidos com grande sucesso no teatro e no cinema fazendo parte dos enredos que obtiveram enormes êxitos. Destacando-se nos filmes "Quando o Carnaval Chegar", "Vai trabalhar Vagabundo", By, by Brasil" e "Dona Flor e seus dois maridos". No teatro evidencia-se nas peças; "Morte e Vida de Severina", "Os Saltibancos", "Gota d'Água" e a "Ópera do Malandro".
Grande parte do seu trabalho nos anos 60 e 70, tinha uma enorme carga política e social, abertamente contra  a ditadura militar que então governava o Brasil. Foi sem surpresa o ataque à sua obra e à sua pessoa, obrigando-o a exilar-se na Itália.
Durante o exílio, Chico Buarque, compôs algumas das suas canções mais famosas, entre elas destacam-se; "Apesar de Você", "Cálice" e "Minha História".
Ao regressar ao Brasil, envolveu-se nos movimentos sociais, abraçando o "Projecto Nordeste Já" e "USA For África" . Nessa altura teve grande popularidade o compacto "Chega de Mágoa e Seca d' Água".
Além das suas peças teatrais, Chico Buarque escreveu os romances; Estorvo, Benjamim e Budapeste com o qual ganhou o prémio "Jabuti".
 
Diz o povo e a critica que o melhor intérprete das suas composições foi o próprio Chico mas a sua generosidade sempre o levou a colaborar e participar com outros grandes músicos da MPB, entre os quais se destacam os nomes de Ellis Regina, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Toquinho, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Francis Hime e Edu Lobo. Muitos deles interpretaram as suas canções.
 
 
Chico Buarque foi casado com a actriz Marieta Severo com quem teve três filhas; Sílvia, Helena e Luísa. É irmão das cantoras; Miúcha, Ana e Cristina.
 
A obra imensa e diversa de Chico Buarque coloca-o entre os grandes músicos e compositores universais e um dos melhores nomes da música popular brasileira (MPB). Já esteve várias vezes em Portugal e eu tive o privilégio de o ouvir numas das Festas do Avante no Alto da Ajuda.
Ele é de facto, um dos melhores músicos do Mundo! Parabéns e longa vida.
C.V. - 19.06.2014
Martins Raposo
 
 
 
 
 
 

Chico Buarque Apesar de Você com Letra YouTube


quinta-feira, 22 de maio de 2014

LAURENCE OLIVIER
UM DOS MELHORES ACTORES DO SÉCULO  XX
Laurence Olivier, nasceu em Dorking, na Inglaterra a 22 de Maio de 1907. Agraciado com o título de "Sir", em 1947, ganho com o enorme prestígio que alcançou como intérprete de filmes e peças de teatro.
 
Laurence Olivier participou em 121 peças de teatro e 65 filmes. Recebeu três Óscares da Academia com o Melhor Filme, Melhor Actor e o  Prémio Honorário.

Em 1940, Laurence se casou com a actriz Vivien Leigh, que entrou em numerosos filmes com o seu marido. Mas a sua fama cresceu em filmes como "E Tudo o Vento Levou" e "Ana Karenina".

Em 1970, a Rainha Elizabeth II, outorgou-lhe o título de Lorde. Foi um grande intérprete de Shakespeare destacando-se em "Júlio César", "Henrique V", "Hamlet" e "Ricardo III".
 
Foi um dos mais famosos e carismáticos actores do Sec. XX.
CV - 22 de Maio de 2014

quarta-feira, 2 de abril de 2014


Émile Zola, nasceu em Paris no dia 02 de Abril de 1840 e foi assassinado em 29 de Setembro de 1902, poucos anos após ter escrito o famoso artigo "J'accuse". Foi um dos maiores  Escritores da escola naturalista, registando no romance "Thérèse Raquin", as ideias principais deste movimento literário. Entre muitos outros escreveu, "O Ventre de Paris", "Naná" e "Germinal". Este último, é um dos seus romances o que mais gosto e admiro. Foi este título que um grupo de jovens escolheu para título de uma interessante "Tertúlia", criada em meados dos anos sessenta na bonita cidade de Luanda e a que eu tenho orgulho de ter pertencido. Ao Escritor e ao Homem eu lhe dedico estas singelas palavras no dia do seu aniversário.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014


