ARY DOS SANTOS
O POETA DA REVOLUÇÃO
ARY DOS SANTOS O POETA DE ABRIL
José
Carlos Ary dos Santos, nasceu em Lisboa, no dia 07 de Dezembro de 1937. Poeta,
Autor de Peças de Teatro/Revista e declamador. Escreveu mais de 600 poemas
destinados na sua grande maioria aos intérpretes e compositores portugueses,
com alguns brasileiros e franceses, entre os quais se destacam os nomes de
Simone de Oliveira, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Amália Rodrigues, Tonicha,
Chico Buarque, Nuno Nazaré Fernandes e muitos, muitos outros.
Foi
considerado um verdadeiro inovador nas temáticas e nos textos escritos para
música ligeira. A sua poesia começaram a
chamar a atenção da crítica a partir de meados dos anos 60, revelando-se o
Poeta logo no seu início, com poesia de intervenção a que intervalava com
outros temas ligados ao amor, à cidade de Lisboa e canções simples sobre
pessoas.
O
seu primeiro grande êxito. dá-se com a canção "Desfolhada" interpretada
por Simone de OLiveira que obtém assinalável êxito através da rádio e da
televisão. Seguem-se os Poemas; "Menina do Alto da Serra" que Tonicha
cantou muito bem e "Tourada" com Fernando Tordo, numa interpretação
com muita garra, dando um toque especial a uma letra que em igualdade com
desfolhada era não só de crítica dos costumes como também política. Estas
canções venceram o Festival da RTP, respectivamente nos anos de 1969, 1971 e
1973.
Fernando Tordo, deu voz a mais alguns poemas
de Ary dos Santos, tais como, "Cavalo à Solta" e "Estrela da
Tarde".
Destaque
ainda para os poemas que escreveu para os álbuns , "Um Homem na
Cidade" e "Um Homem No País", editados por Carlos do Carmo e que
tiveram enorme sucesso.
Nos
anos 70 escreveu algumas peças para o Teatro/Revista. "Uma no Cravo outra
na Ditadura", "Para trás mija a burra", "Ó da Guarda"
e "O Calinas Cala a Boca" obtiveram assinalável êxito no Parque
Mayer.
Os
seus textos, assim como as numerosas letras que escreveu para canções e não só,
foram marcados pelo recurso à metáfora com um forte teor satírico e de
intervenção. Mas a sua obra não é apenas de crítica irónica, tem também muito
de simplicidade e de lirismo. As temáticas são as emoções e as personagens arquetípicas
da cidade de Lisboa, o amor, o trabalho, as injustiças sociais e a solidão.
Como
declamador o seu tom de voz, forte crítica, defendendo o seu Partido a que
aderiu em 1969 e ao qual se manteve sempre coerente em tida a sua vida, apesar
da sua ascendência de uma família da classe média alta.
A
crítica de antes do 25 de Abril, nunca lhe foi muito favorável com raríssimas
excepções. Logo a seguir à Revolução dos
Cravos esteve presente no I Encontro da Música Portuguesa, ao lado do Zeca
Afonso, do Adriano, do José Niza, do Fausto e de tantos outros que fizeram o
memorável espectaculo do Coliseu dos Recreios. Depois durante o Verão quente
esteve ao lados dos seus camaradas em inúmeras sessões de esclarecimento,
declamando os seus poemas, para tal como a revolução voltar a ser ostracizado e
maltratado por uma crítica que sempre foi feroz com os defensores da liberdade.
Num
dia frio de Janeiro do ano de 1984 o Poeta morreu, sem coroa de flores, nem o
merecimento devido de quem deu tudo de si, com amor, lágrimas, raiva e muita
solidão sofrida. Tinha feito há poucos dias 47 anos de idade o que teria feito nestes quase trinta anos que lhe foram
roubados pelos "cornos" de um destino trágico.
O
mundo já viu muitos dos seus génios desaparecerem com menos de cinquenta anos.
Alguns se foram de bem com o mundo, recheados de sucessos e de pleno êxito pela
sua obra. Não gosto de fazer comparações , mas a obra do Poeta Ary dos Santos,
eleva-o perante os meus olhos, ao panteão onde foram colocados os maiores nomes
da nossa poesia popular, onde figuram nomes como os de Manuel da Fonseca, José
Gomes Ferreira e Manuel Alegre, felizmente ainda entre nós.
Natália
Correia que prefaciou o seu livro, "As Palavras das Cantigas"
chama-lhe Romântico à portuguesa, garrettiano. A Poetisa já falecida, foi uma
das suas melhores amigas e que melhor o terá conhecido, nas suas horas felizes
e de outras sofredoras e infernais, carregadas de um "desespero real até
às fezes", mas tem o cuidado de na sua definição nos deixar a visão de um
grande poeta, dividido entre "os arroubos do seu sócio-romatismo" ,
ex.: "Fado Operário Leal" e a "candura social que toca as raias
de uma religiosidade franciscana".
Fiquemos
então com a imagem de Ary dos Santos retratado por Natália Correia... o Poeta
era um sentimentalão social que se desnudava para dar a roupa aos pobres, o
eterno amante sem amor, enchendo esse vazio com rizadas que sabem a sangue.
NOTAS DE: Wiqui, Enciclopédia da Música Portuguesa, As palavras das Cantigas...
CV-08.12.2013
Martins
Raposo