VILA DE OLHÃO DA RESTAURAÇÃO
Um Breve Olhar...
O nome de Olhão terá derivado
da palavra árabe "Al-Main" que
significa fonte nascente. Dos árabes ou simplesmente da tradição popular
que diziam que o nome derivava de uma nascente a que deram o nome de "Olho
de Água", não difere muito do
termo histórico inicial.
Nos tempos modernos, sabemos
que o lugar foi habitado por pescadores
que saíram de Faro e arredores e que foi
aumentando graças às condições naturais de abrigo das suas embarcações e reunir
as condições ideais para sair da barra sem o controlo das autoridades daquela
cidade.
Estes pescadores construíram
as suas casas de modo tosco e artesanal, mais parecidas com cabanas vulgares.
Isto aconteceu em meados do Sec. XVII.
Com o desenvolvimento
económico e o aumento da população Olhão obteve o estatuto de Freguesia e a
partir do Séc. XVIII, os Olhanenses foram autorizados a construir as suas
moradias em pedra e alvenaria. O edifício mais importante desta época foi a
Igreja de Nª.Sª. do Rosário que funcionava como a igreja matriz.
Em 1765 o Rei D. José,
atendendo ao pedido dos Olhanenses, concedeu-lhes o "Compromisso
Marítimo" que lhes outorgava a autonomia em relação a Faro.
A 16 de Junho de 1808 a
população revoltou-se contra a ocupação francesa que resultou num movimento de
contestação em toda a região,
resultando daí a expulsão dos franceses do Algarve. A seguir Olhão decidiu
enviar uma embarcação ao Brasil onde se
encontrava a corte do Rei D. João VI informando-o do grande feito. O Rei
condecorou os valentes marinheiros que atravessaram o Atlântico num pequeno "Caíque"
chamado "Bom Sucesso". Existe
uma cópia do referido caíque atracado ao pé do Mercado.
No dia 15 de Novembro de 1808
o monarca através de um alvará concedeu a Olhão o nobre título de "Vila de
Olhão da Restauração". A partir desta data o desenvolvimento económico com
as pescas e Empresas de Conservas, cresceu a um ritmo extraordinário, aumentado
enormemente a sua população até ao Sec. XXI.
A primeira vez que visitei
esta cidade foi em 1968 quando vindo da então chamada "Província de Angola"
de férias à Metrópole resolvemos eu e o Renato passar pelo Algarve,
aproveitando a viagem para visitar um amigo que tinha andado a estudar na
Escola Comercial e Industrial Júlio das Neves na mesma turma que eu frequentava
na cidade de Tomar.
Tratava-se do José António
Rodrigues de Campos que nesta altura morava em Ferreiras, próximo de Albufeira.
O Amigo José António e a
Família recebeu-nos com toda a simpatia e carinho, deu-nos comida e dormida que aproveitámos para visitar Albufeira e
Quarteira onde acabámos por acampar no Parque da Orbitur. Daqui partimos para
Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Stº. António.
Olhão, era nos anos sessenta,
uma Vila em grande expansão urbanística, mas o seu casario despertava-nos
enorme curiosidade pela simetria rectangular das casas com os seus terraços uniformes, as bonitas e decorativas chaminés, as varandas
e os azulejos que predominavam nas casas apalaçadas. As ruas eram muito
estreitas tendo uma avenida bastante larga e comprida que parecia dividir a
Vila em duas partes distintas, sendo que um dos lados era a chamada zona
histórica que ia até junto do Porto de Pesca. Já havia os dois mercados, um do
peixe e outro de hortaliças que nos deixaram espantados pela quantidade e boa
qualidade do pescado.
Os pescadores são por natureza
muito religiosos e aqui se ergueram para além da igreja de Nª. Sª: do Rosário e
de Nª. Sª. da Soledade que formam com a Capela do Senhor dos Aflitos o conjunto
monumental e religioso da cidade.
Para
além de serem muito ciosos das suas tradições mantêm um tendência natural para
contarem histórias muitas delas vividas no mar. Guardam na memória as lendas
antigas que seus ancestrais foram passando de geração em geração. Como exemplo
temos a lenda da Moura Floripes.
Só voltei a Olhão nos anos 80,
depois de ter conhecido quase todos os Parques de Campismo do Algarve. Acabámos
por nos fixar no Parque do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas em Olhão, não
só por ser o mais barato para nós, como o facto de estar junto à Cidade e
também pelas boas infra-estruturas que incluem um Restaurante, um pequeno Super
Mercado, duas piscinas de crianças e de adultos, bastantes casas de banho e
sombras magníficas dos pinheiros mansos que faziam parte do famoso "Pinhal
de Marim".
Naqueles vinte anos de
ausência a Vila tinha-se transformado numa bela cidade, sem se descaracterizar
na sua parte mais antiga, alargou-se para os campos com belas avenidas e
prédios modernos, alguns exageradamente altos confrontando-se com a
arquitectura tradicional, mas nada que se compare por exemplo com a Freguesia
de Quarteira que ficou completamente ensombrada com imensos apartamentos
alinhados uns aos outros abafando por completo o casario que nós admirávamos.
A cidade de Olhão alargou e
embelezou o seu espaço de lazer prolongando os seus jardins de um lado e outro
do bonito mercado junto à Ria.
Modernizou a sua Biblioteca, construiu-se
um elegante auditório municipal e um Centro de Saúde bem apetrechado a que não
faltou a implantação da Ria Shoping com lojas comerciais, restauração, cinema e
um supermercado.
Neste ano de 2014, o novo Presidente da Câmara resolveu
melhorar alguns locais da cidade com os arranjos de alguns pátios com novos
pavimentos e colocando no largo do Patrão Joaquim Lopes uma bonita estátua da
moura "Floripes", ligada a uma história tradicional desta cidade e
outra do "Menino dos Olhos Grandes".
Nestes anos fomos sempre que
possível fazendo viagens ao estrangeiro, intercaladas com a frequência do
Parque de Olhão que pouco a pouco têm tomado a primazia, principalmente nos
últimos anos fustigados pela crise que atingiram todos os portugueses e que em
nossa casa se fez ressentir com a diminuição dos vencimentos da reforma. O
Governo de Passos Coelho tem sido o
carrasco das classes mais desfavorecidas aumentando os impostos de forma
injusta.
A política do Governo de
Passos Coelho com as implacáveis medidas de austeridade e à subida desmesurada
dos impostos levou a que por todo o país fechassem milhares de lojas do pequeno
e médio comércio. Também Olhão tem sofrido com estas inclementes e destrutivas
práticas de governar e temos assistido de ano para ano ao fecho de lojas desde
as mais antigas à mais modernas, infelizmente nada tem escapado.
Temos visitado muitas vezes o
Casal José Campos e Arnalda que têm uma bonita casinha na Ilha de Armona, onde
nos oferecem opíparos manjares e actualizamos as passagens mais significativas
das nossas famílias.
Este ano soubemos que a sua
Família aumentou e já têm três netos, dois do filho mais velho e um do mais
novo. Nós aproveitámos para lhe apresentarmos a Susana e a sua filha, nossa
neta e muito querida Margarida. Visitámos o filho mais velho, o Nuno que é
gerente de das agências do BES em Olhão.
Este pequeno escrito, tem duas
finalidades, primeiro recordar e registar uma amizade que tem mais de quarenta
anos e em segundo lugar, prestar uma pequena homenagem à cidade e às suas
gentes que se têm demonstrado sempre muito simpáticas.
Da visita em Agosto de 2014
Martins Raposo