                             A SERVIDÃO HUMANA
Este livro que acabei de reler, é uma das obras mais importantes que li até hoje. Há quem afirme que esta obra tem muito de autobiografia do autor. Somerset Maugham teve uma infância muito infeliz  tendo ficado órfão de Mãe aos seis anos e dois anos mais tarde perdeu também o pai. Ficou entregue a um tio severo e sem quaisquer dotes afectivos que o marcou para toda a vida. Somerset, passou por várias escolas, escolhendo por fim a medicina de que não chegou a exercer por ter escolhido a incerta profissão de escrever livros. A crítica mostrou-se bastante generosa para com o seu segundo livro "Liza a Pecadora" que foi realmente um sucesso de vendas. A partir desta obra o escritor abandonou de vez a medicina para se dedicar por inteiro a escrever, romances, novelas e peças de teatro.
"Os Quatro Espiões", "O Fio da Navalha", "Histórias dos Mares do Sul" e "Servidão Humana" são entre muitos outros os romances mais significativos, sendo esta última obra considerada um verdadeiro monumento da literatura mundial, aquela que me proponho aqui descrever sucintamente.
A história da personagem principal, Philipe Carey tem como já dissemos muitos pontos em comum  com o próprio autor, tendo ficado órfão muito jovem e entregue a um tio, nada compreensivo e sem grandes sentimentos fraternais.  Philipe , passa grande parte da juventude à procura de um curso que lhe preencha os sonhos visionários que lhe enchiam o espírito. Chegou a tentar a pintura mas na sua ânsia de alcançar a perfeição de um grande artista, não o conseguindo teve a coragem de abandonar o percurso e tentar outros sonhos.
Sem recursos financeiros teve que enfrentar a dureza de vários trabalhos de baixa condição. Entretanto  Philipe apaixona-se por uma jovem vulgar e de sentimentos instáveis e contraditórios o que motiva constantes desavenças. Mildred chega a ser cruel e vingativa para com o jovem que não consegue livrar-se desta paixão, mesmo sofrendo as mais terríveis humilhações.
Apesar dos desaires a nível profissional e da paixão avassaladora que o tortura e oprime, Philipe jamais deixa de tentar alcançar a liberdade por uma vida mais digna e sem peias. O que não foi nada fácil e só apôs enorme sofrimento e desilusões conseguiu fazer a licenciatura em medicina.

Com a sua carreira determinada com sucesso, conseguiu libertar-se da loucura daquela paixão impossível que quase o tinha escravizado para sempre. E o livro termina com um "hapy end", no encontro de Philipe com alguém que o compreende e por ele nutre um verdadeiro amor.
NOTAS: Somerset Maughan nasceu na Embaixada Britânica em Paris, a 25 de Janeiro de 1874 e faleceu em 16 de Dezembro de 1965. É considerado um dos melhores escritores ingleses.
CV- Fevereiro de 2014
Martins Raposo

sábado, 4 de janeiro de 2014

                      UMA PASSAGEM DE ANO MARAVILHOSA
Parafraseando o "outro", Passagens de Fim de Ano há muitas. Geralmente são Festas muito animadas, por vezes acontecem em Salões brilhantes, com grandes orquestras e onde nos rimos muito para pessoas que nunca vimos. Temos as Festas em Família, carregadas de velhas recordações e afectos sentimentais. Bebemos e comemos e jogamos às cartas. Temos também aquelas Festas em que fomos convidados por uma caterva de gente nas quais o responsável pela música tem dificuldade em acertar. Todas têm a sua importância e quase sempre ficamos com a ideia que nos divertimos a valer. Finalmente existem aquelas Festas em que se conseguem juntar os bons amigos e no qual se harmonizam os sabores com os cantares, ou sejam consegue-se a sublimação da amizade com a música criando-se  um ambiente de rara beleza e sensibilidade. Isto foi  o que aconteceu este ano de 2013!
Os cantores mais em evidência, foram o Cesino Alves e o António Manuel Busca, mas houve mais, A Lurdes João cantou o "Barco Negro" e "Manolo Mio", muito bem. Outros fizeram lá, lá, lá. Os donos da casa dançaram ao som de uma modinha portuguesa e o resto da malta animaram o serão, com alegria e boa disposição.
Aqui ficam os seus nomes para recordação, dos momentos maravilhosos  que todos ajudaram a construir numa bela noite de Fim de Ano e princípio de Outro. António João, António Manuel, Cesino Alves, Cidália Raposo, Cristina Cascão, Elisa , João dos Reis, José Pedro, José Raposo, Lurdes Cruz, Maria da Piedade, Maria de Alegria, Orminda Busca e Teresa Matos.
 
Martins Raposo, 01 de Janeiro de 2014, em Castelo de Vide e na Portagem.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

                                        CARLOS GARDEL
                             O MAIOR ENTRE OS MAIORES
É considerado um dos mais famosos intérpretes do tango argentino. O seu nascimento está envolvido em uma polémica, havendo uma cidade francesa e uma cidade do Uruguai que disputam a primazia do seu nascimento. Gardel costumava dizer: "Nasci em Buenos Aires aos dois anos de idade". De qualquer modo parece ser  Tacuarembó o lugar onde Carlos Gardel nasceu em 11 de Dezembro de 1930.
A sua fama ultrapassou fronteiras e hoje podemos afirmar que graças à sua maravilhosa voz, Gardel, pertence a todos nós, habitantes deste "controverso" Planeta.
Começou muito jovem a cantar nos bares dos subúrbios da cidade de Buenos Aires e muito rapidamente a sua voz, forte e calidamente sensual, foi-se impondo numa altura em que o Tango já estava emancipado como música popular muito procurada, por diferentes extractos sociais. Canções como "Mano e Mano", Tomo Y Obligo", "Golondrina", "Melodia de Arrabal", "Volver", "Por Una Cabeza", "Mi Buenos Aires Querido" e "El Dia Que Me Qieras", são alguns dos melhores tangos alguma vez cantados.


 
Gardel trabalhou com bons músicos, compositores e letristas do tango, entre outros convém destacar os nomes de; Guilhermo Barbieri, Discépolo, Alfredo Le Pera e Juan Dias Filisberto. A sua orquestra preferida chamava-se Terig Tucci.

A Argentina deu ao mundo muitos dos melhores músicos e cantores de Tango, porém Carlos Cardel, merece por direito próprio um lugar de destaque entre todos eles, ele foi o intérprete de quase todos os melhores tangos da sua época.

Carlos Gardel, faleceu de um desastre aéreo, na cidade de Medelin, na Colombia, no dia 24 de Junho de 1935. Tinha apenas 45 anos de idade, mas graças à sua maravilhosa voz, continua vivo em todos os corações amantes da Boa Música.
Hasta Siempre, GARDEL!
http://youtu.be/ZgcqijaUxdg
CV-11.12.2013
Martins Raposo
Notas: in - O Guia do Tango de Pierre Monete (Tad. de José Quitério e José Labaredas); Wiki.

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


                                               ARY DOS SANTOS
                                        O POETA DA REVOLUÇÃO
ARY DOS SANTOS O POETA DE ABRIL
José Carlos Ary dos Santos, nasceu em Lisboa, no dia 07 de Dezembro de 1937. Poeta, Autor de Peças de Teatro/Revista e declamador. Escreveu mais de 600 poemas destinados na sua grande maioria aos intérpretes e compositores portugueses, com alguns brasileiros e franceses, entre os quais se destacam os nomes de Simone de Oliveira, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Tonicha, Chico Buarque, Nuno Nazaré Fernandes e muitos, muitos outros. 
   Foi considerado um verdadeiro inovador nas temáticas e nos textos escritos para música ligeira.  A sua poesia começaram a chamar a atenção da crítica a partir de meados dos anos 60, revelando-se o Poeta logo no seu início, com poesia de intervenção a que intervalava com outros temas ligados ao amor, à cidade de Lisboa e canções simples sobre pessoas.
          
 
            O seu primeiro grande êxito. dá-se com a canção "Desfolhada" interpretada por Simone de OLiveira que obtém assinalável êxito através da rádio e da televisão. Seguem-se os Poemas; "Menina do Alto da Serra" que Tonicha cantou muito bem e "Tourada" com Fernando Tordo, numa interpretação com muita garra, dando um toque especial a uma letra que em igualdade com desfolhada era não só de crítica dos costumes como também política. Estas canções venceram o Festival da RTP, respectivamente nos anos de 1969, 1971 e 1973.
 
               
 Fernando Tordo, deu voz a mais alguns poemas de Ary dos Santos, tais como, "Cavalo à Solta" e "Estrela da Tarde".

Destaque ainda para os poemas que escreveu para os álbuns , "Um Homem na Cidade" e "Um Homem No País", editados por Carlos do Carmo e que tiveram enorme sucesso.
Nos anos 70 escreveu algumas peças para o Teatro/Revista. "Uma no Cravo outra na Ditadura", "Para trás mija a burra", "Ó da Guarda" e "O Calinas Cala a Boca" obtiveram assinalável êxito no Parque Mayer.
Os seus textos, assim como as numerosas letras que escreveu para canções e não só, foram marcados pelo recurso à metáfora com um forte teor satírico e de intervenção. Mas a sua obra não é apenas de crítica irónica, tem também muito de simplicidade e de lirismo. As temáticas são as emoções e as personagens arquetípicas da cidade de Lisboa, o amor, o trabalho, as injustiças sociais e a solidão.
Como declamador o seu tom de voz, forte crítica, defendendo o seu Partido a que aderiu em 1969 e ao qual se manteve sempre coerente em tida a sua vida, apesar da sua ascendência de uma família da classe média alta.
A crítica de antes do 25 de Abril, nunca lhe foi muito favorável com raríssimas excepções. Logo a seguir à  Revolução dos Cravos esteve presente no I Encontro da Música Portuguesa, ao lado do Zeca Afonso, do Adriano, do José Niza, do Fausto e de tantos outros que fizeram o memorável espectaculo do Coliseu dos Recreios. Depois durante o Verão quente esteve ao lados dos seus camaradas em inúmeras sessões de esclarecimento, declamando os seus poemas, para tal como a revolução voltar a ser ostracizado e maltratado por uma crítica que sempre foi feroz com os defensores da liberdade.
Num dia frio de Janeiro do ano de 1984 o Poeta morreu, sem coroa de flores, nem o merecimento devido de quem deu tudo de si, com amor, lágrimas, raiva e muita solidão sofrida. Tinha feito há poucos dias 47 anos de idade o que teria feito  nestes quase trinta anos que lhe foram roubados pelos "cornos" de um destino trágico.
O mundo já viu muitos dos seus génios desaparecerem com menos de cinquenta anos. Alguns se foram de bem com o mundo, recheados de sucessos e de pleno êxito pela sua obra. Não gosto de fazer comparações , mas a obra do Poeta Ary dos Santos, eleva-o perante os meus olhos, ao panteão onde foram colocados os maiores nomes da nossa poesia popular, onde figuram nomes como os de Manuel da Fonseca, José Gomes Ferreira e Manuel Alegre, felizmente ainda entre nós.
Natália Correia que prefaciou o seu livro, "As Palavras das Cantigas" chama-lhe Romântico à portuguesa, garrettiano. A Poetisa já falecida, foi uma das suas melhores amigas e que melhor o terá conhecido, nas suas horas felizes e de outras sofredoras e infernais, carregadas de um "desespero real até às fezes", mas tem o cuidado de na sua definição nos deixar a visão de um grande poeta, dividido entre "os arroubos do seu sócio-romatismo" , ex.: "Fado Operário Leal" e a "candura social que toca as raias de uma religiosidade franciscana".
Fiquemos então com a imagem de Ary dos Santos retratado por Natália Correia... o Poeta era um sentimentalão social que se desnudava para dar a roupa aos pobres, o eterno amante sem amor, enchendo esse vazio com rizadas que sabem a sangue.
NOTAS DE:   Wiqui, Enciclopédia da Música Portuguesa, As palavras das Cantigas...
CV-08.12.2013
Martins Raposo